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6.7.20

Um novo projeto em Enfermagem: e como me podem ajudar

Um novo projeto em Enfermagem: e como me podem ajudar

Chegou o dia em que finalmente posso revelar o projeto académico em que eu e o meu namorado andamos envolvidos durante toda a quarentena!  Deu-nos imenso gosto trabalhar nele e estamos tão ansiosos por vos mostrar o resultado final!

Este projeto foi realizado no âmbito do concurso H-HINNOVA - Health Innovation Award, que pretende premiar os estudantes universitários nacionais e internacionais que apresentem as ideias mais inovadoras em áreas específicas da saúde, nomeadamente em meio hospitalar. Foi neste sentido que desenvolvemos um máquina de distribuição de medicação que, a ser implementado, constituirá o passo seguinte em inovação em saúde - o AccioPharm (qualquer semelhança com a saga "Harry Potter" é pura coincidência... ou não). 

De uma forma muito sucinta, o AccioPharm é um sistema de gestão de terapêutica que agiliza a preparação e administração de medicação por parte dos enfermeiros, de forma rápida e mais eficaz possível. Com recurso a Inteligência Artificial, basta confirmar a medicação e esta é preparada automaticamente. Se, por exemplo, uma dada medicação for desaconselhada, como um antihipertensor, por um doente com tensões normalmente altas apresentar hipotensão em determinado dia, a máquina gera um alerta, tendo o enfermeiro responsável de aprovar ou cancelar a sua preparação. Assim, AccioPharm visa ser um complemento revolucionário na prática dos profissionais de saúde, ao reduzir o erro terapêutico em meio hospitalar, assim como os custos associados aos cuidados de saúde. 

Onde entram vocês? A última fase deste concurso requer a votação dos vídeos de apresentação das ideias dos grupos participantes. E preciso da vossa ajuda para o nosso projeto arrasar nas votações. A todos vocês que me acompanham, que gostam de ler o meu conteúdo, sobretudo o relacionado com Enfermagem, que estão há 5 anos a ver-me desenvolver ideias, espero que reconheçam agora valor neste projeto e que votem, partilhem nas redes sociais e com as vossas pessoas, que façam este vídeo chegar ao maior número de pessoas! O prémio, 2500 euros para cada elemento do grupo e uma oportunidade de implementar o AccioPharm juntamente com os melhores investidores é tentador e seria uma grande experiência profissional!


Como Votar?


A votação é bastante simples e intuitiva, não há cá formulários chatinhos. Basta possuírem uma conta de Instagram e seguirem apenas 3 passos:

1- Seguir a conta de Instagram do H-HINNOVA HUB (muito importante caso contrário o voto não conta!)



2 - Clicar no vídeo H2047 - Group from University of Minho 



3 - Colocar um gosto. 

O passo a passo de como votar ficará, até ao final de julho, disponível nos destaques do meu perfil de Instagram para o caso de terem dúvidas. O vosso voto será muito valioso para o nosso projeto, uma vez que o vídeo mais votado irá diretamente para a final do concurso! Eu e o meu namorado ficaremos muito gratos pelo pequeno sacrifício de tempo. Desde já, muito obrigada pelo apoio e desejem-nos the best of  luck. 

3.6.20

Diagnósticos em saúde: só os médicos é que o fazem?


Diagnóstico. Quando lêem esta palavra, aposto que a maior parte de vocês associam logo aos médicos, não é? Afinal são os médicos que fazem os diagnósticos, os outros profissionais trabalham a partir daí, não é, porque é que iriam associar a outra coisa, pensam vocês? Ora, porque esta ideia é errada, meus caros amigos. Os médicos não são as únicas pessoas que podem diagnosticar uma pessoa. Agora se me disserem que são os únicos profissionais que podem fazer diagnósticos médicos assim sim, já estamos a conversar. Isto porque existem diferentes tipos de diagnósticos muito específicos à sua respetiva área, desconhecidas pela população em geral, uma vez que a primeira tendência que têm é pensar logo em "médico, consultório". 

Dando uma de escrita de tese (porque eu fiz uma investigação direitinha, não brinco em serviço), conceito de diagnóstico tem origem  na palavra grega diagnõstikós, que significa discernimento, faculdade de conhecer, de ver através de. Na forma como é usado, na atualidade, significa estudo aprofundado realizado com o objetivo de conhecer determinado fenómeno ou realidade, por meio de um conjunto de conhecimentos teóricos, técnicos e metodológicos. O que significa que, apesar de ser tradicionalmente usado na Medicina, entretanto este termo já foi incorporado aos discursos e práticas profissionais de diferentes áreas da saúde. Com base na minha própria profissão, com a ajuda de outros profissionais da blogosfera e com alguma pesquisa no estatuto das referidas profissões, consegui reunir alguns exemplos para mostrar todo o mundo de diagnósticos que existem para além dos médicos, e como eles se complementam uns aos outros.


1. Diagnósticos médicos: Começando pelos diagnósticos mais conhecidos, os diagnósticos médicos, ao contrário das crenças populares, foca-se essencialmente nas patologias. Um diagnóstico médico trata a doença ou a condição médica da pessoa, e é orientado para a cura da mesma.  Um exemplo de diagnóstico médico é Acidente Vascular Cerebral. Os médicos seguem fundamentalmente uma perspetiva biomédica, muito embora estejam a mudar agora para uma perspetiva biopsicossocial. 

2. Diagnósticos de enfermagem: Por outro lado, um diagnóstico de enfermagem concentra-se na pessoa de uma forma holística, ou seja, na pessoa como um todo. É como se fosse a resposta humana aos diagnósticos médicos. Pegando no exemplo acima, se o diagnóstico médico de uma pessoa for um AVC, o enfermeiro centra-se na pessoa em uma transição saúde-doença, em que colabora com a pessoa neste processo de transição. Face ao diagnóstico médico de AVC, o enfermeiro autonomamente antevê as necessidades específicas da pessoa face a este doença - e os diagnósticos de Enfermagem serão algo como risco de queda, dependência para vestir-se/despir-se em grau elevado ou comunicação comprometida. Fora do hospital, na maior parte das vezes os enfermeiros fazem diagnósticos sem a pessoa ter sequer alguma doença subjacente. 

3. Diagnósticos nutricionais: Ainda menos conhecidos do que os dois primeiros, existem os diagnósticos nutricionais, da competência e exclusiva responsabilidade dos nutricionistas. O estado nutricional é um dos componentes de saúde, que é influenciado pelo consumo e utilização de nutrientes e, claro pelas necessidades individuais, sendo estas informações obtidas a partir de exames clínicos, dietéticos, físicos e antropométricos. Um diagnóstico nutricional resulta da análise final de todos estes exames de avaliação do estado nutricional. Os nutricionistas não têm uma CIPE como, por exemplo, os enfermeiros, mas empregam termos que se traduzem em diagnósticos, como desnutrição. 

4. Diagnósticos psicológicos: Os diagnósticos psicológicos, realizados pelos psicólogos, são muito menos lineares do que os três primeiros devido, principalmente, à própria complexidade da mente humana e ao desconhecimento que temos desta área em relação ao nosso corpo. Os psicólogos, para diagnosticarem uma pessoa, têm por base a compreensão da estrutura da personalidade e funcionamento mental do indivíduo, considerando a sua realidade biopsicossocial, estudando traços de personalidade, competências cognitivas e de memória, entre outras dimensões. O diagnósticos psicológicos dependem da área (psicologia clínica, forense, etc.), porém, trocando por miúdos, têm como objetivo a pessoa tomar consciência do próprio problema e auxiliar na sua tomada de decisão. Não confundir com os psiquiatras, cuja atuação se baseia nos sintomas físicos dos transtornos mentais e na prescrição de medicamentos.

5. Diagnóstico fisioterapêutico: Sou sincera, foi o único no qual eu não falei com o respetivo profissional da área, porque não encontrei ninguém até à data de publicar este post, pelo que me baseei apenas naquilo que pesquisei. Assim, se alguém da área me corrija nos comentários se eu estiver errada. Avançando este disclaimer, o diagnóstico fisioterapêutico, realizado pelo fisioterapeuta, tem como finalidade identificar, quantificar e qualificar o distúrbio cinético-funcional de orgãos e sistemas, sensíveis à abordagem fisioterapêutica, direta ou sinergicamente. Continuando com o exemplo do AVC (por esta altura, já deu para perceber o quão conectados estão todos pontos, né?), sendo esta doença caracterizada pela perda rápida de função neurológica, um diagnóstico fisioterapêutico seria algum tipo de discinesia muscular, como uma hipocinesia (que é uma diminuição redução do movimento).


Em saúde, todos os profissionais são colegas autónomos, e ninguém manda em ninguém. Complementam-se, mas cada um atua de acordo com a sua área de saber. Naturalmente, este é um resumo simplista daquilo que são os vários diagnósticos em saúde - que, com o passar do tempo, vão evoluindo ainda mais - pelo que vos convido agora nos comentários a escrever aquilo que ficou por dizer , o que acrescentariam noutros pontos ou até que outros diagnósticos em saúde conhecem, estou curiosa para ler. 

26.3.20

Como sobreviver aos turnos da noite


Uma das partes mais duras do meu Estágio de Integração à Vida Profissional da minha Licenciatura em Enfermagem foram os turnos da noite. Sempre fui uma pessoa com um horário de sono certinho, que se deita cedo e acorda cedo para aproveitar a manhã. As mudanças que tive que passar, portanto, foram muito difíceis, quer a nível físico quer a nível mental. Demorei algum tempo a conseguir encontrar estratégias que me ajudassem nesta adaptação.

A verdade é que esta transição é difícil para todos os alunos e recém-enfermeiros. O nosso corpo está programado para dormir de noite e acordar de dia. Mesmo que sejamos daqueles que se deitam às 2h ou 3 h, vamos constatar que, mesmo assim, ser night owls não nos prepara para só podermos voltar a ver a cama às 10h da manhã. Felizmente, existem truques que podemos utilizar para nos mantermos mais despertos e facilitar esta transição. Vão ver que, praticando estas dicas, quando derem por ela já fazem noites na boa (ou quase, vá, o nosso corpo nunca se adapta completamente, mas pelo menos fica mais fácil, prometo!).


1. Durmam antes de começar o turno: Um dos maiores erros que eu cometi no meu primeiro turno da noite foi não ter dormido uma sesta na tarde que o antecedeu. Achava que, se sobrevivia às noites académicas na boa, um turno da noite iria ser igual. Estava tão enganada! Cheguei às 6h da manhã a morrer de sono. O primeiro turno da noite, aliás, os primeiros até já vão ser difíceis com sestas, quanto mais sem elas. Mesmo depois desta fase de adaptação, as sestas são sempre grandes aliados para manter boa disposição durante o trabalho nocturno. 

2. Comam pequenas porções de comida durante o turno: Em vez de comerem um grande jantar antes de irem trabalhar (que vos pode pôr sonolentos), levem pequenos snacks saudáveis para comer durante o turno. I know, é uma grande tentação passar todos os turnos da noite a comer chocolates, pizza e afins (e não faz mal de vez em quando), mas são fontes de energia falsas. Aquilo que realmente vos dá força para trabalhar são coisas como fruta, lacticínios, pão ou bolachas (mas em moderação e das saudáveis, como bolachas Maria). E não se encham demasiado o estômago, pouco de cada vez, senão levam com a sonolência na mesma em cima!

3. Não bebam muito café: Beber café antes do início de um turno ou no início da noite pode ser bom para se manterem alerta, mas depois esqueçam, não toquem mais na cafeína. Pelo menos, se quiserem dormir bem no final do turno o que, por si só, já é um desafio com toda a luz do dia.

4. Bebam muita água: Em vez de dependerem exclusivamente do café para se manterem focados, apostem na água. Levem uma garrafinha para o trabalho e andem sempre com ela. Muitas vezes, o cansaço deve-se simplesmente ao facto de estarem desidratados. 

5. Não se ponham demasiado confortáveis: Embora, naturalmente, existam períodos durante um turno da noite em que efetivamente não há nada para fazer e em que um enfermeiro pode descansar, não fiquem demasiado confortáveis. Sim, podem levar um casaco para quando ficar mais frio, mas não se embrulhem em mantinhas. Se sentirem que se sentarem um pouco no cadeirão vos dá cabo da concentração, permaneçam em movimento aproveitando, por exemplo, para dar um check aos doentes como se costuma fazer. Podem deixar o vosso cérebro descansar de uma forma que, ao mesmo tempo, fique ativo no caso de algo surgir (eu sei que parece confuso, but its nurse´s life).


Enfermeiros aí desse lado? Que truques usam para sobreviver aos turnos da noite?

21.3.20

Ter acabado o curso mais tarde faz de mim burra?

Ter acabado o curso mais tarde faz de mim burra?

(As socas que me acompanharam nos meus 4 anos e meio de estágios em Enfermagem. Faziam-me doer os pés, mesmo com as palmilhas que eu lhes coloquei  numa tentativa, em vão, de as tornar mais confortáveis. Estive para comprar umas novas, mas dei por mim a não me conseguir desfazer deste calçado que me acompanhou desde os 18 aos 22 anos. Fizeram-me doer os pés, tal como o meu percurso me causou dores de crescimento. E tentei torná-las mais confortáveis mas, tal como este mesmo percurso, nem sempre é possível fazê-lo, porque aprender nem sempre é confortável. Mas, no final, orgulho-me de olhar para elas, assim como para todo o meu percurso)

Todos nós conhecemos aquela malta da faculdade que anda por lá a passear livros e a acumular matrículas. Aquelas pessoas que levam com o famoso comentário "oh prima, ainda andas na faculdade?". E, por muito que isto nos confira o estatuto de Cardeais ou de Veteranos na praxe (dependendo das tradições da universidade que frequentamos), ninguém suficientemente empenhado na sua vida quer ser esse tipo de estudante. Eu certamente que não queria.

Quando entrei para a faculdade, aos 18 anos, na minha primeira opção (tal como as expectativas sociais o ditavam), eu jurei a mim mesma que não iria ser esse tipo de estudante. Que nunca iria deixar cadeiras para trás ou que iria reprovar no que quer que fosse, nem numa única frequência. Mas a vida decidiu-me atirar com um grande balde de água fria, como o faz de vez em quando.

Como os leitores mais atentos devem saber, há 3 anos eu reprovei num dos meus estágios do 2º ano, em Oncologia. Em parte foi por motivo de doença (uma inflamação de intestino que, sei agora, poderá ter sido desencadeada por uma grande crise de ansiedade),  mas isso não me impediu de ser muito dura comigo mesma. Fiquei absolutamente desolada! E estaria a mentir se dissesse que foi apenas por saber que a minha entrada no mundo profissional iria ficar adiada. Não, a verdade é que esta reprovação foi também uma valente facada no meu ego. 

Toda a minha vida, eu fui sempre uma boa aluna. Nunca fui um "crânio", nunca cheguei a esse patamar, mas fui sempre uma aluna com um bom percurso académico: sempre com 4s e 5s no Básico  (tirando a Educação Física e a Artes Visuais, nisso era uma "nódoa") e 17s e 18s no Secundário. Aquela aluna que ouvia muitas vezes "esta vai ter  futuro".  Nunca reprovei em nenhum ano, disciplina ou teste. Portanto, agora já estão a visualizar melhor o choque que foi quando soube que reprovei num estágio no meu 2º ano de faculdade. 

Este acontecimento deixou-me com a confiança muito abalada. Eu, que sempre me habituei a ver-me de certa forma que alguém que, por muito que entrasse em stress com as notas, sabia que de certo patamar nunca descia - porque era inabalavelmente empenhada - perguntei-me porque é que falhei. Sentia-me burra, igual àqueles que acumulam matrículas. Tive vontade de desistir do curso porque, de repente, achava que não tinha perfil nenhum para ser enfermeira. Felizmente, tive pessoas que me ouviram e me, apoiaram qualquer que fosse a minha decisão, mas que disseram para eu esperar, para continuar. Se depois chegasse mesmo à conclusão que queria desistir, ia sempre a tempo. Porque, meus amigos, desistir não tem mal nenhum. Mas quando estão com a confiança fragilizada e a motivação lá no fundo, a vontade de desistir pode ser apenas uma partida do vosso cérebro, das vozes negativas que lá habitam. Não se toma este tipo de decisão quando a vossa saúde mental está uma merda, e estou grata por ter tido pessoas que não mo deixaram fazer logo na hora. 

O estágio seguinte do 2º ano (em ortopedia para os curiosos), fez-me recuperar parte da minha motivação. Descobri ali uma das primeiras áreas pela qual me interessava muito. No 3º ano, o ano das especialidades, recuperei ainda mais, com uma variedade de áreas que me atraíram e me fizeram relembrar o motivo pelo qual eu escolhi Enfermagem.

Com a ideia de desistir finalmente fora da cabeça, isso não significa que eu não tenha passado o resto do curso a duvidar do meu valor na mesma. Fiquei de tal forma com o trauma daquela reprovação que suspirava de alívio a cada estágio que não reprovava, mesmo que, a maior parte das vezes, o meu desempenho fosse muito mais que satisfatório, eu trabalhasse para mais do que isso e, em alguns casos, eu chegasse até ao 16 ou 17. É estúpido, eu sei, mas tentem dizer isso ao meu cérebro ansioso. Só descontraí mesmo quando acabei o curso, com 16 no Estágio de Integração. Mas, pela primeira vez em muito tempo, vi mais para além do resultado final.

Foi no meu Estágio de Integração que eu acabei por me sentir uma verdadeira enfermeira. Com a ajuda de dois grandes orientadores (do centro de saúde onde estagiei e do hospital), aprendi a reconhecer as minhas competências, a minha paixão por aquele curso e, mais importante que tudo, a minha dedicação presente em todos os momentos. Resumindo, aprendi a dar mais valor ao meu desempenho do que ao resultado final. Foi aí que deixei o medo de não ser boa o suficiente me deixasse de perseguir. E aqui estou eu agora, uma licenciada orgulhosa e que tem tantas competências como quem acabou em junho. 

Assim, a pergunta que aqui se coloca é: ter acabado o curso mais tarde (6 meses mais tarde, foi uma sorte ter conseguido o meu estágio em Época Especial) faz de mim mais burra que os outros? Faz de mim uma pior enfermeira? Faz de mim uma estudante desleixada? A resposta é não, não e não. Nada na vida é assim tão linear, e isso aplica-se também ao mundo universitário.

As perguntas que deveríamos estar, antes, a fazer é: porque é que somos tão duros connosco mesmos, mesmo quando não podemos controlar tudo o que nos acontece? Porque é que sentimos que estamos numa corrida contra os outros? Porque é que sentimos que um único acontecimento negativo nos define completamente?

A universidade é dura. A frase "é fácil entrar, difícil é sair" não é uma mera piada universitária. É porque é mesmo difícil para caraças! Os cursos são cada vez mais exigentes, e somos também apanhados na transição da adolescência para a vida adulta, algo que nos causa muitas dores de crescimento. Nada disso é fácil. Por isso, temos que parar de sentir necessidade de sermos constantemente os melhores. O sucesso não é nenhuma corrida. O mais importante é  aprendermos ao nosso ritmo  e termos fé que concretizaremos os nossos sonhos, demore o tempo que demorar. Quer isso signifique acabar o curso aos 23, 24 ou 25 anos (aí ainda têm toda uma vida pela frente na mesma) quer isso implique congelar matrículas e fazer uma pausa para recuperar a nossa saúde física e/ou mental, ou quer isso implique passar por isto tudo e chegar à conclusão "afinal, não é isto que quero, quero mudar de curso". No entanto, o que quer que escolham fazer, não deixem que estes anos, que devem ser dos mais felizes da vossa vida de estudante, vos destruam por dentro. O futuro será sempre sorridente para aqueles que lutam por ele.

(Foto: da minha autoria)

23.2.20

Como agradecer a um enfermeiro (e como não o fazer)

 Como agradecer a um enfermeiro (e como não o fazer)

(Um mini momento publicitário não pago para mostrar esta Barbie que a Mattel fez, inspirada na Florence Nightingale, para celebrar o facto de 2020 ser o Ano dos Enfermeiros)

Algo curioso que reparei nos meus 4 anos de estágios em Enfermagem é que muitas pessoas não sabem como agradecer aos enfermeiros. Não que sejam ingratos (não vamos falar desses casos neste post), mas não sabem a melhor forma de mostrar a sua gratidão, o que nos deixa, por vezes, nós, enfermeiros, numa posição difícil. 

Já estive na posição de familiar de pacientes (mais vezes do que gostaria), por isso compreendo perfeitamente esta necessidade de demonstrar agradecimento. Quando estamos nesta circunstância, o hospital é sempre uma experiência traumática, e são os enfermeiros que estão lá dia após dia, com o seu conhecimento, a sua empatia e a sua simpatia a ajudar-nos. Quando as coisas correm pelo melhor, a nossa gratidão é imensa.

Contudo, existem formas de agradecer sem  comprometer os profissionais de saúde. Hoje vou dar-vos algumas dicas nesse sentido, de forma a trazer alegria  aos enfermeiros das vossas vidas.


Em primeiro lugar, pode um enfermeiro receber presentes?


Sim, um enfermeiro pode receber presentes de um paciente, com a devida justificação. Desde que sejam presentes pequenos, simbólicos, não há nenhum problema e são muito bem vindos. Por outro lado, é pouco ético aceitar presentes mais materialistas e mais caros como, por exemplo, dinheiro, algo que costuma deixar-nos desconfortáveis. 


Dicas para escolher os melhores presentes


1. Sejam genuínos: A primeira regra é serem genuínos. Não sintam a necessidade de fazer de algo um big deal ou uma grande demonstração para todas as pessoas verem (mas se o quiserem mesmo, força!). Basta serem sinceros, dizerem o quanto determinado(s) enfermeiro(s) fez/fizeram diferença. A sinceridade é algo tão raro atualmente. Por isso, isto já significa o mundo para nós. 

2. Escolham sempre prendas pequenas: Tal como já referi acima, o pequeno é a chave quando se tratam de prendas para profissionais de saúde. Algo pequeno não significa que não nos marque imenso, muito pelo contrário, às vezes até nos marca mais. 

3. Ofereçam algo que possa ser partilhado: Uma regra muito comum nos hospitais portugueses é que tudo o que é oferecido, especialmente comida, é partilhado por todos os enfermeiros no serviço.  Portanto, se poderem oferecer algo assim, ainda melhor. 


Exemplos de presentes


1. Comida: Sabem o que deixa o enfermeiro mais feliz do com qualquer outra coisa? Comida heheheh. Os nossos turnos são longos (12 horas), andamos muitas vezes de um lado para o outro, fazemos turnos da noite, andamos com os horários de sono trocados, pelo que precisamos de o máximo de energia que consigamos obter. Chocolates, bolos, porque não até café (algo que nunca vi oferecerem acho mas que, pessoalmente, ofereceria)?

2. Um ramo de flores: Ramos de flores never get old. Podem murchar com o tempo, mas o gesto dura toda a vida nos corações das pessoas. E enquanto não murcham, estarão num cantinho bonito no serviço, a dar-nos aquele boost de motivação.

3. Uma carta de agradecimento: Em reinado de redes sociais, uma carta de agradecimento significa muito mais do que vocês pensam. Já quase ninguém faz isso, e é precisamente por isso que tem tanto valor. De todas as prendas, esta é a que passa mais ao teste do tempo. Em todos os serviços que já estive, costuma existir um quadro na copa, onde são afixadas todas as cartas dadas por pacientes e familiares ao longo dos anos. 

4. Façam uma donativo: Ok, eu sei que disse para não darem dinheiro, mas este é um caso mais apropriado. Quando tiverem vontade de dar dinheiro, em vez de darem para um determinado enfermeiro, porque não fazer um donativo? Pode ser para projetos do hospital, projetos do próprio serviço ou então para uma instituição de uma causa que queiram apoiar, em nome do serviço. Uma boa forma de agradecerem se tiverem mais possibilidades económicas e quiserem mesmo fazê-lo.


Quais são as formas que já encontraram para agradecer aos enfermeiros das vossas vidas?

8.6.19

Os únicos 3 livros que utilizei no meu curso


Na universidade, não há manuais escolares como no Básico e no Secundário. Foi algo que, ao início, me fazia alguma confusão (tal como contei, uma vez, neste post) mas que, com o tempo, percebi que realmente livros na faculdade eram algo prescindível. Para a maior parte das frequências estuda-se unicamente por powerpoints e, se por acaso precisamos de estudar por um livro, normalmente só interessam alguns capítulos e são esses que fotocopiamos. Nos casos em que é preciso mesmo o livro inteiro, vai-se à biblioteca e devolve-se no final do semestre. Não é preciso gastar fortunas em obras que, para o nível universitário, muitas vezes são caríssimas.

Foi assim que eu fiz ao longo de 4 anos. Contudo, houve três livros que eu tive mesmo que adquirir e que considero essenciais, não só para estudantes como para enfermeiros, pelo seu carácter informativo e intemporal.


1. Atlas of Human Anatomy: Este foi o primeiro livro pelo qual estudei quando comecei a ter aulas de Anatomia, e é muito bom para quem está a aprender os básicos. O meu professor de Anatomia disse que, numa primeira fase, aprender com ilustrações ajuda-nos a ter uma compreensão geral da matéria, e só depois é que devemos avançar para imagens reais, por isso foi este o livro que adquiri para o efeito. As ilustrações contidas nas suas páginas foram pintadas à mão pelo próprio autor, e permitem-nos ter uma compreensão geral da sua anatomia humana de diferentes ângulos e informação concisa a acompanhar. O livro também contém um apêndice no final, com todas as estruturas anatómicas reunidas, útil para quando queremos organizar as ideias e expandir os  conhecimentos no que diz respeito a nomes mais complicados.  Apesar de ser mais útil no início do curso, ainda hoje a utilizo de cada vez que quero procurar uma parte anatómica de forma mais rápida ou quero consultar o apêndice. 


2. Anatomy: A Photgraphic Atlas: Este foi o livro que utilizei quando comecei a estudar a sério para as frequências de Anatomia. "Anatomy: A Photographic Atlas" vai além de fornecer meras ilustrações da anatomia humana ao fornecer imagens reais de corpos humanos, através de cadáveres. Meus caros colegas esttudantes e enfermeiros, esta é a bíblia!  Aquele livro que vos vai ser muito útil ao longo de todo o curso e, mesmo no futuro enquanto profissionais, quando quiserem, por exemplo, compreender de que forma determinada patologia afeta certas estruturas. Se só puderem comprar um livro desta lista, comprem este! A versão fotocopiada não é tão boa, porque o que o torna mesmo bom é a qualidade das fotos. 


3. Anatomia e Fisiologia: Ou, como os estudantes costumam chamar a esta grande preciosidade, Seeley. Este livro já me acompanha muito antes de ter entrado em Enfermagem. Já existia em casa de um familiar há muitos anos e, em muitas ocasiões, eu pegava nele para ler. Talvez tenha sido uma das coisas que despertou o meu desejo por esta profissão.  Muitos dos conhecimentos que eu tenho acerca do corpo humano devem-se a este livro. Foi uma alegria quando entrei em Enfermagem e finalmente mo emprestaram. Tudo o que precisam de saber sobre anatomia e fisiologia está reunido no Seeley de uma forma muito simples e fácil de compreender sem, obviamente, desvalorizar a utilização de termos técnicos médicos e de Enfermagem. Não o tentem ler todo de uma vez (mesmo eu, após tantos anos, ainda não li tudo), é para ir estudando e consultando conforme as necessidades. É o único desta lista que tenho em Português e, ainda bem, porque foi isso que permitiu com que eu o usasse desde nova. 


Caros colegas (futuros) enfermeiros, quais são os livros que consideram essenciais na nossa profissão?

12.5.19

Branco e amarelo, sempre!


Ontem, dia 11 de maio de 2019, foi  um dia que vai ser lembrado para sempre como como um dos mais marcantes da minha vida estudantil. Ainda falta um bocadinho para acabar o curso, mas maio é para nós, finalistas, o mês de todas as celebrações. 

Acordei na manhã de sábado após poucas horas de sono, resultado de uma emotiva noite de serenatas. Costumo queixar-me de privação de sono (são poucas as coisas que me fazem abdicar das minhas 7/8 horas de sono) mas ontem, sabendo o que se avizinhava, levantei-me da cama com todo o entusiasmo. Vesti o meu traje com a consciência que seria a penúltima vez que o iria usar (a última vez será em julho, na missa de Enfermagem). Peguei na minha pasta, com as fitas escritas com tanto amor guardadas lá dentro (uma tradição que nem existe na UM, mas eu quis fazê-lo na mesma, por fazer sentido para mim) e nas minhas insígnias que, dali a umas horas, estaria a usar na cerimónia de Imposição das Insígnias e, mais tarde, na Missa de Finalistas na Avenida Central, e lá fui para um dia para o qual achava estar preparada, mal eu sabia a intensidade das emoções que iria experienciar nas horas seguintes.

A poucos minutos do início da cerimónia de Imposição de Insígnias, estava sentada nas mesmas cadeiras do pavilhão desportivo onde, quatro anos antes, estive presente na cerimónia de boas vindas , e foi aí que pensei "caramba, agora é mesmo real!". Andei o ano todo a exibir-me orgulhosamente, a irritar os outros com a frase "Finalista pode tudo!", mas só aí é que a realidade caiu sobre mim e eu soube que era mesmo Finalista. Que a Universidade já me estava a empurrar para fora das suas portas e que eu não podia fazer nada. Sinto que o meu tempo aqui já passou, que está na altura de embarcar em novas aventuras, mas ao mesmo tempo  queria prolongar esta fase só mais um bocadinho.

Na missa, todo o ambiente foi ainda mais envolvente. Ali, não haviam guerras de cursos, competições nem picardias entre malta da praxe e anti-praxe: éramos todos finalistas que estávamos a assinalar o fim de um ciclo, com as insígnias a transformar a Avenida Central num lindo espetáculo de cores. Foi neste ambiente que as lágrimas que teimosamente contive durante todo o tempo apareceram, e pioraram com a dos meus colegas.

Num sábado muito quente, não foi o calor de estar trajada com este tempo que eu senti mais, foi do carinho de todas as pessoas que contribuíram para tornar este dia ainda mais especial. Foi mesmo comovente ver tanta gente que, mesmo com os seus quotidianos preenchidos, arranjaram forma de presenciar isto comigo, e não me  pouparam a mimos. Nem imaginam a força que me deram! Sinto-me mesmo grata por as ter na minha vida.

Foi tanto aquilo que a Universidade me trouxe, muito para além dos conhecimentos que adquiri no curso. Foi um percurso com altos e baixos, naturalmente porém, no final, é sempre o melhor que fica mais presente na memória. Começou por me trazer  duas raparigas que conheci na fila das inscrições, no meu primeiro dia de Universidade, e que me acompanharam durante três horas, mesmo sem me conhecer de lado nenhum - nunca mais as vi, mas foram as primeiras a fazer-me sentir em casa na Universidade do Minho. Deu-me a praxe, que me mostrou que nem todas são como as humilhantes que são retratadas na TV, que podem ser espaços onde podemos ser a nossa versão mais silly,  e onde se aprende valores como a amizade e solidariedade ("Caloiro é solidário!"). Fez com que o meu caminho se cruzasse com tantas pessoas diferentes, de cidades e até de países  diferentes. Trouxe-me um grupo extraordinário de amigas, completamente loucas (no bom sentido, vá!), que me fizeram rir imensas vezes, e que me apoiaram em todos os altos e baixos- somos todas tão diferentes umas das outras mas damo-nos incrivelmente bem, e quero que a nossa amizade continue por muitos anos, até sermos velhinhas, com dentaduras para atirarmos umas às outras. Deu-me a conhecer o meu namorado que, no seu jeito nerd que eu adoro, convidou-me para sair à beira de um carrinho de medicação e que , desde aí, continua a fazer-me sorrir, todos os dias. Fez-me passar por tantos serviços em hospitais e outras instituições de saúde, onde cresci, conheci muitas realidades distintas e histórias inspiradoras que me fizeram pensar "se eles conseguem ultrapassar todos estes obstáculos, eu também consigo ultrapassar os meus". Fez-me perceber que Enfermagem não é um amor fácil, que já me testou e me vai continuar a testar muitas vezes mas que, no final do dia, é nesta nobre profissão que quero continuar- se existisse um botão de retroceder e eu pudesse voltar a candidatar-me ao Ensino Superior, faria a mesma escolha. A universidade tornou-me numa melhor pessoa: posso ainda ser jovem e ter muito para descobrir, contudo já não sou carrego as mesmas incertezas que carregava quando entrei.

Foram muitas as pessoas que contribuíram para o meu sucesso durante estes 4 anos, pelo que é praticamente impossível fazer um parágrafo de agradecimentos em condições sem este ocupar, pelo menos, meia página. Portanto, quero  destacar apenas algumas pessoas. Obrigada aos  meus pais, por terem investido na minha educação, por me terem proporcionado este que, infelizmente, ainda é um luxo, e por me terem ajudado em todo o meu percurso - espero ter feito com que o vosso esforço tenha valido a pena. Obrigada aos meus primos que, sendo eu filha única, fizeram o papel de irmãos , e que me ajudaram com as suas experiências acadêmicas e  conselhos muito valiosos. Obrigada à minha família, que também esteve sempre presente e a torcer por mim.  Às restantes , que sabem quem são e que sabem que me marcaram muito, um muito obrigada. Não teria chegado onde cheguei sem nenhum de vocês.

E assim me despeço da casa que me acolheu durante 4 anos e onde fui tão feliz. Quando dizem que os tempos da universidade passam num instante, não estão a brincar: estes 4 anos souberam a 4 dias, mas acredito que os aproveitei ao máximo.  Branco e amarelo, sempre <3.

(Foto: da minha autoria)

27.4.19

A Fita Blogosférica


Um dos meus muitos encargos como finalista é andar feita chatinha à caça de familiares, amigos e até professores para me escreverem nas fitas. Por esta altura, de alguns já só me resta a fita, porque a amizade foi-se (estou a brincar, sobreviveram todos). E não, vocês não se safam desta também.

Quando, há já alguns anos,  a Inês teve esta ideia incrível, eu soube imediatamente que iria fazer a mesma coisa. Porque a blogosfera fez parte de mim durante estes 4 anos. O meu blog registou o meu último ano de Secundário, a minha entrada na Universidade, da praxe, as primeiras cadeiras, as batalhas contra os cadeirões do curso (ai Anatomia, ainda hoje tenho pesadelos contigo), os meus receios e os meus sonhos.  Acredito até que as minhas vivências enquanto universitária teriam sido muito diferentes se não tivesse o "Life of Cherry".

Não, vocês aí desse lado não foram meus colegas de faculdade, mas acompanharam à distância todas as peripécias da minha vida académica: leram, comentaram, deram conselhos, partilharam experiências que me ajudaram e também me fizeram crescer,  e continuaram a seguir-me em todos os momentos, mesmo naqueles em que tive mais ausente e tive que deixar o meu cantinho virtual para segundo plano.

Assim, a fita que vêem na foto acima é para vocês. Não precisam de escrever testamentos ou textos muito inspiradores, basta deixarem algumas palavras, um "boa sorte" ou até apenas um pequeno smile,  se for essa a vossa vontade. O que vos fizer mais sentido. Podem deixar as vossas mensagens na caixa dos comentários em baixo ou na barra de páginas do blog que vou abrir especialmente para este efeito, até ao dia 10 de maio. 

Dar uma fita a alguém é o reconhecimento que essa pessoa marcou, de alguma forma, o nosso percurso académico. Mesmo que esta tenha estado sempre a quilómetros de distância ou que, como é o vosso caso, exista um ecrã de computador que nos separe. Pode parecer uma loucura, mas vocês também me marcaram de uma forma louca.

Fica aqui o convite para quem o quiser fazer. Obrigada, do fundo do coração <3.

(Foto: da minha autoria)

9.10.18

Como lidar com um internamento hospitalar

 Como lidar com um internamento hospitalar

Hospitais. Estes não são lá muito divertidos e a maior parte das pessoas não são grandes fãs deles. Estar num hospital pode ser aborrecido, assustador e até deprimente. Por isso, muita gente evita-os ao máximo. Contudo, nem sempre dá para os evitar. Infelizmente, ninguém é imune a problemas de saúde que, por vezes, podem resultar em internamentos hospitalares, precisamente aquilo que queremos evitar.

Por razões mais infelizes e por outras mais felizes, já passei muito tempo em hospitais. Primeiro, como mera visitante de familiares meus que estiveram lá internados. Depois, como aspirante a enfermeira. Durante todo este tempo, eu aprendi alguns truques para lidar melhor com um internamento hospitalar, e achei interessante partilhar a minha perspetiva, como estudante de Enfermagem.


1. Esclarece todas as tuas dúvidas: Isto pode parecer um bocado óbvio, mas acreditem que é algo que nem toda a gente faz. Muitas pessoas têm vergonha de fazer perguntas, seja por terem medo de incomodar os profissionais de saúde ou por terem vergonha de expor as suas inseguranças. Eu antes de entrar em Enfermagem também era assim, mas agora que estou "do outro lado" percebo os profissionais de saúde preferem que digamos coisas a mais do que nada. Não há perguntas estúpidas, os enfermeiros e os médicos já ouviram de tudo e, provavelmente, não vão ficar chocados com nada do que disseres. Portanto, não hesites em fazer perguntas sobre o problema de saúde que tens, o tratamento, os medicamentos que estás a tomar, os sintomas que podes experienciar, etc. Podes sentir-te envergonhado(a) ao início, mas depois vais sentir-te grato(a) por teres perguntado e ficado esclarecido(a).

2. Tem um caderno sempre à mão: Os médicos e os enfermeiros dão-te imensa informação durante um internamento, que é bastante fácil de esquecer quando estamos num ambiente que nos é estranho e estamos muito ansiosos. Por isso, ter um caderno na mesa de cabeceira pode ser bastante útil para não te esqueceres de nada.

3. Usa a tua própria roupa: O hospital fornece pijamas mas, sejamos sinceros, não são tão confortáveis como o teu próprio pijama. Usar a tua própria roupa irá fazer com que te sintas mais confortável e mais tu, uma pessoa e não um mero paciente. Têm apenas cuidado para, no final do banho, pores a roupa num saquinho próprio em vez nos sacos do hospital, porque senão arriscas-te a que a tua roupa vá para a lavandaria do hospital e se perca.

4. Leva algo para te distraíres: Quando se está num hospital, o tempo pode passar muito devagar. A manhã até passa depressa, entre o acordar, tomar banho e tomar medicação, mas a tarde parece interminável. Portanto, se puderes, pede aos teus familiares que te levem algo para te distraíres, como um livro ou um computador.

5. Se puderes, sai da cama: Por muito estranho que pareça, muitas pessoas ficariam deitados na cama durante todo o internamento se ninguém as mandasse levantar. Por algum motivo desconhecido, acham que recuperam melhor se ficarem o mais quietos possível. Porém, se  a tua condição de saúde não afeta as tuas capacidades motoras e consegues movimentar-te sem problemas, não há nada que te impeça de te levantares da cama e andares. Aliás, deves fazê-lo. Não só para não atrofiares, mas também para te distraíres. Andar um pouco pelos corredores ajuda-te a combater a ansiedade, ao contrário de ficar na cama o dia todo, que só faz com que te sintas mais doente.

6. Tem sempre o apoio de alguém: Se já fazer exames como tirar sangue ou ir a consultas no hospital pode ser assustador,  imagina o impacto emocional de um internamento. Portanto ter o apoio de alguém é vital. Não precisas de ter lá um batalhão de pessoas ou a tua família inteira, até porque o número de visitas é limitado. Ter apenas uma pessoa ao lado já pode fazer toda a diferença.

7. O hospital não é um hotel: Lá por os profissionais de saúde estarem sempre ao teu dispor não significa que eles estejam completamente à tua mercê e que tu possas fazer o que te apetecer e fazer do hospital um hotel. O hospital tem regras e rotinas que devem ser cumpridas e não existem exceções para ninguém. Bem sei que é complicado quando, por exemplo, estás habituado(a) a acordar às 11 horas e lá tens que acordar às 8 horas. Contudo, pensa que todas as regras existem para garantir o bom funcionamento do serviço onde estás internado e proporcionar-te os melhores cuidados de saúde possíveis.

8. Se não gostas de algum alimento, diz: Os hospitais são muito rígidos no que diz a respeito a regras, o que leva a que muitas pessoas achem que têm que comer tudo o que lhes põem à frente. No que diz respeito à alimentação, os hospitais são um pouco mais flexíveis. Se não gostas de determinado alimento, imaginemos ervilhas, podes dizer isso ao enfermeiro responsável por ti, e este colocará isso no teu processo. Futuramente, nunca irás ver ervilhas no teu prato e terás outro tipo de acompanhamentos. Mas atenção, também não te armes em esquisitinho(a). Se não gostares de nenhuma comida do hospital (que, sejamos sinceros, nunca é lá muito boa, é comida de hospital), podes sempre pedir aos teus familiares que tragam comida de casa, e desde que informes os enfermeiros acerca dessa decisão, não há problema.

9. Sê paciente: Eu sei que pode ser terrivelmente aborrecido e assustador ter que esperar pelos médicos ou enfermeiros ou querer desesperadamente ter alta para poder ir para casa. Esta é das partes mais difíceis de um internamento.  É uma experiência mesmo muito stressante.  Todavia, os profissionais de saúde estão a dar o seu melhor, ainda para mais tendo em conta o número de pacientes que cada um tem a sua responsabilidade, e  farão de tudo para que te sintas melhor.

10. Tenta permanecer calmo(a): Esta é talvez das dicas mais importantes que eu vos tenho para dar.  Os nervos podem dar cabo de nós, não apenas psicologicamente, mas também fisicamente, fazendo com que o processo de recuperação demore ainda mais tempo. O melhor que podes fazer durante um internamento é tentar permanecer positivo(a) e relaxado(a) em todos os procedimentos. Se há algo que te preocupa ou que te está a causar muito medo, partilha isso com os enfermeiros, eles irão ajudar-te a ultrapassar a ansiedade e passares pelos teus momentos mais difíceis. Acreditem, os enfermeiros são verdadeiros anjos e não te deixam cair, no sentido literal e figurativo.


Espero que não precisem destas dicas porque é bom sinal, mas se tiverem que enfrentar um internamento, seja o vosso ou de alguém próximo, espero que vos ajude. 

26.9.18

Os introvertidos também podem ser bons enfermeiros?

 Os introvertidos também podem ser bons enfermeiros?

Enfermagem é das profissões com mais interação social. Aquilo que seria lógico é que as pessoas que se metem no curso fossem as mais extrovertidas. É por isso que muitos ficam confusos quando eu lhes digo que estudo em Enfermagem. Não o dizem, mas eu sei o que pensam "Meu Deus, ela é tão introvertida, como é que ela quer ser enfermeira?!". Até já cheguei a receber comentários no meu blog acerca disso.

Há a ideia que os introvertidos têm menos competências sociais, por não gostarem tanto de interagir e de preferirem passar todo o tempo sozinhos. Isso não é necessariamente verdade. Nós, introvertidos, gostamos mais de nos conectar com grupos menores de pessoas do que, por exemplo, ser o centro das atenções numa grande festa, e depois preferimos recarregar baterias sozinhos em vez de procurar mais interação social. Isso não faz de nós pessoas com menos competências sociais, apenas significa que socializamos de modo diferente. 

Confesso que foi algo que me debati durante o curso. Durante algum tempo, acreditei mesmo nisso, que estava numa profissão feita para extrovertidos, e que talvez eu não tivesse lugar ali. Porém, à medida que fui fazendo diversos estágios, ganhando experiência e observando os mais variados enfermeiros, percebi que, nesta profissão, existem lugares para todos os tipos de personalidades. Aquilo que é preciso saber é valorizarmo-nos a nós mesmos e arranjar uma forma de fazer com que os nossos traços de personalidade resultem com as exigências da profissão. Aqui estão alguns dos traços de personalidade que podem ser o ponto forte dos enfermeiros introvertidos.


1. Bons ouvintes: Os introvertidos são, regra geral, bons ouvintes, prestando mais atenção não só  à comunicação verbal, como à linguagem não verbal que até pode revelar muito mais do que aquilo que é dito oralmente e que pode dar informações essenciais para poder melhorar os cuidados de um paciente. Às vezes, o simples facto de nos disponibilizarmos para ouvir um paciente torna-se em algo terapêutico para ele.

2. Mais observadores: Quando temos uma forma de estar mais sossegada, não estamos tão concentrados em interagir a toda a hora e isso permite-nos observar melhor o ambiente que nos rodeia. E todas as pessoas que trabalham na área da saúde sabem o quão ser bom observador é importante. No curso de Enfermagem, é algo que ouvimos a toda a hora "observem, observem, observem...". Os introvertidos têm mais capacidade de observar o ambiente que rodeia um paciente e o modo como este afeta a sua saúde, as relações sociais em que ele se apoia, mudanças subtis no seu estado de saúde ou mesmo o que pode estar por detrás das suas mudanças de humor.

3. Trabalham melhor em equipa: Aposto que este é um ponto inesperado para muitos de vocês. Os introvertidos são vistos, frequentemente, como pessoas antissociais e que, portanto, odeiam trabalhar com outras pessoas, preferiam fazer tudo sozinhos. Mas, na verdade, os enfermeiros introvertidos trabalham melhor em equipa. Como não gostam de ser o centro das atenções, não se importam nada de colaborar com os outros enfermeiros e não estarem em papéis de liderança. Podem não ser os membros da equipa com uma presença mais forte, mas são bastante eficazes.

4. A sua presença conforta os pacientes e as suas famílias: Eu acredito que as personalidades das pessoas transmitem energias diferentes, que passam para os outros. Falando neste caso específico, eu considero que os extrovertidos têm uma energia mais vibrante e barulhenta, digamos, enquanto que os introvertidos têm uma energia mais calma e relaxante. Se, por um lado, a presença de um extrovertido pode animar as pessoas, por outro lado a presença de um introvertido pode relaxá-los em momentos stressantes.

5. A preferência por conversas mais profundas: Os introvertidos são conhecidos por odiarem conversas de circunstância. Morremos um bocadinho por dentro de cada vez que temos que fazê-las. Sabemos que, por vezes, são necessárias para quebrar o gelo, mas não as prolongamos por mais tempo que o necessário. Optamos sempre por conversas mais profundas, que nos permitam estabelecer uma conexão real com uma pessoa. Em Enfermagem, este traço de personalidade é útil para estabelecer uma relação terapêutica mais forte com os pacientes e ganhar mais a sua confiança.


Qual é a vossa opinião? Acham que os introvertidos dão bons enfermeiros?

10.9.18

Cherry Finalista

Cherry Finalista

Hoje começa oficialmente o meu último ano letivo de sempre. E quando o início do meu último ano letivo enquanto estudante começam a surgir sentimentos desconhecidos até agora e alguns deles contraditórios. Parece-me irreal já ser finalista, mesmo já o tendo repetido muito para mim mesma nos últimos dias e estar agora aqui a escrever  esta palavra. Talvez seja uma espécie de mecanismo de autodefesa, uma vez que não consigo pensar no facto de ser finalista sem me dar uma grande pontada de nostalgia. Tal como, há três anos atrás, registei o começo do meu primeiro ano de faculdade, hoje estou aqui para registar o começo do meu último ano, o início do fim.

Ser finalista é querer que tudo acabe para concluir a licenciatura mas, ao mesmo tempo, querer que passe mais devagar para poder desfrutar de tudo uma última vez.  Até damos por nós até a desejar que as aulas não comecem, porque tudo o que começa sempre acaba. Sabíamos que isto era inevitável, mas queremos prolongar esta jornada mais um bocadinho porque ainda não tivemos tempo para recuperar da intensidade de tudo o que vivemos.

Sinto que este ano vai ser recheado de momentos com um sabor agridoce. Todas as alegrias já sabem a despedida, mesmo no início do ano. Já não existem muitos mais jantares de curso, muitas mais saídas à noite, muitas tardes passadas à gargalhada com as amigas no campus. Já só existe mais uma receção ao caloiro, mais uma latada, mais um Enterro da Gata e mais um Cortejo. Está a dar-me uma saudade antecipada de tudo o que ainda não passou, mas que sei que vai passar rápido. Porém, não vou deixar que isso me faça sentir uma tristeza antecipada: vou canalizar estas sensações para aproveitar tudo ao máximo. Este é o ano para sair mais vezes, para estudar (ainda) mais, para dar muito uso à já clássica frase "finalista pode tudo", para valorizar mais os amigos e para, no final, acabar com a sensação de que nada ficou por fazer. 

Entre o anoitecer de um mundo já sentido mil e uma vezes e o amanhecer de um mundo completamente novo e desconhecido, ainda existem uma infinidade de momentos por vivenciar. Há que agarrá-los e torná-los especiais. 

9.9.18

5 coisas a ter em mente antes do primeiro dia de Enfermagem

5 coisas a ter em mente antes do primeiro dia de Enfermagem

Quando faço publicações sobre Enfermagem, eu faço sempre naquela "oh, isto deve ser chato, ninguém vai ler isto, mas pronto,  talvez ajude alguém". Eu sei que existem alunos de Enfermagem por aqui, porque, de vez em quando, recebo um muito bem vindo comentário aqui e acolá.  No entanto, não deixei de ficar surpresa quando, nas últimas semanas, apareceram na minha caixa de correio vários mails a pedirem-me conselhos sobre o meu curso. É engraçado como há malta que só me segue por causa disto (sim, eu uma vez recebi um comentário a dizer que a principal razão pela qual me seguia é por escrever sobre Enfermagem. Não é que tenha problema, se também me seguem só por causa disso são bem vindos na mesma). De facto, existem muitos poucos blogs a falar sobre o curso (no meu ano de caloira, eu naveguei meia Internet e não encontrei praticamente nada), pelo que sei que isto poderá ser uma grande ajuda para muitos.

Ontem saíram os resultados das candidaturas ao Ensino Superior, e hoje certamente que já existem muitos alunos a pensarem no primeiro dia de faculdade, por isso decidi partilhar umas dicas especiais para os futuros alunos de Enfermagem. Aqueles posts de "o que saber antes do primeiro dia de Universidade" são muito bons, mas aqui os futuros enfermeiros querem detalhes mais específicos.


1. Os ensinos clínicos não vão começar logo: A primeira coisa que os alunos querem mal entram no curso de Enfermagem é meterem-se logo num hospital (para estagiar, não para curar o coma alcóolico, espero eu). Nah nah, antes de irem para lá ainda vão ter que levar com muita matéria teórica em cima. Se entrarem na Universidade do Minho não começam a ter ensinos clínicos antes de Maio, e mesmo nessa altura ainda não farão coisas mais complexas como administrar medicação (só nos anos posteriores). Mesmo nas outras faculdades, só começarão a prática no segundo semestre e, antes disso, têm que ter exames práticos.

2. Já vão ter muito que fazer na segunda semana de aulas: No geral, em todos os cursos o ritmo de trabalho é muito elevado, mas eu não tenho termo de comparação para vos dizer se vão estudar mais em Enfermagem . A sensação que dá é que, em Enfermagem, a matéria tem tendência a acumular muito mais depressa, sobretudo no primeiro semestre do 1º ano, que tem uma grande carga teórica. Não estou a exagerar quando digo que, na segunda semana de aulas, já terão muito que fazer. Durante todo o curso o ritmo de estudo será muito intenso-até porque metade deste é prático, pelo que toda a matéria num intervalo de tempo menor- porém o 1º semestre do 1º ano é, sem sombra de dúvidas, o mais trabalhoso (talvez por também existir muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, como  a transição do Secundário para a Universidade, a praxe, etc.).

3. Preocupa-te em compreender a matéria, não com as notas: Todos os anos, entra em Enfermagem um grupo de alunos muito ambiciosos que acham que isto é o Secundário e que fazem de tudo para tirar 18. Se vão para lá com esta atitude, repensem a vossa estratégia. Eu sei, eu sei, passaram o Secundário inteiro a marrar e a decorar matéria para ter a melhor média possível, é um hábito difícil de largar. Não me interpretem mal, a média final de curso vai ser algo muito importante no vosso futuro, mas não é o mais essencial. Aquilo que realmente é essencial num (futuro) enfermeiro é  ter adquirido os conhecimentos que lhe foram exigidos, porque vai ter que aplicá-los na prática.  Coisa que não vão conseguir fazer se andarem a decorar matéria por decorar. Mas nem precisam de chegar ao final do curso para pensar no quão inadequado foi este método de estudo. Nos primeiros estágios já se vê quem realmente compreendeu os temas que foram abordados e quem não utilizou o melhor método de estudo. Portanto, o meu conselho é esforçarem-se ao máximo para perceber toda a matéria. Estudem como se, no dia a seguir, fossem aplicar o que aprenderam num paciente. É algo que é muito complicado de fazer no primeiro ano, quando ainda não têm nenhuma experiência em campos de estágio. Nos anos seguintes, é mais fácil de visualizar o conteúdo dado nas aulas, já se torna tão instintivo que quase se esquecem do que é ter que decorar matéria (digo "quase" porque vão ter cadeiras que não vão ter outro remédio senão decorar).

4. Anatomia é o CADEIRÃO  do curso: Meti em capslock para não haver caloiros a terem a infeliz ideia de subestimar esta cadeirão. Eu já devo ter dito isto mil vezes nas minhas publicações sobre Enfermagem, porém nunca é demais avisar.  Bem, todos os anos vão ter um cadeirão. No primeiro é Anatomia, no segundo ano é a única cadeira que existe no plano de estudos, no 3º ano é Investigação, no 4º ano ainda não sei porque ainda não passei por este (dah!), mas circulam rumores que é Investigação II. Não obstante, o Cadeirão dos cadeirões, aquele que está no topo, aquele que reina sobre todos os outros é Anatomia. É aquela cadeira em que vocês vão ter de ir às aulas todas, vão ter que estudar todos os dias, fazer exames na Internet e, ainda assim, pode correr mal. Muitos colegas meus arrastaram esta cadeira pelo curso, e há quem  só a tenha feito no 4º ano. Eu por pouco que não a deixava para trás, fiz-la no primeiro ano à quarta tentativa (depois de uma frequência, exame final e recurso, lá consegui fazer na avaliação oral). Conclusão: não desvalorizem Anatomia e esforcem-se ao máximo.

5. Não se preocupem se ainda não sabem que área querem seguir: Não precisam de saber logo, desde o primeiro dia, que querem trabalhar numa área específica. Vão ter quatro anos para decidir. Aliás, vão ter muitos ensinos clínicos que vão ajudar-vos a ter uma visão geral sobre todas as áreas. Vão estagiar em Medicinas, Cirurgias, Pediatria, Psiquiatria, além de outras áreas fora de hospitais, como centros de saúde, lares de idosos, unidades de cuidados continuados... Vão experimentar de tudo. Portanto, não precisam de ficar preocupados se ainda não souberem que tipo de enfermeiros querem ser, o curso irá abrir-vos horizontes nesse sentido. Até acontece  muitos alunos chegarem ao 4º ano e ainda não saberem ao certo o que querem (apesar de, naturalmente, já terem mais áreas em mente do que os alunos do 1º ano). O bom deste curso é que vos irá formar para serem enfermeiros de cuidados gerais pelo que podem, a qualquer momento das vossas vidas, exercerem numa área completamente diferente na qual estavam.


Caloiros aqui destes lados, quem é que entrou em Enfermagem? Se tiverem dúvidas ou sugestões de publicações, não hesitem em partilhá-las aqui em baixo, nos comentários. 

17.7.18

3º ano de Enfermagem


Eu já devia ter escrito esta publicação há imenso tempo, logo após o final do semestre, mas estava tão exausta nessa altura que não me apetecia falar sobre a faculdade. E agora estou a sentir-me mal por falar do curso em pleno do julho. EM PLENO JULHO! Isto é sequer legal? Não sei, mas eu não queria ser aquele tipo de pessoa chata que fala sobre a universidade nas férias de verão. Mas vai ter que ser. Prometo que depois desta publicação só voltamos a falar de universidade em setembro. Isto é para o bem dos caloiros (ou dos estudantes de Enfermagem que me estão a ler). 

Todos os semestres debato-me sempre com o dilema se devo ou não continuar a escrever estas publicações, em que falo sobre as cadeiras da universidade e dou o meu feedback. Sinto que são muito aborrecidas para a maior parte dos leitores deste blog (principalmente para aqueles que já estão no mundo do trabalho). Contudo, quando recebo e-mails a pedirem-me informações sobre o meu curso, lembro-me da razão pela qual comecei a escrever sobre a minha experiência e acabo sempre por fazê-lo. Se ajudar uma pessoa a decidir o seu curso ou, no caso de estar em Enfermagem, a saber como estudar, já valeu a pena. Para não ser tão chato e por razões que já expliquei aqui, decidi que, a partir de agora, só sairá uma publicação destas uma vez por ano em vez de ser uma vez por semestre.

Bem, falando deste ano. O 3º ano de Enfermagem, tal como eu suspeitava, foi o meu ano favorito. Foi o ano de especialidades, em que tive oportunidade de estudar e estagiar em especialidades como Obstretícia, Pediatria e Psiquiatria. No geral, eu achei um ano bastante tranquilo. Foi muito trabalhoso (não esperava o contrário com 6 cadeiras), mas fez-se bastante bem. A nível de estágios, a maior parte deles não são assim muito exigentes (o que por um lado é mau, porque depois no 4º ano vai custar mais a retomar o ritmo). Boas notícias para quem gastou muito dinheiro no 2º ano: quase todos os estágios são em Braga. Para ser possível os quase 100 alunos de Enfermagem estagiarem no Hospital de Braga, passamos pelos serviços em alturas diferentes. Por exemplo, enquanto uns estão a estagiar em Psiquiatria outros estão a estagiar em Pediatria.

Aquilo que os meus Doutores me diziam confirma-se: o 2º ano é mesmo o pior ano do curso. Se sobreviverem ao 2º ano, fazem o resto do curso na boa.

Bem, este semestre, tal como já disse, tive 6 cadeiras: Enfermagem de Saúde da Mulher, Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente, Investigação em Enfermagem, Enfermagem de Saúde Comunitária I, Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica I e as opções. Isto pareceu-vos uma lenga-lenga? Não se preocupem, eu explico melhor em baixo. 

(Notas:Tal como reforço sempre que falo sobre o meu curso, a minha experiência pode não ser igual à de outros estudantes de Enfermagem. Esta é a minha experiência relativamente ao curso de Enfermagem da Universidade do Minho. Vou falar dos estágios muito no geral, porque todos os alunos têm uma experiência diferente, e não vou falar de trabalhos escritos, porque estes, muitas vezes, são diferentes consoante o professor.)


Enfermagem de Saúde da Mulher


Enfermagem de Saúde da Mulher foi a minha unidade curricular favorita do ano, tanto a nível teórico como a nível prático. Era algo que eu queria mesmo estudar desde que entrei no curso e correspondeu às minhas expetativas. Foi o meu grande amor. 

Nesta cadeira, foram abordados todos os assuntos relativamente à mulher em todas as suas fases da mulher: ginecologia, gravidez, puerpério, menopausa e climatério. Claro que a minha parte favorita foi a gravidez. Como não adorar a história do início da vida? Muito do que foi abordado nas aulas é interessante não só para nós, futuros enfermeiros, como para nós, mulheres, para sabermos de cuidar de nós próprias e até para os homens, para poderem acompanhar as suas parceiras. Se estudarem, é muito fácil de tirar boas notas nas frequências. 

Esta foi a única cadeira deste ano que teve aulas práticas. Estejam descansados, não existem exames práticos às carradas como aqueles que tivemos o ano passado. São duas aulas, para aprenderem as principais técnicas que vão executar no estágio de Obstetrícia: cuidados de higiene ao Recém-Nascido e Cuidados Perineais à Puérpera.

Relativamente ao estágio, para mim, foi o sonho! Eu tinha medo de estar com as expetativas demasiado elevadas para este ensino clínico e, depois, revelar-se ser muito diferente do que imaginava, mas gostei muito. Aliás, foi muito refrescante poder estar a cuidar dos bebés e dos seus pais, a promover a sua saúde, em vez de estar a lidar com a doença, tal como já estamos habituados nos outros estágios. Um dos receios da maior parte dos alunos (e que foi o meu, também) era não conseguir dar banho aos bebés. Em primeiro lugar, tínhamos que estar a ser observados pelos pais (que, se já fosse o segundo filho, nos iriam estar a observar cuidadosamente para ver se fazíamos tudo bem) e pelo enfermeiro orientador. Socorro! Em segundo lugar, um recém-nascido é um ser tão frágil que temos medo de o magoar, de o apertar com demasiada força ou, pesadelo dos pesadelos, deixá-lo cair.  Porém, asseguro-vos que, quando sabem bem a técnica e fazem-na uma primeira vez, todas as outras vezes são canja. Se gostarem da área, este ensino clínico é o paraíso, se não vos atrair muito, tolera-se bem, são só quatro semanas (aliás, todos os estágios que vou falar aqui têm a curta duração de quatro semanas). 

Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente


Esta cadeira é muito exigente, é muito duro estudar toda a matéria, mas vale a pena, porque é muito interessante. Aqui aprendemos tudo relativamente à saúde infantil e juvenil. Tudo, tudinho, desde bebés até adolescentes. Também são dadas as patologias mais comuns na infância, a dor na criança (uma parte muito importante, uma vez que as crianças lidam com a dor de forma diferente dos adultos), psicologia e parceria de cuidados em pediatria (algo em que todos os professores insistiram muito e, depois de  estagiarmos em Pediatria, percebemos porquê). 

O ensino clínico em Pediatria foi o mais exigente. Todos os estágios foram bastante tranquilos menos este. Este exigiu muito  mais estudo (têm que estudar todos os dias, medicação, as doenças com que se vão deparando... Os orientadores aqui não facilitam, têm que saber muito bem tudo relativamente aos vossos doentes e a todas as intervenções que fazem), toda a nossa capacidade de pensamento e raciocínio crítico e muitas capacidades comunicacionais. Foi o meu último estágio do ano, mas gostava que tivesse sido o meu primeiro, porque sinto que teria tido energia para aprender muito mais. Ainda assim, foi muito enriquecedor. Puxaram imenso por mim e fizeram-me adquirir competências que eu, por mim própria, não saberia explorar. 


Investigação em Enfermagem


Meus amigos, muito cuidado com esta cadeira. Este é o cadeirão do 3º ano. Realcem bem isto na vossa cabeça. 

Tal como o próprio nome indica, Investigação em Enfermagem aborda todo o processo para fazermos um estudo em Enfermagem. Que tipos de estudos existem, como os fazer, como podem ser validados, quais os tipos de variações que existem, quais os tipos de hipóteses que existem... 

A  primeira parte da cadeira são, essencialmente, aulas teóricas, com um ou dois trabalhos de grupo pelo meio. Já na segunda parte de Investigação, vão ter uma componente mais prática, em que vai ser abordada Bioestatística . Para este módulo, vão precisar de levar o computador para a faculdade todos os dias, e vão ter que instalar um programa chamado de SPSS (que não precisam de se preocupar em instalar, porque vai ser instalado por um Engenheiro da Universidade do Minho aquando destas aulas, numa marcação feita conforme a vossa disponibilidade). 

Não pensem que esta vai ser daquelas cadeiras em que podem faltar a metade das aulas e, ainda assim, passar. Têm que ir às aulas todas e estar com o máximo de atenção para conseguir acompanhar senão, esqueçam, depressa perdem-se.  Confesso, eu fui a todas as aulas e, ao início, não consegui acompanhar a matéria. A professora expunha os exercícios que tínhamos que fazer, e eu parecia que estava a ler chinês. Eu simplesmente não conseguia chegar lá. Eventualmente, tive que vencer a minha timidez e levantar o dedo (eu nunca levanto o dedo para nada, dá para ver o desespero?) e dizer à professora um muito honesto  "Não estou a perceber nada, pode-me explicar outra vez?". Após esta explicação (que, devo dizer, foi milagrosa), passei de uma naba que odiava a cadeira a dominar aquilo e até a divertir-me ao estudar a matéria. 

Guardem muito bem os conhecimentos que adquirem nesta unidade curricular  porque vão precisar deles para Investigação do 4º ano, em que vão ter mesmo que fazer estudo (scary, I know,mas não pensemos nisso já).

Enfermagem de Saúde Comunitária I


Saúde Comunitária é muito mais interessante na prática do que na teórica. Mas a matéria tem que ser dada, e é um esforço que temos que fazer para poder estagiar na área. 

O primeiro módulo diz respeito, essencialmente, à reorganização dos cuidados de saúde primários (uma matéria muito chatinha de estudar), à família como foco dos cuidados de saúde primários, à saúde escolar e ao Plano Nacional de Vacinação. O Plano Nacional de Vacinação é, sem dúvida, a matéria mais importante deste módulo. É fundamental que o dominem muito bem o PNV, porque vão precisar dele não só para o Centro de Saúde, como para Obstetrícia e Pediatria. 

O segundo módulo é um pouco mais cultura geral. É sobre a abordagem epidemiológica dos centros de saúde e os vários programas que são desenvolvidos pelo SNS e Se estiveram atentos no estágio de 1º ano de Centro de Saúde, já estarão familiarizados com muitos dos assuntos que serão abordados aqui.

O ensino clínico é, naturalmente, num centro de saúde, uma experiência que, apesar do estágio do 1º ano, é diferente, porque desta vez vão poder participar mais ativamente, não estarão a trabalhar numa componente de observação participada (com sorte, poderão até dar algumas consultas, com a supervisão do vosso enfermeiro orientador, claro). A maior parte dos alunos prefere estagiar em hospitais, "ah e tal, só se dá consultas, que seca!" mas, na minha opinião, eu acho que os centros de saúde são uma grande oportunidade de aprendizagem. É a única área onde podemos acompanhar a pessoa em todo o ciclo de vida, desde nascer até morrer. Não vemos isto em mais área nenhuma, nos hospitais está sempre tudo dividido em serviços específicos (Cardiologia, Pediatria...). Além disso, temos oportunidade de executar muitas técnicas (nomeadamente a técnica de pensos. Em centro de saúde, fazem-se imensos pensos) e de realizar visitas domiciliárias (que é bastante interessante, porque dá para perceber todo o contexto socioeconómico e emocional de uma pessoa). Uma particularidade deste estágio é que têm que estudar um pouco de tudo. Não podem recorrer apenas à gavetinha "saúde da criança" ou à gavetinha "pensos", têm que ter todas as vossas gavetas da cabeça prontas para qualquer tipo de pessoa que vos apareça. É dada mais importância à saúde da mulher e da criança e ao PNV, mas acabam por ter que saber um pouco de tudo.


Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica


Psiquiatria foi, a seguir a Enfermagem da Saúde da Mulher, a minha unidade curricular favorita. Não se deixem enganar pelo nome da cadeira, esta é muito centrada em patologias e não tanto na promoção da saúde mental. Estudar as patologias psiquiátricas todas foi fascinante e intrigante, assim de uma forma sombria. Existe uma quantidade absurda de doenças que podem afetar uma pessoa de maneiras que nem imaginamos e, muitas das quais, podem passar despercebidas aos olhos mais inexperientes. A saúde mental foi sempre algo que considerei aliciante e, portanto, nem cheguei a sentir o cansaço nas horas que dediquei a estudar para as frequências. 

No que diz respeito ao ensino clínico, este é um estágio que ou adoram ou odeiam. Claro que isso também vai depender do sítio onde calham. Nos serviços de Psiquiatria são permitidas menos estagiários por serviço, pelo que existiram alunos que não estagiaram no Hospital de Braga, e calharam em outros sítios que ora tinham doentes com casos de doença mais agudos ou mais crónicos (e lidar com doentes com doenças psiquiátricas agudas é muito diferente do que lidar com aqueles que têm doenças crónicas). Este estágio vai parecer muito parado, vai parecer que não se faz nada. Não existem técnicas, a medicação é praticamente toda oral e nem existem as rotinas habituais como os cuidados de higiene porque, à partida, todos os doentes lá internados conseguem tomar banho sozinhos. Podem ter a sensação que de são inúteis, que não estão a fazer lá nada . Contudo, isso não é bem assim, não se vocês não quiserem. Como nos disse um doss  orientadores no início do estágio, são vocês que decidem o que vão fazer deste estágio. Psiquiatria pode não ser técnicas, mas é muita interação com os doentes, muita capacidade de comunicação e, muita, muita, observação. Nem tudo o que parece é. Podem achar que um doente está melhor ou que o diagnóstico que está no seu processo não se adequa a ele, mas têm que saber ler nas entrelinhas, pensar que o doente não vos transmite tudo ou que vos pode "enganar" (muitas são as pessoas que tentam esconder a sua doença) e têm que estar atentos a todos os sinais e sintomas. Se bem aproveitado, pode ser muito interessante. Eu adorei estagiar neste serviço, desenvolveu imenso as minhas capacidades de comunicação e de observação.

Cadeiras de opção


A partir do 3º ano, o plano de estudos de Enfermagem traz-nos uma novidades: as cadeiras de opção. As cadeiras de opção do 3º ano são apenas duas: Crianças e Adolescentes com Necessidades Especiais e Oncologia e Cuidados Paliativos.

Na primeira opção, vão estagiar na área de Oncologia, tanto em serviços de Oncologia dos hospitais como hospitais de dia. É, basicamente, um ensino clínico normal como àqueles que já são habituais no nosso curso. Têm doentes atribuídos, são responsáveis por todas as intervenções que fazem aos mesmos e toda a medicação que lhes administram e têm que elaborar planos de cuidados. A desvantagem desta opção são os locais de estágio: são poucos os alunos que ficam em Braga, a maior parte vai para cidades como o Porto e Lisboa, o que pode exige custos extra em transportes e alojamento. 

Na segunda opção, vão lidar com crianças e adolescentes com necessidades especiais e estarão a estagiar em escolas. Este ensino clínico é mais em regime de observação participada, uma vez que são os educadores e professores que estão responsáveis por cuidar destas crianças e jovens. Contudo, podem participar em tudo aquilo que vos for permitido, interagir com as crianças e adolescentes e desenvolver atividades com eles se tal se proporcionar e for permitido.

Eu escolhi a segunda opção sem hesitar. No segundo ano já estagiei em Oncologia e não gostei muito, mas mesmo que tivesse gostado já tinha tido a possibilidade de conhecer o serviço. Por outro lado, trabalhar com crianças e adolescentes com necessidades especiais é algo que nunca tive oportunidade de fazer e era, provavelmente, a minha única oportunidade para o fazer. Não teria mais nenhum estágio nesta área até ao final do curso, e tenho a certeza que me iria arrepender bastante se não escolhesse esta opção. Portanto, escolhi esta opção e foi a mais acertada para mim, sem dúvida alguma, foi uma experiência muito enriquecedora.


Ética


Não, isto não é uma cadeira, é uma particularidade que todas as cadeiras tiveram e que eu achei importante realçar. No início ou no fim de cada unidade curricular, existiu sempre um módulo dedicado a Ética. Há quem ache este ramo de filosofia aborrecido, mas eu achei que foi muito relevante tendo em conta que Enfermagem é uma ciência humana. Todas as aulas foram muito curtas mas penso que nos deram as ferramentas fundamentais para nos tornarmos profissionais de saúde mais conscientes e responsáveis na nossa tomada de decisão. 


E, pronto, aqui ficou mais uma retrospetiva do meu semestre. Por curiosidade quem é que daqui está a pensar em ir para Enfermagem ou está em Enfermagem (não necessariamente na minha universidade)? Acusem-se nos comentários. 

21.5.18

7 coisas das séries médicas que não acontecem na vida real

7 coisas das séries médicas que não acontecem na vida real

Quando era mais nova eu comia séries médicas. A sério, passava tardes a fazer maratonas de " Anatomia de Grey" ou " Hospital Central", sonhando com a altura em que eu própria vestiria a farda branca e cuidaria dos doentes. Nunca fui daquelas pessoas que desde pequena sabia aquilo que queria ser, foram um conjunto de experiências de vida que foram fazendo com que me apaixonasse por Enfermagem, e ver estas séries foi uma dessas experiências.

Rever estas séries agora, sendo estudante do 3º ano de Enfermagem, é algo bastante engraçado. Sempre tive noção que a televisão não retratava fielmente aquilo que se passa nos hospitais, mas agora é que tenho mesmo noção das coisas que não são, de todo, reais. Hoje vou falar de algumas dessas coisas. Não vou falar das técnicas médicas (não sou médica) e também vos vou poupar de pequenos pormenores porque esses seriam uma lista enorme (catateres mal colocados, soros mal colocados ou a correr à velocidade errada, má técnica de pensos,...).


1. Os médicos fazem tudo: Nas séries, os médicos fazem LITERALMENTE tudo. Além de fazerem o trabalho deles, eles administram medicação, fazem colheitas de sangue, fazem exames, analisam os exames, estão sempre a falar com os doentes, eles até transportam doentes... Na realidade existem enfermeiros, maqueiros, técnicos de ação médica e muitos outros profissionais de saúde para isso. Este é o ponto onde as séries televisivas pecam mais.

2. Falar de casos de doentes em elevadores ou outros locais públicos: Se os médicos fizessem isto na vida real, seriam imediatamente expulsos da Ordem. Nunca se pode falar de nenhum paciente fora do gabinete médico/enfermagem ou do quarto do paciente. Chama-se a isso sigilo profissional, algo que todos os profissionais de saúde levam muito a sério.

3. Sexo no hospital: Ahahahah, ia ser muito bonito se isto acontecesse na vida real. Andavam sempre a mudar de profissionais para substituir a malta toda que foi despedida. Porque é praticamente impossível fazer sexo com alguém no hospital sem ser apanhado. Nas séries, vai tudo para quartos, para arrecadações, elevadores... Meus amigos, em todos esses sítios, por pouco movimentados que sejam, passam a vida a entrar e sair pessoas, mesmo em turnos da noite. Não há nenhum médico/enfermeiro bonzão que compense correr esse risco, lamento destruir-vos esta fantasia. 

4. Toda a gente trabalha no mesmo turno: Que conveniente, assim podemos almoçar juntos, lanchar juntos e andar nas coscuvilhices juntos. Quem vê séries médicas tem uma noção um bocado irrealista daquilo que são os horários dos profissionais de saúde. Existem turnos da manhã, da tarde, turnos que duram o dia todo, turnos da noite e, muitas vezes, passam dias até voltarmos a ver certo profissional de saúde.

5. Os partos são muito dramáticos, com gritos e muitas dores: Nas séries, as mulheres que estão prestes a dar à luz estão sempre ali numa aflição, aos berros, cheias de dores, a parir na ambulância... Que dramatismo! Embora um parto possa ser uma experiência muito dolorosa, felizmente, em grande parte dos casos as mulheres não sentem muita dor e tudo decorre sem complicações.

6. Os médicos esfregam as placas do desfribilador : Eu nunca assisti a uma reanimação ao vivo, mas já estudei isto, por isso posso dizer-vos que esta cena de esfregar as placas dos desfibrilador antes de as usar é uma treta. Dá um ar muito fixe aos médicos, mas vida real esse procedimento não serve para nada e até correm o risco de estragar o aparelho.

7. Os profissionais de saúde vão a um bar divertirem-se no final do turno: No final do turno, a maior parte dos profissionais de saúde estão demasiado exaustos para fazer o que quer que seja, quanto mais sair à noite para beber até cair. Só querem é dormir. Até eu, e eu ainda sou estagiária, não trabalho a sério.


O que têm a dizer das séries médicas? Que falhas apontam?