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14.7.19

Diário de preocupações: uma ajuda invulgar

Diário de preocupações: uma ajuda invulgar

Com o passar de tempo e o início da vida adulta, percebemos que o stress e a ansiedade nunca desaparecem realmente, só mudam de alvo. É comum registarmos as tarefas que nos preocupam para as resolvermos na hora, mas depois essas ficam esquecidas para sempre em listas que vão parar ao lixo. Mas e se as registássemos, como se fossem memórias num diário? E se criássemos um diário de preocupações? 

Se pensarmos bem, nós nunca refletimos sobre as nossas preocupações passadas e, portanto, muitas vezes, quando enfrentamos novas, sentimo-nos de novo como crianças a aprender a lidar com o mundo. Mas fazer uma revisão nos nosso antigos desafios dá-nos uma nova perspetiva sobre os novos. 

Sendo eu uma pessoa ansiosa por natureza e que sofre muito por antecipação (muito mais do que gostaria de admitir) é muito difícil para mim lembrar-me desses desafios passados recorrendo apenas à memória, por isso preciso de uma forma de os registar. 

"Mas registar as nossas preocupações não as vai piorar, principalmente quando somos ansiosos crónicos?" Eu sei, registá-las, principalmente quando, muitas vezes, são sempre as mesmas,  parece ser desnecessário e contraprodutivo, e eu própria pensava isso até começar a fazer isto regularmente. Aí descobri que, ao escrever todas as minhas inquietações, estas ficavam com menos poder. Algumas delas voltam sempre, porém já são menos horríveis, e dão-me força para as novas que vão aparecendo. Manter esta espécie de diário ajuda-me a relativizar um pouco as situações, e a acalmar a minha cabeça que parece que anda sempre a mil à hora.

Como fazer um diário de preocupações?


1. Escolhe um meio de registo prático: Esquece os meios tradições de journaling, com diários bonitos e canetinhas. Acredita, vais querer algo prático e rápido de registar, porque quando estás com uma carrada de problemas e com imenso stress, a última coisa que vais querer fazer é teres que te sentar em frente a uma secretária para os registar. Tem que ser um meio que te permita registar as tuas preocupações a meio de um dia, em qualquer lugar. Eu utilizo uma app de notas do telemóvel (escondida, naturalmente) porque, apesar de adorar e achar relaxante escrever em papel, é aquilo que, frequentemente, tenho mais à mão. 

2. Regista em forma de lista: Eu sei que qualquer dia me vão querer bater de tantas vezes que lêem a palavra "lista" neste blog, mas eu não tenho culpa deste ser o melhor método de organização que existe. Neste caso em específico, vais querer manter um registo o mais simples e conciso possível, porque para prosas cheias de imaginação já basta a tua mente. 

3. Analisa alguns destes receios: Não faças isto com todos os receios, porque muitos são passageiros e não merecem essa importância. Faz isto com os mais repetitivos e os mais desafiantes. Analisa o que provocou a tua ansiedade, os teus níveis de ansiedade (como uma escala da dor, de 1 a 10), que pensamentos negativos desencadeou, as evidências que provam que o que estás a pensar é um facto ou imaginário, e os pensamentos alternativos que podes ter. Vai parecer ridículo fazer isto, ao início, porém com o tempo já é automático e até já o fazes mentalmente. 


Sei que isto não elimina a ansiedade das nossas vidas, mas é um pequeno travão para esta espiral de pensamentos negativos que, muitas vezes, temos no decorrer de várias situações do nosso quotidiano. Comigo ajuda a abrandar um pouco. Espero que vos ajude a vocês também.

8.7.19

Como nunca mais te esqueceres de nada num hotel

 Como nunca mais te esqueceres de nada num hotel

Ir de férias e voltar sem metade das coisas, é o eterno drama das viagens, principalmente para os mais distraídos como eu. Existem até já publicações sobre as coisas mais estranhas que são deixadas nos hotéis- algumas que nos fazem pensar "mas o que é que as pessoas tinham na cabeça para deixar aquilo ali?". 

Se também fazes parte do grupo dos esquecidos, e gostarias de não te tornar parte das piadas dos hotéis, existem três truques simples mas invulgares que podes utilizar, se já tentaste todos os comuns como "fazer uma vistoria ao quarto antes de sair".


1. Não espalhes os teus pertences pelo quarto de hotel: A principal razão pela qual as pessoas perdem coisas em hotéis é porque as começam a pôr em roupeiros, gavetas e outros compartimentos, como se tivessem na própria casa. Eu quando viajo nunca tiro as coisas da minha mala. O que uso volto para lá, e a roupa suja é colocada num saco de plástico. É algo que resulta porque, claro, as viagens que faço, normalmente, são curtas. A meu ver, se uma viagem dura uma ou duas semanas, não faz sentido desfazer a mala toda.

2. Usa um sapato como segurança: Se tens tendência a deixar o telemóvel, passaporte e outros documentos em cima da mesa do quarto, mete-as nos sapatos. Em princípio, não sais do hotel descalço/a, portanto é um método 100% infalível para não te esqueceres. Pode causar alguns acidentes se tiveres um pé pesado (agora até parece que estou a falar de conduzir), mas que não sais sem nada não sais. 

3. Traz contigo a lista que utilizaste para fazer as malas: Se fores como eu e fizeres listas para tudo, é provável que também tenhas feito uma antes de sair de casa, para saber tudo o que precisavas. Em vez de fazer uma de novo para o regresso, que é o que se costuma fazer, porque não utilizar a mesma? Desta forma, sabes exatamente tudo o que veio de casa.


Que truques utilizam para não se esquecerem de nada em hotéis?

3.7.19

5 coisas: junho 2019


Fico muito feliz por constatar que todas as edições da rubrica "5 coisas", este ano, estão a ser mesmo muito positivas. Após 6 meses, já é seguro dizer que 2019 está a ser muito generoso.

Junho foi marcado por um verão tímido, mas os espíritos andaram sempre como se tivesse estado sempre calor. Enquanto for assim, aquilo que está registado na meteorologia não importa tanto.

5 coisas que aconteceram


1. Formações de Enfermagem: Enfermagem é uma profissão de aprendizagem contínua e, como tal, estar constantemente a estudar e ir a formações é sempre uma mais valia. Agora que já não tenho mais aulas, e ainda tenho alguma disponibilidade para tal (para o ano, por esta altura, era bom sinal se já não tivesse), estou a apostar muito naquelas que são mais perto de mim e mais acessíveis (nem pensar, para já, gastar 100 euros num Congresso). 

2. Festas Populares: Haverá algo mais português do que as festas populares? Não fui nunca à noite (dispenso a confusão e, além disso, gosto muito me deitar cedo) mas, entre O S.António, o S.João e o S. Pedro, houve espaço para muitos passeios pelas ruas decoradas e pelas diversões. 

3. Pequenas (grandes) conquistas: Como se costuma dizer, " o não temos sempre por garantido", portanto vale sempre a pena lutar por um sim. Foi com alguma desmotivação que, neste mês, lutei pelo sim nalgumas situações, assim só naquela, e qual não foi a minha surpresa ao ver que recebi mesmo esse sim. Foram pequenas decisões que podem mudar o meu rumo nos próximos meses e fazer toda a diferença. 

4. Muitas sestas: Para quem, há uns anos atrás, se recusava a dormir de dia, ando a fazer muitas sestas. Não sei se é da tiróide, que me anda a dar outra vez problemas, ou da moleza que este tempo dá, mas daqui a nada estou licenciada em encaixar sestas na programação do meu dia, nem que este esteja muito preenchido. Para terem noção, no outro dia eu adormeci em cima da secretária, com uma impressora ao lado a imprimir. Serás tu, vida adulta?

5. Exposição "Corpo Humano- A Ciência da Vida": Estava com expetativas elevadas para esta exposição (com cadáveres, como não estar?!), e confesso que esperava algo mais informativo e detalhado. A organização tinha ali uma grande oportunidade de colocar bastante legendas e deixou-as um pouco vagas. Se fosse agora, tinha levado o meu livro de Anatomia atrás. Provavelmente, o objetivo aqui era atrair mais o público geral e não tanto o pessoal de Enfermagem/Medicina. Ainda assim, deu para relembrar algum conteúdo daquele que foi um cadeirão que me assombrou (já nem me lembrava desse sofrimento), e já disse que adoro ver cadáveres? A exposição vai estar na Alfândega do Porto até ao dia 31 de Julho, e o seu custo é 13 euros para adultos, 10 euros para estudantes e seniores, e 8 euros para crianças. Mais info aqui.


5 coisas que adorei


1. Wasteapp: Descobri esta app através desta publicação, e baixei imediatamente para o meu telemóvel. Todos nós, de vez em quando, tempos dúvidas acerca de que destino dar a determinados resíduos. Ora, a Wasteapp vem resolver este problema, para que não hajam desculpas para poluirmos o ambiente. Basta escrever o nome do resíduo e a app sugeres-nos imediatamente o ecoponto ou local  mais apropriado para o descartar. Para mais informações, leiam o que a Mafalda escreveu, está tudo bem explicado no post dela.

2. Hashtag Vergonha Hetero: Se já não sou muito a favor de um mês de orgulho gay (unpopular opinion: amor é amor, e para normalizar temos que parar de fazer estas distinções), muito menos sou a favor de orgulho hetero. Quando vi que agora também querem fazer paradas hetero eu achei que estavam a gozar, mas pelos vistos as pessoas perderam o juízo de vez. Orgulho de quê, quando não tiveram que passar por metade das dificuldades de quem tem uma orientação sexual diferente da considerada "normal"? A Sofia descreve, na perfeição, aquilo que muitos pensam e não dizem deste novo movimento.

3. Cozinhei e comi as minhas Crocs: Já era fã da Inês Rebelo porém, depois deste vídeo, já não há volta a dar. O bom no canal dela é que nunca sabemos que o que ela vai gravar a seguir e, desta vez, surpreendeu com um vídeo estúpido e genial ao mesmo tempo. Agora sim, já sei o que vou fazer com as minhas socas no final dos meus estágios.

4. Especialidade- Sofrer por antecipação: Se querem compreender o que se passa na cabeça de uma pessoa que sofre por antecipação, leiam esta publicação, por favor! É algo que não é exclusivamente de pessoas pessimistas, até porque, tal como a Joana, também me considero uma pessoa relativamente otimista, e também me calhou esta cruz.

5. Wizards Unite: Quando, em 2016, foi lançado o Pokémon Go, eu fiquei viciada como muita gente. Achei o conceito muito engraçado e que facilmente resultaria no universo de Harry Potter. Três anos depois, é a vez dos Potterheads invadirem as ruas em busca de pertences mágicos desaparecidos, para duelos, entre muitas coisas que os meros muggles não compreendem. Estou curiosa para ver se esta app vai ter tanta adesão com a do Pokémon, já que é um pouco mais nerd.


Como foi o vosso junho?

(Foto: da minha autoria)

1.7.19

Todas as gerações depois da nossa são as piores gerações do mundo?

Todas as gerações depois da nossa são as piores gerações do mundo?

Se fizerem uma entrevista na rua a perguntar às pessoas o que acham de nós, millenials (porque estamos mesmo a dar nomes às gerações?!), irão responder-vos que somos narcisistas, que não não somos ambiciosos, que não nos dedicamos tanto ao trabalho, que nunca assentamos, que até colocamos em risco o próprio conceito de jantar como o conhecemos (jantar com a família toda reunida). 

Mas o que é que nós fizemos de tanto errado que as outras gerações fizeram? Após tantos anos, porque é que somos nós os culpados do fim do típico estilo de vida ocidental? Bem, em primeiro lugar, é preciso lembrar que estes "traços" não escolha nossa, mas sim força das circunstâncias. Se hoje em dia não temos tanto vínculo com o sítio onde trabalhamos é porque andamos sempre a saltar de emprego em emprego, não é como o tempo dos nossos pais e avós, em que nos reformávamos no mesmo sítio onde trabalhámos durante anos- se conseguirmos ficar 1 ano no sítio onde trabalhamos e tirar férias já é uma sorte. Se não assentamos mais, é porque não tempos estabilidade financeira para isso- não conseguimos nem comprar a nossa própria casa, quanto mais em pensar ter filhos tão cedo, aos 20 e tal anos (e além disso, e se nunca quisermos assentar?!). Se não jantamos mais em família, é porque muitos de nós saímos da faculdade tarde, temos dois empregos, ou trabalhamos por turnos. Se ainda vivemos à custa dos pais é porque, mais uma vez, não temos estabilidade financeira para sair de casa sequer.

Todas as gerações geram uma onda de estranheza nas gerações mais velhas. Até eu, com 22 anos, já sinto isso, ao ver que a gíria que os adolescentes de hoje (a geração Z) utilizam já é bastante diferente da que eu utilizava. Ai, poucos traços são tão marcantes no ser humano como a nossa total incapacidade em tolerar pessoas mais novas... 

Talvez isto aconteça porque está no nosso ADN temermos a mudança, e uma nova geração representa isso de uma forma bem direta. Talvez seja esse o problema que têm connosco, millenials e, também, já com a geração Z (não é por seres novos que também não ouvem já umas boas): representamos uma quebra em termos de hábitos, visões do mundo e valores diferentes daqueles que a anterior conhecia. Ao olharem para nós, lembram-se da sua própria juventude, e parece que agora é tudo mais fácil, que temos a vida mais facilitada, como se nós não tivéssemos dificuldades diferentes.

Existem gerações piores que as outras ou, ainda pior, estamos todas a ser cada vez piores? (muito "pior" numa frase, but you get the point). Não, mas parte da nossa natureza dizer "isto no meu tempo não era assim". Não tem mal em ser saudosista, é preciso é ter cuidados com as generalizações e olhar também para os próprios erros antes de apontar o dedo aos mais novos. 

27.6.19

7 pensamentos que tive depois de ver "Chernobyl"


Ainda não consegui ultrapassar a série "Chernobyl", por isso aqui estou eu, mais uma vez, para falar dela, para ver se deposito de vez todos os pensamentos que me atormentam. Aviso já que esta publicação contém spoilers, pelo que vos aconselho primeiro a irem assistir a esta produção soberba da HBO (questão existencial: serão mesmo spoilers se a série é baseada em factos reais? Não sabemos já todos o que vai acontecer?)


1. Vou mandar mensagens a toda a gente a dizer "O MUNDO É UM LUGAR MONSTRUOSO, vamos abandonar": Ok, eu não fiz mesmo isto, não assim tão maluca, mas era o que me apetecia. Vi praticamente a temporada toda numa tarde nublada, sozinha, e foi uma péssima decisão. O que vale é que pausei os episódios para ir arejar as ideias porque, damn, eram muito pesados!

2. Tu, por favor, não vás para aí... Oh não.. Tu também, não faças ISSO!: Começa logo no primeiro episódio, quando um bombeiro é chamado para a central, e eu estou com a mulher "por favor, não vás". Todos nós, quando estávamos a ver esta cena inicial, sabíamos logo que ia dar merda. Depois, os funcionários da central, que viam que tudo ia correr mal, e não fugiram. Meus amigos, eu se ouvisse uma explosão na central ou os alarmes a tocar lá dentro, eu fugia logo, que se lixe o emprego. Não me punha aí a obedecer a chefes estúpidos, ou a ver tudo a acontecer da ponte (quando eles metem-se ali, sossegadinhos, a ver da ponte, e começa a cair "pó" do ar,  já sabemos que vão morrer todos). Mas claro, é isto é a nossa reação quando estamos a ver confortáveis e nunca estivemos mesmo lá.

3. Como é que um hospital não tem comprimidos de iodo: Como é que um hospital, ainda por cima perto de uma central nuclear, não tem comprimidos de iodo (para quem não sabe, são usados em caso de exposição à radioatividade). Partilho a radiação incrédula da médica.

4. Se a minha cara metade fosse aquele pobre bombeiro, será que eu atravessaria a cortina de plástico para estar com ele, enquanto ele morria, mesmo sabendo que podia ser contaminada?: Uma das cenas mais devastadoras da série é quando o bombeiro que apareceu no primeiro episódio está preso numa cama de hospital (told you que ia dar merda), rodeado por cortinas de plástico para não contaminar os outros e, ao seu lado, está a sua mulher grávida. No início, este dois desconhecidos estavam apenas a viver a sua vida normal, e um acontecimento que estava fora do alcance dele destruiu completamente as suas vidas, que poderiam ter sido tão felizes. O pessoal da administração só deixa a mulher estar 30 minutos à beira dele e sem lhe tocar, mas ela, movida provavelmente pelo choque e pelo seu amor incondicional, fica lá dias e noites a fio, a segurar-lhe a mão, enquanto ele literalmente derrete. Já estão perturbados o suficiente? Imaginem então o que seria viver isto em vez de apenas ver. 

5. OS ANIMAIS! Vou chorar até 2020: A radiação devastou tudo, a floresta, a água, a comida, até os animais. É por isso que, por volta do 4º episódio, começam a fazer um abate em massa de todos os animais, selvagens ou domésticos. Esta é uma das cenas mais pesadas e difíceis de ver. É curioso constatar como sofremos mais com a morte dos animais do que com a morte de seres humanos. Suponho que é por os animais inocentes acabarem sempre por sofrer com os erros humanos.

6. Estou comovida com a coragem de todas as pessoas que se sacrificaram por Chernobyl: Cientistas, mineiros, os mergulhadores, meros cidadãos com longos anos pela frente, que sabiam que iam morrer ao participar nisto mas que, ainda assim, se decidiram sacrificar para salvar a vida de milhões de pessoas. Alguns não tiveram opção, mas outros tiveram e fizeram-no na mesma. Sou sincera, eu não tinha esta coragem, eu preferia ser covarde e viver toda a minha vida, do que morrer cedo e ser considerada uma heroína.

7. Nunca mais vou ser feliz na vida: "Chernobyl" é como os Dementors: suga-nos a felicidade toda e deixa-nos sem esperança (sim, a minha capacidade de encaixar referências Harry Potter em tudo é incrível). Gostei desta mini-série, está mesmo surreal, porém agora tenho que passar um tempo a ver coisas mais leves, talvez só consiga ver apenas desenhos animados... Consumam por vossa conta e risco. E comprem comprimidos de iodo!

25.6.19

Prendas de final de ano letivo: devemos premiar algo que é uma obrigação?


Há uns dias atrás li a seguinte afirmação no Twitter: "Prendas de final de ano letivo são só estúpidas. Porque vamos premiar algo que é uma obrigação?". Intrigada por este tweet, quis saber se esta era opinião geral e, por isso, perguntei-vos nas redes sociais qual era a vossa posição. Gerou-se uma discussão interessante (podem ler aqui) , com diversos pontos de vista que me fizeram refletir acerca da minha própria posição- sou a favor, mas depende.

Porquê, perguntam vocês? Antes de dar uma prenda, é preciso ter em consideração alguns fatores, como a idade da criança/jovem, o contexto e o tipo de prenda que se quer der. É importante que a prenda nunca ofusque aquela que deve ser a motivação principal, o sucesso escolar. Cair na velha chantagem "se tirares boas notas dou-te isto" só vai criar adultos irresponsáveis, que não sabem distinguir entre direitos e deveres.

Sinto que, com bens materiais, é muito difícil que os filhos, de forma consciente ou inconsciente, não acabem por cobrar mais aos pais e acabar numa forma desta chantagem invertida, tornando-se numa exigência que deve ser cumprida todos os anos. Houve alguém nas redes sociais que sugeriu premiar  com experiências e, de facto, é o caminho mais sensato para fugir a este problema.  Já cheguei a receber alguns presentes de transitar de ano mas, pessoalmente, aqueles que mais me marcaram não foram coisas materiais, foram experiências, como viagens com a família ou lanches com amigos. Houve ocasiões em que o fim do ano letivo foi usado como desculpa para comprar algo que precisava, como uma peça de roupa ou uns óculos de sol, ou até mesmo um miminho mais supérfluo (presentes que pelos quais me sinto agradecida na mesma, obviamente), mas são coisas que, passado algum tempo, não têm tanto significado como uma celebração, por mais pequena que seja, para assinalar mais uma etapa, em que se fazem diretamente elogios sobre o trabalho feito e toda a dedicação depositada nesse trabalho. 

As principais regras de ouro são, portanto, na minha opinião, evitar dar bens materiais a não ser sejam baratos ou que seja  algo absolutamente necessário (pontos extra se estes bens forem relacionados com o estudo), não haver um acordo prévio (ou seja, não prometer nada aos filhos),  e, sobretudo, não fazer qualquer tipo de suborno. Se se souber respeitar estas regras, não há mal nenhum e dar uma gratificação a quem, de facto, soube cumprir bem os seus deveres. 

Estudar, é sim, uma obrigação, e ninguém pode fazer isso por nós, mas porque não festejar- ainda que de forma simples, não vamos andar a fazer uma festa de formatura todos os anos- cada passo dado naquele que é um longo percurso académico? Há quem diga "ah, quando começarem a trabalhar ninguém os vai elogiar, recebem o salário e o resto é acordar, trabalhar, comer e dormir até morrer". Não é bem assim. Não se sentem muito mais motivados quando são reconhecidos por aquilo que fazem, quer seja por um cliente numa loja ou por um paciente num hospital? Além disso, em muitas empresas, os trabalhadores trabalham por objetivos, e em cada objetivo atingindo recebem um incentivo. Porque não fazer o mesmo enquanto estudamos? 

Celebrar as pequenas vitórias importa, quer seja passar de ano,  um 90% no teste de Português ou uma apresentação de trabalho excecional. Talvez seja este o incentivo que falta a muitos estudantes que, hoje em dia, se sentem desmotivados a exigência cada vez maior do ensino e a falta de perspetivas de emprego. 


Qual é a vossa opinião? São a favor ou contra às prendas de final de ano letivo?

24.6.19

Série: Chernobyl


A nova mini-série da HBO, "Chernobyl", com apenas 5 episódios, que destronou sem piedade a aclamada série "Game of Thrones" no IMDB, relata a história da maior catástrofe nuclear de sempre: a explosão da central nuclear na Ucrânia, em abril de 1986.

A narrativa é uma mistura perfeita entre os relatos do que aconteceu em abril de 1986 e as questões científicas e sociais, e e as tensões políticas que ocorreram nessa altura. Fazem um retrato fiel de tudo o que aconteceu, sem tentar suavizar nem esconder nada.

É impossível assistir a esta série sem pensar em outras catástrofes que se vão desdobrando lentamente à nossa volta, todas com a mesma ineficiência burocrática, lealdade cega à hierarquia, negação e má fé. Na análise inabalável do acidente de Chernobyl, várias pessoas foram desacreditadas, incluindo os próprios cientistas especializados no assunto, e dá que pensar se isto, de facto, não é o que continua a acontecer atualmente. Continuamos expostos a terrores, não só de explosões e radiações, mas de mentiras de governos que nos tratam como meros números, sem direito de aceder à verdade. 


Além da performance dos protagonistas, é também de louvar o papel desempenhado por muitos personagens secundárias, incluindo até meros figurantes, muitos dos quais apareceram meros segundos no ecrã mas que contribuíram imenso para todo o cenário. Na verdade, é mesmo incrível ver como deram valor a todos os pequenos detalhes: à caracterização (que mostrou, na perfeição, os efeitos devastadores da radiação), a cinematografia, e a banda sonora, que aumentou ainda mais todo o dramatismo. O único detalhe que não adicionaram e seria a cereja no topo do bolo é as personagens não dialogarem nas línguas originais. 

Nunca me senti tão prendida a uma série baseada em factos reais como a esta, ainda para mais quando, tal como toda a gente, já sabia o final, e isto só prova o quão bem conseguiram criar momentos de tensão, ansiedade e suspense. Sabemos que um thriller é muito bom quando nunca mais o queremos ver na vida - só Deus sabe o quantas vezes tive que pausar os episódios, principalmente o 4 e o 5. Este é um daqueles que, de tão perturbador, só conseguimos ver uma vez, e depois preferimos pesquisar os factos de outras formas.

"Chernobyl" consegue fazer aquilo que a maior parte das produções deste género não consegue: fazer justiça às vítimas e aos acontecimentos. Aliás, é um verdadeiro tributo a todos aqueles que se sacrificaram para amenizar as consequências desta grande catástrofe. Que nunca esqueçamos o que fizeram pela Humanidade.