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17.7.20

7 unpopular opinions de filmes da Disney

 7 unpopular opinions de filmes da Disney

Tal como prometido aqui, trago-vos hoje  unpopular opinions versão Disney. Peço desde já desculpa por serem opiniões mesmo à miúda dos anos 90, não consta aqui nenhum filme realizado depois de 2010, é só clássicos ou live-actions. Sorry not sorry.

(Atenção: este post contém spoilers dos filmes "A Bela o Monstro", "Alice no País das Maravilhas", "Mulan", "Frozen", "Cinderela",  "Dumbo" e "Aladdin".)


1. As animações deviam voltar a ser em 2D: A primeira opinião impopular não é de um filme específico, mas de uma característica comum a todos atualmente. Aparentemente, está na moda as produções serem em 3D, em que se vêem todos os poros das personagens. Meus caros amigos, eu se me ponho a ver desenhos animados, é porque quero ver mesmo desenhos animados, com os seus traços de rosto e de corpo toscos. E é possível ter na mesma um pouco de realismo de desenhos. Vejam este candelabro em a "Bela e o Monstro. Olhem bem os pormenores! E isto em 1998!


2. A versão live-action de "Alice no País das Maravilhas" é melhor que a original: Se me pedirem para explicar, eu nem o posso fazer porque, para ser sincera, a versão animada dava-me sono, eu nunca conseguia acabar de ver. Contudo, a versão de 2010 é encantadora, adiciona profundidade emocional à história, e este soundtrack com a Avril Lavigne é lindo (bons tempos na década de 2010s, em que ela estava na moda). 


3. Se calhar até é melhor que "Mulan" de 2020 não tenha cenas musicais nem o Shang: Inicialmente, quando saíram as primeiras informações sobre a nova adaptação da Disney, eu juntei-me à revolta dos restantes fãs. Como assim, não vamos ter as músicas clássicas, o Shang ou o Mushu?! How dare you estragar a minha princesa favorita de infância? Mas assim que vi este trailer arrebatador, eu mudei logo de ideias! Ao que parece, desta vez iremos conhecer a verdadeira lenda chinesa da Mulan e, para tal, a Disney tinha que tirar todos os elementos como a magia e o romance, que desrespeitam um pouco a cultura chinesa - e que, além disso, tirariam o foco do ponto central da história, a honra pela família acima de tudo o resto, mesmo do próprio país. Estou mesmo curiosa para ver esta versão mais adulta da personagem da Disney que mais me inspirou, que vai estrear em agosto. 


4. Frozen não é o primeiro filme a mostrar que uma rapariga não precisa de um príncipe para fazer feliz: É tão irritante quando dizem isto, e o pior é que parece ser a opinião geral. Não querendo puxar a brasa para a minha sardinha (leia-se, para o meu filme favorito), but hello, e a Mulan? "Mulan" saiu em 1998, aquilo na altura é que era muito à frente do seu tempo. Esse sim, é que foi o primeiro a falar de feminismo, não "Frozen". Malta, eu sei que alguns de vocês já nasceram depois de 2000, mas vejam os clássicos antes de fazerem afirmações destas. 


5. Cinderela tem um enredo muito fraco: Um minuto de silêncio antes de continuarmos, pela Cherry de 5 anos que adorava a Cinderela. A "Cinderela" foi o único filme da Disney que vi em adulta cuja magia se perdeu imediatamente. Com os outros eu consegui manter a nostalgia e a ligação emocional da infância. Mas neste, esqueçam, eu encontrei um enredo cheio de falhas. Quase todos o têm (porque não se tinham os mesmos cuidados que temos agora para criar histórias que realmente representem toda a sociedade), porém este é absolutamente aborrecido. Que princesa sem sal, que depende de um vestido bonito e de um sapato para ser feliz. 


6. Dumbo é simplesmente doloroso de se ver: Eu sei que, na altura, a intenção já era chamar a atenção para o abuso dos animais por puros fins de entretenimento (outro filme muito à frente do seu tempo, lançado em 1941!). Ainda assim, eu não consigo vê-lo, nem agora em adulta. Vi uma vez quando era pequena e foi o que me bastou para me ficar a alma a doer toda a vida. A cena que mais me atormenta a cabeça é quando a mãe de Dumbo é presa por simplesmente tentar proteger o seu filho bebé. E a cena dele bêbedo é, na minha opinião, uma das mais pesadas que a Disney já fez, tendo em conta que o seu público alvo são crianças.


7. Will Smith foi um bom Génio: Quando foi divulgado o elenco da live-action de "Aladdin", foram muitos aqueles que ficaram descontentes com a escolha de Will Smith. A verdade é que não deve ter sido fácil para a Disney escolher alguém para desempenhar uma personagem que, anteriormente, foi interpretada pelo lendário Robin Williams. Embora Will Smith nunca pudesse substituir este grande actor na perfeição, ele foi uma excelente escolha. Para fazer de Génio, era preciso ser cómico (óbvio!), ser dramático, saber cantar, dançar, e o ator sabia fazer isto tudo com distinção. 


E vocês? Quais são as vossas unpopular opinions sobre a Disney? 

9.7.20

5 razões pelas quais seres magro/a não te irá fazer automaticamente feliz

5 razões pelas quais seres magro/a não te irá fazer automaticamente feliz

Esta semana foi lançada uma capa da revista "Womens Health" que gerou um pouco de controvérsia. À primeira vista parece mais uma no meio de muitas, contudo, se olharmos mais a fundo, contém certos aspetos que podem dar azo a más interpretações. Portanto decidi ser mais uma blogger a falar do assunto. Não sou nutricionista nem psicológa, sou enfermeira, no entanto neste post não vou escrever sob esse papel, vou fazê-lo apenas como de mulher, e como uma outrora adolescente que  lia estas revistas e, apesar de já ser magra (supostamente o topo do padrão de beleza ocidental), me questionava porque é que tinha estrias e barriga a mais e aquelas mulheres das capas não. Mas isso era em 2000 e tal. Ainda me faz um pouco de confusão ver revistas em 2020 com esta linha editorial, numa era em que reinam as redes sociais que (à partida, muitas vezes não é o caso como todos sabemos) nos aproxima mais de pessoas reais.

Antes de mais nada, quero dizer que não tenho nada contra quem quer a mudar o seu corpo, aliás eu apoio todos os meus amigos que desejam embarcar na aventura da perda de peso. Tento é apoiá-los de forma a que não o façam pelos motivos errados nem de formas pouco saudáveis e duvidosas, para que este processo seja o mais satisfatório possível para eles.

Vou fazer apenas um breve resumo da situação que gerou polémica, para quem ainda não tem conhecimento e contextualizar o tema que quero abordar. A influencer que foi convidada pela revista afirma ter-se esforçado para perder peso nos últimos 7 meses. Até aqui tudo bem. O problema foram algumas afirmações que fez a seguir. Uma nutricionista no Twitter, a Helena Trigueiro, fez uma série de tweets que explicam melhor do que eu o porquê destas afirmações serem um pouco problemáticas, que  convido-vos a ver antes de continuarem a ler. 

Acima de tudo, aquilo desejo a todas as pessoas que estão a mudar o seu estilo de vida para se sentirem melhor consigo mesmas é que  esta mudança vos traga alegria, mas que percebam que esta acarreta que se façam mudanças interiores, nomeadamente a nível de autoestima, similarmente drásticas. Porque, momento chocante, ser magro/a não vos irá fazer automaticamente felizes (acreditem, eu sei do que falo, fui assim a vida toda), e passo a explicar porquê. 


1. Não vos vai dar mais autoconfiança: Ao contrário da crença popular, perder peso não nos aumenta a confiança automaticamente. Às vezes sim, até acontece, por ser a única coisa na nossa vida com a qual estávamos insastisfeitos, apenas medianamente (da mesma forma que quem está insastifeito com a cor do cabelo e o pinta de outro cor) porém, grande parte das vezes, esta necessidade está ligada a inseguranças muito mais profundas do que isso, talvez de anos, que precisam de ser trabalhadas com a mesma intensidade. O velho cliché dos filmes (embora um pouco inadequado) de uma pessoa dita "normal" que continua a ver-se como "gorda" é verdade. Aprendermos a amar o nosso corpo demora muito mais tempo do que emagrecer, e aceitarmos que, mesmo depois de uma mudança incrível, continuaremos a odiar coisas nele ainda custa mais a aceitar. É preciso tempo, muito tempo, muito apoio das pessoas que nos amam, e muitas frases positivas ao espelho para realmente aumentarmos a nossa autoconfiança.

2. Tira o foco da saúde: Algo que vejo muito nas redes sociais é o facto de estarem sempre a focarem-se no peso e não na saúde. Ser magro/a não vos torna automaticamente mais saudáveis. Eu que o diga que, quando era mais nova, comia imensas porcarias (principalmente chocolate, a minha perdição). Eu era magra, mas tinha zero de estilo de vida saudável. Agora sinto-me muito melhor que não bebo refrigerantes, bebo água todos os dias e tento ter uma alimentação o mais variada possível. Este ponto depende muito da forma que escolhem para emagrecer, se por uma via mais saudável ou menos saudável. E também, claro, de fatores que não controlam, como a genética, que podem influenciar o vosso índice de massa corporal. O mais importante, no final da mudança, não é número da balança, é o que vocês comem. 

3. Não vos vai dar amigos nem uma melhor vida amorosa: Não sejamos hipócritas, obviamente que a aparência tem um grande peso na formação nestes dois tipos de relações. Contudo, não é o único factor que importa na equação das relações humanas. Eu adoro uma citação que é muito ilustrativa daquilo que quero transmitir aqui - "beauty comes from within" (traduzindo, a beleza vem do interior). Eu falo por mim, eu automaticamente considero as pessoas mais bonitas consoante a personalidade. E não é preciso eu falar muito com elas, noto logo na primeira impressão, as pessoas em si transmitem uma energia muito própria que faz com que outras se interessem em falar com elas. Eu acho que essa é a verdadeira magia da socialização, mais do que uma boa aparência.

4. Pode não vos abrir mais portas: Mais uma vez, não sejamos hipócritas, uma boa aparência é importante em muitos sítios, até nas entrevistas de emprego. Mas não é tudo. Simpatia, à vontade, ser social e ter competências para a experiência oferecida são ferramentas que abrem muitas mais portas do que o vosso corpo (a não ser que sejam modelos, nesse caso ainda é o que pesa muito). Podem achar que sim, que perder peso vos abriu mais portas, porque lá está, tem a ver com o ponto 1, a vossa autoestima foi igualmente trabalhada  ao mesmo tempo, e isso teve muito mais influência numa oportunidade que tenham conseguido.

5. Não vos torna, no imediato, pessoas mais felizes com a vida: Emagrecer pode ser um passo para serem mais felizes, no entanto, na complexidade que são as vidas humanas, há tanta coisa que pode afetar a nossa felicidade, que considerar que isso é a garantia para sermos logo mais felizes é um pensamento falacioso. E não vejam isto como algo dececionante. Há tantas coisas que podem fazer para sentir alegria, todas uma luta diária mas, ainda assim, todas gratificantes no final. Emagrecer é a só uma delas, pensem nisto como um passo no grande plano de objetivos que podem atingir, não é entusiasmante existir possibilidades infinitas de sermos melhores?


Independentemente daquilo que a sociedade estabeleça como "bonito", o que importa aqui é gostarem ou aprender a gostar de vocês mesmos, e a imagem que vêem ao espelho corresponder à forma como se sentem, verdadeiramente bem.  

6.7.20

Um novo projeto em Enfermagem: e como me podem ajudar

Um novo projeto em Enfermagem: e como me podem ajudar

Chegou o dia em que finalmente posso revelar o projeto académico em que eu e o meu namorado andamos envolvidos durante toda a quarentena!  Deu-nos imenso gosto trabalhar nele e estamos tão ansiosos por vos mostrar o resultado final!

Este projeto foi realizado no âmbito do concurso H-HINNOVA - Health Innovation Award, que pretende premiar os estudantes universitários nacionais e internacionais que apresentem as ideias mais inovadoras em áreas específicas da saúde, nomeadamente em meio hospitalar. Foi neste sentido que desenvolvemos um máquina de distribuição de medicação que, a ser implementado, constituirá o passo seguinte em inovação em saúde - o AccioPharm (qualquer semelhança com a saga "Harry Potter" é pura coincidência... ou não). 

De uma forma muito sucinta, o AccioPharm é um sistema de gestão de terapêutica que agiliza a preparação e administração de medicação por parte dos enfermeiros, de forma rápida e mais eficaz possível. Com recurso a Inteligência Artificial, basta confirmar a medicação e esta é preparada automaticamente. Se, por exemplo, uma dada medicação for desaconselhada, como um antihipertensor, por um doente com tensões normalmente altas apresentar hipotensão em determinado dia, a máquina gera um alerta, tendo o enfermeiro responsável de aprovar ou cancelar a sua preparação. Assim, AccioPharm visa ser um complemento revolucionário na prática dos profissionais de saúde, ao reduzir o erro terapêutico em meio hospitalar, assim como os custos associados aos cuidados de saúde. 

Onde entram vocês? A última fase deste concurso requer a votação dos vídeos de apresentação das ideias dos grupos participantes. E preciso da vossa ajuda para o nosso projeto arrasar nas votações. A todos vocês que me acompanham, que gostam de ler o meu conteúdo, sobretudo o relacionado com Enfermagem, que estão há 5 anos a ver-me desenvolver ideias, espero que reconheçam agora valor neste projeto e que votem, partilhem nas redes sociais e com as vossas pessoas, que façam este vídeo chegar ao maior número de pessoas! O prémio, 2500 euros para cada elemento do grupo e uma oportunidade de implementar o AccioPharm juntamente com os melhores investidores é tentador e seria uma grande experiência profissional!


Como Votar?


A votação é bastante simples e intuitiva, não há cá formulários chatinhos. Basta possuírem uma conta de Instagram e seguirem apenas 3 passos:

1- Seguir a conta de Instagram do H-HINNOVA HUB (muito importante caso contrário o voto não conta!)



2 - Clicar no vídeo H2047 - Group from University of Minho 



3 - Colocar um gosto. 

O passo a passo de como votar ficará, até ao final de julho, disponível nos destaques do meu perfil de Instagram para o caso de terem dúvidas. O vosso voto será muito valioso para o nosso projeto, uma vez que o vídeo mais votado irá diretamente para a final do concurso! Eu e o meu namorado ficaremos muito gratos pelo pequeno sacrifício de tempo. Desde já, muito obrigada pelo apoio e desejem-nos the best of  luck. 

4.7.20

Livro: The Ballad of Songbirds and Snakes


Todos os fãs de "Hunger Games" sempre imaginaram uma data de possíveis prequelas que a Suzanne Collins poderia fazer - dos primeiros Jogos da Fome de todos, do Finnick e da Annie, dos jogos em que o Haymitch participou.... No meio destas hipóteses todas, acredito que ninguém esperava que a prequela fosse, na verdade, sobre o Snow. Passámos tanto tempo a odiá-lo que não nos ocorreu ler um livro em que ele fosse o protagonista. Confesso, foi um golpe de génio da Collins, por muito que alguns não tenham gostado desta abordagem (eu, ao início, não sabia se iria gostar), aguçou e muito a curiosidade dos leitores! Aqui fica a minha opinião.


Sinopse


"The Ballad of Songbirds and Snakes" revisita o mundo de Panem 64 anos antes dos eventos principais dos Jogos da Fome, no tempo da Katniss Everdeen, começando na manhã após a ceifa dos 10º Jogos da Fome.


A minha opinião


Antes de mais nada, aviso-vos que qualquer expectativas que tenham em relação a "The Ballad of Songbirds and Snakes", não vai coincidir para a realidade. Uns vão adorar, outros vão odiar - pelo menos é a sensação que tenho, pelas opiniões que tenho vindo a ler das reviews. Em primeiro lugar, este é um estilo de escrita muito diferente da saga original. Tem na mesma os seus plot twists (chocantes!), porém tudo é narrado num tom mais filosófico, a um ritmo mais lento. E, em segundo, porque esta não é a típica história de vilão, é muito mais complexo que isso, e passo já a explicar. 

No início da história, Coriolanus Snow tem 18 anos, e os 10º Jogos da Fome estão prestes a começar. Os estudantes da mais prestigiada escola do Capitólio são os mentores - aliás, é a primeira vez na História de Panem que existem mentores. Esta é, portanto, uma reflexão dos primeiros anos dos Jogos da Fome. Principalmente - aquilo que mais me despertou a atenção - do ponto de vista do Capitólio. Vemos também, pela primeira vez, os efeitos devastadores que a guerra causou na capital de Panem - supostamente seria de esperar que não tivéssemos pena, mas Snow tinha apenas 8 anos quando a guerra aconteceu, e era surpreendentemente pobre. 

Estão aqui os ingredientes reunidos para sentirmos empatia pelo Snow, algo que nunca imaginámos que fosse possível. O seu início de vida modesta, a sua oposição inicial aos Jogos de Fome, a lealdade que tinha para com os seus amigos são alguma das coisas nunca antes vistas nele. Mas não se deixem enganar, como seria de esperar, também estão aqui reunidos todos os ingredientes para essa empatia ser completamente destruída no final. Depois daquele final, eu passei-o a odiar ainda mais do que em "The Hunger Games" e não achava que isso fosse possível! Apesar de esta não ser uma história sobre a ascensão de um vilão, tal como já expliquei acima, vemos isso claramente nas últimas páginas do livro, quando a sua ambição desmedida começa a falar mais alto. 

Outra coisa inesperada nesta prequela é a existência de uma paixão por parte do Snow. Lucy Gray, para ser mais precisa, o seu tributo, de onde, meus amigos? Do distrito 12 (que escândalo!). Mesmo sabendo que tal não iria acontecer, à partida (terão de ler para saber) estive todo o tempo a torcer para que ficassem juntos. Até porque a Lucy Gray é tão carismática e encantadora (dava uma melhor protagonista que a Katniss). Todavia, como seria de esperar, este amor esconde um fundo de egoísmo, porque o Snow nunca seria capaz de se entregar a ninguém sem obter nada em troca. 

Como se o livro já não fosse juicy o suficiente, ainda existem um easter eggs nele (por exemplo, de onde realmente veio a música "The Hanging Tree"),  para os fãs nostálgicos desta série distópica. Para aqueles que esperavam uma prequela diferente, esta é também uma oportunidade de satisfazerem a vossa curiosidade e descobrir algumas coisas que sempre quiseram saber. Foi muito giro para mim ver algumas coisas  (sem estragar as surpresas) que passaram para a história principal, 75 anos depois. 

"The Ballad of Songbirds and Snakes" não é nem pretende ser o sucesso arrebatador que a saga original foi, está, aliás, longe de ser memorável. É um relato introspetivo, que tem como único objetivo adicionar mais profundidade à história de Panem. Mesmo não sendo essencial, se adorarem a saga recomendo vivamente a lerem.


Livro: Wook; Bertrand.

(Nota: Esta publicação contém links de afiliados)

1.7.20

5 coisas: junho 2020

 5 coisas: junho 2020

Há uns dias, li um tweet com o qual acho que a maior parte das pessoas se identifica atualmente "já estamos em junho, mas ficamos todos parados em março de 2020"- bem, pelo menos as mais sensatas, não estou a incluir aqui as pessoas que nem sequer chegaram a saber o que era uma quarentena por não terem cumprido. Ainda estamos a pensar no que 2020 poderia ter sido, e as nossas regalias que nos foram dadas parecem-nos diferentes daquilo que nos lembrávamos. No seu sexto mês,  o plot twist que esperávamos que este ano tivesse parece-nos cada vez mais longe.

Apesar disso, pelo menos a meu ver, estão a ser dias mais solarengos. Tudo aquilo que mais precisava durante a quarentena era estar com as minhas pessoas, o que maio trouxe. Agora tudo parece mais descomplicado. Estou a aprender, em conjunto com elas, que tudo se improvisa e que todos os planos podem ser adaptados e igualmente divertidos, sem prejudicar a saúde pública. Têm sido dias mais relaxados, em que o Covid já não é o assunto mais presente nas nossas mentes e vamos também aos poucos, fazendo mais afazares rotineiros que nos dão uma sensação de equilíbrio e que estamos a reorganizar, aos poucos, tudo o que tinha ficado pendente nas nossas vidas.



5 coisas que aconteceram


1. Novidades do projeto académico: Lembram-se de vos ter contado em abril que estava envolvida num projeto académico? Bem, estou prestes a poder dar-vos mais novidades (saberão já agora no início de julho), vem aí uma votação se irá realizar pelo Instagram, na qual vocês poderão contribuir se quiserem dar uma ajuda. Realizei este projeto com o meu namorado (algo que nos ajudou também a encurtar a distância durante a quarentena) e estamos orgulhosos do resultado final. Mesmo com as dificuldades impostas com o confinamento, a distância, a lentidão da net a atrapalhar, conseguimos criar algo que, a ser implementado, poderá revolucionar os hospitais que aderirem. 

2. S. João: Das coisas que mais senti falta até agora, em 2020, foram, por mais engraçado que pareça, as festas populares. Não sou muito de sair à noite, mas adoro o ambiente de festas de aldeia, para começar por ser ao ar livre, pelas iluminações, pelas farturas, pelos carrinhos de choque (sou uma eterna criança, que se há-de fazer).... O S. João aqui em Braga, à semelhança do Porto, é uma grande festa que, pela primeira vez, não se festejou com pomposidade. Ainda assim, não faltou o cheirinho a sardinhas pelas ruas, as conversas animadas na casa das pessoas e as habituais músicas pimba. Foi tudo muito civilizado aqui no Norte, todas as orientações da DGS foram cumpridas, o que não me surpreende, neste tipo de festas sempre achei que as pessoas seriam capazes de cumprir, porque é muito fácil transferirem as festividades para as suas casas. 

3. Idas ao centro comercial e uma forma diferente de fazer compras: Neste momento, tenho me mantido ao máximo longe da confusão da cidade, só abri exceção para uma coisa - para os centros comerciais. Em dias da semana e horas estratégicas, meus amigos, nunca pensei dizer isto, mas aquilo é o paraíso! Nunca vi um centro comercial com tão poucas pessoas, nas duas ocasiões em que fui lá  (sempre para compras que já andava a precisar há que tempos). Tirando a Primark, isso aí são filas daqui até à China, aquilo é sempre um campo de batalha (já não vou ser patrocinada por eles, but I dont care). Não sei se não se deverá ao facto de não ser tão atrativo passear lá agora, não se podendo experimentar roupas ou estar muito tempo dentro de uma loja. Parece que estamos a fazer compras de supermercado, vamos lá buscar o que queremos, trazemos roupas duplicadas para poder decidir se, por exemplo, nos fica melhor um S ou um M, e voltamos lá no dia a seguir para devolver o que não queremos. É quase tão rápido como se tivéssemos a comprar online, com a vantagem em que realmente podemos ver o tecido como ele é antes de comprar.  Mais eficaz era impossível!

4. Ecovia do Vez: A escolha dos meios rurais em detrimento da cidade tem sido mesmo a minha aposta para passear durante esta pandemia. Não há nada como ir um dia literalmente para o meio do nada, sem rede, sem mensagens/chamadas, sem hipótese de publicar fotos no Instagram na hora, para esquecer temporariamente o resto do mundo. No final de julho, decidi aventurar-me por um dos muitos trilhos que Arcos de Valdevez tem para oferecer, a Ecovia do Vez. Numa de coragem e talvez um bocado de maluquice, fiz o percurso completo (são 32 km!) . As paisagens são tão bonitas que nem notamos os quilómetros. Pode soar um pouco masoquista, mas quero fazer mais trilhos este verão - ok, mas só depois de me esquecer com as dores musculares que fiquei, que agora ainda pareço uma velhinha a andar. 

5. Normalização de recusar os planos por questões de saúde pública: Dando uma de diário de quarentena outra vez (por esta altura, diário de desconfinamento) porque ainda não há muito para contar em rubricas mensais, gostaria de falar aqui de uma coisa: o problema que as pessoas já estão a ter em recusar planos. Voltou a ser mal visto recusar planos sociais mais depressa do que se esperava, para desgraça de todos os introvertidos que andam por aí e não só. Para alguns, quase que parece mal visto continuar a cumprir certas precauções para evitar a propagação do vírus. Não estou a falar por experiência própria nem por experiência dos meus familiares/amigos, mas noto isto na malta jovem, sobretudo nos adolescentes. Se são uma dessas pessoas, que está a sentir pressão para aceitar planos, quero que percebam algo: não têm de se justificar. Se um plano não vos agrada, simplesmente rejeitam. Se, por exemplo, o plano consistir em ir para uma esplanada na praia cheia de pessoas e não se sentem confortáveis, não se sintam esforçados a ir só porque o vosso grupo de amigos já o faz. Parecendo que não, ainda estamos numa fase inicial de desconfinamento (tanto que nem está a ser igual em todas as regiões do país, algumas já tiveram que retroceder), e também todos nós estamos a desconfinar de modo diferente, de acordo com o nosso bem estar e preferências. 


5 coisas que adorei



1. Ler Harry Potter aos 27 anos: Há ainda um grande preconceito na literatura, associado ao facto de se ler livros infanto-juvenis na idade adulta. Como se os livros tivessem uma idade limite! Todos os fãs de Harry Potter então passam a vida a ouvir "mas tu ainda lês isso?". O que é estúpido, porque até é bastante comum muito destes fãs só se cruzarem com a saga em adultos, como é o caso da Andreia. Numa publicação muito completa, a Andreia mostra-nos como é entrar no universo de Hogwarts aos 27 anos. Reflete também sobre os prós e os contras que a jornada exige numa idade mais madura. 

2. Tempo de mudança: Com a morte chocante de George Floyd, o racismo voltou a ser muito debatido em julho. Em pleno 2020, os polícias brancos continuam a justificar a morte de pessoas negras na estrada com a típica frase "eu tenho família e tenho medo", desconsiderando completamente que as pessoas mortas pelas suas mãos também tinham uma família e não tiveram sequer hipótese de defender. Foi, portanto, muita a informação que surgiu na Internet a respeito deste tema, alguns mais claros do que outros. De todas as publicações/vídeos que vi, o da Mariana Gomes foi o mais completo. Juntamente com o namorado, Duarte, debateram o conceito do racismo, a história toda por detrás do mesmo e, no final, também sugeriram vários documentários, filmes e livros sobre o tema. 

3. Portuguesa demais para ser Africana, Africana demais para ser Portuguesa: Ainda sobre a discriminação racial, a Lyne partilhou no seu Instagram um vídeo da "Uma Africana", que me fez compreender melhor o modo como dois conceitos  distintos, nacionalidade e etnia podem coexistir dentro de uma pessoa. Como luso - africana,  a resposta à pergunta "De onde és?" nunca será curta para ela porque, tal como ela explicou, vive na interceção das duas culturas.

4. 3º episódio de "20 min de criação"- Gramática: "20 min de criação" é uma série de vídeos de Instagram, criado pela Sofia Costa Lima e Diogo Simões, para falar sobre escrita. Todas as temáticas abordadas até agora foram muito interessantes, mas o 3º vídeo, sobre gramática, é um must-watch! Tal como a Sofia disse a determinado momento, não damos gramática o suficiente na escola, e é essencial mantermo-nos atualizados. A Sofia e o Diogo, no final, partilham ainda sugestões de livros que nos ajudam a dominar melhor a gramática.

5. Estátuas Derrubadas: No calor dos protestos, "Black Lives Matter", deu a sensação que poucos foram aqueles que consideram as estátuas derrubadas como um ato de vandalismo. Apesar de ser a favor da causa, não posso compactuar com atos como estes, que mostram que muitos não sabem interpretar os acontecimentos históricos com o devido distanciamento. Neste texto, a Leonor apela que se contextualizem estes acontecimentos históricos em vez de os apagarmos para sempre, impedindo as gerações futuras de aprender com os erros do passado. 


Lembrem-se, a pandemia ainda não acabou, portanto aproveitem o verão da forma mais segura possível.

(Foto: da minha autoria)

23.6.20

Reli "The Hunger Games" em adulta - e estas foram as coisas que me apercebi

 Reli "The Hunger Games" em adulta - e estas foram as coisas que me apercebi

(Atenção: Este post contém spoilers)

Este ano, estão a ser lançados vários livros de sagas antigas, como o Crepúsculo (que eu não vou ler, nunca fui fã), e do "The Hunger Games" (uma prequela que foi lançada em maio, "The Ballade of Songbirds and Snakes"). Como 2020 não está a ser nada de jeito, os autores parecem ter pensado que era melhor ideia fazer uma viagem no tempo a 2012. Neste pretexto, decidi fazer também uma viagem no tempo ao ler uma das sagas que me marcou a minha adolescência. 

A primeira vez que li a saga "The Hunger Games" eu tinha 16 anos, e reli-a agora, aos 23 anos - é, portanto, uma leitura muito diferente daquilo que me lembrava. Passaram 7 anos, afinal! Continua próxima do coração, mas há tantos pormenores que na altura me escaparam e outros que ficaram muito mais claros que antes.


1. Esta não é a tradicional história "O/a escolhido/a revolta-se contra o governo ": Esta é a principal fórmula utilizada em muitas das distopias  que conhecemos (como, por exemplo, " The Handmaids Tale"), em que a personagem principal é aquela que incita tudo, no entanto não isso que se verifica em "The Hunger Games". Aqui, Katniss é apenas uma jovem de 16 anos que, como seria de esperar em alguém da sua idade, não faz a mínima ideia do que fazer, muito menos no cenário de uma revolta/guerra. Ela assume-se como símbolo da rebelião, mas todo o seu percurso é traçado por conselheiros, como o Haymitch e o Cinna.

2. Foi o Cinna que lançou a faísca para a revolução: Esta foi a maior surpresa que tive ao reler a saga. Quando a li pela primeira vez, a minha ideia é que tinha sido a Katniss a lançar a faísca da revolução, logo a partir do momento que se voluntariou para salvar a irmã mais nova. Mas a verdade é que a sua coragem nunca seria o suficiente para criar uma revolução, sobretudo com a sua personalidade fria e distante. Quem realmente atirou a lenha para aquela que se tornou uma grande fogueira foi o Cinna. Por incrível que pareça, foram as suas capacidades como estilista que a tornaram visível e lhe deram o look de uma verdadeira rebelde, juntamente com a sua amizade tão fiel que partilhava com ele. Tanto que, em "Catching Fire", ele paga com a própria vida ao produzir um vestido que é uma verdadeira ofensa para o Capitólio - um vestido de noiva que se transforma num  Mimo-Gaio.

3. Katniss e Peeta tem papéis tradicionais revertidos: Aposto que quase ninguém notou nisto, porque estavam demasiado ocupados a apreciar o drama do triângulo amoroso, mas é um facto, o Katniss e o Peeta não só  não se conformam com os papéis tradicionais, como os revertem completamente. Katniss é uma caçadora profissional, corajosa, fria, enquanto que o Peeta é um padeiro, adora decorar bolos e é mais sensível. Suzanne Collins já a ser demasiado para a frente naquela altura!

4. Irrita-me que, a partir de determinado momento, a saga gire em torno do triângulo amoroso: Esta é uma das razões pelas quais eu odeio o terceiro livro. A história geral tem tanta profundidade e acaba por ser reduzida ao típico cliché de adolescentes. Além disso, na altura em que de "The Hunger Games" foi lançado, toda esta cena de triângulos amorosos já estava demasiado batida há que tempos!

5. O presidente Snow sangra da boca: Nunca tinha percebido muito bem esta parte, apesar de estar nos livros. Talvez porque na minha primeira leitura de "Mockingjay" eu tenha desligado em várias partes, de tão longo e secante que era. Eu pensei que era alguma patologia respiratória (alerta nerd nurse), mas estava errada. Aparentemente, o Snow, para subir ao poder, envenenou vários dos seus adversários ao longo dos anos. Deitava-lhes veneno nas bebidas, bebendo ele próprio veneno no seu copo, para não levantar suspeitas. Claro que tinha um antídoto, contudo isso não impediu que o Snow ficasse com lesões permanentes, daí a tosse com sangue. 

6. A Presidente Coin é a verdadeira vilã da saga: Tal como já disse, não me julguem, claramente que na altura eu pouco percebi do que se passava no terceiro livro (imaginem então o filme, que apenas era um mero resumo dos acontecimentos). Claro que eu já percebia que havia algo de off na Presidente Coin. Ainda assim, lembro-me de ficar super estupefacta quando a Katniss, no final, decide matá-la a ela em vez do Presidente Snow. A única explicação  lógica que encontrei para isso é que, com o trauma pós-guerra, ela tinha enlouquecido! Lendo agora aos 23 anos, ficou mais óbvio que nunca que a Presidente Coin não só mereceu ter morrido assim, como também é a verdadeira vilã da saga. Arrisco dizer que ela nunca quis saber da rebelião para nada, nunca quis saber dos 75 anos de opressão de Panem, apenas queria roubar o poder do Presidente Snow. Se a Katniss não a tivesse assassinado, Panem seria apenas uma versão diferente de opressão. 

7. A Katniss poderia ter acabado como o Finnick se não fosse a revolução: No início de "Catching Fire", é insinuado pelo próprio Finnick que ele "vende o corpo" em troca de segredos, o que contribui ainda mais para a sua imagem de egocêntrico. Todavia, no livro a seguir, descobrimos que ele, na verdade, fazia isto porque não tinha outra opção. Os vencedores mais jovens e bonitos dos Jogos da Fome tinham, muitas vezes, o mesmo destino, para pagar dívidas que nem todo o dinheiro do mundo poderia pagar (como, por exemplo, afrontas ao Capitólio). Isto já é mais uma teoria minha do que um facto, mas a Katniss, se não fosse a história dos "amantes condenados", poderia ter tido o mesmo destino, jovem e bonita como era também, para pagar pelo truque das bagas.


Já (re)leram esta saga? A que conclusões chegaram?

(Foto: da minha autoria)

18.6.20

Temos que normalizar o consentimento em crianças

Temos que normalizar o consentimento em crianças

Um dos traumas (na falta de melhor palavra, não que seja algo extremamente traumatizante comparado com outras questões, claro) que todos nós recordamos da nossa infância são os amigos dos nossos pais e familiares distantes que nos beijavam, abraçavam e apertavam as nossas bochechas antes de podermos sequer soltar uma lagriminha a demonstrar o nosso descontentamento. Isto para não falar do que quando éramos nós que éramos forçados a ser ativos nas demonstrações de afeto, "vai dar um beijinho ao tio" (o qual nunca o vimos na vida) ou "não se ignora as visitas, vai dar-lhes um abracinho". Ah, maravilhas da vida adulta, agora só cumprimentamos quem queremos e ignoramos o resto, graças a Deus, hehehehe. Isto, na altura, era um drama mais do que os adultos conseguiam compreender, era o fim do mundo para muitos miúdos.

O consentimento em crianças sempre foi uma coisa muito normal para mim, talvez por ainda ter bem presente este trauma na minha cabeça. Nunca dei um beijinho ou um abraço a uma criança sem antes lhe pedir, é automático, algo do género "és tão fofinha, posso dar-te um beijinho?. Às vezes a criança nem precisa de verbalizar para eu perceber aquilo que ela consente, se se aproximar tudo bem, se fugir para o colo da mãe, pronto, não a chateio mais, é simples. 

Acho que esta minha atitude também tem muito a ver com o facto de eu, agora, ser enfermeira. Em enfermagem, quando nós falamos na construção de uma relação terapêutica, nós nunca a tomamos por garantido, e isto também se aplica à pequenada. Claro que, em último recurso temos na mesma que realizar os procedimentos (nomeadamente, as vacinas, as que causam mais choradeiras), mas nunca o fazemos sem antes tentar ganhar a confiança de determinada criança. Uma criança mais à vontade e mais entretida pelo profissional terá mais hipóteses de colaborar do que uma em que essa relação tenha sido logo tomada como garantida. Se até em Enfermagem não tomamos isso por garantido, porque  o fazemos no nosso dia a dia?

Temos que perceber uma coisa de uma vez por todas: as crianças, embora ainda não sejam adultos, já têm indícios de traços de personalidade que se inclinam mais para o ser social ou para o ser mais recatado. Não podemos partir do princípio que todas as crianças são extrovertidas à nascença. São-no com quem conhecem, com quem convivem todos os dias, não significa que o sejam com toda a gente. Lá por serem, por natureza, divertidas e sem filtros, não quer dizer que seja sempre esse o seu modo de agir. Há crianças mais tímidas, em que estes atos de afeto "obrigatórios" as aterrorizam. E isto já nem entrando no tema das fases de desenvolvimento, em que as crianças estão a começar a aprender a "desapegar-se" dos pais e a desenvolver mais contactos sociais - é uma fase normal, algo que tem de ser ultrapassado, mas é com sensibilidade,  devagarinho, não é simplesmente forçá-las, de repente, a dar-se com toda a gente. 

Aliás, no que toca a relação sociais, os pequenos são quase iguais aos adultos: todas as relações se demoram a desenvolver, existem tempo (esta noção de tempo é que é um bocado diferente para eles), confiança e, muito importante, respeito pelo espaço pessoal. Por exemplo se,  aos 20 anos, um primo nosso nos apresenta um amigo, não lhe vamos dar logo um abraço como se o conhecêssemos há anos, porque motivo então é expectável que façamos isso quando temos 5 anos? Mesmo que essa pessoa faça parte da família, se não é costume ela ver a criança com frequência, não podemos esperar que ela tenha a mesma reação do que aqueles familiares que vê todos os dias, ou todos os fins de semana. Lá porque é conhecido dos pais não quer dizer que seja conhecido dos filhos. 

Temos que começar a educar os miúdos desde pequenos para a importância do consentimento: consentimento para afetos, para deixar ou não entrar no seu espaço pessoal, para brincar, e dar-lhes o direito de ficarem chateados caso este seja violado. Acho que esta autonomia é tão importante na vida adulta, porque um comportamento aparentemente inocente na infância pode desencadear relações abusivas no futuro. Quando crescerem, têm de ser capazes de avaliar corretamente se certa pessoa é ou não merecedora do seu afeto, definir os limites que não quer que sejam ultrapassados, reconhecer os seus direitos, e outras formas que podem usar para manifestar amizade (by the way, porque não normalizar que, se não quiserem dar beijinhos a todos os tios, podem mandar beijinhos para o ar, cumprimentos de mão,  high-fives, todas as formas que requerem pouco ou nenhum contacto físico?). 

Acho que insistir nesta temática não significa que estejamos a criar pessoas rudes e antissociais, estamos sim a criar pessoas que sabem respeitar-se e que não dão confiança a qualquer um. Temos que começar a normalizá-lo. Quanto mais cedo aprenderem, mais fácil será no futuro.