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9.2.21

Já não há desculpas para não oferecer prendas personalizadas!

 (Post patrocinado por Wanapix, contudo todas as opiniões aqui escritas são verdadeiras)

Quem segue o "Life of Cherry" sabe o quanto eu adoro prendas personalizadas - se os presentes são uma oportunidade para  mostrar à pessoa o quanto ela é única para nós, porque não dar-lhe algo igualmente único? Todos nós adoramos qualquer tipo de  presentes, mas temos que admitir que algo que tenha sido feito especialmente para nós suscita uma conexão emocional ao objeto muito maior do que algo que é fabricado em massa numa loja comum. É por isso que fiquei em delírio encontrei o site Wanapix!

A Wanapix é, para quem não conhece, uma das empresas de personalização de presentes com mais influência na Europa. Recentemente, a Wanapix começou a dar os seus primeiros passinhos em Portugal, mas esta marca já existe desde 1984 e já se tornou uma referência no que se diz respeito à arte da personalização. 


Os produtos que eu escolhi

1. Marmita ecológica de bamboo: Desde que comecei a usar marmitas que tenho usado sempre as de plástico que, sejamos honestos, não são a coisa mais saudável nem ecológica que existe. Tentei mudar para as marmitas de vidro, mas não me adaptei, queimam-me ao tirar do microondas, para não falar que eu sou uma desastrada e o risco daquilo partir é enorme. Quando estava a escolher no site, cruzei-me com esta marmita ecológica de bamboo e pensei "porque não experimentar?". Pode ir à máquina, pode ir ao microondas e a dá para levar muita quantidade de comida, mesmo neste que escolhi, que parece pequeno à primeira vista. Para não falar destes talheres pequenos que são um amor! Outro pormenor que gostei bastante e me fez escolher este design em particular foi o M ao centro, que faz com que seja muito mais fácil de identificar a marmita se a quiser meter no frigorífico do meu serviço. 



2. Garrafa térmica: Este foi um presente personalizado que decidi oferecer à minha prima/irmã emprestada, uma vez que eu já possuo uma garrafa térmica  Tem uma capacidade de 500 ml e aguenta bebidas quentes/frias durante 12 horas ou mais. Mais uma vez, tem um lindo detalhe personalizado que permite à minha prima encontrar facilmente a sua garrafa no seu local de trabalho.

3. Tote Bag Harry Potter: Para os fãs de HP, sim, também há muitas coisinhas para vocês na Wanapix! Eu  encontrei tantos produtos com designs HP que foi muito difícil escolher! Acabei por me decidir por dois produtos, um dos quais uma Tote Bag ou, como se diz em português, um saco de algodão, que é sempre útil para levar às compras, à praia ou para um piquenique (quando sairmos deste confinamento). Este design com a cicatriz e os óculos Harry Potter são absolutamente encantadores! 

4.  Caneca cerâmica: Por último, decidi escolher uma caneca com o mesmo design e a mesma frase (adoro esta frase de HP!), para me fazer companhia agora nos dias mais frios em que um cházinho quente vem sempre a calhar. No caso deste produto, dá para lavar à máquina na mesma, contudo foi-me aconselhado pela marca a lavar à mão para aumentar a durabilidade da tinta. O interior da caneca está disponível não só a preto como o meu, como também em outras cores, vermelho, amarelo, azul, o que gostarem mais. 


Também quero! Como posso personalizar?


Decidi fazer uma pequena secção nesta publicação para avisar de alguns detalhes a que têm de ter atenção se quiserem encomendar algo deste site. Como em todos os sites de personalização, é preciso ter muito cuidado na hora de personalizar os produtos que escolhemos, para não ocorrem erros como ortográficos, erros na centralização dos textos, imagens cuja qualidade é fraquinha, etc. Assim, decidi mostrar-vos aqui passo a passo quais são os procedimentos das encomendas Wanapix, de forma a que os produtos que escolham sejam os mais satisfatórios possíveis para vocês.

1. Escolher o produto: O primeiro passo é o mais óbvio, não podem personalizar sem saber em que objeto o vão fazer. Neste primeiro passo, é preciso ter em atenção os tamanhos que desejam, os materiais e a funcionalidade (atenção, existem objetos semelhantes com funcionalidades diferentes, explorem bem porque encontram cada coisa mais gira que é difícil decidirem-se). Assim que se decidirem, podem clicar em personalizar. 

2. Atentem que cada produto pode ter várias fases de personalização: Enquanto alguns produtos podem ter apenas uma fase de personalização (como por exemplo, a minha marmita), outros podem ter até duas ou mais fases (como a minha caneca). 


3. Usem os editores: Não se limitem a escrever o que querem no produto, usem os editores, eles estão lá para alguma coisa. Tal como um editor de imagem comum, têm linhas auxiliares que vos ajudam no alinhamento e centralização dos textos/imagens. Têm ainda outra secção, "ver produto", em que podem ter uma previsão de como tal ficará na realidade. 


4. Não coloquem texto/fotos nas margens do produto: Para quem já é experimente neste tipo de compras sabe que se deve sempre deixar alguma margem no design para possíveis zonas de cortes, principalmente quando o produto em questão é roupa, por isso há que também ter atenção a este detalhe. 

5. Por último, confirmar: Antes de efetuarem a compra, ainda têm uma última etapa de personalização só mesmo para se certificarem que têm tudo ao vosso gosto (mais uma vez, bem à Grammar Nazi, olhem os erros ortográficos!) A seguir, é só efetuar a compra e, ao contrário de muitas lojas online, esta é bastante flexível no que toca a métodos de pagamento - além do clássico VISA e Mastercard, podem pagar por PayPal, American Express e até por referência Multibanco. O envio também é super rápido, em menos de uma semana eu já tinha os produtos em minha casa. 


Por isso, se quiserem algo para oferecer à vossa cara-metade agora no Dia dos Namorados, ainda vão muito a tempo heheheheheh. E não há desculpas para não serem originais, há descontos até 50%.

Quais foram os produtos que mais gostaram?

24.1.21

As minhas séries favoritas em 2020

As minhas séries favoritas em 2020

Último post de TOPS DE 2020 a 24 de janeiro DE 2021! E eu que tinha dito que ia acabar de os publicar em 5 de janeiro. Já devia saber que, como enfermeira em tempos de pandemia não posso prometer nada. Outra batotice: este é o único TOP com apenas 5 itens em vez de 10, ups! Eu sei que pode ser uma desilusão para alguns, porém aqui nós somos apologistas de vidas reais, e a realidade é que eu passei metade da minha quarentena a rever séries muito longas (só para terem uma noção, revi Gossip Girl, com as suas 6 temporadas carregadinhas de episódios). Porém, os 5 escolhidos de 2020 garanto que fazem  valer a pena ficarem aqui até ao fim!


1. Sex Education (2º temporada): Já todos conhecemos esta série de comédia até porque, vejam bem, atingiu os 98% de classificação no Rotten Tomatoes e, como sabemos, eles costumam ser bastante lixados nas suas pontuações.  Enquanto na 1º temporada exploramos temas gerais da vivência da sexualidade entre adolescentes, na 2º temporada é explorada mais a fundo a individualidade de cada personagem. Mais do que uma série sobre sexo, "Sex Education" passa, de forma sempre bem humorada,  a máxima de que tudo é normal e que, ao mesmo tempo, não é, pelo que ninguém se tem que envergonhar com nada. A única coisa que eu não gostei nesta temporada, aliás, odiei, foi uma certa personagem irritante que de bom grado empurraria de uma ribanceira abaixo (quem viu compreende o ódio). 

Sex Education 2 temporada

2. Cheer: Todos nós, incluindo eu, temos aquela típica ideia de claques americanas que os filmes de Hollywood nos transmitem - raparigas em trajes menores a dançar, a saltar, berrar e que pouco mais sabem. Contudo, esta mini-série documentário da Netflix abre-nos os olhos para todo um novo mundo de claque: um verdadeiro desporto competitivo. Aqui não vemos o glamour dos pompoms, vemos suor, horas e horas de treino, esforço, lesões e muita dedicação, acima de tudo o enumerado anteriormente. Aquilo que mais me comoveu, mais do que toda a disciplina que eles têm, é ver que encontraram ali, com a Mónica Aldama (a treinadora) e a sua equipa, uma segunda família, que os salvou de vários problemas, entre eles traumas familiares, pobreza, insucesso escolar, problemas de imagem escolar, violência... Todos eles encontraram ali um lugar seguro para serem eles próprios.

Cheer

3.  Lucifer (5 temporada): Ser cancelada pela Fox foi a melhor coisa que aconteceu a "Lucifer" porque a seguir a Netflix pegou na série! A Netflix pode ser muitas coisas (entre elas, por vezes, ignorante nas questões de representatividade como vou comentar aqui daqui a uns dias), mas que sabe fazer séries com bons plot twists sabe! A 5º temporada trouxe um enredo que parecia, à primeira vista, ser manhoso. Felizmente, não se arrastou pelos episódios todos, a nossa detetive Decker sabe o que faz! E por falar na detetive, aquilo que todos andávamos desde 2016 a querer finalmente aconteceu (aqui só sem dar spoilers, quem segue desde a 1º temporada vai pular de alegria).


4. Coronavirus, Explained: A série das séries (confuso, I know, não sei que outro nome lhe dar) Explained tem se revelado um arraso em quase todos os temas que aborda (tirando o do sexo, para alguém que é de Enfermagem ficou muito aquém das expectativas) e, em 2020, no primeiro ano de pandemia em que a desinformação se espalhou tão depressa como o próprio vírus, esta revelou-se ser uma ferramenta crucial para compreende melhor o que se passava à nossa volta.


5. Whose vote counts, Explained: Este foi outro segmento de "Explained" usado para combater a desinformação, desta vez sobre as eleições dos Estados Unidos, este ano mais importantes do que nunca - a oportunidade dos americanos se redimirem e tirar de vez o Trump do poder. Já tinha uma vaga ideia de como funcionava o sistema de votos americano, que passa muito pelo colégio eleitoral, mas este foi um ótimo complemento para a minha formação política. Continuo com a mesma opinião que este sistema é uma grande manhosice, mas agora é uma opinião mais bem formada. 


Quais foram as vossas séries favoritas?

5.1.21

Os meus livros favoritos em 2020

Os meus livros favoritos em 2020

2020, mais do que nunca, foi  muito propício a leituras. Desde pequena (com as "férias grandes") que já não disponha de tanto tempo para mergulhar nas histórias e, no meio de uma pandemia, foi mesmo a melhor forma de escape. Estas foram as melhores escapatórias.


 1. Verity: TOP de livros da Cherry que se preze tem sempre uma obra da Colleen Hoover nele. Eu juro que não faço de propósito, esta autora é que tem simplesmente uma capacidade de se reinventar fora do comum, como é o caso de " Verity". "Verity" é a sua primeira tentativa no supense, e uma muito bem sucedida, may I add. Já não lia um thriller psicológico assim desde 2016, com a "Rapariga no Comboio". Como sempre, não digo mais nada, os livros da Colleen Hoover são para se começar de mente vazia. Só digo que foi uma boa forma de começar o meu ano literário!

2.  The Seven Husbands of Evelyn Hugo: À primeira vista achei que este fosse uma autobiografia, mas não é - Evelyn Hugo não é uma celebridade, é uma personagem que apenas existe na cabeça da autora. Contudo, ninguém diria pela forma como a história está estruturada, esta personagem tem tanta profundidade que parece uma pessoa real. Tal como a Pam Gonçalves disse no vídeo dela, eu fiquei obcecada com Evelyn. Evelyn não é uma personagem que possa ser adorada por todos, como poderão ler em inúmeras reviews - uns amaram-na, outros odiaram-na. Na minha perspetiva pessoal, eu adorei-a, nenhum ser humano é 100% mau ou bom, temos todos personalidades cinzentas, e se vivéssemos num mundo como no de Hollywood, essas nuances seriam ainda maiores. Aliás, adorei ler esta questão de representatividade aplicada ao mundo dos famosos, se não é fácil nos dias de hoje, imaginem há 60 anos (review completa aqui).

The Seven Husbands of Evelyn Hugo

3. The Phantom of the Opera: O Fantasma da Ópera é, como sabem, para mim, o melhor musical de sempre (mesmo que o Rotten Tomatoes não concorde, como assim, só 50% de pontuação?!). No entanto, nunca tinha lido o clássico que fez nascer esta ópera até 2020. A minha hesitação devia-se ao facto de ser um inglês arcaico, muito difícil de ler ao início. Ao começar a ler, deparei-me com outra dificuldade - o estilo de escrita narrativa-jornalismo mas, ultrapassadas estas dificuldades, adorei conhecer a história de uma perspetiva diferente. Como já devem ter lido em outras reviews, o livro não é tão soft ou romântico como o filme de 2004, na versão o Fantasma da Ópera é ainda mais cruel (quem está familiarizado com as personagens já terá calculado o que ele fez à Christine). Contudo, também conhecemos mais pormenorizadamente a sua infância que o fez tornar-se neste tipo de pessoa, assim como de outras personagens. Como, por exemplo, do Raoul, que eu sempre achei tão sem sal. No livro, aí sim, percebo porque é que a Christine se apaixonou por ele. 

4. Becoming: Nunca me senti tão entusiasmada como política como na altura dos dois mandatos do Barack Obama. Na altura ainda era nova, na minha visão de adulta sei que a governação dele não foi perfeita (uma daquelas verdades da vida adulta difíceis de digerir) , ainda assim, admiro-o muito e à família dele. E a sua mulher, Michelle Obama, foi a primeira-dama mais ativa que já vi. Não se limitou a ser mais uma parte da mobília a ir para a Casa Branca (como a mulher do Trump, que mulher tão mortinha), envolveu-se em várias iniciativas ao longo dos anos sem nunca, ao mesmo tempo, ofuscar o seu marido. Aquilo é que era um casal poderoso! Na sua biografia, ficamos a conhecer mais sobre a sua história de vida, como se tivéssemos numa conversa de café com ela (review completa aqui).


5. O Tatuador de Auschwitz: Em 2020, verificou-se uma grande tendência entre escritores para abordar a Segunda Guerra Mundial. Se para alguns leitores isto virou uma moda que já irrita (o que é, no fundo, verdade), para mim é algo que me entusiasmou, porque sempre me interessou esta fase da História, desde os tempos de escola . Se bem que agora já me cansou um bocado, já li todos os que havia para ler - não me ponham mais livros destes nos TOPs da Fnac. No entanto, "o Tatuador de Auschwitz" irá permanecer um do meus favoritos do género. Inicialmente trabalhado como um guião, é obra de Heather Morris, que foi apresentada a Ludwig Eisenberg, mais conhecido por Lale, que alegava ter uma história para contar. Foi assim que nasceu então esta história, a partir de tantas outras com quem Lale contactou, prisioneiros, guardas, mais do que é possível contabilizar - tanto que algumas personagens são a junção de várias pessoas. É uma leitura bastante fluída, apesar do seu conteúdo pesado e prova de como o instinto de sobrevivência de certas pessoas pode superar tudo - no lugar deste protagonista, era muito fácil para qualquer um de nós desistir (review completa aqui).

https://www.lifeofcherry.pt/2020/05/livro-o-tatuador-de-auschwitz.html

6. A Curious History of Sex: Descobri "A Curious History of Sex" através de uma das minhas youtubers favoritas de sempre, Hannah Witton, que se fartou de falar dele ao longo de vários vídeos. Tem todos ingredientes que me fizeram gostar dele desde o início - leve (apesar de alguns conteúdos pesados como velho mito da virgindade, esses não são a regra), divertido, repleto de curiosidades linguísticas (como agradar a uma nerd de História e de gramática ao mesmo tempo), já disse que é sobre História?! Apesar de este ser um livro sobre o passado, dá-nos tantas respostas sobre o porquê de o sexo continuar a ser um tabu e porque o será sempre, bem como alguns termos se prolongaram ao longo do tempo até aos dias de hoje.


7. Normal People: Este é o novo "Call Me By Your Name", meu caros amigos! Não estou a dizer isto por ser a versão para os heterossexuais, é mesmo porque, mais uma vez, como no primeiro, qualquer pessoa se pode identificar com ele. Numa leitura lenta e sóbria, a autora explora a conexão emocional entre um casal, sem grandes floreados - como o próprio título indica, uma ligação entre duas pessoas normais. As relações amorosas são apresentadas no seu estado mais cru, exatamente como acontecem na vida real, quando nos permitimos mostrar, sem reservas, ao nosso parceiro (também falei do livro aqui).


8.  The Places Ive Cried in Public: Este é um YA, mas não um qualquer, é daqueles dos pesados. Isto porque aborda relações abusivas, e acho uma excelente ideia abordarem este tema dentro deste género, com o número de jovens (raparigas e rapazes) que sofrem abusos no namoro a aumentar. A trama gira em torno de, tal como o próprio título indica, todos os locais em que a protagonista já chorou por causa de uma pessoa que não a merecia, numa perspetiva de outsider, mas que, decerto, é tão difícil de perceber quando se vive esta situação. Apesar de este ser um livro sobre abuso, também é um livro que expõe maravilhosamente a diferença entre uma relação que é uma montanha-russa de emoções de uma que é uma constante de felicidade numa vida que, por si, já é complicada (escolham sempre a segunda, malta).


9. O Livro dos Ressignificados: Recebi de presente de aniversário da Inês, e foi mesmo uma luz num 2020 mehhh. Aquilo que mais de especial o livro tem, além dos ressignificados criados pelo autor, são os post-its que a Inês deixou em páginas aleatórias, com todo o tipo de palavra enternecedoras. Ela é mesmo a miúda das prendas. Continua na minha mesa de cabeceira, para pegar sempre que preciso de um miminho (mais sobre o livro aqui).


10. 451 Fahrenheit: Apesar de ser uma grande devoradora de livros, nunca tinha lido este clássico, shame on  me. E é pena que não o tenha lido mais cedo, porque "451 Fahrenheit" é mesmo tão bom e tão atual! Para um clássico, tem uma leitura muito acessível - uma das razões pelas quais, na altura, o autor teve dificuldade em entrar na elite literária, pois ainda há a ideia que tudo o que é clássico tem que ser extremamente difícil de ler e conter linguagem muito cara. O trama é no mínimo intrigante - como seria uma sociedade sem livros? Mesmo após 60 anos, as mensagens contidas nesta obra continuam muito relevantes, sobretudo o consumismo pela informação "rápida" em vez de usarmos a nossa própria cabecinha (muito 2020, não acham?). 


(Única foto tirada por mim para fazer aquela piada obrigatória. Tinha mesmo que ser, digam-me lá se a lombada não parece uma caixa de fósforos? Genial!)


Quais foram os vossos livros favoritos em 2020?

30.12.20

Os melhores filmes que vi em 2020

Os melhores filmes que vi em 2020

2020 não foi, definitivamente, um ano favorável para o cinema. Com os cinemas fechados e a meio gás metade do  tempo, as estreias foram muito poucas  que, por pouco, não dava para completar um post de favoritos inteiro.  Os meus favoritos são conhecidos por nunca seguirem fielmente os lançamentos de cada ano contudo, em 2020, mais do que nunca, tenho desculpa não tenho?


1. Jojo Rabbit: Começamos logo com um filme que foi muito controverso - aviso desde já, é mesmo humor negro, não é para meninos. Esta é uma sátira do nazismo, preparem-se para serem bombardeados (pun intented) com vários símbolos do mesmo. Mas calma, Jojo Rabbit não pretende vangloriar o período histórico em que Hitler dominou. Chama-se uma anti-hate sátira e, através da comédia, de momentos queridos e dramáticos em igual medida, relembrarmo-nos porque não devemos ceder aos regimes ditatoriais.


2. A Plataforma: Outra produção bastante polémica é " A Plataforma", que também não é para todos os gostos. Preparem-se, é mesmo o filme mais nojento que podem ver. O conceito deste thriller é bastante simples, trata-se de uma prisão vertical regida por um mecanismo também vertical, que arranca do piso 0 com um grande banquete e uma fonte de comida imprevisível conforme o nível em questão - os níveis superiores têm sempre refeições em abundância e os níveis inferiores podem nem ter ao que pôr as mãos. Uma alegoria bastante direta da nossa sociedade (review completa aqui).


3. Emma: E estas é uma das produções mais aesthetic que eu já. Faz-me lembrar muito Maria Antonieta, pelo figurino, pelos cenários, pela irreverência de cada detalhe. A adorada dramédia de Jane Austen ganha, aqui, uma adaptação mais jovial, mas tão engraçada como nunca, com Anya Taylor no papel principal. Por falar nesta atriz, ela esteve em alta em 2020, e não há dúvidas que será uma das grandes atrizes desta geração, ao lado de nomes como Saoirse Ronan, Chloe Grace Moretz, entre outras (também falei do filme aqui).


4. Parasite: Uma grande falha minha como amante de cinema, mas eu não conhecia o realizador Joon-ho Bong, responsável por esta grande produção - uma falha que pretendo corrigir com mais filmes do mesmo. Anyway, "Parasite" foi mais um dos grandes sucessos dele, tão bom que nem vou descrever a sinopse para, caso ainda não o tenham visto, fazerem-no de mente a aberta e deixarem-se ser surpreendidos. As únicas coisas que posso dizer é que é rico em personagens muito intrigantes e toda a trama é muito perturbadora.


5. Variações: Já algum tempo que eu não adorava tanto um filme português como "Variações". Em primeiro lugar, a aesthetic do trailer elevou as expetativas ao máximo, estava mesmo à altura de um trailer estrangeiro! Numa produção musical bem ao estilo de "Bohemian Rhapsody" (mas, ao mesmo tempo, bem à portuguesa), é aqui retratado um dos artistas portugueses mais irreverentes de sempre, António Variações. É a prova que, quando querem, os realizadores portugueses conseguem fazer produções cuidadas, sem cair em exageros nem clichés.


6. Escape Room: Eu e o meu namorado temos um fascínio partilhado por Escape Rooms, e ideias não nos faltavam para criar as nossas, que seriam empresas mesmo lucrativas se tivéssemos o dinheiro necessário para as pôr em prática. Portanto, óbvio que iríamos ver este filmes juntos (na altura, ele já o estava a ver pela segunda vez, com um ar malicioso por já saber tudo o que iria acontecer). Não se deixem enganar pela pontuação fraquinha que "Escape Room" tem nos Rotten Tomatoes (50% apenas, que ultraje!), este é um thriller psicológico daqueles inquietantes. O enredo consiste em 6 desconhecidos aventureiros que aceitam o desafio de uma experiência imersiva numa escape room em troca de 1 milhão de dólares - só não sabiam o quão imersiva seria mesmo. 


7. Mulan: "Mulan" foi o que mais dividiu opiniões em 2020. Se uns (como eu) adoraram, outros odiaram. Os argumentos dos que odiaram é que não fazia em nada lembrar a Mulan da nossa infância - não tinha qualquer cena musical, o Shang de tronco nu (aquilo era pornografia até para as crianças) nem o Mushu. Mas já pensaram que, se calhar, o objetivo era mesmo esse, conhecermos o lado mais maduro da história, que provém diretamente da cultura chinesa? Mulan é o meu filme favorito de infância, todavia até eu reconheço que tem demasiados elementos ocidentais. Aqui conhecemos a verdadeira lenda chinesa de Mulan, que se sacrificou para a guerra em honra da família, mesmo acima da do próprio país, e muito para além da fama ou do romance. Para os fãs da animação da Disney, não se preocupem, existem muitos diálogos e melodias escondidas (entre elas, uma versão ainda mais arrebatadora de "Reflection") Existe espaço para as duas produções coexistirem, uma mais infantil, outra mais adulta - eu falo por mim, agora tenho a minha princesa favorita em duas opções que posso apreciar.


8. Aeronautas: A harmoniosa dupla Felicity Jones e Eddie Redmayne nunca desilude, é impressionante como eles já contracenaram tantas vezes juntos, saindo-se sempre tão bem. Em "Aeronautas", tal não é exceção, onde somos transportados numa aventura até aos céus de Londres, com o objetivo de bater um recorde de altitude em balão de ar quente. Ambos os protagonistas (principalmente Amelia Wren) são uma mistura de figuras históricas (no caso dela, por exemplo, de Henry Coxwell e de Sophie Blanchard), com alterações mínimas para respeitar os padrões da época, acrescentando uma pitada de excentricidade. A acção passa-se maioritariamente dentro do próprio balão de ar quente, no entanto, o filme nunca deixa de trazer a dinâmica necessária para que não se torne aborrecido.


9. La Casa de Papel - El Fenomeno: Mesmo já não sendo tão apreciadora da série como antes (as primeiras duas temporadas foram geniais, a partir daí só descambou), não há como negar - "La Casa de Papel" tornou-se numa das séries mais famosas de sempre em pouquíssimo tempo. Conseguiram fazer aquilo que nenhuma série da Netflix conseguiu, muito menos uma estrangeira (que, normalmente, ficam escondidinhas nas "gavetas" do catálogo). Este documentário explica o porquê da série se ter tornado tão famosa, bem como brinda-nos com alguns bastidores das gravações nunca antes vistos. Descobri algumas curiosidades com este documentário que partilhei aqui.


10. The Red Pill: Este foi o documentário que mais me inquietou em 2020, por me ter feito repensar todo o meu percurso como feminista. Fiquei tal igual a Cassie na imagem abaixo, overwhelmed com tudo o que  descobri. Ainda não estou pronta para desistir do feminismo ao contrário daquilo que esta jornalista afirmou no final (ainda há tanto porque que lutar), mas este movimento tem-se afastado tanto do propósito original e ignorado, inclusive, problemas masculinos que arriscaria dizer até que igualmente graves, como os expostos em "The Red Pill". Se se consideram verdadeiras feministas têm que estar abertas a outros pontos de vista, mesmo que entrem em confronto direto com aquilo que acreditaram toda a vida. Recomendo muito que vejam! (também falei deste documentário aqui).




Viram algum dos referidos? Quais foram os vossos filmes favoritos em 2020?

28.12.20

As minhas músicas preferidas de 2020

As minhas músicas preferidas de 2020

(Aviso: este post foi escrito a cantar. Dêem graças a Deus por isto não ser o Youtube e não terem que me ouvir)

Pelo segundo ano (o primeiro foi em 2018), temos um TOP de Músicas. Como já é habitual, mais de 50% de todas estas músicas vêm de bandas sonoras de filmes/séries. É que eu nem estou a brincar, 6 das 10 selecionadas vêm mesmo do mundo do cinema/televisivo (nota-se mesmo que eu sou uma nerd, não se nota?). Tendo em conta que 2020 foi um ano de poucos lançamentos - e a cultura musical, anyway, também não anda grande coisa - foi o que salvou este TOP.


1. Kill This Love - BlackPink: O segundo filme da triologia "To All The Boys I Loved Before" trouxe consigo uma banda sonora espetacular. Entre as músicas, houve uma que fez com que eu me rendesse oficialmente ao género K-Pop, "Kill This Love. Acho esta canção poderosa, assim como este grupo feminino, as BlackBink.


2. No Time to Die - Billie Elish: As músicas da saga de filmes 007 parece ser sempre ter um estilo muito próprio, meio misterioso e, até agora, nunca houve nenhuma que não tivesse adorado.  "No Time to Die" vai agora juntar-se ao meus favoritos "Skyfall", "Die Another Day" e "Know My Name". Se são daqueles que dizem que a Billie não sabe cantar, oiçam o minuto 3.21, só uma boa cantora atinge uma nota assim.


3. Dance Monkey - Tones and I:  2020 foi o ano em que ouvi menos rádio comercial porque, primeiro quarentena, e segundo porque a rádio já não é algo me cativa. Contudo, numa das primeiras vezes que liguei a rádio após a quarentena (naquela que foi uma viagem de carro libertadora), deparei-me com esta canção, cuja melodia se entranhou na minha cabeça. 


4. SPACE- Amber Mark: Amber é daquele tipo de artistas que não se percebe porque não são famosas. I mean, esta música!


5. PrimaDonna - Maria and The Diamonds: Já não me lembro como se deu este achado musical (talvez numa série/filme, como todas as que encontro), mas poderia finalmente ter constado na banda sonora do filme "Maria Antonieta", tem tão vibes da famosa rainha que disse "Eles que comam bolo!". Até a letra parece estar a falar de Maria Antonieta!


6. Hold On - Brooke Annibale: Eu nem sou fã da Bárbara Corby, mas quando ela publicou um vídeo do 1º aniversário de casamento dela, eu fiquei fã foi da música de fundo que ela escolheu, esta. 


7. Play Dirty - Kevin McCallister: Eu adoro tanto bandas sonoras que até as vou buscar a séries que nunca vi, isto realmente é uma proeza! Esta veio de "Peaky Blinders" (uma série que já está na minha watchlist há séculos!) e soa tão à máfia, adoro!


8. Love Will Tear Us Apart - Nerina Pallot: "Love Will Tear Us Apart" tem a letra e melodia perfeitas para a série da qual faz parte da banda sonora, "Normal People". Tão arrebatador como a história de amor de Connell e Marianne.


9. Perdus - Angèle: Esta, para variar, veio de uma daquelas stories super aesthetic do Instagram (acho foi a Carolina Santiago que partilhou, o que faz sentido, visto que tudo o que ela partilha é muito aesthetic). É nesta alturas que eu gostava de dominar bem o francês para cantar "Perdus" (se soubesse falar francês pelo menos podia cantar direito, mesmo que a minha voz não seja boa para esta arte).


10. Pretty Boy - Cavale: E por falar em francês, "Pretty Boy" não é cantado nesta língua, mas bem que podia ser, é bem ao estilo francês. Ou, pelo menos, como todas ficamos a imaginar que é ser uma mulher francesa depois de ver "Emily in Paris": irreverente, sedutora e cheia de estilo. 



Que músicas ouviram em 2020?

27.12.20

As fotos que mais gostei de publicar em 2020

As fotos que mais gostei de publicar em 2020

Chegou a altura de recap anual aqui no blog! Já tinham saudades? Pois, é que em 2019 não houve nada disto, foi o recap da década (acho que dei tanto hype a esta nova década que dei azar a este ano para toda a gente). 2020, well, foi o que foi, dispensa apresentações. Felizmente, eu já tinha decidido que os TOPS de Favoritos, a partir de agora, seriam sempre de 10 itens, caso contrário estava tramada. 

2020, com 2 meses inteirinhos de quarentena no seu início, mais outros dois meses de meia quarentena no final, sem contar com as restrições que estiveram presentes o ano inteiro, não foi nada favorável à publicação de fotos no Instagram.  Contudo, ainda existiram umas belas fotos das quais me orgulho, e as 10 selecionadas são bastante representativas que, mesmo num ano de pandemia, há sempre belos momentos para guardar para recordação. 


1.  Aquelas prendas personalizadas.


2.  Receber flores é aquele gesto romântico intemporal.


3.  Experimentei os famosos every flavour beans. Admirem a minha coragem, eu que sou uma esquisitinha em comida ter que experimentar literalmente todos os sabores imagináveis, bons e maus.


4.  O marco pelo qual esperei 4 anos e meio de curso: o momento em que me inscrevi na Ordem dos Enfermeiros.


5. Uma foto tirada após um mês da (primeira!) quarentena, quando as saudades já apertavam. Esta foto, como se costuma dizer, vale mais do que mil palavras, mas aconselho na mesma a lerem a legenda para mais contexto.


6. Margaridas para uma Margarida aniversariante.


7. Primeiro passeio após quarentena. 


8. O clássico de Cherry: vestidos de flores.


9. Mais vestidos de flores.


10. Uma foto natalícia acidental (das poucas vezes em que ser tremelicas compensa).


Qual foi a vossa foto favorita?

(Fotos: da minha autoria, exceto a da capa do post)

25.11.20

A Internet era o meu escape, mas socorro, agora preciso de escapar dela!


No outro dia, dei por mim a olhar para o cursor a vaguear na barra de pesquisa por 5 minutos, sem pesquisar. Eu estava aborrecida, mas não me apetecia fazer nada de produtivo. Aquilo que me apetecia mesmo era desperdiçar tempo, deixar a mente devanear em algum sítio. Todavia, eu não sabia como o fazer. Eventualmente, abri o Facebook para ler, mais uma vez, a atualização de casos de Covid. Um mundo inteiro no computador, um que costumava entreter-me de mil e uma formas, e ali estava eu a ler as notícias. Era pior do que estar a trabalhar. 

A Internet de antigamente, que atingiu o seu auge em 2015 - the golden age para muitas plataformas, a blogosfera incluída - era um lugar seguro para partilhar desabafos, quer fosse a mostrar a  cara ou escondidos atrás de uma imagem do Tumblr (nos bons tempos em que este ainda existia) . E , sobretudo, era um lugar seguro para  estranhas, loucas e únicas experiências humanas, livres de algoritmos e da pressão das grandes companhias. Naquela altura, ninguém criava um blog, um canal de Youtube ou uma página de Tumblr para ser rico ou famoso - fazíamos isso porque era divertido, uma ótima forma de aliviarmos o stress do nosso dia a dia e de nos conectarmos com pessoas do mundo inteiro com um simples clique - ou alguns vá, ainda usávamos o Windows XP.  Para jovens que, como eu, eram tão tímidos nos seus anos de escola, a net era praticamente um escape. 

2015 foi um grande marco para o conteúdo digital. Pela primeira vez na vida, as marcas começaram a reconhecer o potencial dos internáuticos (acho que naquela altura o termo influencer ainda não estava em voga) para promover os seus produtos. Foi uma grande conquista dar o poder a pessoas ditas normais, de darem a sua opinião sobre os produtos e influenciarem o consumo, não nego, mas não sei se foi a partir de aqui que a coisa descambou para o que é na atualidade. Agora todas as plataformas são trabalho, uma forma de marketing e fazer render uma imagem de marca que tentamos a tudo o custo que se destaque no meio de milhões - em vez de ser uma comunidade de pessoas normais, ordinárias, com os interesses mais variados e aleatórios (e não aqueles que são socialmente aceitáveis).

Há uns anos, eu escrevi neste post que a blogosfera estava a passar por um período difícil. Contudo, nos últimos tempos tenho visto isto replicado em várias plataformas - "O Youtube estará a morrer?", o "Instagram estará a acabar"- e começo a achar que o problema não está só nas plataformas, está na net em geral, que se tornou demasiado uniformizada, monetizada e, por consequência, demasiado regulada. Tudo é controlado por algoritmos que deitam abaixo os criadores de conteúdo mais pequenos, sem qualquer poder de consumo. Tudo é controlado por companhias que censuram a Internet para a tornar supostamente mais familiar, mais clean, e mais politicamente correta. 

Com esta uniformização, existe milhões de conteúdo mais do mesmo. Até as apps são todas iguais: o Instagram, o Twitter e o Messenger pertencem agora todos ao Facebook, e estão a morrer com este último. Agora está também na moda o conteúdo rápido, que não dura mais de um minuto, algo que exponencia a quantidade de estímulos que recebemos de cada vez que ligamos o nosso PC ou browser e, por consequência, o overwhelming de informação. For God´s Sake, agora até guias no Instagram criaram para quem tem preguiça de ler blogs. 

Num esforço de reparar os nossos cérebros quebrados pelo saturação de informação, nós fazemos detoxes digitais. Desligamos os nossos telemóveis por um fim de semana, passeamos ao ar livre, recuperamos hobbies do tempo dos nossos avós como cuidar de plantas ou fazer puzzles e sabe tão bem! Porém, mais cedo ou mais tarde, temos que voltar ao mundo digital, porque a nossa vida já depende literalmente desta - e, inclusive, o nosso trabalho. E tudo continua o inferno que é atualmente. Sim, leram bem, a Internet de hoje é um verdadeiro inferno: nós já não estamos mais a partilhar ideias uns com os outros, estamos a gritá-las. Tanto que estamos a chegar a um ponto em que já ninguém consegue ouvir ninguém. 

Não sei se vocês sentem o mesmo, eu cá sinto-me tão cansada de tanto conteúdo. Passado 5 minutos já me sinto tão esgotada e sobrecarregada de informação que, esmiuçando bem, não me interessa para nada. Isto deixa-me frustrada. Eu quero continuar a consumir conteúdo e sentir-me inteligente. Eu quero usar o meu cérebro para absorver novas ideias, ler artigos, ouvir podcasts, ver vídeos, fotos magníficas... Mas como o posso fazer se todo o conteúdo se parece, bem, sem conteúdo nenhum?

A Internet está a ficar mais pequena, tantos algoritmos e regulações de empresas estão, a pouco e pouco, a matar a loucura e a diversidade que antes habitava em terras virtuais. As poucas pessoas que ainda têm paixão pelo que fazem- muito para além da paixão pelo dinheiro- estão a ter cada mais dificuldade em manter a cabeça à tona da água... É difícil andar continuamente a navegar contra a corrente, a criar algo pela diversão em vez daquilo que é potencialmente viral. A perder todo o feedback, apoio e companheirismo que antes se tinha. A mim este último é o que mais me custa - mais do que os números, eu gosto de ter opiniões concretas sobre aquilo que escrevo. 

Se estavam a perguntar-se porque é que desapareci do meu blog por mais de 2 semanas, bem, é por isto. Alguns podem estar a ler e a querer argumentar que parte da culpa é minha, que se calhar sou eu que não estou a conseguir adaptar-me  à mudança. Talvez seja verdade, talvez me tenha tornado como os idosos, que são incapazes de aprender a trabalhar com as novas tecnologias por mais que tentem; talvez esteja demasiado nostálgica e presa ao passado; talvez esteja a ter uma quarter life crisis aos 23 e esteja a redescobrir a minha identidade criativa. O que quiserem. Aquilo que sei é que a Internet se tornou, para mim, num mundo utilitário ao alcance dos meus dedos. Mas já não é mais divertida. 

Saudades dos tempos em que pensávamos que o Artigo 13 era a verdadeira ameaça... A Internet já tinha começado a sucumbir à censura sem nos apercebermos disso. Como usaremos a Internet como um escape, no futuro, se esta cada vez se parece mais com a "vida real"?

(Nota de final de post:  não, não vou desistir do blog. Esta publicação é apenas um desabafo. Escrever continua a ser uma parte intrínseca de mim e o Life of Cherry a minha casinha virtual.)

(Nota de final de post 2:  A edição de outubro da rubrica "5 coisas" vai sair junta com a de novembro. Com tantos turnos e - lá está - esta desmotivação adiei tanto até ao momento de já não ser aceitável publicar no dia 15. Portanto fazemos assim.)


 (Ilustração: Kate Sutton)

9.10.20

Normal People: a série e o livro correspondem mesmo à hype?

"Normal People" já estava na minha lista de leitura do ano passado, mas ainda não tinha lido uma vez que não sou muito de ler tudo aquilo que é considerado hype em determinado momento. Normalmente, não confio muito quando algo está a ser falado tão incessantemente - as pessoas têm muito a tendência de ser "Maria vai com as outras". Prefiro ler quando já não se fala tanto, para não sair com expetativas furadas, mesmo que isso implique só conhecer histórias maravilhosas 500 anos depois (é o clássico comportamento da Cherry). Porém, desta vez, a partir do momento em que lançaram a série, ninguém se calava com "Normal People", em lado nenhum! Estavam em todo o lado, bloggers, youtubers, até nos podcasts, a falar do mesmo. Eu acabei por não resistir, e ter que ler e ver a série na mesma semana - juro que se a hype não fosse verdadeira eu ia matar alguém pelo tempo investido mas, vá, safaram-se desse destino cruel.

Ao contrário daquilo que é habitual nas minhas reviews, decidi fazer uma publicação com duas partes, a primeira a falar do livro e a segunda da sua respetiva adaptação televisiva, porque ambas conseguiram complementar-se uma à outra de forma belíssima!


O livro


Não escondo já que o livro foi o meu preferido. Eu sei, eu sou suspeita, a minha estima por livros é sempre maior que a minha estima por filmes/séries, mas neste caso tem apenas a ver com a subtileza do mesmo, porque eu nem tenho muito a apontar à adaptação (até é das melhores que já vi!). Numa narrativa lenta e sóbria, a autora dá mais enfoque à formação da intimidade emocional entre duas pessoas. Não há um climax, digamos assim, o enredo acontece nos encontros e desencontros dos protagonistas, conforme vão navegando por várias fases da vida. 

À primeira vista, este pode parecer mais um YA, contudo não é o caso. Em primeiro lugar, por se passar na universidade, mas também por abordar temas considerados pesados, como depressão, ansiedade, violência, famílias disfuncionais, bullying... Aliás, foram estes temas que fizeram com que eu tivesse um pouco mais de empatia pelo Connell e a Marianne porque, não fossem os seus sérios problemas pessoais, eu nunca compreenderia porque é que duas pessoas que obviamente se amam andam sempre ora a namorar, ora a acabar (algo que me irrita tanto que seja tão romantizado!). Confesso que muitas vezes me senti frustrada até, tamanha era a falta de comunicação deste casal fictício. Isto é apenas, claro uma perspetiva baseada em experiências pessoais distintas das personagens, provavelmente, esta é a realidade de muitos relacionamentos de jovens da geração atual (é irónico como, mesmo com tantos meios de comunicação ao seu alcance, não se consigam entender).

Por outro lado, os momentos da trama em que os protagonistas realmente estavam juntos foram tão enternecedores. Ver retratadas as emoções de quando nos apaixonamos no seu estado mais puro, as conversas íntimas, a amizade que cresce lado a lado com o amor (sim, porque quem diz que o nosso parceiro não pode ser também o nosso melhor amigo?), o carinho escondido em cada gesto... Em "Normal People", as relações amorosas são apresentadas no seu estado mais cru, exatamente como acontecem na vida real se deixarmos de complicar tanto e mostrarmos,sem reservas, o nosso verdadeiro eu  à outra pessoa. 


A série




Naturalmente, tendo sido a BBC a fazer a adaptação televisiva (em parceria com a Hulu), a história perde um pouco a subtileza do livro - motivo pelo qual, apesar de também ter adorado, não consigo a considerar  melhor do que o mesmo. É adicionada uma carga de dramatismo, é dado mais enfoque à intimidade física - tem muitas mais cenas de sexo, porém nada de vulgar como eu temia que fizessem, mais ao estilo de Call Me By Your Name. Falando um pouco dessas cenas, logo nas primeiras temos um clara demonstração do consentimento e de como as primeiras relações sexuais podem ser sim estranhas e engraçadas sem, no entanto,  perderem a magia dos filmes e serem caracterizadas por dor ou insegurança. Desta forma, "Normal People" em versão série mantém-se na mesma, fiel ao guião original, que apresenta o sexo como algo que pode ser tão íntimo e extraordinário. Ao invés das representações objetificadas que chegam a ser desconfortáveis de assistir, aqui é mostrado sexo que geralmente não costuma ser representado nos media, ao ser consensual e acompanhado de sentimentos de descoberta e afeto pelo outro. 

A série tem uma aesthetic que a ajuda a aproximar-se da sensibilidade do livro. Noutra fase da história audiovisual, a adaptação de "Normal People" teria sido em filme - passar um livro com apenas 280 páginas para 12 episódios foi uma jogada arriscada que podia ter corrido muito mal - porém, curiosamente, a série conseguiu aguentar-se precisamente por esta bonita cinematografia, entre o ritmo e a comtemplação, mérito de diálogos bem feitos e um elenco bem escolhido.  Claro que esta abordagem  foi conseguida desta forma por Sally Rooney ter trabalho no roteiro, o que faz com que a adaptação tenha sido tão fiel ao original.

A passagem de tempo é, neste formato, mais notável, sendo possível visualizar mais claramente o amadurecimento de Connell e Marianne. Connell luta contra inseguranças que até ali desconhecia, enquanto Marianne parece desabrochar no ambiente universitário, escondendo, ao mesmo tempo, problemas do passado. Assim, além da relação de idas e vindas incessantes, também é explorada todas as mudanças individuais que o começo da vida adulta traz.

O final da série foi ligeiramente diferente da do livro, contudo dentro do mesmo tom - um final aberto em que podemos pensar em vários cenários possíveis, tal como na vida real. Portanto, podem acreditar na hype, é muito justificada.