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9.3.19

Porque eu nunca desisto de um livro (mesmo que o odeie!)

Porque eu nunca desisto de um livro (mesmo que o odeie!)

Ao longo da minha vida, já li imensos livros, tantos que já perdi a conta (e é nestes momentos que me arrependo de não ter uma conta Goodreads organizada). Alguns marcaram-me bastante, enquanto que outros foram uma chatice e eu já nem me lembro deles. No entanto, independentemente daquilo que eu senti em relação aos mesmos, eu terminei-os sempre. Em toda a minha vida, só desisti de dois livros (e, se fosse agora, tinha-os acabado de ler).

Muitas pessoas questionam-me acerca disto. Porque raio haveria eu de perder tempo a ler algo que odeio, quando existem muitas outras narrativas interesssantes à espera de serem lidas? Às vezes, até eu me questiono. Mas não consigo deixar livros a meio, é mais forte do que eu. E estas são as razões pelas quais eu não o faço.


1. Eu fiz uma escolha consciente do livro: Eu, geralmente, não escolho livros que não me interessem. Posso arriscar ler um livro de um género diferente ao qual estou habituada, mas não vou pegar em algo que sei que, quase de certeza, vou odiar. Assim, ao escolher determinado livro significa que me interessei por algo, pelo enredo, pelo local onde o enredo se desenrola, pelas personagens, pelo género ou pelo autor. A partir do momento em que o escolho, comprometo-me a acabá-lo.

2. É muito difícil fazer uma review de um livro que não acabaste: Para não dizer impossível. É quase irresponsável falar sobre uma obra que não lemos até ao fim, e podemos estar até a induzir em erro os leitores. Se calhar, a história progrediu de forma diferente depois da página em que paramos de ler. Talvez as falhas que tenhamos detetado no enredo ou nas personagens notem-se menos mais à frente. Porventura, precisávamos de tempo para nos habituarmos ao estilo de escrita do autor . Ou talvez tenhamos perdido um grande plot twist. Portanto, como podemos dar uma opinião bem fundamentada acerca do livro se perdemos muitos destes fatores?

3. Posso ter-me precipitado: Quantas vezes já me aconteceu odiar as primeiras 50 páginas de um livro, mas depois adorar o resto? Já li imensos livros cuja qualidade só melhorava a meio da história, e só aí é que a minha vontade de ler aumentava. Houve livros em que eu odiei a primeira parte e adorei a segunda. O que teria acontecido se eu tivesse desistido no início? Poderia ter perdido uma boa história.

4. Eu não gosto de deixar coisas por acabar: Sou assim em todos os aspetos da minha vida, e as leituras não são exceção. Sou muito rápida a ler, mas se me está a custar a ler demoro mais ou menos um mês mas, ainda assim, acabo-o sempre.

5. Aprendo mais sobre escrita: Tenho o sonho de, um dia escrever um livro, mas para isso preciso de praticar. E a melhor forma de praticar que conheço (além de escrever, claro!) é ler livros de forma crítica. Desta forma, vou ganhando lentamente conhecimento e vendo os erros que quero evitar

6. Não quero filtrar os pontos de vista que recebo e a limitar os meus horizontes : Se nós só lermos livros que nós gostamos e com os quais concordamos estamos, inconscientemente, a auto censurar as opiniões e pontos de vista que recebemos. Isso é um pensamento assustador para mim. Ao desistir de livros estarei a pôr limites aos pontos de vista que aceito e estarei a pôr filtros que não deixarão passar informação que me deixa desconfortável, zangada ou revoltada, mas que também me faz crescer e ver o mundo de forma diferente.

7. Podes sempre retirar lições de todos os livros, mesmo dos que não gostas: Além da escrita, podemos retirar muitas coisas dos livros que gostamos menos ou que odiamos. Talvez um personagem interessante, descrições bem feitas e encantadoras, um contexto surreal ou uma citação que nos marcou (mesmo que o resto da prosa seja uma seca).


E vocês? Acabam todos os livros que lêem ou não se importam de os deixar a meio?

Lê também: Porque eu releio livros

8.2.19

Os primeiros sinais que revelam que eu não vou gostar de um livro


Com alguns livros, é amor à primeira vista: a capa é linda, as primeiras frases fazem com que o  teu coração comece a bater mais forte e entras numa montanha russa de emoções, que faz com que não queiras parar de ler até ao final. Mas com outros livros tu começas a ler e pensas  "eu e tu não nos vamos dar bem".

Eu nunca deixo livros por acabar, portanto considero-me muito justa no que toca a leituras. Acredito que há certos livros que são horríveis no início mas que, no final, são absolutamente sensacionais. Eu já li alguns assim e estou grata por não ter desistido deles. Por isso, tento manter a mente aberta quando estou a ficar desmotivada com alguma leitura. Ainda assim, há certos livros que, devido a alguns sinais que me dão, sei que não vou gostar.


1.  Eu odeio imediatamente o estilo de escrita do autor: Se eu odeio imediatamente o estilo de escrita do autor, vai ser uma leitura lenta e dolorosa para mim e, provavelmente, eu vou odiá-la. Tirando as obras de José Saramago (que adorei apesar da sua pontuação peculiar), geralmente é isto que acontece.

2. Eu odeio imediatamente a personagem principal: Ok, o facto de eu odiar a personagem principal não faz com que eu necessariamente odeie o livro  como, por exemplo, " A Rapariga no Comboio", mas geralmente esses livros já são feitos para conseguirmos tolerar as personagens odiáveis. Agora quando é um livro em que, supostamente, tenho que me identificar com a personagem principal e tal não acontece nas primeiras páginas, a não ser que esta faça algo de extraordinário, eu vou continuar a odiá-la e vou odiar toda a história.

3. Eu não faço ideia do que é que se está a passar: Embora in media res seja uma boa forma de arrancar com uma narrativa, tem que se ter cuidado com a forma como se usa esta técnica literária, para não deixar os leitores demasiado confusos. Se se põem a atirar para ali personagens, contextos e estão sempre a avançar e a retroceder no tempo eu vou ficar muito baralhada e, por conseguinte, you guessed it,  vou odiar o livro. Gosto de livros que me desafiem a perceber as coisas, mas também não gosto que me causem demasiadas dores de cabeça no processo.

4. Não sinto nenhuma conexão com a história: Para eu apreciar verdadeiramente uma leitura tenho que sentir que estou a submergir na história, do género de, passado alguns minutos, não estar a ver palavras, estar a ver o mundo que está a ser descrito e estar a ver toda a ação a desenrolar-se à minha frente, como se fosse um filme ou, melhor, como se fosse a vida real, e tenho que sentir isto logo no início, caso contrário chego a um ponto em que sinto que estou a olhar para letras sem qualquer sentido.

5. Erros ortográficos: É algo raro, mas que acontece. Normalmente isto acontece com editoras fraquinhas que não querem saber do que publicam, e o resultado são livros cheio de erros ortográficos e gramaticais (alguns tão graves que até dói). Não suporto ler o que quer que seja com erros (é por isso que me sinto mesmo mal quando sou eu a cometê-los). 


E vocês? Quais são os sinais que fazem com que detestem um livro?

31.12.18

18 melhores livros que li em 2018


Em 2018 eu li 40 livros. Thats right, o dobro dos livros que costumo ler. Anualmente, costumo ler 20 a 25, no máximo. Apesar de adorar ler, a falta de tempo combinado com a falta de acesso a livros em muitas ocasiões fazia com que este fosse sempre o número final. Porém, este ano, consegui ultrapassar o meu recorde literário pessoal, em grande parte graças a uma maravilha chamada Kindle, que revolucionou completamente os meus hábitos de leitura, ao permitir-me ler imediatamente um livro quando quero e, muitas vezes sem pagar (de forma ilegal, não me orgulho, mas a vontade de ler fala mais alto). Não ligo muito a números (não gosto de estabelecer metas literárias), mas fico muito feliz em saber que, este ano, consegui dedicar-me mais a algo que adoro.

Aquilo que dominou bastante na minha lista de leitura foi YA (li imenso, até demais!) e literatura brasileira, que foi a grande estreia deste ano. Confesso, nunca me agradou muito ler livros traduzidos em brasileiro (as traduções são horríveis), pelo que nunca me tinha ocorrido ler autores brasileiros. Foi a melhor coisa que fiz este ano a nível literário..

Estes foram os 18 livros que mais gostei de ler em 2018.


1. A Ilha Debaixo do Mar: "A Ilha Debaixo do Mar" é sobre a escravatura nos finais do século XVIII, e leva-nos numa viagem entre a ilha de Saint-Domingue e Nova Orlães. A história de Zarité, uma escrava, serve de pretexto para visitar estes lugares, conhecer as pessoas e a forma como viviam e pensavam. Com Zarité vivemos a angústia e a injustiça da escravidão, vivemos com ela o medo que lhe vendam a filha e com ela sentimos a revolta que se vai desenvolvendo dentro de si ao longo do enredo. O único ponto negativo que tenho a apontar é o facto de a cronologia dos acontecimentos ser um bocado confusa, mas de resto está excecional, o típico de qualquer obra de Isabel Allende.

2. Isto Acaba Aqui: Os livros da Colleen Hoover já se tornaram presença habitual no Top, já aparecem aqui pelo terceiro ano consecutivo.  "Isto Acaba Aqui" foi um dos livros mais poderosos que já li dela. Foi mesmo um grande murro no estômago! É difícil dizer sobre o que se trata sem dar spoilers, por isso só vos tenho a dizer que o leiam, porque tem uma mensagem muito importante (review aqui)!

3. Com Amor, Simon: "Com Amor, Simon" foi um dos filmes favoritos do ano  e, se já me conhecem bem, sabem que eu leio sempre o livro antes do filme. Posso-vos dizer que o filme até foi bem adaptado ao grande ecrã, aliás, é raro encontrar adaptações assim tão boas. Sobre o livro, foi uma boa leitura, daquelas que nos aquecem o coração e deixam-nos com um sorriso na cara e, sobretudo, com uma mensagem muito importante. É tão bom ver que a comunidade LGBT está a ganhar atenção na ficção YA.

4. Carry On: Quem leu "Fangirl" já vai estar familiarizado com as personsagens de "Carry On", porque se trata precisamente da fanfiction que a Cath escreveu. Ao início, este livro vai parecer muito estranho, vai parecer uma paródia de Harry Potter, pelas inúmeras semelhanças e referências. Mas acreditem que a história não é igual e, lá para o meio, vão começar a aparecer plot twists que a levam  para um rumo completamente diferente. Eu confesso que só li  por causa do romance. O Baz e o Simon tornaram-se um dos meus casais literários favoritos de sempre! Adoro a relação amor-ódio e a forma como, apesar de estarem sempre a tentar resistir, acabam sempre por voltar um para o outro. Leiam porque vai haver uma sequela de "Carry On" em 2019, yay!

5. Boa Noite: "Boa Noite" é o primeiro livro da Pam Gonçalves, uma booktuber da qual eu gosto muito. Quando comecei a ler, pensava que iria ser  uma leitura levezinha sobre a universidade, e por aí já não iria desiludir (até porque a escrita dela é muito boa). Retratou muito bem a transição do Secundário para a Universidade (algo que, até aqui, nunca tinha visto ser abordado numa história), o que é ser caloiro e como realmente é sentir um pouco de independência pela primeira vez. Mas a meio do livro há um plot twist mesmo inesperado e que consciencializa muito os leitores. Não vou revelar qual é, se querem saber têm mesmo que ler.

6. Uma História de Verão: Tal como "Boa Noite", este livro (que é da mesma autora) também tem fala da Universidade, nomeadamente do verão que o antecede. "Uma História de Verão" é a história de Analu, uma jovem que acaba de concluir o Ensino Secundário, que precisa de lidar com a divergência entre os seus sonhos e os sonhos dos seus pais. A sua mãe sempre quis Direito, mas nunca conseguiu concluir, porque entretanto engravidou. Então quer que Analu siga esse curso. A questão aqui é que Analu não quer Direito, quer cinema. É uma história sobre encontrarmo-nos e amadurecermos.

7. Call Me By Your Name: Foi também um dos meus filmes favoritos de 2018 mas, ao contrário do que costumo fazer, desta vez só li o livro depois. E devo-vos dizer que despedaçou ainda mais o meu coração (sim, o final é ainda mais triste aqui). Mesmo que já tenham visto a adaptação, vale muito a pena ler o livro, porque conseguem entender melhor Elio, os seus pensamentos, e aquilo que realmente sentiu em algumas cenas que nos deixaram na dúvida no filme. 

8. 180 Seconds: Li este por sugestão da Sofia, após ter escrito um post em que me queixava da falta de representação dos universitários na literatura YA (in fact, ela sugeriu-me mais, e entretanto eu descobri outros, em 2019 talvez partilhe aqui uma lista deles). "180 seconds" é uma história narrada por Allison que, numa tarde normal como as outras, vê-se apanhada no meio de uma experiência social, em que tem que ficar ,frente a frente, com um desconhecido, durante 3 minutos, sem quebrar o contacto visual. Estes 180 segundos irão mudar a sua vida para sempre. Pode parecer uma história banal mas, acreditem, é muito emocionante. Fala de temas importantes como a ansiedade (este tema em particular foi muito bem retratado), a confiança e a amizade.

9. Jantar Secreto: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Panamá para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem os possíveis para pagar a faculdade e manter vivos os seus sonhos na capital fluminense. Mas o dinheiro é pouco e aluguer apertado. Para sair do buraco e manterem o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meios de jantares secretos, divulgados pela Internet e dirigidos a uma clientela exclusiva da elite carioca. Na ementa: carne humana. A partir daí, eles envolvem-se numa espiral de crimes e levam ao limite uma índole perversa que jamais pensariam existir dentro deles.  Eu não estava preparada para o quão perturbador iria ser "Jantar Secreto". Eu já deveria ter adivinhado pela sinopse, que deu logo a entender que esta história iria envolver canibalismo, mas isto conseguiu ser muito mais duro e cruel do que eu imaginava. "Jantar Secreto" é completamente louco, doentio, viciante e eu recomendo-o vivamente a todas as pessoas que estiverem preparadas psicologicamente e emocionalmente para o lerem.  Fez-me ficar apaixonada pela escrita de Raphael Montes, ele é o Stephen King versão brasileira (review aqui)

10. Dias Perfeitos: Peguei em "Dias Perfeitos" imediatamente após ter acabado de ler "Jantar Secreto", de tal forma que fiquei prendida à escrita de Raphael Montes. Aquilo que eu aprendi com a escrita deste autor é que ele gosta de causar desconforto, e todas as histórias deles irão chocar-nos de alguma forma. Nesta história, um solitário estudante de Medicina sequestra uma jovem que conheceu durante uma festa e na qual ele ficou obcecado. Ele pega neste enredo que já é muito comum em thrillers de romances obsessivos e transforma-o em algo completamente fora da caixa.

11. Os 12 Signos de Valentina: Os "12 signos de Valentina" promete risadas, romance, muita astrologia e uma protagonista curando o seu coração partido - e cumpre. Adorei esta ideia da protagonista decidir namorar com os 12 signos, e as caracterizações de cada um eram mesmo hilariantes. Para além de todo este humor, é também uma história de descoberta pessoal, aliada com uma perceção da sociedade e cultura brasileira (review aqui). 

12. Without Merit: Outro livro da autoria de Colleen Hoover que me cativou bastante. Este aqui não segue a onda do "Isto Acaba Aqui" (prova que esta escritora é mesmo imprevisível, está sempre a usar uma fórmula diferente), é mais na onda de YA que, no final, adquire um tom mais negro. "Without Merit" explora a série de mentiras que  unem uma família e o poder do amor e da verdade, ao mesmo tempo que percorremos a árdua jornada da autodescoberta (review aqui). 

13. Quinze Dias: Esta obra retrata a construção de um relacionamento de dois jovens, no espaço de 15 dias, sem deixar de tocar em temas muito importantes como a gordofobia, a homoafetividade e a autoaceitação, mostrando que para ser feliz é necessário enfrentar os medos e ultrapassar preconceitos.

14. One of Us is Lying: "One of us is Lying" é um thriller adolescente, narrado a quatro vozes (o que enriquece bastante a narrativa e dá ao leitor visões diferentes da história), bem diferente dos que tenho lido dentro deste género. Quatro personagens suspeitas de um homícidio e uma delas mente. Quem será? Eu achava que sabia quem iria ser, pensava que era previsível, mas estava enganada, nada era como o que eu pensava. Tem um final mesmo muito surpreendente. 

15. Invisible Influence- The Hidden Forces that Shape Our Behavior: Neste livro, John explora as influências que moldam as nossas decisões nos mais diversos campos, como consumidores, como profissionais e como seres humanos. A premissa do livro é intrigante- nenhuma decisão que tomamos é verdadeiramente nossa. Foi uma leitura rápida e muito interessante. 

16. As Lições de Vida de Harry Potter: Em novembro, a Carolina decidiu vender alguns livros dela, e este foi o que veio para às minhas mãos. "As Lições de Vida de Harry Potter" foi escrito por uma Hufflepuff (como eu!) que vive na Califórnia e que partilha connosco tudo aquilo que aprendeu com a saga e de que forma esta influenciou a sua forma de viver. Uma leitura que aconselho vivamente a todos os Potterheads.

17. The Upside of Unrequited: Sendo eu uma rapariga que nunca teve nenhum relacionamento amoroso, acho que nunca me identifiquei tanto com um livro como com "The Upside of Unrequited". Tocou mesmo no meu coração. Este livro conta a história de Molly, uma rapariga de 17 anos, que já teve 26 crushes ao longo da vida, mas nunca beijou um rapaz. Molly tem uma irmã gémea, Cassie que, apesar de ser tão diferente dela, é a sua melhor amiga. O enredo começa a desenrolar-se quando Cassie arranja uma namorada, Mina, e tenta juntar Molly com Will, um dos amigos de Mina. Molly quer apaixonar-se por Will para poder ficar mais próxima de Cassie, que agora lhe parece muito distante. No entanto, os seus planos são atrapalhados pela sua falta de atração por Will, pelo seu medo em admitir os seus sentimentos e por Reid, o seu colega de trabalho, um nerd que ela acha intrigante. É uma leitura leve, fofinha, cheia de representatividade social e com relatos muito honestos das temáticas que aborda. Daqui a uns dias, vou publicar um post mais pormenorizado dele (que só não publiquei antes porque a programação habitual está interrompida pelos Tops).

18. 13 segundos: Esta foi a última leitura de 2018. É a história de Lola, que anda no último ano do Secundário, e terminou um relacionamento há pouco tempo. Agora, tudo aquilo que mais quer é divertir-se e focar-se em pôr a vida em ordem, redescobrindo-se após uma relação que tanto a destabilizou. Parece estar tudo a correr bem, até quem um dia um vídeo de 13 segundos muda a sua vida para sempre. Este vídeo é revenge porn, um tema que eu só tinha visto ser abordado uma vez, de forma muito levezinha, num livro ("LightWeight"). A Bel Rodrigues (que também é uma booktuber que adoro), desenvolveu este tema de forma brilhante, com uma escrita agradável e cenas bem construídas.


E vocês? Qual foram os livros que mais gostaram de ler em 2018?

12.12.18

Vamos parar de ter vergonha dos livros de autoajuda


Admitir que lês livros de autoajuda é a mesma coisa que cometeres suicídio social (que momento tão "Mean Girls" eu vivi agora). As pessoas quase que têm um enfarte de cada vez que ouvem essa palavra.  É um dos géneros literários mais ridicularizados e, por um lado, dá para perceber porquê. Muitos livros de autoajuda prometem coisas irrealísticas ao seus leitores: riqueza, uma vida amorosa perfeita, fim de todos os problemas, um incentivo para mudar de cidade e virar hippie... Mas também existem muitos outros inspiradores, cheios de lições que nos incentivam a ser melhores, a sermos mais motivados, a lutarmos mais por aquilo que queremos. Contudo, esses são frequentemente ofuscados pelo típico estereótipo de livros de autoajuda.

Atualmente, este tipo de obras  tornaram-se ligeiramente mais mainstream  com o lançamento de livros que estão na linha que divide os livros biográficos e autoajuda, tornando-os mais aceitáveis aos olhos da sociedade. Livros como " #Girlboss", " Big Magic" ou " The Art of Not Giving a F*ck" estão a ganhar cada vez mais popularidade. Ainda assim, ler livros de autoajuda é algo que escondemos frequentemente, até encontramos alguém entusiástico como nós. Só aí é que ganhamos coragem para mostrar a nossa estante e partilhar a nossa paixão.

Eu adoro ler livros de autoajuda, e não tenho medo de admitir. Talvez se deva ao facto de eu ser uma pessoa muito fechada no que diz respeito a partilhar os meus problemas, e sinta necessidade de me virar para algo. Ou talvez porque simplesmente goste de os ler. E não tenho que justificar este gosto, da mesma maneira que não justifico porque gosto de romances ou thrillers. Muitas pessoas provavelmente admitiriam isso, se este género literário não tivesse tão má fama.

Porque é que os livros de autoajuda tem má fama? Porque assumimos que as pessoas que lêem este género não sabem tomar decisões por elas próprias e precisam que alguém lhes diga o que fazer e, quando não existe esse alguém, viram-se para os livros. Nem imaginam o quanto estão errados!

Os livros de autoajuda não são para nos dizer o que fazer (odeio os livros que são assim). Servem para nos dar umas luzes sobre aquilo que podemos ser ou que poderíamos ser se nos esforçássemos mais. Servem para nos inspirar com histórias de pessoas com jornadas semelhantes às nossas (ou com jornadas totalmente diferentes mas que, de alguma forma, acabam por se assemelhar à nossa em alguns pontos). Servem para retirarmos de lá umas quantas frases inspiradoras para escrevermos na nossa agenda e relembrarmo-nos sempre delas. Servem para nos fazer ver aquilo que ainda não tínhamos visto em nós próprios. São um bom complemento das opiniões daqueles que nos são próximos ou até mesmo de profissionais. 

Portanto, vamos parar de consumir livros de autoajuda em segredo. A ânsia de querer descobrir como ser um ser humano melhor é natural, e demasiado importante para ser abandonada por vergonha. Da próxima vez que foram a uma livraria, avancem sem medos para a estante da autoajuda. 

23.11.18

Livro: Without Merit


É oficial: a Colleen Hoover é uma das minhas escritoras favoritas de sempre. Sabem aqueles escritores que, mal lançam um livro, vocês vão logo correr à livraria mais próxima para comprá-lo? Dou por mim a fazer o mesmo com ela. Já li muitos livros dela e, portanto, estou chocada quando há dias andei a ver o meu arquivo e vi que só fiz uma review de um dos livros dela e os restantes estão nos posts de favoritos do ano (aqui e aqui, caso tenham curiosidade). Por isso, pretendo fazer review dos outros que já li. Mas a seu tempo, para já vamos ao mais recente, "Without Merit". 


Sinopse


A família Voss é tudo menos normal. Eles vivem numa igreja adaptada, recentemente batizada Dollar Voss. A mãe, que já esteve doente com cancro, vive na cave, o pai é casado com uma das enfermeiras da mãe, o pequeno meio irmão não é autorizado a comer ou a fazer algo divertido, e os irmãos são irritantemente perfeitos.

E depois temos a Merit. Merit Voss coleciona troféus que nunca ganhou e segredos que a sua família a obriga a guardar. Enquanto procura o seu próximo troféu na loja de antiguidades, ela cruza-se com Sagan. A sua perspicácia e idealismo dersarmam-na e fazem com que nasça nela esperança - até ela descobrir que ele está completamente fora do seu alcance. Merit escapa profundamente para dentro de si mesma, observando a sua família pelos cantos, quando ela descobre um segredo que nenhum troféu do mundo poderá consertar.

Cansada de mentiras, Merit decide acabar com a ilusão de família feliz, da qual ela nunca fez parte, antes de deixá-los de uma vez por todas. Quando o seu plano de fuga falha, Merit é obrigada a lidar com as surpreendentes consequências de dizer a verdade e perder o rapaz que ela ama.


A minha opinião


Este é aquele género de reviews que é muito difícil de escrever. Eu gostava de falar sobre imensas coisas, mas não há muito que possa falar sem dar um gigante spoiler. Vou ter que me conter bastante. Tem que ser para manter o fator surpresa.

Quando digo que os livros da Colleen Hoover são mesmo imprevisíveis é porque são mesmo! Ela nunca utiliza a mesma fórmula. Começamos a ler, achamos que sabemos o que a história trata e depois, bum, ela dá-nos completamente a volta! Ainda assim, eu voltei a cometer o mesmo erro. Achei que ia ler um simples romance, e acabei por ler algo muito mais pesado. Na verdade, eu nem sequer classifico este livro como um romance, é mais uma história sobre autodescoberta. Não segue a onda de "Amor Cruel", vai mais na linha de "Isto Acaba Aqui", assim num jeito meio YA mas que depressa adquire um tom mais negro, e com uma mensagem por detrás que pretende alertar as pessoas. 

Tal como poderão verificar na sinopse, Merit vive numa família que é tudo menos normal. A família esconde diversos segredos que vamos descobrindo à medida que vamos lendo e que nos deixam cada vez mais chocados. Enquanto assistimos a todos estes acontecimentos, é inevitável não refletirmos sobre nós próprios. Apesar da obscuridade desses segredos e da vida familiar de Merit, todos nós conseguimos identificarmo-nos um pouco com a situação dela. Todos nós temos algumas relações familiares que não são 100% saudáveis, familiares que são um bocado loucos e todos nós temos alturas em que não nos conseguimos dar bem com eles. Faz tudo parte das complexas dinâmicas familiares.

No início do livro, foi difícil sentir empatia por qualquer uma das personagens (incluindo a Merit, mesmo sendo ela a protagonista) e aposto que irá acontecer o mesmo com vocês. Só à medida que o enredo se vai desenrolando é que vão perceber tudo e começar a sentir mais afinidade com as mesmas.

Mais uma vez, a Colleen Hoover construiu uma trama complexa, cheia de personagens enigmáticas que se encaixam de forma mágica, e repleta de lições que não são visíveis à primeira vista e que exigem, da nossa parte, uma grande exercício sobre perspetiva e compreensão.

A única coisa que me desiludiu foi o final. Ficaram demasiadas questões em aberto e, dado a temática relevante que aborda, era importante ter mais respostas.

"Without Merit"  explora a série de mentiras que unem uma família e poder do amor e da verdade, ao mesmo tempo que percorremos a árdua jornada de autodescoberta.


(Podem comprar o livro na Wook, aqui. Ao comprarem através deste link estão a contribuir para o crescimento do "Life Of Cherry")

21.9.18

Livro: Jantar Secreto

 Livro: Jantar Secreto

Por vezes, eu demoro uma quantidade absurda de tempo a escrever reviews de livros. Ora porque não quero dar spoilers, ora porque não sei como descrever o que senti, ora porque quero fazer justiça à história...  Chega a ser muito frustrante. E com este então, que foi tão "fora da caixa", eu demorei ainda mais tempo.

2018 está a ser, definitivamente, o ano em que eu estou a explorar a fundo a literatura brasileira, e "Jantar Secreto" é uma grande adição aos meus favoritos.


Sinopse


Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Panamá para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem os possíveis para pagar a faculdade e manter vivos os seus sonhos na capital fluminense. Mas o dinheiro é pouco e aluguer apertado. Para sair do buraco e manterem o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meios de jantares secretos, divulgados pela Internet e dirigidos a uma clientela exclusiva da elite carioca. Na ementa: carne humana. A partir daí, eles envolvem-se numa espiral de crimes e levam ao limite uma índole perversa que jamais pensariam existir dentro deles. 


A minha opinião 


Eu não estava preparada para o quão perturbador iria ser "Jantar Secreto". Eu já deveria ter adivinhado pela sinopse, que deu logo a entender que esta história iria envolver canibalismo, mas isto conseguiu ser muito mais duro e cruel do que eu imaginava. Na primeira metade do livro, eu ainda pensei "bem, isto é pesado mas já li pior". Porém, a partir daí até ao final foi mesmo "O QUE É ISTO? Meu Deus do céu, o que é que estou a ler?!". O Raphael Montes não tem medo de descrições violentas. E acreditem, ele descreve detalhadamente tudinho, desde o corte das pessoas, cenas de violência extrema, até o próprio sabor da carne humana. Por estes motivos, eu não aconselho esta leitura a pessoas menores de 18 anos. Mesmo que sejam maiores de 18 anos, se são muito sensíveis e não costumam ter estômago para cenas grotescas como estas, nem pensem em começar sequer! Pronto, já ficaram avisados.

Só para terem noção, nos dois dias em que estive a ler o livro, eu só comi peixe,  porque eu não ia conseguir comer carne sem pensar nas atrocidades que estava a ler. Eu cheguei a passar fisicamente mal, para verem a intensidade do enredo.   

Durante a leitura, é quase impossível refletir sobre canibalismo sem refletir também sobre o consumo de carne normalizado pela sociedade. O autor chega a tecer duras críticas aos consumidores de carne, o que me leva a crer que ele é vegetariano - e, mais tarde, uma breve pesquisa no Google confirma as minhas suspeitas. Não vou entrar em discussões sobre vegetarianismo nem o porquê de eu não ser vegetariana (já fiz isso aqui) porque a questão é complexa de mais para isso mas que, de facto, o nosso consumo de carne enquanto sociedade é exagerado, isso ninguém pode negar. Não poderia concordar mais com o autor quando ele afirma "A carne vicia". As indústrias aproveitam-se disso. Assim, além da importante questão da reeducação alimentar, acho que esta história também é uma crítica indireta à forma como as indústrias tratam os animais. 

No entanto, mais do que o canibalismo, "Jantar Secreto" aborda algo ainda mais chocante e muito pertinente atualmente. Tanto que arriscaria dizer até que o canibalismo é apenas um tema secundário. Não é preciso pensar muito para perceber do que se trata. O que é que levou Dante e os seus amigos a mergulharem neste negócio negro? Dinheiro. Talvez, poder. Não faz diferença, aliás, estas duas motivações são o mesmo: a verdade mais cruel é que dinheiro é poder. E, ao longo desta trama, vemos o quão longe as personagens vão por dinheiro. É assustador pensar que isto pode acontecer na realidade, a qualquer um, por muito "normal" que pareça. O dinheiro cega as pessoas, faz com que elas esqueçam completamente os seus valores.

Apesar do tema pesado, é muito fácil ler numa só tacada. A escrita de Raphael Montes é meio YA, muito simples (é mesmo só neste aspeto que é YA, atenção), que nos permite ir de um capítulo a outro de uma sem ficarmos exaustos. 

Como devem calcular, é difícil gostar das personagens ou mesmo ter algum tipo de simpatia. É natural sentirmos alguma pena em algum momento. Eu se calhar não senti tanto como o desejado pelo autor por causa de algo que acontece logo no início e que considero uma falha. Eles começam estes jantares porque Dante recusa-se a pedir ajuda à mãe, que é bastante rica. Eu compreendo que ele não queria sentir-se outras vezes nas garras da mãe mas, caramba, entre isso e contribuir para o canibalismo, é preferível ouvir o "Bem te disse!" da mãe. Teria sido mais credível se a mãe de Dante fosse pobre. Aí sim, eles estariam numa situação sem escapatória. É só uma pequena falha, todos os livros os têm, nem os melhores escapam a isto. 

Dado que a sinopse atira tudo para a mesa, desde o início, estava à espera que tudo fosse previsível (afinal, até o prólogo revela que aquilo vai dar merda)  e, por este motivo, não estava à espera do final. Que plot twist e mais não digo! Foi mesmo ali nas últimas páginas, quando já estava a dar a história por terminada. A única coisa que tenho pena é que foi um bocado apressado, não houve grandes explicações, e sinto que deveria ter sido mais explorado.

"Jantar Secreto" é completamente louco, doentio, viciante e eu recomendo-o vivamente a todas as pessoas que estiverem preparadas psicologicamente e emocionalmente para o lerem.  Fez-me ficar apaixonada pela escrita de Raphael Montes, ele é o Stephen King versão brasileira. Agora fiquei  mesmo curiosa para ler outros trabalhos dele.


Já leram este livro? Digam-me o que acharam nos comentários.

14.9.18

Kindle vs. Kindle Paperwhite: Qual é que compensa mais?

Kindle vs Kindle Paperwhite: Qual é que compensa mais?

Quando finalmente decidi comprar um Kindle, a questão que coloquei a seguir era que tipo de modelo iria adquirir. Existem 5 modelos: o Kindle Básico, o Kindle Paperwhite, o Kindle Fire, o Kindle Voyage, e o Kindle Oasis. Exclui logo os três últimos porque eram demasiado parecidos com tablets(além de serem bastante caros!), e o meu objetivo não era adquirir um aparelho semelhante a um tablet , era adquirir algo o mais próximo possível de um livro físico. Assim, fiquei indecisa entre dois modelos o Kindle Básico e o Kindle Paperwhite. Para me decidir, fiz várias pesquisas sobre os dois, vi vídeos de booktubers, pedi opiniões, até que decidi comprar  o normal. Hoje trouxe-vos uma comparação dos dois  e o que é que me levou a escolher um em detrimento de outro.

Como eu não sou nenhuma expert em tecnologia, para ser mais fácil de compararem os dois modelos, eu deixo aqui abaixo um quadro sobre as características técnicas de cada um:


Como podem ver, as principais diferenças entre o Kindle e o Kindle Paperwhite são a luz embutida (no caso do Paperwhite), a Internet (no Paperwhite não dependem de uma rede Wi-Fi, é como os dados móveis do vosso telemóvel) e a resolução do ecrã. Não sei até que ponto a duração da bateria que está na tabela é verdade, porque, pelos vídeos que eu vi, dizem que dura mais ou  menos o mesmo nos dois modelos. Basicamente, as duas versões são muito parecidas e funcionam praticamente da mesma forma.

A diferença mais significativa aqui é o preço. Enquanto que o Kindle Básico custa 79,99 euros, o Kindle Paperwhite custa 129,99 euros. São 50 euros de diferença.  E foi esta diferença de preços que me fez torcer o nariz ao Paperwhite. 

Todas os vídeos e publicações que eu vi na Internet colocaram o Kindle Paperwhite num pedestal, dizendo que era muito mais vantajoso, revolucionava a experiência de leitura,... Alguns até diziam que não valia a pena comprar o Kindle normal, só se fossem leitores muito ocasionais, caso contrário o Kindle normal era inútil e iriam fartar-se dele(?), e se estamos com pouco dinheiro mais vale esperar do que comprar o básico. Eram tantas as pessoas que fizeram reviews assim, que dá a sensação que eu sou a única que tem esta opinião, e foi por isso mesmo que eu escrevi este post.

Eu acho que o Kindle básico é muito melhor. Para mim, não faz sentido gastar 50 euros para ter luz embutida. Primeiro, porque eu nem sequer quero luz embutida, quero que aquilo imite mesmo papel, não que pareça um tablet (sim, eu sei que a luz é projetada para dentro mas, ainda assim, não me agrada aquela luminosidade toda). E segundo porque, caso eu quisesse ler à noite sem acender candeeiros, eu compraria simplesmente uma destas luzinhas que são muito mais baratas e vão dar ao mesmo. Mas isto sou eu, que não gosto de gastar dinheiro em picuíces. 

Se, de facto, têm possibilidades de comprar um Kindle Paperwhite e o modelo agrada-vos, façam-no. Mas se, como eu, preferem gastar dinheiro noutras coisas (como mais livros), não vale a pena optarem pelo modelo mais caro. O Kindle básico tem todas as funções necessárias para vos proporcionar uma ótima experiência de leitura. 

5.9.18

5 razões para viajar com um Kindle

5 razões para viajar com um Kindle

De cada vez que vou viajar, como bookworm que sou enfrento sempre o mesmo drama: tentar levar o máximo de livros possível. Quero garantir que tenho sempre algo para ler durante as férias, nos tempos mortos ou na praia, mas depois acabo sempre por levar apenas um ou dois, para não ocuparem tanto peso na mala. E depois surge outro drama, o de acabar tudo aquilo que tinha para ler antes de voltar para casa.

Este verão, porém, eu não tive que enfrentar esse problema. O meu Kindle tornou este verão naquele em que eu li mais, e em que os locais onde eu estava não me condicionaram as leituras. Descobri no Kindle um grande aliado para as minhas futuras viagens.


1. Podem levar todos os livros que desejarem, sem o seu peso: Esta é o melhor motivo para viajar com um Kindle, para nos livrarmo-nos do peso extra que levamos na mala por causa dos livros que desejamos ler. Imaginem que estão a pensar voltar a ler a saga Harry Potter, e decidem levar os 7 livros, mais a roupa, os snacks, todos os vossos aparelhos tecnológicos, etc. Não é nada prático, pois não? A vantagem do Kindle é que podem levar quantos livros quiserem, pesando apenas os meros gramas do aparelho.

2. Podes ler livros na tua língua materna (ou na língua que te dá jeito): Quando estás num país estrangeiro e queres comprar livros, raramente vês livros na tua língua materna. Só vês, maioritariamente, livros na língua do país em que estás ou em inglês. Se não te agradar ler em inglês, sempre podes ler livros no Kindle. Sim, a maior parte dos livros da Amazon e na Internet são em inglês, mas também encontras em português e, se não te incomodar ler em português do Brasil, tens muitas opções.

3. Não sujas os teus livros: Sou daquele tipo de leitoras que gosta de conservar muito bem os seus livros, tentando mantê-los sempre imaculados. Portanto, se há coisa que me incomoda nas viagens é correr o risco de os sujar. Isto acontece particularmente nas idas à praia. Os livros ficam, frequentemente, cheios de areia, besuntados com protetor solar ou, pior, com páginas amolecidas pela água. É por isso que prefiro levar o Kindle. Se este se sujar, é só usar uma toalhita desmaquilhante  para o limpar e já está (as toalhitas desmaquilhantes não servem só para desmaquilhar).

4. É mais confortável: Este é o aspeto que mais me surpreendeu no Kindle. Antes de o ter, eu nunca tinha pensado muito nos aspetos desconfortáveis da leitura. Só quando comecei a ler nele é que percebi o quão surpreendentemente  pesados podem ser os livros. Além disso, quando estamos deitados dá mais trabalho virar as páginas e então quando estamos encolhidos num lugar de autocarro,  pegar num livro para ler  torna-se quase impossível. O Kindle resolve todos estes problemas. É leve, podem mudar de página só com uma mão e é pequeno o suficiente para poderem ler em qualquer lado e em qualquer posição.

5. Podem meter lá todos os guias que precisarem para a vossa viagem: Digam-me que não sou a única que, quando vai para uma cidade nova, pega em todos os planfletos com guias de viagem que existem? Se fazem o mesmo que eu, para evitar de andarem com todos esses papéis na mão ou amarrotados na carteira  e também para ajudarem o ambiente, podem descarregar  todos esses guias no vosso Kindle.


E vocês? Já viajaram com um Kindle? Que vantagens encontraram?

(Foto: da minha autoria)

24.8.18

Como eu sei que me mentiram acerca de ter lido um livro


Já vi diversas pessoas a mentirem acerca de terem lido um livros, maioritariamente em situações académicas, mas também em situações sociais e até na Internet. Os livros que as pessoas, geralmente, mais dizem ter lido são clássicos ou triologias muito populares.

Porque é que mentem tanto acerca de ter lido um livro? Será que as pessoas acreditam mesmo que nós, leitores, queremos saber? Os verdadeiros leitores não querem saber se ler determinado livro vos faz parecer mais inteligente, querem é discutir os seus livros favoritos com outras pessoas. 

Para mim, é pior a desonestidade do que não ter lido. Geralmente, eu consigo perceber quando uma pessoa está a mentir, porque sou o tipo de bookworm entusiasmada que adora discutir todos os pormenores. Com esta publicação não pretendo ser acusadora, é só uma lista de sinais que eu, usualmente, consigo detetar quando me estão a mentir acerca de uma leitura.


1. A pessoa está hesitante ou nervosa: Nervosismo é, como é óbvio, um sinal de mentiras em geral. Com  a desvantagem que, com as mentiras normais, muitas vezes, tens tempo para elaborá-las e para te preparares para fazê-lo, enquanto que a maior parte das mentiras literárias são pensadas no último minuto, quando a pessoa decidi dizer que leu determinado livro que não leu. Isto acontece frequentemente em ambiente académico, quando alguém tem que participar na aula falando de uma determinada obra e fica hesitante se deve mentir e tentar safar-se da situação. Também acontece em situações sociais, quando a pessoa tem que decidir se mentir a poderá fazer parecer mais inteligente ou fazer com que o outro goste mais dela.

2. A pessoa diz coisas vagas: Ironicamente, este é um sinal que podes detetar quer tu tenhas ou não lido o livro em questão. Uma vez, numa apresentação para uma disciplina na escola, uma amiga minha fez uma apresentação de 10 minutos sobre um livro qualquer que estava nas listas recomendadas pelo nosso manual e, no fim da apresentação, eu disse-lhe "Tu não leste o livro, pois não?" Ela ficou chocada porque achava que se tinha saído bem, mas eu já sabia por mim própria as coisas que ela tinha dito através  da sinopse do livro e de artigos da Internet. As pessoas que lêem os livros, normalmente, falam sobre coisas específicas (às vezes, até dão spoilers sem querer). Já quem não leu, aborda apenas assuntos superficiais, como o tema e o enredo em geral, evitando mencionar simples detalhes como nome das personagens ou locais onde se passa a história, quanto mais o resto.

3. A pessoa repete tudo o que tu dizes: Quando tu começas a falar de forma entusiástica sobre determinado livro e a pessoa só diz "também adorei!" ou "também achei isso" sem acrescentar mais nada é porque não sabe o que dizer e está a tentar não ser apanhado(a). Alguém que leu o mesmo que tu costuma querer discuti-lo contigo, a não ser que tenha odiado o livro de morte (e, nesse caso, não diz "também adorei") ou não sejam assim tão próximos (e, mesmo assim, dizem sempre mais que um simples "também gostei", acrescentam sempre algo por educação).

4. A pessoa diz coisas erradas: Há quem não quero ser apanhado pelos discursos vagos ou  "também adorei!" e tente desenvolver uma conversa. De todas as estratégias esta é a que  garante um fracasso na certa, pois é sempre apenas uma questão de tempo até a pessoa dizer algo que não tem nada a ver com a história.

5. A pessoa tenta logo mudar de assunto: Uma pessoa que não queira falar sobre um livro pode apenas não o querer fazer no momento, mas a maior parte das vezes é porque está a mentir. Os leitores ocasionais não costumam entrar em discussões tão aprofundadas como os bookworms, porém também não são bruscos ao ponto de quererem mudar logo de assunto.  


Já mentiste acerca de teres lido um livro? Ou alguém já te mentiu? Como é que descobriste?

10.8.18

Livro: Os 12 signos da Valentina

 Livro: Os 12 signos da Valentina

Estou num grupo de leitores brasileiros (este aqui, para quem quiser saber), e descobri este livro lá, por acaso, numa publicação com sugestões de livros para soltar muitas gargalhadas. Mal li a premissa da história, fiz imediatamente download dele e meti-o no meu Kindle. Não acredito em astrologia, porém, sempre me diverti com o assunto, tive até uma carreira curta de astróloga no Secundário (que incluiu também fazer leitura de mãos), e a brincadeira foi tão longe que eu cheguei a fazer consultas a professores meus (é verídico, qualquer colega meu de liceu confirmar-vos-á isto). Adiante, aqui vai a minha opinião sobre  " Os 12 Signos da Valentina".

Sinopse


Isadora descobriu, da pior forma possível, que o seu namorado a traíra. E com a sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela afoga-se em filmes feitos para chorar, pizza e a sua nova obsessão: stalkear o perfil do ex-namorado no Facebook. Até descobrir o que deu de errado na sua relação com o seu ex: os seus signos eram incompatíveis. Com a nova obsessão e com a desculpa da reportagem final para a sua cadeira de jornalismo online, Isadora cria um blog, denonimado " Os 12 signos de Valentina" , para relatar a sua experiência em busca do seu signo perfeito, Libra, enquanto testa os restantes 11 signos. 


A minha opinião


"Os 12  Signos da Valentina" promete risadas, romance, astrologia e uma protagonista curando o seu coração partido- e cumpre. Porém, o livro de Ray Tavares também traz uma história de descoberta pessoal, aliada com uma perceção da sociedade brasileira. Acaba por permitir-nos também um vislumbre do contexto socio-político brasileiro e dos privilégios de certas classes sociais.

Esta é, como seria de esperar, uma história repleta de clichês e generalizações sobre signos, contudo nem por isso perde a sua piada. Aliás, o maior mistério do livro nem sequer é com qual signo ela vai ficar (porque fica claro desde o início que ela vai escolher o Andrei), mas como é que ela se vai safar da grande confusão que criou com o ex-namorado, o blog e o seu novo amor.

Um dos aspetos que me incomodou nesta leitura foi a facilidade com que a Isadora arranjava um homem de cada signo e, ainda por cima, todos eram lindos de morrer e com  beijos  divinos. Bem, eu não tenho muita experiência em relacionamentos ( *cough* *cough*, zero), mas isto aparece-me estar muito longe da realidade. Apesar disso, as descrições de cada signo eram muito divertidas.

Adorei as referências geeks que iam aparecendo pelo meio. Não foram exageradas só para cativar os fãs dos respetivos fandoms, foram feitas nos momentos certos (e as referências ao Harry Potter feitas pelo Andrei? Se é para namorar em condições que seja com um gajo que faça referências assim!).

A grande lição dos "12 signos da Valentina" é revelada pela própria Isa, perto do fim: " Seja feliz por inteira, por si própria, seja feliz consigo mesma, com os seus sonhos e comemorações, mas tenha alguém consigo para comemorar".

É uma leitura deliciosamente divertida, ideal para uma tarde preguiçosa de verão. 

26.7.18

Onde estão os universitários nas histórias YA?

Onde estão os universitários nas histórias YA?

Ler YA como jovem adulta é uma experiência interessante. Se por um lado, reconheço as vantagens que existem em ler livros deste género da vida adulta, por outro lado sinto-me um bocado estranha ao ler histórias que se passam no Secundário, uma etapa que eu já passei.

Nos últimos tempos, tenho lido muitos romances adultos que se passam na Universidade e comecei a interrogar-me acerca do motivo pelo qual nenhum autor YA escreve sobre esta fase entre a adolescência e a vida adulta. Porque é que ninguém fala da fase estranha que é a nossa experiência universitária.?Porque não, não é só a adolescência que é uma fase estranha! Quando eu era criança, eu olhava para os jovens de 20 anos e pensava "Uau, eles já são tão adultos!". Mas agora que já atingi esta idade, eu não me sinto nada adulta. Eu sei, no fundo nunca nos vamos sentir adultos, mas sobretudo nesta idade. Já me sinto (muito) melhor na minha pele, sinto-me mais confiante, já vivi muitas experiências incríveis, tenho amigos dos quais me orgulho bastante e estou a começar agora a ver o mundo de outra forma. Mas ainda há muita coisa que não sei. Não sei quase nada de política, não percebo grande coisa de impostos nem de IRS, ainda estou a tentar definir aquilo que quero ser e a minha entrada para o mundo de trabalho... E tudo isto precisa de ser falado!

A adolescência consegue ser terrivelmente difícil. Não estou aqui a negar isso. Os adolescentes precisam de sentir que não estão sozinhos nesta fase de crescimento e de grandes mudanças nas suas vidas. A ficção YA é muito importante para eles e desempenha aqui um grande papel. No entanto, ninguém passa de adolescente para um adulto formado. Nem de perto! Assim, nós, jovens adultos, precisamos de livros que decorram na Universidade.

Ok, eu sei que, tecnicamente, este tipo de literatura destina-se para jovens entre os 12 e os 18 anos, e que as personagens universitárias pertencem aos livros de adultos. Porém, a realidade é que a ficção adulta não explora as personagens universitárias da forma mais ideal. Estes aparecem, frequentemente, em livros cujo foco principal é o romance e/ou sexo. Não é que seja necessariamente mau, porque isso também faz parte desta idade mas, nós, leitores, também gostaríamos de ler livros que explorassem outras coisas que também fazem parte desta fase.

"Fangirl" foi o único livro YA que li cujas personagens eram universitárias. É dos poucas histórias que retratam a grande mudança que é a transição do Secundário para a Universidade e todas as consequências que resultam desta, como perder o contacto com alguns amigos, ficar longe da família, ser introvertido e ter que estar num meio grande... É um dos meus livros favoritos por esta razão, por falar de uma fase que estou a viver. 

Eu gostava de ver mais livros assim, que explorassem os altos e baixos da vida dos jovens nos seus 20 e tal anos. Quando eu estava a viver fases difíceis como adolescente, eu encontrava sempre alguma personagem na ficção a passar por algo semelhante, com que me podia identificar e com quem podia aprender. Eu ainda encontro isso nos livros YA. Algumas mensagens que estes passam ainda se aplicam à minha vida, quer seja por serem universais ou por serem mensagens que eu não entendia quando era mais nova e só com uma idade mais avançada poderia entender. Porém, existem experiências específicas que só vivemos na universidade, e eu gostava que a ficção retratasse mais essas experiências, dando-nos mensagens próprias para as mesmas. 

Não acredito que precisamos, necessariamente, de criar um novo género literário para os univeristários. Muitos educadores defendem que os adolescentes não se irão identificar com as personagens se forem muito mais velhas do que estas. Eu não acho que isso seja necessariamente verdade. Sim, não devemos meter personagens demasiado "velhas" na ficção YA, mas também acho que seria interessante incluir personagens universitárias, para os jovens poderem ver a próxima etapa que os espera e para nós, universitários, nos podermos identificar mais com as histórias. 

Gostava de, no futuro, ver livros que não resumissem a vida de um jovem adulto a romance ou como uma fase onde quase nada de suficientemente interessante para ser representado na ficção acontece. Quero ver mais livros que mostrem que não se entra de repente na vida adulta, que é algo que acontece por fases. A vida não acaba depois do Secundário, escritores, ok?

5.7.18

Como o meu blog mudou os meus hábitos de leitura

 Como o meu blog mudou os meus hábitos de leitura

Os meus hábitos de leitura sofreram mudanças interessantes ao longo dos meus anos blogosféricos. Apesar de o meu blog não ser exlusivamente um book blog, ser um pouco de tudo, acabei por, ao longo do tempo, escrever imenso sobre livros porque não tenho muitos amigos offline que sejam leitores ávidos, por isso senti necessidade de partilhar este interesse com outros pessoas.

Quando estamos inseridos numa comunidade que partilha os mesmos interesses que nós, é natural que a nossa dedicação a esses interesses aumente. Contudo, eu só me apercebi do quanto surpreendentes são as mudanças nos meus hábitos de leitura quando acabei de escrever esta publicação.


1. Eu leio (ainda) mais livros: Eu sempre li imenso, mas eu comecei a ler muitos mais livros desde que criei o meu blog. Embora ter um blog e ler outros blogs nos "roube" muito tempo, é bastante difícil não ler mais quando muitos dos blogs que seguimos fazem reviews de livros (especialmente se são bloggers em que confiamos imenso e que fazem reviews incríveis!). Desde que estou na blogosfera que me sinto mais entusiasmada para ler cada vez mais. 

2. Eu leio mais livros novos do que o que costumava ler: Não me perguntem porquê mas, quando era mais nova, eu tinha a panca de ler apenas livros que já tinham sido lançados há mais de dois anos. Gostava sempre de deixar passar toda a euforia à volta do livro para poder formar a minha própria opinião. Mas na blogosfera a euforia pelos livros recém-lançados é ainda maior, pelo que é difícil resistir e eu acabo por ceder à tentação de ler as histórias de que toda a gente fala. 

3. A minha lista de livros por ler é muito maior: Antes de ter um blog, a minha lista de livros era composta, basicamente, por títulos que via em livrarias e que me soavam bem. Isto resultava em uma lista relativamente pequena, em que eu facilmente conseguia ler tudo antes de procurar novas leituras. Atualmente, com o blog e o Goodreads à mistura (descobri o site através da blogosfera), a minha lista de livros é praticamente infinita. O que por um lado é mau porque nunca consigo ler tudo aquilo que desejo mas, por outro lado, estou sempre entretida com alguma história.

4. Eu leio mais YA: Durante a minha adolescência, eu nunca li muitos livros YA. Até acho que, tirando um ou dois livros, passei diretamente dos livros infantis para livros adultos (particularmente romances, o que é que querem, gosto de uma boa história de amor). No entanto, na blogosfera o género YA é bastante adorado e também eu me acabei por apaixonar por este género. Olhando para trás agora, sinto-me estúpida por não me ter rendido a este género mais cedo. Ai, se lhe tivesse dado uma oportunidade...

5. Tornei-me numa leitora mais crítica: Ok, eu não sei se isto também tem a ver com o facto de, ao longo de toda a minha vida, eu já ter lido imensos livros, pelo que já começo a detetar um certo padrão em alguns e, como tal, torno-me mais exigente. Mas acredito que também tem a ver com o facto de eu escrever reviews, o que me obriga a organizar os meus pensamentos de forma mais clara e explicar bem aquilo que gosto e não gosto em determinada história.


Bloggers aí desse lado? Os vossos hábitos de leitura mudaram desde que criaram o vosso blog? De que forma?

22.6.18

Com amor, Simon: Algumas diferenças entre o livro e o filme


( Atenção: Esta publicação contém spoilers. Se não leram o livro e/ou viram o filme não leiam este post).

Todos os amantes de livros, quando um livro é adaptado ao cinema, julgam minuciosamente todos os detalhes do mesmo. Somos piores que o CSI, sempre à procura de diferenças para entre o livro e o filme para podermos julgar. Eu não sou exceção, e passo a vida a fazê-lo. Acho que é a primeira vez que faço uma publicação deste género no blog (tive preguiça de procurar nos meus arquivos), mas vou começar a fazê-lo mais vezes, é algo que faço mentalmente muitas vezes e acho que, desta forma, gerará um debate interessante.

Bem, hoje vou partilhar com vocês algumas diferenças entre o filme " Com Amor, Simon" e o livro original (na verdade, é só mais uma desculpa para falar desta história outra vez, não consigo parar de fangirling!) Não porque o livro tenha sido mal adaptado, digo-vos até que a adaptação está muito boa, apesar de existirem, naturalmente, diferenças, conseguiram captar a essência da história e transmitir a mesma mensagem. Porém, obviamente que não conseguiram colocar horas de leituras em apenas uma hora e meia de filme, portanto aqui estão algumas diferenças que eu encontrei.


1. O título original do livro foi alterado: O título original do livro era " Simon Vs. The Homo Sapiens Agenda". Ao contrário da opinião geral, eu prefiro o título do filme, "Com amor, Simon", acho que faz mais jus à história, porque era a forma como o Simon se despedia nos seus mails. Nem toda a gente iria perceber a referência escondida no primeiro título.

2. A família do Simon: No livro, o Simon tem duas irmãs, a Nora e uma mais velha, a Alice, que está a viver fora, pois foi para a Universidade, mas que volta de vez em quando para ver a família. No filme, temos apenas a irmã mais nova, mas a Alice não existe e, consequentemente, o namorado dela, também não. É um pormenor irrelevante, mas confesso que senti falta da Alice.

3. Não dão muita relevância ao cão: O Bieber quase que não aparece no filme, e nunca vemos o Simon a passear o seu cão. Também é um pormenor irrelevante, mas os cães são tão fofinhos!

4. Os e-mails: No livro, o mail do Simon era "hourtohour.note@gmail.com", enquanto que no filme é "fromthewindow1@gmail.com". Ele ainda se entitula de Jacques, embora a piada do nome se tenha perdido um pouco porque, no livro, o Blue descobriu quem ele era antes dos mails serem relevados por causa do seu significado em francês.

5. A festa de Halloween: No filme, é o Bram que dá a festa em vez do Garrett, e o Simon vai vestido de John Lennon em vez de um Dementor do universo do Harry Potter (tinha muita mais piada ir de Dementor!).

6. A casa da Abby: No livro, a Abby mora muito longe da escola, tendo que fazer uma viagem de carro de uma hora. No filme, ela mora mais perto, apanhando a boleia do Simon. Até gostei desta alteração, dá para criar ali uma melhor dinâmica de grupo.

7. O vice-diretor Worth: Esta foi uma personagem que o filme inventou e ainda bem, trouxe uma grande dose de comédia ao enredo. O vice-diretor é hilariante, o que eu me ri com as falas dele.

8. A paixão da Leah: A FOX criou aqui um triângulo amoroso que, honestamente, era desnecessário. Na história original, a Leah está apaixonada pelo Nick. Até o meio do filme, acreditamos que, de facto, vão respeitar essa parte da história, mas depois somos surpreendidos quando descobrimos juntamente com o Simon que afinal a Leah estava apaixonada por ele. Por um lado, é algo que também acontece na realidade (a eterna frustração de nos apaixonarmos por um gajo que é gay, quem nunca?) mas, por outro, teria sido mais interessante se o Nick e a Leah realmente tivessem ficado juntos.

9. Leah, Simon e Nick vão a um bar gay: Gostava mesmo que esta cena tivesse aparecido no filme, porque iria mostrar o quanto os amigos dele o apoiavam.

10. A grande revelação do Blue: No livro, a grande revelação do Blue é um pouco mais subtil do que no filme. O Blue não deixa de mandar mails abruptamente, ele recusa-se apenas a revelar a sua identidade e os dois, eventualmente, param de falar. Entretanto, o Simon anda sempre com uma t-shirt que ele lhe ofereceu até que, numa altura, quando a decide vestir, descobre que a t-shirt tinha um papel nela o tempo todo, com o número de telefone do Blue. O Simon convida-o para ir a um festival e encontrarem-se na roda gigante e, quase na hora do fecho, o Bram vem ter com ele e o Blue finalmente é revelado. No filme, este encontro foi um bocado mais dramático. O Simon publica no CreekSecrets Tumblr uma mensagem muito poderosa e apaixonada (que adorei) e, no final, pede ao Blue para se encontrar com ele na roda gigante. A revelação decorre exatamente na mesma, mas com uma plateia de adolescentes aos berros. Sinceramente, eu gostei destas duas revelações, no livro foi mais romântica e no filme foi muito emociante (talvez  tenha berrado também).


E vocês? Que diferenças encontraram entre o livro e o filme?

13.5.18

Eu não gostava de ebooks, mas comprei um Kindle na mesma

Eu não gostava de ebooks, mas comprei um Kindle na mesma

Eu odeio ler ebooks. Odeio mesmo. Sempre preferi livros físicos e sempre olhei com ceticismo para esta nova moda de livros virtuais. Li uma vez um livro no meu computador, e foi a pior experiência de leitura que já tive! Passado poucos minutos ficava com dores de cabeça, com dores nos olhos e extremamente cansada. Só acabei de ler o livro porque este não existia em Portugal e queria saber o final da história. Depois disso, disse para mim mesma que nunca mais! Desde aí, tenho mantido-me sempre fiel aos livros físicos. 

Quando contava isto a leitores ávidos como eu, muitos foram aqueles que me sugeriram para comprar um Kindle. Porém, nunca considerei a sugestões deles. Olhava para aquele aparelho pequenino com desconfiança, como se este ameaçasse aniquilar todos os livros físicos. Mais do que isso, este parecia ameaçar matar toda a experiência de leitura. Afinal, não dá para folhear as páginas nele. Não tem aquele cheiro maravilhoso de livros novos ou o cheiro ainda mais maravilhoso tão característico dos livros antigos. Não dá para tocar na capa do livro e sentir o relevo do título. Nem sequer conseguimos sentir o seu peso (os verdadeiros leitores apreciam ter mais peso de um lado do livro do que do outro, porque representa aquilo que já leram e o quão próximos estão de saber o tão aguardado desfecho da história, se bem que, muitas vezes, causa mixed feelings porque há aqueles livros que não queremos que acabem). Com um Kindle, toda a magia da leitura parecia perder-se.

É por isso que eu, durante muito tempo, me mantive longe destes e-readers. Já tive alguns na mão, mas nunca os explorei o suficiente, porque era teimosa demais para mudar a minha posição em relação a estes. Se os tivesse explorado mais e tivesse ouvido mais atentamente as opiniões que me deram, talvez tivesse adquirido um há séculos. 

E agora chegamos à parte da história em que eu começo a mudar de posição em relação ao Kindle. Desde que me conheço que sou uma "devoradora de livros" mas, nos últimos anos, tenho constatado que estou a ler muito menos. Em parte, é devido ao quotidiano cada vez mais atarefado (como eram tão simples os dias da infância), mas não só. O meu problema é igual a toda a gente que gosta de ler como eu: devoramos um livro em dois ou três dias e depois ficamos a ver navios. Não nos é economicamente possível comprar livros a cada dois ou três dias, nem nos dá jeito estarmos sempre a deslocar-nos à biblioteca mais próxima. Neste jogo do poupar e do adiar, muitos são os livros que ficam por ler. 

Depois, comecei a ficar intrigada com a quantidade de livros que muitas booktubers e bloggers liam. Como é que é possível alguém ler 50 livros num ano? Qualquer que seja a receita, eu também quero! Comecei a segui-las mais atentamente, e descobri o seu segredo, que não era nada mais nada menos do que o Kindle, o aparelho que eu andava a evitar. Ora bolas, desta é que não estava à espera! 

Desta vez, comecei a ouvir as suas opiniões com uma mente mais aberta. Após ler muitas opiniões (inclusive as da querida Sofia, obrigada por me teres aconselhado), ter visto muitos vídeos de youtubers e ter pesquisado um, decidi comprar o meu próprio Kindle, e agora estou apaixonada! Mas afinal, o que é que levou a  que uma pessoa que odeia assumidamente ebooks comprasse um Kindle?


(Para quem se está a perguntar, eu comprei o modelo Kindle 8th Generation, o mais básico)

Para começar, a tecnologia inerente ao Kindle. Não foi o factor decisivo, pois eu já tinha tido alguns na mão, por isso já sabia como funcionava. Mas se não fosse esta particularidade, teria-me recusado a comprar um, por muito boas que fossem as outras vantagens. A tecnologia que o Kindle usa é e-ink, ou seja, tinta eletrónica. Basicamente, o ecrã imita as páginas de um livro.  É isto que torna a leitura neste aparelho tão confortável, porque não tem aquela luminosidade de nos cansa a vista, é como se tivéssemos mesmo a ler em papel. 

Aquilo que me fez mesmo querer um Kindle foi o quão baratos os livros são. A maior parte dos livros na Amazon não chegam a custar 5 euros. Além disso, existem muitas special offers em que, diariamente, x livros ficam grátis. Existem ainda outras formas de ter livros de graça no Kindle, como transferir pdfs da net para o e-reader. Foi esta grande vantagem que fez com que eu decidisse finalmente ter um. Juntando o facto de a bateria durar quase um mês (sim, um mês!), reuniram-se as condições para eu me render ao Kindle.

Ainda não tive oportunidade de explorar muito o Kindle, mas já estou apaixonada por este. Não obstante, continuo a ser team livros físicos. Não há nada que substitua a magia que estes proporcionam. Continuo também a não achar piada a ebooks, sendo os do Kindle a minha única exceção. A diferença agora é que posso ler mais, quando as circunstâncias não me permitem ler livros físicos. Agora não estou condicionada pelo preço dos livros nem pela minha localização geográfica, posso ler sempre que quero e onde quero. Sempre que posso, comprarei livros físicos mas, com a certeza de que, quando tal não é possível, tenho um recurso à mão.

(Fotos: da minha autoria)


23.4.18

7 livros neste Dia Mundial do Livro


Desde muito nova que habita no meu coração uma paixão ferverosa pelos livros. Sempre que posso, isolo-me do mundo para ler. A frase mais dita cá na minha casa é "já estás a ler outro livro?!", que me valeu a alcunha "devoradora de livros". 

Por isso, sendo eu tão amante da literatura, quando a Sofia me convidou para celebrar o Dia Mundial do Livro quando um desafio (muito obrigada por te lembrares de mim!), obviamente que aceitei logo. Como em todas as iniciativas da Sofia, esta está a ser um sucesso! Está a estimular uma grande partilha de livros na blogosfera, e já aumentou a minha wishlist. Aconselho imenso a lerem as publicações deste desafio (os links dos posts dos outros participantes estão no fim desta publicação). Mas antes de irem aos outros, calma, que eu ainda quero dar aqui "duas de letra" (que é a mesma coisa que dar duas de treta  só que na versão bookaholic). 


1. O livro que tenho há mais tempo: Não escolhi o primeiro livro que li de sempre porque infelizmente já o perdi, mas esse está guardado no meu coração, pois foi aquele que fez nascer em mim a paixão pela leitura. " Viagem ao Paraíso Verde" foi o segundo livro que li, quando tinha cerca de 10 anos, e sinceramente já nem me lembrava que o tinha. Só o li uma vez, e depois ficou ali abandonado na estante até hoje. É uma clássica história de aventura, de uma rapariga, Maia, que fica orfã e vai viver com uns familiares para a Amazónia, e que se confronta com uma realidade com a qual não está habituada, lutando para encontrar o seu lugar lá. Apesar da belíssima escrita, quase lírica, e das personagens com quem facilmente estabelecemos empatia, não foi um livro que me marcou muito. Foi uma leitura divertida na altura, para uma pré-adolescente mas, quando cresci, senti necessidade de histórias com mais enredo e profundidade.

2. O livro que tenho há menos tempo:  Nas férias da Páscoa, decidi aproveitar a pausa que tinha para ler e comprei "Isto Acaba Aqui". A Colleen Hoover está a tornar-se cada vez mais numa das minhas escritoras favoritas de sempre, pela sua escrita e pela intensidade das narrativas que cria. Já falei dele aqui no blog e não posso falar muito mais, pois esta é uma história na qual aconselho a mergulharem sem nenhuma informação de antemão, pois tudo se torna muito mais intenso e surpreendente. Tem uma poderosa mensagem por detrás das suas páginas, aconselho mesmo a lerem.

3. O livro que li mais vezes: O livro que li mais vezes foi, sem dúvida alguma, o " Principezinho".  Faço questão de ler esta obra todos os anos. A interpretação que fazemos de um mesmo livro vai mudando à medida que vamos crescendo, mas no caso do "Principezinho" esta pode ser completamente diferente. Nem é preciso esperarmos um ano para regressar a esta história, muitas vezes o nosso próprio estado de espírito pode fazer com que encontremos mensagens que nunca tínhamos encontrado. Acho este livro verdadeiramente mágico por isto mesmo porque, de todas as vezes, que o lemos, este mostra-nos algo diferente, como se tivesse a comunicar connosco e soubesse aquilo que estamos a sentir em determinada fase da nossa vida. 

4. O livro que emprestei e não voltei a ver: Não gosto de emprestar livros e só empresto a pessoas em quem confio mesmo muito, pelo que nunca me aconteceu ficar sem um livro. Neste momento, falta-me um que já não vejo há imenso tempo,  a " A Rapariga no Comboio", mas eu acredito que vou ter este livro de volta, a pessoa a quem emprestei apenas anda muito atarefada e é extremamente lenta a ler ( e por falar em devolver livros, Ju, eu ainda tenho o teu livro, não me esqueci, continua em boas condições, só ainda não te devolvi porque não nos temos encontrado, temos que marcar um cafezinho). 

5. O livro que já devia ter lido: "Licenciei-me e Agora?" é um livro que quero adquirir desde que que a Catarina o lançou, mas ainda não o li nem o sequer adquiri, o que é uma grande falha, visto que o tema é mesmo do meu interesse, com o aproximar da reta final do meu curso. Além disso, gosto muito de ler o blog dela e gosto de apoiar o trabalho dos meus "colegas" bloggers, portanto tenho que tratar de o ler.

6. O livro com mais valor sentimental: . Vou fazer batota aqui e escolher uma triologia, "The Hunger Games". Pode parecer um bocado parvo escolher uma triologia YA em vez de um clássico marcante, mas para mim esta saga tem um grande valor sentimental, pela fase em que eu vivi a história. Li " The Hunger Games" quando tinha 16 anos, numa altura em que uma das pessoas que me mais são próximas e que mais amo neste mundo estava internada no hospital entre a vida e a morte e eu, por dentro, estava um caco a nível emocional. Ler esta triologia deu-me a força e coragem que eu precisava para ultrapassar esta fase negra da minha vida, e ainda hoje a história da Katniss me dá bravura para ultrapassar os obstáculos que se atravessam no meu caminho

7. O livro que foi uma pechincha literária: Comprei o livro " A Lua da Joana" numa feira do livro por apenas 5 euros. É narrado na primeira pessoa, pela Joana, que escreve cartas à sua amiga, Marta, que morreu de overdose, e aborda muitos temas importantes que ainda hoje são atuais e relevantes para todos os jovens. Li este livro no início da adolescência e, na altura, foi uma leitura pesada, que mexeu muito comigo.


19.4.18

Livro: Isto Acaba Aqui


Eu sinto que começo este tipo de publicações sempre da mesma maneira, mas aqui vai: há já algum tempo que não vos trazia uma review de um livro, por isso hoje decidi publicar uma. Não é por falta de leituras porque este ano, surpreendentemente, estou a conseguir ler mais livros do que o habitual, apesar do horário atarefado que tenho. Mas é por causa desse mesmo horário atarefado que eu me fico pela leitura dos livros, e nunca chego a escrever um post sobre estes.

Porém, não podia deixar escapar a oportunidade de fazer uma review deste livro. A Colleen Hoover está a tornar-se cada vez mais na minha escritora favorita. Não dá para explicar bem porquê, ela escreve histórias tão intensas e cativantes, que uma pessoa só quer ler mais e mais, e já dou por mim a aguardar os próximos lançamentos dela. Este aqui causa impacto particularmente e, quando o lerem, vão perceber porquê. Sem mais demoras, vamos à review do livro (e, como sempre, sem spoilers).

Sinopse


Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar uma nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se. Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém. Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde? Será capaz de quebrar o ciclo?

A minha opinião


" Isto Acaba Aqui"  foi um dos livros mais poderosos que já li. Foi um grande murro no estômago. Mostra-nos que nem sempre tudo é preto nem branco, e fala de situações bastante atuais na nossa sociedade e que precisam de ser faladas.

Eu sinto que devem mergulhar nesta leitura sem saber nada da história, pelo que não vos vou contar nada acerca do enredo. Acreditem que é uma leitura muito mais surpreendente e interessante assim. Precisam de descobrir as coisas por vocês mesmos e tirar as vossas próprias conclusões. Na verdade, até deviam fazer isto com qualquer livro desta autora. Normalmente, sou o tipo de leitora que gosta de saber de antemão como é a premissa da história, mas no caso dos livros da Colleen Hoover, prefiro ser surpreendida pela sua escrita e pela sua capacidade de contar uma história intensa.

Eu não consigo realçar bem o suficiente o quão importante é a temática abordada neste livro. E não consigo realçar o suficiente a forma extraordinária como a autora abordou-a. Já li muitos livros com uma premissa semelhante, e todos falharam miseravelmente em retratar a verdadeira natureza da questão. Nesta história tudo foi retratado de forma tão real, sem clichés, sem preto nem branco, permitindo-me compreender melhor algo que nunca tinha compreendido a 100%, pelo menos com esta profundidade. 

" Isto Acaba Aqui" tem uma mensagem muito poderosa que vai sendo revelada de forma subtil no início do livro, mas vai ganhando dimensão conforme o enredo se vai desenrolando, conforme as peças se vão juntando, e conforme pequenos detalhes e pequenos momentos vão ganhando uma explicação e vão  tornando-se mais relevantes na nossa cabeça.  É muito triste, honesto e verdadeiramente desconcertante. O meu coração chegou a doer ao ler algumas partes. O próprio título do livro tem um significado, que são vão perceber quase no final, num momento em que vão pensar " Wow, que título mais adequado". 

Esta é uma história muito marcante, mas não da forma em que muitos de vocês vão esperar que seja. É uma leitura que vai ser difícil de largar, porque raramente há um momento aborrecido ou um detalhe menos interessante e todos os acontecimentos são tão fortes e difíceis de digerir que não descansamos até saber o final. Toda a gente deveria ler este livro, pode mudar mesmo a forma como vemos as relações humanas.

Já lerem este livro? O que acharam?

( Foto: da minha autoria)