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8.4.19

5 coisas: março 2019

5 coisas: março 2019

Março deu-nos as boas vindas com uma Primavera que veio em força, com calor que já soube a verão, dias mais longos e mais luz, e isso refletiu-se também no meu quotidiano. Ao reler as publicações anteriores desta rubrica, constatei algo muito engraçado: os resumos mensais a partir de março até setembro são sempre  mais positivos do que os restantes. Quero acreditar que não sou daquelas pessoas com Transtorno Afetivo Estacional (que ficam deprimidas) no Inverno, que sou apenas contagiada por toda luminosidade, flores e bom tempo. Anyway, aqui o está o resumo (um bocado atrasado, I know), do meu mês.


5 coisas que aconteceram


1. Provei sushi: Já andava há séculos a dizer que um dia ia experimentar sushi e, no entanto, andava sempre a adiar. Foi preciso um empurrãzinho do meu namorado para eu finalmente o fazer (estou a descobrir que uma das coisas boas nas relações é sair da zona de conforto). Agora que já provei, admito, até gostei, mas não morri de amores por este tipo de comida. É mais saboroso do que o que esperava de peixe cru (porque é o que aquilo que é, desculpem se estou a ferir a suscetibilidade dos admiradores de sushi), mas é algo que enjoa com facilidade. É uma refeição para comer de longe a longe. Continuo a achar o sushi muito overreated, mas verem-me num restaurante chinês/japonês já não será um acontecimento tão improvável. 

2. Recebi um postal de viagem da Inês: As correspondências blogosféricas já começam a ser presença habitual no meu correio por altura do Natal e do meu aniversário, e é algo que me deixa sempre muito comovida. Não  estando ainda em nenhuma dessas datas, não estava a contar receber nada e é por isso que, a meio de março, fiquei agradavelmente surpreendida quando cheguei a casa e vi que tinha um postal à espera de ser lido. A Inês, que durante este mês explorou Dublin, lembrou-se de mim e enviou-me um postal de viagem muito amoroso. Foi um gesto bonito que gritou "eu lembrei-me de ti e penso na nossa amizade, mesmo a centenas de quilómetros". 

3. Comecei os preparativos de finalista para maio: E, num piscar dois olhos, o tempo passou e fiquei a dois meses daquele que vai ser o maio mais intenso de sempre (agora, na altura que vos escrevo, já só falta um mês, WHAT?!). As insígnias já foram encomendas, já começou a busca pelos vestido de baile de finalistas perfeito, as pessoas que quero que estejam presentes nas cerimónias para reservarem os dias já foram contactadas e o restaurante onde será o almoço pós-missa já foi escolhido. Se calhar é melhor adicionar umas embalagens de lenços aos preparativos, se já soltei algumas lágrimas com alguns destes preparativos, imaginem quando for à séria. 

4. Passei muito tempo ao ar livre: Sempre valorizei o contacto com a natureza, mas só este ano é que me estou a aperceber do quão bem tempo passado ao ar livre faz bem à minha saúde mental. Entre pausas depois de um dia de estágio, caminhadas e interrupções de tardes de pijama, fico muito feliz em registar aqui que foi algo que prioritizei muito este mês. 

5. Problemas de saúde de familiares: Nem tudo foi luminoso em março, e isso traduziu-se na saúde de alguns familiares que me são muito próximos. Apesar de, agora, já estarem melhores, tem sido uma dor constante no meu dia a dia, por não haver grande coisa ao meu alcance que possa mudar este facto. Acho que nunca estamos preparados para isto, mesmo quando, mais do que ninguém, como (futuros) profissionais de saúde, temos consciência de que somos finitos. 


5 coisas que adorei


1. Toma lá uma flor: Sou feminista, mas não festejo o Dia da Mulher, porque sinto que está repleto de falsidade, hipocrisia e aquela atitude de "somos melhor que os homens". Pior do que isso, é um dia que muita gente gosta de fingir que está tudo bem e fazer como a Sofia diz, "Toma lá uma flor". Este poema é cruo e duro, mas é a triste realidade em que nós, mulheres, ainda vivemos e, acreditem,  poderia ter ainda mais versos dos que já tem!

2. Enfermagem e um amor difícil de explicar: Quando me perguntavam se eu realmente gostava de Enfermagem, eu nunca soube encontrar as palavras certas. Agora, quando me voltarem a perguntar isso, eu já sei o que responder, irei usar este post da Ana Garcês como resposta, porque é tão ISTO! Enfermagem não é, de facto, um caso de um amor imediato, como os outros cursos. É um amor complicado, que num dia nos faz sentir no topo do mundo e no outro nos faz querer desistir de tudo. Quando digo que, em Enfermagem, temos vontade de desistir e continuar umas 18393030 vezes no mesmo dia, não é mesmo exagerar. É por isto. Esta é a declaração mais bonita e mais real que já vi fazerem à arte do cuidar.

3. Trailer da terceira temporada de "Stranger Things": Este trailer sabe tanto a nostalgia, àquela transição entre a infância e a adolescência em que tudo parece igual mas, ao mesmo tempo, tudo parece que mudou. "We are not kids anymore" foi a frase do trailer que teve mais impacto.  Quando este grupo muito querido de atores começou a gravar "Stranger Things", eles ainda eram crianças, e agora, na terceira temporada, já se tornaram em adolescentes. Sinto que vai acontecer o mesmo que aconteceu com o elenco de "Harry Potter", que vamos acompanhar o crescimento deles e vamos chegar à última temporada um vale de lágrimas, quando virmos o quanto eles cresceram. Cancelem os meus planos inexistentes para o dia 4 de julho, que eu vou ver todos os episódios nessa noite!

4. De ídolos a ódios: Recentemente, perto do 10º aniversário da sua morte, os escândalos em torno do emblemático Rei da Pop, Michael Jackson, voltaram as ser desenterrados e as coisas ficaram ainda mais feias. Perante estas acusações (que nem sequer são de agora), houve rádios que baniram as músicas dele e a famosa séria "Os Simpsons" até baniu os episódios onde ele aparecia. Até que ponto devemos separar a obra do artista? Será que não podemos apreciar na mesma o quão incrível era aquilo que criou, mesmo que o seu carácter seja o completo oposto disso? É sobre isto que a Catarina, na sua publicação, reflete. 

5. A conta de Instagram da Control: A Control é uma das marcas que tem feito dos trabalhos de marketing mais geniais que eu tenho visto nos últimos tempos. É muito fácil de se brincar com o tópico "sexo", porém poucos são os que o conseguem fazer com piadas inteligentes, com trocadilhos e mensagens subliminares que nos fazem pensar "quem foi a mente brilhante que se lembrou disto?". Conseguem ter graça sem, muitas vezes, fazerem piadas propriamente ditas. Conseguem ser picantes sem serem porcos. E conseguem vender o produto sem nunca falarem diretamente dele. Espreitem a conta de Instagram da Control, sigam e divirtam-se um bocado. 


Como foi o vosso mês de março?

(Foto: da minha autoria)

30.3.19

10 coisas que seriam diferentes se existisse tecnologia no universo "Harry Potter"


(Atenção: Esta publicação contém spoilers. Se nunca leram os livros ou os filmes da saga " Harry Potter não leiam este post).

Estamos tão separados do mundo muggle na saga " Harry Potter" que nos esquecemos, frequentemente, que a história se desenrolou entre 1991 e 1997. Os livros foram lançados no final dos anos 90 até inícios de 2000, por isso, imagino que na altura a ideia de que eles viviam num mundo sem Internet, sem telemóveis e sem televisão fosse mais fácil de digerir.

Agora que vivemos na era dos smartphones, dos tablets, do wi-fi, etc., é um bocado mais difícil de imaginar Hogwarts sem estas tecnologias. Nada que é eletrónico funciona em Hogwarts, mas imaginem se funcionasse? Já imaginaram como a história de Harry Potter e dos seus camaradas seria diferente?


1. Não eram precisas corujas: Os e-mails, as SMS, o Messenger e as chamadas telefónicas iriam substituir as cartas transportadas pelas corujas. Seria uma forma muito mais eficiente de comunicar ( sem ter a informação roubada por um elfo doméstico), e a pobre velha coruja Errol podia ter um descanso. 

2. Menos idas à biblioteca: Se os estudantes de Hogwarts tivessem acesso à Internet, poderiam facilmente obter informação através do Google e de e-books. Ao descarregar um PDF, basta pesquisar as palavras que queriam, e tinham logo a informação de que precisavam. Com a Internet, o trio de protagonistas tinham descoberto muito mais depressa coisas acerca de Nicholas Flamel, por exemplo.

3. Não era preciso por Dementores a vigiar Azkaban: Os prisioneiros não arriscariam fugir para não serem torturados com músicas de uma cantora muggle chamada Maria Leal. 

4. Bancos eficientes: Contas bancárias online tornaria tudo muito mais fácil. Não era preciso esperar horas numa fila para falar com um anão antipático e andar por aí numa espécie de montanha russa macabra para chegar a uma caverna ainda mais macabra. 

5. Não eram precisas moedas encantadas para saber quando reunir: Por muito brilhante que seja a ideia da Hermione, se houvesse Internet bastava criar um grupo no Whatsapp ou no Facebook para comunicarem.

6. Sirius teria sobrevivido: Apesar de o Harry ter um espelho que funcionava como Skype, ele esqueceu-se de o usar. Atualmente, ninguém se esquece que tem um telemóvel, e o Harry poderia usá-lo para ver se Sirius estava bem.

7. Alguns feitiços seriam inúteis: Alguns feitiços iriam perder a utilidade se existisse tecnologia em Hogwarts, como "Lumos", que poderia ser facilmente substituído pela lanterna de um telemóvel. 

8. Hermione e Viktor, se calhar, ficariam juntos: Com tantas apps para comunicarmos, é muito fácil mantermo-nos em contacto com alguém. Se Hermione e Viktor tivessem acesso a meios de comunicação digitais, se calhar teriam tido uma relação à distância (mas ainda bem que não tiveram, Hermione e Ron até ao fim!).

9. O casal Weasley estaria divorciado: O Artur era tão viciado em objetos muggle que, se descobrisse a Internet, nunca mais ninguém o via. Aquilo iria resultar em divórcio, de certeza!

10. Harry Potter teria uma página de fãs no Facebook: Criada, secretamente, pela Ginny, aos 11 anos, quando era demasiado tímida para falar com ele.


O que é que acham que aconteceria se existisse tecnologia no universo de Harry Potter?

21.3.19

Parem de me dizer para largar o meu telemóvel

Parem de me dizer para largar o meu telemóvel

Está a tornar-se moda aqui na Internet aparecerem publicações ou vídeos de influenciadores digitais a dizerem que estavam a começar a ficar muito viciadas nos seus telemóveis e que decidiram largá-los. Tudo bem, posso viver com isso, cada um faz o que quer. O que não está bem aqui é dizerem-nos para fazer o mesmo. Está a criar-se uma onda de protestos contra os telemóveis, e sinto que já não é possível estar a navegar pelo smartphone em público sem levarmos logo com um uns quantos olhares inquisidores ou uns quantos " Já estás outra vez no telemóvel?" se as pessoas se sentirem familiarizadas connosco.

Esta cena do detox digital é tudo muito bonita mas não é lá muito prática. É benéfico e às vezes aconselhável fazê-lo durante uns dias de vez em quando mas, sejamos sinceros, quantos de nós conseguiríamos fazer isto a longo prazo? Quantos de nós hoje em dia conseguiria viver sem um telemóvel? Os detox digitais são como as dietas malucas: não comemos nada (ou só suminhos) durante uns tempos, na esperança de emagrecer, mas depois precisamos de o nosso fornecimento calórico habitual  para ter energia e voltamos aos velhos hábitos.  Por muito assustador que possa parecer, os telemóveis já se tornaram quase tão indispensáveis da nossa vida como a comida. Atualmente, são quase uma extensão do nosso corpo. Ninguém sai de casa sem um. Qualquer pessoa que tenha que sair diariamente de casa iria ter muitas dificuldades em gerir a sua vida sem um telemóvel. 

Já houve uma altura em que os telemóveis eram facilmente dispensáveis. O meu primeiro telemóvel era um Motorola rosa cuja maior qualidade era ter muito estilo (o rosa diz tudo) De resto, pouco mais fazia. Só dava para fazer chamadas, mandar sms (que eram limitadas, porque não tinha os tarifários de agora, que permitem sms grátis) e pouco mais. Conseguia facilmente passar o dia sem tocar no telemóvel, este ficava facilmente no fundo da minha mochila, a não ser que não tivesse mais nada que fazer e me pusesse a jogar um jogo (que não vinha da App Store nem da Play Store,ainda não existiam). Naquela altura, ter um telemóvel era um luxo, não uma necessidade. 

Agora, as coisas estão muito diferentes. Os nossos telemóveis tornaram-se tão sofisticados que se tornaram uma presença praticamente obrigatória no nosso quotidiano, armazenando toda a informação das nossas vidas e que precisamos de gerir (contactos, agenda, e-mails, informações de pagamento,...), além de terem muitas apps que são grandes recursos (apps de saúde,desporto,economias...).  Juntando as redes sociais e jogos à equação,  o resultado é o mundo nas nossas mãos. 

O meu telemóvel é a minha vida. Dizer que o meu telemóvel é a minha vida pode parecer algo que as pessoas que são viciadas em tecnologias dizem mas, no fundo, é a mais pura das verdades. Como estudante (e, um dia, profissional) o meu telemóvel permite-me consultar o meu horário da faculdade, responder a mails em movimento, consultar o saldo da minha conta bancária, adiantar aquela apresentação que ainda não tive tempo de fazer em casa... Como blogger, permite-me responder a comentários do meu blog, atualizar as redes sociais, editar fotos e manter-me a par do trabalho criativo das outras pessoas. Como pessoa, permite-me entreter-me, manter-me a par das notícias e manter o contacto com pessoas cujas circunstâncias não me permitem estar com elas pessoalmente. 

Os media focam-se tanto nos estragos que os smartphones podem causar na vida das pessoas (privação de sono, stress, ansiedade, isolamento...), e nunca falam desta liberdade e da flexibilidade que estas tecnologias modernas podem trazer-nos. Claro que temos que saber usá-los com moderação, porque aí sim, podem ser prejudiciais. Porém,  isso é como em tudo na vida. Tudo o que é em excesso faz mal. Mas se estes, no geral, mudaram a nossa vida para melhor, e não temos que sentir vergonha de reconhecer isso. Não, não temos que parar de usar os nossos telemóveis. 

13.3.19

Weird Youtube: Parabéns consagrado, o Rapaz do Forno e mais


Pensavam que já me tinha esquecido desta rubrica? Nahhhh! Eu tenho toda uma lista de recomendações aleatórias prontinhas para aumentar os vossos níveis de procrastinação.  Os meus não aumenta, porque agora que tenho esta rubrica posso dizer que não estive a desperdiçar tempo, estive a pesquisar vídeos para mais posts.

Se acharam os primeiros vídeos do "Weird Youtube" bizarros, preparem-se, things will get even weirder.


1. Parabéns consagrado: Este vídeo não apareceu no meu dia de anos, infelizmente, mas vai passar a ser usado em todas as mensagens de aniversário a partir de agora. Also, estes esqueletos têm mais estilo a dançar do que eu.


2. Compliments: Isto devia ser um hit! Imaginem esta canção a tocar nas discotecas "Give me compliments, I said Give me compliments!". Isto era como todos nós agiríamos não tivéssemos vergonha na cara, andaríamos por aí a pedir elogios desta forma.


3. When Mom isnt home: Este vídeo fez-me refletir sobre a forma como tenho aproveitado o meu tempo quando estou sozinha em casa. Depois disto, percebi que não o ando a aproveitar bem porque  nunca me pus a fazer música na cozinha nem a usar o fogão como instrumento. E por falar nisso, o miúdo tem mesmo jeito para tocar com o forno (nunca pensei escrever isto). Olhem bem para ele, cheio de estilo, a sentir a música. Vamos criar uma petição para o forno passar a ser considerado um instrumento musical, para este rapaz se tornar famoso! Plot twist deste vídeo: era a mãe que estava a filmar, quanto apostam?


4. Send this to your group chat with no context: Aparentemente, this is a thing no Youtube e eu não sabia, porque só agora me apareceu nas recomendações. Fazer um vídeo com esta música muito parola, com uma dança parola e umas frases sem nexo nenhum. Existe uma versão para a mãe, para a crush, para o melhor amigo, mas a minha versão preferida é esta. E claro que  eu já mandei para os meus chats de grupo, principalmente por causa da introdução "Hey group chat. I bet you wondering why I gathered your ugly little nerds here today". 


5. Miii channel music but every dun dun gives you a stroke: Esta é a música usada no vídeo anterior, mas alterada de uma forma que nos deixa loucos a cada dun dun dun. Eu nem consegui ouvir isto até ao fim (e só tem 1 minuto de duração). Houve uma pessoa nos comentários deste vídeo que escreveu que isto é a definição de ansiedade e é mesmo, esta é a banda sonora que a nossa cabeça colocaria em crises de ansiedade. Agora que penso, foi uma má ideia clicar nele, porque isto ficou-me na cabeça e o meu subconsciente, malvado como é, ainda vai usar mesmo isto nas alturas em que estiver ansiosa. 



Qual foi o vosso vídeo preferido?

9.3.19

Porque eu nunca desisto de um livro (mesmo que o odeie!)

Porque eu nunca desisto de um livro (mesmo que o odeie!)

Ao longo da minha vida, já li imensos livros, tantos que já perdi a conta (e é nestes momentos que me arrependo de não ter uma conta Goodreads organizada). Alguns marcaram-me bastante, enquanto que outros foram uma chatice e eu já nem me lembro deles. No entanto, independentemente daquilo que eu senti em relação aos mesmos, eu terminei-os sempre. Em toda a minha vida, só desisti de dois livros (e, se fosse agora, tinha-os acabado de ler).

Muitas pessoas questionam-me acerca disto. Porque raio haveria eu de perder tempo a ler algo que odeio, quando existem muitas outras narrativas interesssantes à espera de serem lidas? Às vezes, até eu me questiono. Mas não consigo deixar livros a meio, é mais forte do que eu. E estas são as razões pelas quais eu não o faço.


1. Eu fiz uma escolha consciente do livro: Eu, geralmente, não escolho livros que não me interessem. Posso arriscar ler um livro de um género diferente ao qual estou habituada, mas não vou pegar em algo que sei que, quase de certeza, vou odiar. Assim, ao escolher determinado livro significa que me interessei por algo, pelo enredo, pelo local onde o enredo se desenrola, pelas personagens, pelo género ou pelo autor. A partir do momento em que o escolho, comprometo-me a acabá-lo.

2. É muito difícil fazer uma review de um livro que não acabaste: Para não dizer impossível. É quase irresponsável falar sobre uma obra que não lemos até ao fim, e podemos estar até a induzir em erro os leitores. Se calhar, a história progrediu de forma diferente depois da página em que paramos de ler. Talvez as falhas que tenhamos detetado no enredo ou nas personagens notem-se menos mais à frente. Porventura, precisávamos de tempo para nos habituarmos ao estilo de escrita do autor . Ou talvez tenhamos perdido um grande plot twist. Portanto, como podemos dar uma opinião bem fundamentada acerca do livro se perdemos muitos destes fatores?

3. Posso ter-me precipitado: Quantas vezes já me aconteceu odiar as primeiras 50 páginas de um livro, mas depois adorar o resto? Já li imensos livros cuja qualidade só melhorava a meio da história, e só aí é que a minha vontade de ler aumentava. Houve livros em que eu odiei a primeira parte e adorei a segunda. O que teria acontecido se eu tivesse desistido no início? Poderia ter perdido uma boa história.

4. Eu não gosto de deixar coisas por acabar: Sou assim em todos os aspetos da minha vida, e as leituras não são exceção. Sou muito rápida a ler, mas se me está a custar a ler demoro mais ou menos um mês mas, ainda assim, acabo-o sempre.

5. Aprendo mais sobre escrita: Tenho o sonho de, um dia escrever um livro, mas para isso preciso de praticar. E a melhor forma de praticar que conheço (além de escrever, claro!) é ler livros de forma crítica. Desta forma, vou ganhando lentamente conhecimento e vendo os erros que quero evitar

6. Não quero filtrar os pontos de vista que recebo e a limitar os meus horizontes : Se nós só lermos livros que nós gostamos e com os quais concordamos estamos, inconscientemente, a auto censurar as opiniões e pontos de vista que recebemos. Isso é um pensamento assustador para mim. Ao desistir de livros estarei a pôr limites aos pontos de vista que aceito e estarei a pôr filtros que não deixarão passar informação que me deixa desconfortável, zangada ou revoltada, mas que também me faz crescer e ver o mundo de forma diferente.

7. Podes sempre retirar lições de todos os livros, mesmo dos que não gostas: Além da escrita, podemos retirar muitas coisas dos livros que gostamos menos ou que odiamos. Talvez um personagem interessante, descrições bem feitas e encantadoras, um contexto surreal ou uma citação que nos marcou (mesmo que o resto da prosa seja uma seca).


E vocês? Acabam todos os livros que lêem ou não se importam de os deixar a meio?

Lê também: Porque eu releio livros

6.3.19

Temos que começar a tratar as nossas amizades como relações amorosas


As pessoas tendem a pensar que amizade e relação são dois termos que significam coisas completamente distintas. Como sociedade, somos educados para pensar que estar numa relação amorosa com alguém significa que atingimos o patamar máximo de importância perante todas as outras relações. 

 Como alguém que passou toda a adolescência sem nunca ter tido um namorado, e só recentemente, aos 21 anos, começou a namorar, eu passei toda a minha vida a ver os meus amigos próximos como os verdadeiros amores da minha vida. Cada um deles tem uma complexa história de amor à qual me dedico, me entrego e à qual sou leal. São pessoas que, para mim, são grandes prioridades a seguir à minha família e com as quais me esforço para manter relações duradouras. 

Se pensarem bem, mesmo que não tenham experienciado a mesma ausência de vida amorosa que eu, irão constatar que as vossas amizades têm um impacto muito maior do que as vossas paixões. Afinal de contas, começaram a ter amigos muito antes de querer sequer um namorado ou uma namorada. Mesmo quando entram na faculdade, passam a maior parte do nosso tempo com os vossos amigos. Têm aulas com eles, passam os intervalos com eles, aproveitam as sextas feiras com eles e continuam a conviver com eles nas férias. Os vossos amigos são as pessoas com as quais tentam sempre manter o contacto.  Para todos os efeitos, é exatamente como ter várias caras-metade sem a intimidade física inerente.  Muitas vezes, eles sabem mais de vocês do que qualquer outra pessoa neste mundo, a vossa confiança neles é quase cega, e isto tudo sem haver nenhum sentimento romântico associado. No entanto, vocês consideram o relacionamento com o vosso namorado/a o vosso relacionamento principal, porque acham que é a única forma de se sentirem mesmo próximos de alguém. 

E  se têm impacto para o bem, também têm para o mal. Os amigos podem fazer-nos as mesmas coisas que os nossos parceiros fazem. Já li um bilião de artigos sobre namorados e namoradas fisicamente ou emocionalmente abusivas. Há tantos conselhos para lidar com um parceiro que nos mente, manipula ou maltrata. Mas ninguém fala sobre o facto de os nossos amigos poderem fazer-nos exatamente o mesmo. Como lidar com alguém que conhecemos há cinco anos e que descobrimos que nos mentiu esse tempo todo? E já agora, acabar um namoro pode ser uma confusão, mas já tentaram acabar com uma amizade? Não há nenhuma forma clara de fazer isso assertivamente. Vocês podem virar-se parceiro e dizer "as coisas não estão a resultar entre nós, é melhor acabarmos" ou outra frase cliché qualquer que as pessoas gostam de utilizar nestas situações, mas como é que fazem isso com amigos? Não é socialmente aceitável irem a um café com eles, sentarem-se e dizerem "eu sei que nos conhecemos há muito tempo, mas a nossa amizade já não corresponde às minhas expetativas, acho que é melhor pararmos por aqui". Como eu escrevi há uns anos atrás aqui, acabar com amizades também é algo real, e que precisa de ser mais abordado. As nossas amizades podem ser tão devastadoras para a nossa autoestima como os nossos relacionamentos amorosos. 

É por isso que temos que começar a tratar as nossas amizades com a mesma seriedade que tratamos as nossas relações amorosas, porque estas podem ser de igual forma complexas. Como podem tratar os vossos amigos como os vossos amores? Dediquem-lhes mais tempo. Mandem aquela mensagem no início do dia ou no final a perguntar se está tudo bem. Liguem-lhes mais vezes. Tenham dates (sim, autênticos dates, em sítios bonitos, com muitas gulosices e diversão). Surpreendam-os. Sejam honestos em relação àquilo que vos incomoda e que acham que está ou não a funcionar. Sejam leais. Cuidem um dos outros. Mostrem diariamente o quão gostam um dos outros, independentemente de estarem ou não solteiros. 

Nós temos tanto controlo com as pessoas que socializamos como com as pessoas com quem temos  um interesse romântico. Pensar em cada amizade como uma história de amor ajuda-nos a avaliar as suas necessidades e comportamentos. Isto pode ajudar-nos a descobrir amizades cujo prazo de validade já expirou ou a descobrir outras que dão sinais que estão aqui para ficar, e que merecem mais apreciação e afeto do que aquela que damos. 


3.3.19

5 coisas: fevereiro 2019


Fevereiro costuma saber a pouco mas, este ano, foi diferente. No mês do amor, o Cupido acertou-me em cheio e, desta vez, fez o favor de acertar na outra pessoa também. Também houve amor de outras formas, nos encontros com amigas apesar dos horários completamente opostos,  nos planos de fim de semana encaixados entre pausas de estudo, nas quebras de rotina inesperadas, nos abraços revitalizantes e nas palavras que tiveram o mesmo poder que estes abraços. Foi tanto o amor que eu quase nem senti o cansaço e o stress que também fizeram parte dos meus dias. O mês mais curto do calendário deu-me tanto como um de 31 dias. 


5 coisas que aconteceram

1. Início do 2º semestre: Sabem uma coisa engraçada na blogosfera? Consegue-se notar perfeitamente quem são as bloggers de Enfermagem. Quando começam os estágios, as sua atividade nas redes sociais cai abruptamente. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo. 2º semestre já é desde o ano de caloira sinónimo de estágios e, portanto, grande parte dos meus dias têm sido ocupados com o meu penúltimo estágio. Apesar de estar a ser cansativo, está a ser num serviço que estou a adorar e que está, sem dúvida, a aumentar significativamente as minhas competências para o estágio de integração à vida profissional. 

2. Decidi fazer uma pausa na carta de condução: Com muita pena minha (porque estava a ganhar por "bichinho" por conduzir), tive que colocar as aulas de condução em pausa, mas sei que foi a melhor decisão. Gosto de sentir que estou a dar 100% em tudo o que faço e sinto que, nesta fase, eu não ia conseguir fazer isso com a carta. Neste momento, quero concentrar as minhas energias no meu curso,  no presente estágio e noutros componentes do meu quotidiano. 

3. Apaixonei-me: Em fevereiro conheci uma pessoa muito especial, com quem criei uma ligação quase instantânea. Uma pessoa que, neste momento, é responsável pelos sorrisos parvos da cara que não dão para disfarçar por mais que tente, com quem estou a partilhar primeiras vezes, momentos muito doces  e sentimentos que crescem a cada dia que passa. Numa fase da minha vida em que já tinha aceitado a minha condição de "eterna solteira", a vida prova, mais uma vez, que só temos aquilo que desejamos muito quando paramos de procurar. Vou poupar-vos ao resto das lamechiches (até porque fazem mais sentido ficar entre nós os dois). Digamos apenas que uma das publicações mais visualizadas do blog, "Tenho 20 anos e nunca estive numa relação amorosa" acabou de ficar desatualizada (será que vamos ter spin-off?).

4. Jantar de Gala do Curso: A minha lista de finalista continua e, desta vez, foi a vez de me despedir do Jantar de Gala que acontece, todos os anos, no aniversário da minha faculdade (que já vai nos seus 107 anos!). Até consegui estar distraída a maior parte da noite entre boa comida, boa companhia e danças, mas quando começam a cantar o hino de curso fiquei logo com o coração apertadinho. Quanto mais maio se aproxima, mais eu me apercebo que vou ser daquelas finalistas que vão causar prejuízos com pacotes de lenços. 

5. Vêm aí um projeto! : Tenho que vos contar uma coisa, ando há algum tempo a esconder um segredo de vocês. Um segredo que também pertence aos talentosos bloggers André e Matilde. Vem aí um projeto muito giro que promete unir as vozes da blogosfera e que irá ser lançado ainda este mês, se tudo correr bem. Ainda não posso revelar mais nada, até porque queremos ser um pouco mauzinhos e criar suspense (um dos velhos truques de bloggers). Estejam atentos!

5 coisas que adorei


1. 5 motivos pelos quais quero continuar a viver na casa da minha mãe: Sair de casa dos pais parece ser o sonho de todos os jovens (incluindo o meu!) mas, como em muitas coisas na vida, não podemos cair em generalizações e acreditar que toda a gente pensa assim. É por isso que é sempre bom ler publicações como esta, que nos mostrem perspetivas diferentes e pouco abordadas. Para certos jovens, é algo que não está nos planos e não há mal nenhum nisso. 

2. Toda a verdade: O Moço não me ajuda em casa: Com um título destes,  o meu instinto feminista fez-me clicar logo na publicação. Claro que eu sabia que aquele era um título que escondia outro significado, spoiler alert, óbvio que a Maria não deixa que o seu moço fique no sofá heheheh. Uma forma humorística de apelar à divisão de tarefas entre casais. 

3. A primeira vez que fui a um Drag Queens Show: A Marli, uma fã assumida de Drag Queens desde o reality show "Rupaul´s Drag Race"teve, no início deste mês, a oportunidade de assistir a um espetáculo de Drag Queens ao vivo, e recomendo muito que leiam aqui o relato da sua experiência. Depois de ler, a minha curiosidade já existente por este tipo de eventos aumentou e agora é que quero mesmo assistir a uma performance destas porque, sim, é mais do que homens mascarados de mulheres, também é uma forma de arte e de expressão. 

4. Vestido Rendado da Zara: Este foi o vestido que eu levei ao meu jantar de gala. Aos que me pediram fotos de mim com o vestido, lamento informar que não vão haver, porque andei demasiado ocupada a aproveitar a noite para tirar fotos, só tirei algumas mas acompanhada, sorry. Anyway, é um vestido clássico que adorei usar e que não vai ficar abandonado no roupeiro, irei aproveitar para usá-lo mais vezes noutras ocasiões. 

5. Uma história de desperdício zero e uma chamada de atenção: Se não tiverem tempo e/ou paciência para ler as publicações que sugeri acima, esqueçam-nas e leiam esta. Sem querer desvalorizar as outras, mas precisam mesmo de ler esta! A sustentabilidade pegou moda e desenvolveu-se todo um comércio à volta disto. Pior, são as pessoas que não o estão a fazer pelas razões certas e criticam quem não o faz. Já estou farta de repetir que esta cena de ser sustentável é muito gira mas não é economicamente acessível para a maior parte de nós. Cá por casa já não usamos plástico praticamente, usamos garrafas reutilizáveis, reciclamos e compramos apenas o necessário. Mas não, ainda não somos vegetarianos, não compramos produtos biológicos, não compramos escovas de dentes de bambu nem maquilhagem que não é testada em animais. E estou cansada de ser criticada por não viver o estilo de vida 100% ecológico que supostamente deveria viver. Não podemos pedir a perfeição, sobretudo num país em que, como a Vânia tão bem refere, o salário mínimo é de 600 euros! Todas as pequenas mudanças, mesmo que feitas de forma lenta e progressiva, são válidas para criarmos um mundo melhor.


Como foi o vosso mês de fevereiro?

(Foto: da minha autoria)