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17.7.18

3º ano de Enfermagem


Eu já devia ter escrito esta publicação há imenso tempo, logo após o final do semestre, mas estava tão exausta nessa altura que não me apetecia falar sobre a faculdade. E agora estou a sentir-me mal por falar do curso em pleno do julho. EM PLENO JULHO! Isto é sequer legal? Não sei, mas eu não queria ser aquele tipo de pessoa chata que fala sobre a universidade nas férias de verão. Mas vai ter que ser. Prometo que depois desta publicação só voltamos a falar de universidade em setembro. Isto é para o bem dos caloiros (ou dos estudantes de Enfermagem que me estão a ler). 

Todos os semestres debato-me sempre com o dilema se devo ou não continuar a escrever estas publicações, em que falo sobre as cadeiras da universidade e dou o meu feedback. Sinto que são muito aborrecidas para a maior parte dos leitores deste blog (principalmente para aqueles que já estão no mundo do trabalho). Contudo, quando recebo e-mails a pedirem-me informações sobre o meu curso, lembro-me da razão pela qual comecei a escrever sobre a minha experiência e acabo sempre por fazê-lo. Se ajudar uma pessoa a decidir o seu curso ou, no caso de estar em Enfermagem, a saber como estudar, já valeu a pena. Para não ser tão chato e por razões que já expliquei aqui, decidi que, a partir de agora, só sairá uma publicação destas uma vez por ano em vez de ser uma vez por semestre.

Bem, falando deste ano. O 3º ano de Enfermagem, tal como eu suspeitava, foi o meu ano favorito. Foi o ano de especialidades, em que tive oportunidade de estudar e estagiar em especialidades como Obstretícia, Pediatria e Psiquiatria. No geral, eu achei um ano bastante tranquilo. Foi muito trabalhoso (não esperava o contrário com 6 cadeiras), mas fez-se bastante bem. A nível de estágios, a maior parte deles não são assim muito exigentes (o que por um lado é mau, porque depois no 4º ano vai custar mais a retomar o ritmo). Boas notícias para quem gastou muito dinheiro no 2º ano: quase todos os estágios são em Braga. Para ser possível os quase 100 alunos de Enfermagem estagiarem no Hospital de Braga, passamos pelos serviços em alturas diferentes. Por exemplo, enquanto uns estão a estagiar em Psiquiatria outros estão a estagiar em Pediatria.

Aquilo que os meus Doutores me diziam confirma-se: o 2º ano é mesmo o pior ano do curso. Se sobreviverem ao 2º ano, fazem o resto do curso na boa.

Bem, este semestre, tal como já disse, tive 6 cadeiras: Enfermagem de Saúde da Mulher, Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente, Investigação em Enfermagem, Enfermagem de Saúde Comunitária I, Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica I e as opções. Isto pareceu-vos uma lenga-lenga? Não se preocupem, eu explico melhor em baixo. 

(Notas:Tal como reforço sempre que falo sobre o meu curso, a minha experiência pode não ser igual à de outros estudantes de Enfermagem. Esta é a minha experiência relativamente ao curso de Enfermagem da Universidade do Minho. Vou falar dos estágios muito no geral, porque todos os alunos têm uma experiência diferente, e não vou falar de trabalhos escritos, porque estes, muitas vezes, são diferentes consoante o professor.)


Enfermagem de Saúde da Mulher


Enfermagem de Saúde da Mulher foi a minha unidade curricular favorita do ano, tanto a nível teórico como a nível prático. Era algo que eu queria mesmo estudar desde que entrei no curso e correspondeu às minhas expetativas. Foi o meu grande amor. 

Nesta cadeira, foram abordados todos os assuntos relativamente à mulher em todas as suas fases da mulher: ginecologia, gravidez, puerpério, menopausa e climatério. Claro que a minha parte favorita foi a gravidez. Como não adorar a história do início da vida? Muito do que foi abordado nas aulas é interessante não só para nós, futuros enfermeiros, como para nós, mulheres, para sabermos de cuidar de nós próprias e até para os homens, para poderem acompanhar as suas parceiras. Se estudarem, é muito fácil de tirar boas notas nas frequências. 

Esta foi a única cadeira deste ano que teve aulas práticas. Estejam descansados, não existem exames práticos às carradas como aqueles que tivemos o ano passado. São duas aulas, para aprenderem as principais técnicas que vão executar no estágio de Obstetrícia: cuidados de higiene ao Recém-Nascido e Cuidados Perineais à Puérpera.

Relativamente ao estágio, para mim, foi o sonho! Eu tinha medo de estar com as expetativas demasiado elevadas para este ensino clínico e, depois, revelar-se ser muito diferente do que imaginava, mas gostei muito. Aliás, foi muito refrescante poder estar a cuidar dos bebés e dos seus pais, a promover a sua saúde, em vez de estar a lidar com a doença, tal como já estamos habituados nos outros estágios. Um dos receios da maior parte dos alunos (e que foi o meu, também) era não conseguir dar banho aos bebés. Em primeiro lugar, tínhamos que estar a ser observados pelos pais (que, se já fosse o segundo filho, nos iriam estar a observar cuidadosamente para ver se fazíamos tudo bem) e pelo enfermeiro orientador. Socorro! Em segundo lugar, um recém-nascido é um ser tão frágil que temos medo de o magoar, de o apertar com demasiada força ou, pesadelo dos pesadelos, deixá-lo cair.  Porém, asseguro-vos que, quando sabem bem a técnica e fazem-na uma primeira vez, todas as outras vezes são canja. Se gostarem da área, este ensino clínico é o paraíso, se não vos atrair muito, tolera-se bem, são só quatro semanas (aliás, todos os estágios que vou falar aqui têm a curta duração de quatro semanas). 

Enfermagem de Saúde da Criança e do Adolescente


Esta cadeira é muito exigente, é muito duro estudar toda a matéria, mas vale a pena, porque é muito interessante. Aqui aprendemos tudo relativamente à saúde infantil e juvenil. Tudo, tudinho, desde bebés até adolescentes. Também são dadas as patologias mais comuns na infância, a dor na criança (uma parte muito importante, uma vez que as crianças lidam com a dor de forma diferente dos adultos), psicologia e parceria de cuidados em pediatria (algo em que todos os professores insistiram muito e, depois de  estagiarmos em Pediatria, percebemos porquê). 

O ensino clínico em Pediatria foi o mais exigente. Todos os estágios foram bastante tranquilos menos este. Este exigiu muito  mais estudo (têm que estudar todos os dias, medicação, as doenças com que se vão deparando... Os orientadores aqui não facilitam, têm que saber muito bem tudo relativamente aos vossos doentes e a todas as intervenções que fazem), toda a nossa capacidade de pensamento e raciocínio crítico e muitas capacidades comunicacionais. Foi o meu último estágio do ano, mas gostava que tivesse sido o meu primeiro, porque sinto que teria tido energia para aprender muito mais. Ainda assim, foi muito enriquecedor. Puxaram imenso por mim e fizeram-me adquirir competências que eu, por mim própria, não saberia explorar. 


Investigação em Enfermagem


Meus amigos, muito cuidado com esta cadeira. Este é o cadeirão do 3º ano. Realcem bem isto na vossa cabeça. 

Tal como o próprio nome indica, Investigação em Enfermagem aborda todo o processo para fazermos um estudo em Enfermagem. Que tipos de estudos existem, como os fazer, como podem ser validados, quais os tipos de variações que existem, quais os tipos de hipóteses que existem... 

A  primeira parte da cadeira são, essencialmente, aulas teóricas, com um ou dois trabalhos de grupo pelo meio. Já na segunda parte de Investigação, vão ter uma componente mais prática, em que vai ser abordada Bioestatística . Para este módulo, vão precisar de levar o computador para a faculdade todos os dias, e vão ter que instalar um programa chamado de SPSS (que não precisam de se preocupar em instalar, porque vai ser instalado por um Engenheiro da Universidade do Minho aquando destas aulas, numa marcação feita conforme a vossa disponibilidade). 

Não pensem que esta vai ser daquelas cadeiras em que podem faltar a metade das aulas e, ainda assim, passar. Têm que ir às aulas todas e estar com o máximo de atenção para conseguir acompanhar senão, esqueçam, depressa perdem-se.  Confesso, eu fui a todas as aulas e, ao início, não consegui acompanhar a matéria. A professora expunha os exercícios que tínhamos que fazer, e eu parecia que estava a ler chinês. Eu simplesmente não conseguia chegar lá. Eventualmente, tive que vencer a minha timidez e levantar o dedo (eu nunca levanto o dedo para nada, dá para ver o desespero?) e dizer à professora um muito honesto  "Não estou a perceber nada, pode-me explicar outra vez?". Após esta explicação (que, devo dizer, foi milagrosa), passei de uma naba que odiava a cadeira a dominar aquilo e até a divertir-me ao estudar a matéria. 

Guardem muito bem os conhecimentos que adquirem nesta unidade curricular  porque vão precisar deles para Investigação do 4º ano, em que vão ter mesmo que fazer estudo (scary, I know,mas não pensemos nisso já).

Enfermagem de Saúde Comunitária I


Saúde Comunitária é muito mais interessante na prática do que na teórica. Mas a matéria tem que ser dada, e é um esforço que temos que fazer para poder estagiar na área. 

O primeiro módulo diz respeito, essencialmente, à reorganização dos cuidados de saúde primários (uma matéria muito chatinha de estudar), à família como foco dos cuidados de saúde primários, à saúde escolar e ao Plano Nacional de Vacinação. O Plano Nacional de Vacinação é, sem dúvida, a matéria mais importante deste módulo. É fundamental que o dominem muito bem o PNV, porque vão precisar dele não só para o Centro de Saúde, como para Obstetrícia e Pediatria. 

O segundo módulo é um pouco mais cultura geral. É sobre a abordagem epidemiológica dos centros de saúde e os vários programas que são desenvolvidos pelo SNS e Se estiveram atentos no estágio de 1º ano de Centro de Saúde, já estarão familiarizados com muitos dos assuntos que serão abordados aqui.

O ensino clínico é, naturalmente, num centro de saúde, uma experiência que, apesar do estágio do 1º ano, é diferente, porque desta vez vão poder participar mais ativamente, não estarão a trabalhar numa componente de observação participada (com sorte, poderão até dar algumas consultas, com a supervisão do vosso enfermeiro orientador, claro). A maior parte dos alunos prefere estagiar em hospitais, "ah e tal, só se dá consultas, que seca!" mas, na minha opinião, eu acho que os centros de saúde são uma grande oportunidade de aprendizagem. É a única área onde podemos acompanhar a pessoa em todo o ciclo de vida, desde nascer até morrer. Não vemos isto em mais área nenhuma, nos hospitais está sempre tudo dividido em serviços específicos (Cardiologia, Pediatria...). Além disso, temos oportunidade de executar muitas técnicas (nomeadamente a técnica de pensos. Em centro de saúde, fazem-se imensos pensos) e de realizar visitas domiciliárias (que é bastante interessante, porque dá para perceber todo o contexto socioeconómico e emocional de uma pessoa). Uma particularidade deste estágio é que têm que estudar um pouco de tudo. Não podem recorrer apenas à gavetinha "saúde da criança" ou à gavetinha "pensos", têm que ter todas as vossas gavetas da cabeça prontas para qualquer tipo de pessoa que vos apareça. É dada mais importância à saúde da mulher e da criança e ao PNV, mas acabam por ter que saber um pouco de tudo.


Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica


Psiquiatria foi, a seguir a Enfermagem da Saúde da Mulher, a minha unidade curricular favorita. Não se deixem enganar pelo nome da cadeira, esta é muito centrada em patologias e não tanto na promoção da saúde mental. Estudar as patologias psiquiátricas todas foi fascinante e intrigante, assim de uma forma sombria. Existe uma quantidade absurda de doenças que podem afetar uma pessoa de maneiras que nem imaginamos e, muitas das quais, podem passar despercebidas aos olhos mais inexperientes. A saúde mental foi sempre algo que considerei aliciante e, portanto, nem cheguei a sentir o cansaço nas horas que dediquei a estudar para as frequências. 

No que diz respeito ao ensino clínico, este é um estágio que ou adoram ou odeiam. Claro que isso também vai depender do sítio onde calham. Nos serviços de Psiquiatria são permitidas menos estagiários por serviço, pelo que existiram alunos que não estagiaram no Hospital de Braga, e calharam em outros sítios que ora tinham doentes com casos de doença mais agudos ou mais crónicos (e lidar com doentes com doenças psiquiátricas agudas é muito diferente do que lidar com aqueles que têm doenças crónicas). Este estágio vai parecer muito parado, vai parecer que não se faz nada. Não existem técnicas, a medicação é praticamente toda oral e nem existem as rotinas habituais como os cuidados de higiene porque, à partida, todos os doentes lá internados conseguem tomar banho sozinhos. Podem ter a sensação que de são inúteis, que não estão a fazer lá nada . Contudo, isso não é bem assim, não se vocês não quiserem. Como nos disse um doss  orientadores no início do estágio, são vocês que decidem o que vão fazer deste estágio. Psiquiatria pode não ser técnicas, mas é muita interação com os doentes, muita capacidade de comunicação e, muita, muita, observação. Nem tudo o que parece é. Podem achar que um doente está melhor ou que o diagnóstico que está no seu processo não se adequa a ele, mas têm que saber ler nas entrelinhas, pensar que o doente não vos transmite tudo ou que vos pode "enganar" (muitas são as pessoas que tentam esconder a sua doença) e têm que estar atentos a todos os sinais e sintomas. Se bem aproveitado, pode ser muito interessante. Eu adorei estagiar neste serviço, desenvolveu imenso as minhas capacidades de comunicação e de observação.

Cadeiras de opção


A partir do 3º ano, o plano de estudos de Enfermagem traz-nos uma novidades: as cadeiras de opção. As cadeiras de opção do 3º ano são apenas duas: Crianças e Adolescentes com Necessidades Especiais e Oncologia e Cuidados Paliativos.

Na primeira opção, vão estagiar na área de Oncologia, tanto em serviços de Oncologia dos hospitais como hospitais de dia. É, basicamente, um ensino clínico normal como àqueles que já são habituais no nosso curso. Têm doentes atribuídos, são responsáveis por todas as intervenções que fazem aos mesmos e toda a medicação que lhes administram e têm que elaborar planos de cuidados. A desvantagem desta opção são os locais de estágio: são poucos os alunos que ficam em Braga, a maior parte vai para cidades como o Porto e Lisboa, o que pode exige custos extra em transportes e alojamento. 

Na segunda opção, vão lidar com crianças e adolescentes com necessidades especiais e estarão a estagiar em escolas. Este ensino clínico é mais em regime de observação participada, uma vez que são os educadores e professores que estão responsáveis por cuidar destas crianças e jovens. Contudo, podem participar em tudo aquilo que vos for permitido, interagir com as crianças e adolescentes e desenvolver atividades com eles se tal se proporcionar e for permitido.

Eu escolhi a segunda opção sem hesitar. No segundo ano já estagiei em Oncologia e não gostei muito, mas mesmo que tivesse gostado já tinha tido a possibilidade de conhecer o serviço. Por outro lado, trabalhar com crianças e adolescentes com necessidades especiais é algo que nunca tive oportunidade de fazer e era, provavelmente, a minha única oportunidade para o fazer. Não teria mais nenhum estágio nesta área até ao final do curso, e tenho a certeza que me iria arrepender bastante se não escolhesse esta opção. Portanto, escolhi esta opção e foi a mais acertada para mim, sem dúvida alguma, foi uma experiência muito enriquecedora.


Ética


Não, isto não é uma cadeira, é uma particularidade que todas as cadeiras tiveram e que eu achei importante realçar. No início ou no fim de cada unidade curricular, existiu sempre um módulo dedicado a Ética. Há quem ache este ramo de filosofia aborrecido, mas eu achei que foi muito relevante tendo em conta que Enfermagem é uma ciência humana. Todas as aulas foram muito curtas mas penso que nos deram as ferramentas fundamentais para nos tornarmos profissionais de saúde mais conscientes e responsáveis na nossa tomada de decisão. 


E, pronto, aqui ficou mais uma retrospetiva do meu semestre. Por curiosidade quem é que daqui está a pensar em ir para Enfermagem ou está em Enfermagem (não necessariamente na minha universidade)? Acusem-se nos comentários. 

14.7.18

Troca de papéis: Quando o pai fica em casa e a mãe vai trabalhar

Troca de papéis: Quando o pai fica em casa e a mãe vai trabalhar

(Atenção: Esta publicação contém spoilers. Se não viram o filme "Os Incríveis 2,  não leiam esta publicação.)

Antes de mais, deixem-me falar do quão feliz eu estou por ver a sequela do  filme "Os Incríveis ,  14 anos depois. Awwww! Quando fui, finalmente, vê-lo ao cinema, senti-me a criança mais feliz do mundo. A minha infância está finalmente completa! Foi tão bom como o original.

Acho que estou a falar por todos os fãs quando digo que o enredo do segundo filme nos apanhou desprevenidos, mas pela positiva. Na tão aguardada sequela deparamo-nos com o clássico drama do balanço entre a vida familiar e o trabalho, drama esse a que, pelos vistos, nem os super-heróis escapam. Mas quando oferecem uma oportunidade à Mulher Elástica de lutar pela legalização dos heróis, o Bob vê-se confrontado com uma tarefa que exigirá igualmente muito de si: ficar em casa a tomar conta dos seus filhos. Ao início, ele fica tão chocado que até diz "Porque é que não me escolheram antes a mim?". Ficou tão revoltado que só faltava mesmo dizer "O meu nome é praticamente o título do filme!"

"Os Incríveis 2" captaram de forma bastante realística a grande aventura que pode ser a parentalidade.  Porque é mesmo uma grande aventura. O Sr. Incrível pode não ter andado a lutar contra vilões e a usar a sua força desta vez, mas viu-se numa missão igualmente heróica. A Edna até chega a dizê-lo, num momento do filme: "Se bem feito, ter filhos é um ato heróico". À medida que a história foi progredindo, ele revela-se ser um grande pai, que consegue cumprir o papel que, tradicionalmente, é desempenhado por uma mãe. Foi bastante refrescante ver que não pegaram no típico estereótipo do pai que é um desastre até a mãe voltar, e que retrataram a verdadeira jornada de um pai.

Apesar de a inversão dos papéis se estar a tornar cada vez mais aceite, não se fala muito sobre os pais que optam por ficar em casa para tomar conta dos seus filhos.Não conheço nenhum homem assim. Poderia dizer que é por não existir nenhum em Portugal, todos sabemos que isso não é verdade. Muito provavelmente, ainda por aí escondidos, a desempenhar as suas tarefas discretamente, e andarão por aí muitos tantos outros que estariam desejosos por desempenhar esse papel (e, quem sabe, até se sentiriam mais felizes do que num emprego que, para eles, é aborrecido), mas não o fazem por medo de críticas. 

Em pleno século XXI, ainda estamos tão habituados aos papéis tradicionais na família (mãe que fica em casa com os filhos, o pai que trabalha e chega tarde a casa...), que ainda torcemos o nariz se algum homem nos diz que prefere ficar em casa a cuidar dos filhos. Portanto, acho incrível que tenham feito um filme assim, sobretudo um filme de super-heróis dirigido a crianças (ou a adultos, eu nem sei, eu só vi adultos na sala de cinema). Os media podem afetar significativamente a forma como pensamos, e colocar um homem a cuidar dos filhos em casa num filme de animação pode mudar significativamente a forma como as gerações mais jovens vêem as dinâmicas familiares. 

Sabem é o que é mais incrível do que salvar o mundo? Educar crianças.  Muito amor para todos os pais e mães que aceitaram esta missão.

( Reflexão inserida no projeto " Movie 36", criado pela Lyne do blog "Imperium", em parceria com a Sofia do blog " A Sofia World" .  Participantes: Inês Vivas, " Vivus" ;  Vanessa Moreira, " Make It Flower";  Joana Almeida, " Twice Joaninha" ; Joana Sousa, " Jiji"  ; Alice Ramires, " Senta-te e Respira" ; Sónia Pinto, "By The Library" ;  Francisca Gonçalves, " Francisca"  ;  Inês Pinto, " Wallflower" ;  Carina Tomaz, " Discolored Winter";  Sofia Ferreira, " Por onde anda a Sofia?";  Sandra, " Brownie Abroad";  Abby, " Simplicity"; Sofia, " Ensaio sobre o Desassossego" )

12.7.18

10 lições de vida que aprendi com os videojogos

10 lições de vida que aprendi com os videojogos

Já estou a imaginar alguns leitores a perguntarem-se como é que algo tão trivial como os videojogos nos pode ensinar algo de útil. Com o domínio que os videojogos têm na vida das crianças e dos adolescentes, muitos são os céticos que afirmam que estes jogos só servem para "destruir neurónios" , para torná-os violentos ou para " insert here outra barbaridade qualquer". Como em tudo na vida, é preciso existir moderação e uma vigilância atenta por parte dos pais e dos educadores. Se existirem estas condições, os videojogos podem ser muito benéficos.

Durante toda a minha infância e adolescência, eu joguei todo o tipo de videojogos (em grande parte, por influência dos meus primos, que partilhavam comigo muitos jogos), e sinto que aprendi algumas coisas que acabaram por se revelar bastante úteis na minha vida.


1. Não sejas demasiado orgulhoso(a) para não jogar o tutorial: Quantas vezes avançámos o tutorial de um jogo, para depois estarmos a carregar nos botões à sorte e termos que voltar para trás para aprender? Era bom se só fizéssemos isto nos jogos mas, infelizmente, também fazemos isto na vida real. Sim, é intimidante admitirmos que não sabemos fazer algo e corrermos o risco de parecer  burros ou pouco profissionais mas, caso nos arrisquemos a tentar fazer as coisas sozinhos, o dano pode ser maior e podemos cometer erros mais graves. Portanto, pede ajuda, faz questões e não hesites em aceitar orientação. Assim, podes jogar o jogo como deve ser.

2. Se encontras obstáculos significa que estás no bom caminho: Quer estejas a jogar um jogo de arcada, em 3D ou multiplayer, quantos mais obstáculos e inimigos encontrares, mais próximo(a) estás no bom caminho. Isto também é verdadeiro na vida, e em mais maneiras do que as que imaginamos.

3. Explora o mapa: Isto pode ser interpretado literalmente, tanto nos videojogos como na vida real. Nos jogos, andar às voltas a explorar sítios random pode levar-nos a atingir resultados interessantes. Na vida real, temos um mundo demasiado bonito para ficarmos para sempre no mesmo lugar. Não te preocupes tanto com o destino final, e explora tudo o que está à tua volta. Gasta algum tempo a explorar, a conhecer sítios e culturas diferentes, e a ver aquilo que nunca viste. Talvez encontres algo interessante ou descubras algo novo sobre ti mesmo(a). Ou talvez não. De qualquer das formas, vale sempre a pena.

4. Aproveita o botão de pausa: Na vida real, nós não temos um botão de pausa como temos nas nossas consolas, que pare magicamente o tempo. Portanto, temos que ser nós a decidir quando é altura de parar um pouco. Nunca te esqueças de tirar momentos para descansares e relaxares. Se tu continuas a tentar fazer tudo sem nunca tirares um tempinho para parares um pouco, vais andar sempre exausto(a) e não vais conseguir apreciar a beleza que existe ao teu redor. E alguém perdeu imenso tempo a trabalhar nos gráficos para que estes ficassem perfeitos.

5. Hábitos (tarefas diárias): Muitos são os jogos que têm aquelas tarefas diárias, em que se cumprires determinadas ações ganhas recompensas como moedas. Na realidade, nem sempre ganhamos moedas por cumprirmos as nossas tarefas diárias, mas ganhamos muitas outras coisas. Eu gosto de pensar nas tarefas diárias dos jogos como um paralelismo dos hábitos que devemos criar no nosso quotidiano. O prazer instantâneo pode parecer gratificante mas vale a pena sacrificá-lo para construir rotinas e hábitos que irão melhorar a nossa vida.

6. Por vezes, os grandes amigos vêem dos sítios mais estranhos: Todos nós temos, pelo menos, um amigo que conhecemos num sítio estranho ou numa circunstância invulgar. Isso acontece imenso, tanto na vida real quer nos videojogos. Portanto, quer tenhas conhecido esse amigo num bar após lhe teres entornado uma bebida em cima ou o tenhas salvo de um grande monstro, aprecia-o e estima-o bem, porque são as melhores amizades.

7. Tens mais do que uma vida: Ok, talvez não tenhas 3 vidas como tens nos jogos, mas certamente tens mais que uma oportunidade em muitos aspetos da tua vida. Raramente algo é um Game Over, podes sempre dar a volta por cima.

8. Precisas de abordar um problema de vários ângulos: Chegas sempre a um ponto do jogo em que empancas e não sabes o que fazer. Nessas alturas, é fácil ficar irritado(a) e dá vontade de desistir de tudo. Porém, os jogadores experientes aprendem a controlar a sua raiva e a abordar os problemas de várias formas até descobrirem a solução. No nosso mundo, é a mesma coisa. Se algo não está a resultar, temos que parar para pensar em outras alternativas para lidar melhor com o problema.

9. Às vezes, os maiores problemas têm as soluções mais fáceis: Todos os gamers já tiveram, certamente, o seu momento WTF quando se depararam com um desafio que se revelou ser muito mais fácil do que aquilo que parecia.  Situações estranhas que nunca enfrentaste podem ser assustadoras no início. Mas quando finalmente as ultrapassas, até te ris do quão fáceis eram afinal.

10. Multiplayer torna as coisas mais divertidas: Jogar sozinho(a) é divertido, mas é praticamente impossível fazermos todas as missões sozinhos. Tudo se torna muito mais divertido quando tens pessoas ao teu lado para te apoiarem, te ajudarem e para partilhar momentos.


E vocês? Que lições é que aprenderam com os videojogos?

10.7.18

Os momentos mais chocantes da 2º temporada de "The Handmaid´s Tale"

 Os momentos mais chocantes da 2º temporada de " The Handmaid´s Tale"

(Atenção: Este post contém muitos spoilers. Se não viram a primeira ou a segunda temporada de " The Handmaid´s Tale", não leiam este post).

Após uma primeira temporada chocante, a segunda temporada de "The Handmaid´s Tale" conseguiu ser ainda mais dramática. Parece que não há esperança nesta série! Começo a achar que esta série não foi feita para ter um final feliz, mas para chocar as pessoas e para chamá-las à atenção para coisas que não acontecem só na TV, que também podem estar a acontecer na realidade. E a quantidade de cenas chocantes nesta temporada foi ainda maior do que na anterior. Estou mesmo curiosa para ver o final da temporada, esta quarta-feira. Pelo que vi na promo, vai ser estrondoso!

Esta publicação está muito longa, perdoem-me por isso, mas acreditem que, ainda assim, não estão aqui todos os momentos chocantes (todos os espectadores da série sabem que foram imensos!), eu já fui muito seletiva. Bem, sem mais demoras, vamos então aos momentos mais chocantes da 2º temporada de "The Handmaid´s Tale", na minha opinião.


1. A cena do enforcamento em massa (episódio 1): Esta cena não foi propriamente uma surpresa, porque eu vi-a logo no trailer e foi a cena de abertura da 2º temporada. Além disso, eu nunca acreditei que iriam matar aquelas servas todas (é tão estranho dizer servas, "handmaids" soa muito melhor,), quer dizer estavam mesmo à espera que eu acreditasse que iriam matar um monte de mulheres férteis numa realidade em que as taxas de infertilidade são elevadíssimas?! Eu soube logo que iria ser um falso enforcamento ou que aconteceria alguma coisa estranha para impedir aquilo (ainda assim, assustei-me no último segundo, em que o homem diz " By his hand" e puxam a alavanca) Porém, não deixou de ser uma cena bastante chocante. A música que acompanhou a cena, o olhar de terror de muitas das personagens, o facto de até algumas se terem urinado (a reação fisiológica que muitos de nós teríamos numa situação destas) fez com que tudo fosse bastante real e assustador. O discurso da Aunt Lydia no final também foi muito poderoso. Eu acho que esta cena só mostra que, no fundo, são as servas que têm o poder ao final do dia. Isto foi uma tentativa desesperada de as assustar mas, na verdade, só fez com que a rebelião que estava prestes a começar se iniciasse finalmente.




2. Quando a Aunt Lydia queima a mão da Alma (episódio 1) : No segundo eu que eu percebi aquilo que iam fazer à Alma, eu tive que pôr o episódio em pausa e ir dar uma volta para me preparar mentalmente para aquilo. Esta foi uma das cenas mais gráficas da temporada. Mas pior do que ver foi ouvir os gritos dela. Esta forma de punição conseguiu ser ainda pior do que a de cima, porque usaram o amor que as servas tinham uma pelas outras para as controlar (acho que, ao ver a Alma a sofrer, todas pensaram duas vezes antes de voltar a fazer algo ilegal).


3. June tira a marca de serva da orelha dela (episódio 1):  Outra cena bastante gráfica (esta temporada conseguiu ultrapassar a primeira neste sentido). Ela estava tão desesperada para ser livre e para se livrar de tudo aquilo que a fazia recordar de Gilead que até cortou a marca da serva da própria orelha, não se importando com a dor ou com o sangue (é um mistério como é que ela não desmaiou depois de perder aquele sangue todo, na vida real isso teria acontecido de certeza). O ponto alto da cena foi quando ela disse, no final, " My name is June Osborn (...) I am free".


4. As Colónias (episódio 2): Já tínhamos ouvido falar das Colónias na primeira temporada da série, mas só agora é que nos é dado a conhecer o lugar aonde vão parar todas as mulheres que não são desejadas pelo regime (lésbicas/feministas/que quebraram as leis).  As imagens são sempre mais chocantes do que as palavras, portanto esta cena foi também muito pesada. 


5. A Emily é separada da sua mulher e do seu filho por causa de uma lei (episódio 2): No episódio 2, Emily tem um flashback do passado, em que ela e a sua família tentam escapar, contudo, quando mostram o certificado de matrimónio, o seu casamento é considerado ilegal. Nesta mesma cena, a Emily é interrogada sobre a forma como concebeu o seu filho (e não é preciso pensar muito para adivinhar porquê). Foi muito heartbreaking ver a Emily a ficar para trás, enquanto que a sua mulher e o seu filho foram para um sítio seguro, para o Canadá.


6. A June é apanhada (episódio 3): Eu, ao início, fiquei desconfiada. Como assim vão pô-la a escapar no início da temporada? Mas depois a forma como a cena foi feita convenceu-me. O facto de ela falar sobre a mãe, de dizer que finalmente a compreende, de esperar que a Hannah também a perdoe por a abandonar e, sobretudo, as lágrimas de alívio que caíram do rosto quando o avião levantou voo fizeram-me mesmo acreditar que ela iria escapar. Claro que, "The Handmaid´s Tale" sendo "The Handmaid´s Tale"  deu-nos falsas esperanças para depois furá-las e fazer algo pior.


7. Nick casou-se (episódio 5): O Nick casa-se numa cerimónia conjunta, em que outros guardiões também se casam com raparigas, como forma de honra os serviços que prestaram a Gilead. Não sei o que mais me doeu nesta cena, o Nick a casar com a sonsa da Eden ou a June ser obrigada a assistir a isto tudo.


8. Num flashback, a Serena leva um tiro (episódio 6): No fim de uma palestra que a Serena foi fazer a uma universidade para falar sobre os valores que, mais tarde, seriam os alicerces de Gilead, a Serena é alvo de protestos e leva um tiro. Embora isso não esteja explícito nesta cena, muito provavelmente o tiro na barriga á a razão pela qual Serena é infértil.


9. Ofglen explode um edifício cheio de Comandantes (episódio 6): Esta foi a minha cena favorita da série. Que cena bombástica (literalmente!). A Offred (estou a falar da segunda, não da Emily) foi uma personagem que sofreu uma mudança drástica ao longo das duas temporadas da série. Parecia ser uma pessoa contente com o regime e revelou-se ser uma grande revolucionária. Numa cerimónia de abertura de um novo Red Center, a Ofglen entra no edifício, olha por uns momentos para as outras servas com a granada na mão (como quem diz "fujam!") e, depois rebenta com aquilo tudo. A ironia desta cena é que Gilead fez algo semelhante para derrubar o governo dos Estados Unidos.


10. Serena desrespeita a lei para uma médica poder examinar  a bebé Angela (episódio 8): Esta cena causou-me sentimentos contraditórios. Se, por um lado, mostra o lado mais humano da Serena, por outro lado mostra que ela só cumpre as leis do regime para o que lhe dá jeito. Anyway, ver a médica a vestir a bata pela primeira vez em muito tempo, e ser elogiada pelo o outro médico, que dizia que ela foi a melhor na sua área, foi mesmo muito comovente.


11. Serena vê a liberdade que perdeu (episódio 9): Numa visita ao Canadá, Serena testemunha a liberdade em todas as suas formas. Vê pessoas com telemóveis, casais a beijarem-se na rua, mulheres a ler,... Uma das coisas mais marcantes da sua visita ao Canadá foi quando lhe entregaram um horário com imagens, pois as mulheres em Gilead não podem ler. Foi muito interessante ver a Serena a confrontar-se com toda esta liberdade e vacilar. 


12. Nick encontra o Luck num bar (episódio 9):  Na noite da visita ao Canadá, o Nick vai a um bar e encontra Luke. Este foi um momento muito aguardado na série, o momento em que finalmente o Nick e o Luke se iriam encontrar. O Nick conta tudo ao Luke (bem, quase tudo, omitiu o facto de que se envolveu com a sua mulher). Também lhe entrega as cartas que, mais tarde, o Luke a Moira publicam na Internet, fazendo com que estas se tornem virais. É um momento muito importante na série, pois é o momento em que as pessoas no Canadá realmente "acordam" para aquilo que está a acontecer em Gilead.


13. Fred arranja forma de June ver a sua filha por 10 minutos (episódio 10): O encontro acontece numa casa abandonada, e Hannah aparece acompanhada por uma Martha. Acho que fizeram um excelente trabalho na realização desta cena, pois tornaram-na bastante real. A Hannah não correu imediatamente para a sua mãe como normalmente retratam noutros filmes e séries, olhou-a de modo desconfiado e perguntou-lhe porque é que não tentou protegê-la mais. Foi outro dos acontecimentos que eu já aguardava há séculos!


14. June dá à luz, completamente sozinha (episódio 11): O episódio 11 girou à volta de uma nova tentativa de fuga da June. Ela andou ali às voltas pela casa abandonada, primeiro à procura da chave de um carro, depois a tentar abrir a porta da garagem, depois a preparar mantimentos para fugir, a esconder-se do Comandante que foi à procura dela... Enquanto isto tudo acontecia, eu só pensava "Ela está sozinha e está no final da gravidez.... E se, de repente, entra em trabalho de parto?" Não é que entra mesmo? Não estava à espera que ela fosse dar à luz sozinha. Há quem tenha dito que o episódio foi um engodo, uma nova forma de nos retirar esperança, mas eu achei um episódio poderoso. Ela foi obrigada a abdicar novamente da sua liberdade mas, desta vez, a a sua filha nascer. Foi ainda mais bonito quando ela lhe deu o nome da sua mãe, Holly.


15. Eden e o guardião por quem ela se apaixonou são condenados à morte (episódio 12): No trailer desta temporada havia uma parte em que dois corpos eram atirados para o fundo de uma piscina e, ao início, eu temia que fosse o Nick. Quando o Nick foi capturado no episódio 10 eu pensei "Bolas, é aqui que ele vai morrer", mas depois ele escapou, e eu comecei a suspeitar que quem ia morrer era a Eden. Tal como já disse acima, eu sempre a Eden uma sonsa, com uma grande lavagem cerebral feita por Gilead, e não me importava nada que se livrassem dela. Mas quando ela começou a mostrar-se mais humana e se apaixonou por um guardião, eu comecei a gostar dela. Porém, já sabia que ela  ia lixar-se por isso. Os dois são apanhados e a sentença deles ocorre num lugar que antes era uma piscina municipal. Achei esta cena, apesar de dolorosa, bastante bela. A Eden podia ter "renunciado os seus pecados" para se safar, mas escolheu manter-se fiel aos seus valores, e até citou uma famosa passagem da Bíblia "O amor é paciente, o amor é bondoso...". Depois desta cena, a Eden ganhou o meu respeito. 



E vocês? Qual foi o momento mais chocante da 2º temporada da série, na vossa opinião?

7.7.18

5 coisas que adoro no blog "Shiuuuu"

 5 coisas que adoro no blog "Shiuuuu"

Todos nós temos segredos. Uns têm mais, outros mantêm menos, uns possuem segredos mais "pesados",  e outros considerados mais inofensivos. Mas todos temos. Não se deixem enganar pelas pessoas que dizem "sou um livro aberto", porque estão claramente a mentir. Esconder coisas dos outros faz parte da natureza humana. Temos segredos porque temos medo do julgamento das outras pessoas, porque a verdade dificultaria-nos a vida ou porque, simplesmente, temos direito a ter privacidade.

Sabem o que é também faz parte da natureza humana? Tentar descobrir o segredo dos outros. Mesmo que anónimos (pois, ao menos, sabemos que os segredos existem). É esse o conceito do blog que venho hoje partilhar com vocês. O "Shiuuuu" é um cantinho virtual que consiste na partilha de segredos de forma anónima. É fascinante e assustador ao mesmo tempo. Este blog é o meu guilty pleasure (embora não o devesse ser, afinal os segredos são partilhadas lá de livre e espontânea vontade, não me estou a intrometer) e estas são 5 coisas que adoro nele.


1. São publicados segredos interessantes:  Há segredos com os quais eu facilmente conviveria, enquanto que outros são um bocado revoltantes.  Sim, é verdade que muitos dos segredos que são lá partilhados têm a ver com sexo ou relacionamentos, mas também existem muitos outros bem mais interessantes. Alguns dos segredos mais interessantes que já li foi "Se não acreditar na vida após a morte, não sei se vou suportar viver após a morte do meu filho", " Tiro fotos de todo o meu quotidiano para mostrar ao meu pai que está internado no hospital" e " As pessoas têm pena por eu ter ficado com o filho da minha irmã após a morte dela, mas este menino deu-me vida". Existem tantos segredos interessantes que eu, qualquer dia, hei-de fazer uma publicação com os meus favoritos.

2. As fotografias complementam sempre bem os segredos: E digo-vos que encontrar imagens para certos segredos não deve ser nada fácil. Mas a equipa do blog fá-lo sempre bem, nunca escolhe imagens demasiado clichés nem demasiado random

3. Mostra que não existem pessoas 100% boas nem 100% maus: Ninguém totalmente boa pessoa nem totalmente má. Assim como não se nasce bom ou mau. Nada na vida é preto ou branco. Temos todos uma mistura do bom e do mau, de bondade e de crueldade e de generosidade e de egoísmo. Nem sempre é proporcional, mas todos temos essa mistura dentro de nós. Para quem ainda tem dúvidas, este cantinho virtual é a prova disso. 

4. Mostra a complexidade da natureza humana:  Somos o animal mais racional deste planeta, contudo conseguimos ser irracionais em muitos aspetos e cheios de contradições. Tanto nos guiamos totalmente pela razão como somos impulsivos, queremos ter o controlo de algumas coisas e perder o controlo noutras, somos tão apegados a algumas coisas e totalmente "desligados" noutras.... Num mundo virtual que nos pretende retratar como perfeitos é estranhamente reconfortante encontrar um sítio onde o verdadeiro caráter humano é exposto.

5. O mistério: Aquilo que eu mais adoro no "Shiuuuu" é o mistério, o facto de nunca virmos a saber a quem pertence o mistério. Pode pertencer a um desconhecido qualquer, mas quem sabe se não pertence a alguém que está mesmo ao nosso lado?


E vocês? Seguem este blog? O que mais gostam nele?

5.7.18

Como o meu blog mudou os meus hábitos de leitura

 Como o meu blog mudou os meus hábitos de leitura

Os meus hábitos de leitura sofreram mudanças interessantes ao longo dos meus anos blogosféricos. Apesar de o meu blog não ser exlusivamente um book blog, ser um pouco de tudo, acabei por, ao longo do tempo, escrever imenso sobre livros porque não tenho muitos amigos offline que sejam leitores ávidos, por isso senti necessidade de partilhar este interesse com outros pessoas.

Quando estamos inseridos numa comunidade que partilha os mesmos interesses que nós, é natural que a nossa dedicação a esses interesses aumente. Contudo, eu só me apercebi do quanto surpreendentes são as mudanças nos meus hábitos de leitura quando acabei de escrever esta publicação.


1. Eu leio (ainda) mais livros: Eu sempre li imenso, mas eu comecei a ler muitos mais livros desde que criei o meu blog. Embora ter um blog e ler outros blogs nos "roube" muito tempo, é bastante difícil não ler mais quando muitos dos blogs que seguimos fazem reviews de livros (especialmente se são bloggers em que confiamos imenso e que fazem reviews incríveis!). Desde que estou na blogosfera que me sinto mais entusiasmada para ler cada vez mais. 

2. Eu leio mais livros novos do que o que costumava ler: Não me perguntem porquê mas, quando era mais nova, eu tinha a panca de ler apenas livros que já tinham sido lançados há mais de dois anos. Gostava sempre de deixar passar toda a euforia à volta do livro para poder formar a minha própria opinião. Mas na blogosfera a euforia pelos livros recém-lançados é ainda maior, pelo que é difícil resistir e eu acabo por ceder à tentação de ler as histórias de que toda a gente fala. 

3. A minha lista de livros por ler é muito maior: Antes de ter um blog, a minha lista de livros era composta, basicamente, por títulos que via em livrarias e que me soavam bem. Isto resultava em uma lista relativamente pequena, em que eu facilmente conseguia ler tudo antes de procurar novas leituras. Atualmente, com o blog e o Goodreads à mistura (descobri o site através da blogosfera), a minha lista de livros é praticamente infinita. O que por um lado é mau porque nunca consigo ler tudo aquilo que desejo mas, por outro lado, estou sempre entretida com alguma história.

4. Eu leio mais YA: Durante a minha adolescência, eu nunca li muitos livros YA. Até acho que, tirando um ou dois livros, passei diretamente dos livros infantis para livros adultos (particularmente romances, o que é que querem, gosto de uma boa história de amor). No entanto, na blogosfera o género YA é bastante adorado e também eu me acabei por apaixonar por este género. Olhando para trás agora, sinto-me estúpida por não me ter rendido a este género mais cedo. Ai, se lhe tivesse dado uma oportunidade...

5. Tornei-me numa leitora mais crítica: Ok, eu não sei se isto também tem a ver com o facto de, ao longo de toda a minha vida, eu já ter lido imensos livros, pelo que já começo a detetar um certo padrão em alguns e, como tal, torno-me mais exigente. Mas acredito que também tem a ver com o facto de eu escrever reviews, o que me obriga a organizar os meus pensamentos de forma mais clara e explicar bem aquilo que gosto e não gosto em determinada história.


Bloggers aí desse lado? Os vossos hábitos de leitura mudaram desde que criaram o vosso blog? De que forma?

4.7.18

Movie 36: junho


Movie 36: junho

Algo que está a ser espetacular em 2018 é que eu estou a ir, pelo menos, uma vez por mês ao cinema. Maio foi a única exceção, mas com tantas coisas boas a acontecer ao mesmo tempo como o meu aniversário e o Enterro da Gata, não deu. 

Este mês tão estava ocupada a acabar o meu 3º ano de Enfermagem que quase temi não ter três filmes para vos apresentar. Se o semestre não tivesse acabado no dia 25 de junho, era mesmo isso que teria acontecido, porque todos estes filmes que vou falar a seguir foram vistos, precisamente, na minha primeira semana de férias. 


1. In Your Eyes: Este filme tem um conceito muito giro. Duas pessoas que vivem muito longe uma da outra, que não se conhecem de lado nenhum estão, desde crianças, ligadas. Conseguem ver o que outro está a ver e sentir o que outro está a sentir. Ao início, não se apercebem desta ligação, mas quando finalmente se apercebem desenvolvem um amor metafísico verdadeiramente cativante. A trama é um bocado previsível, mas a química entre os protagonistas, os diálogos bem construídos e com humor e a banda sonora faz com que esta história seja apaixonante.


2. Eden: A toda a hora, a inocência é roubada a inúmeras raparigas em todo o mundo, que são raptadas para se tornarem meros objetos na cruel indústria que é a escravatura sexual. Apesar de a história em que se inspiraram ter-se revelado ser uma fraude (uma breve pesquisa no google mostra isso), isto não invalida que esta história não seja bem real. Abordaram o  tráfico humano com a seriedade que merece, sem, surpreendentemente,  recorrerem a cenas de nudez ou de sexo para chamar à atenção. Porém, mesmo não tendo muitas cenas explícitas, é um filme muito duro de se ver. Algo que merece grande destaque é o facto de não terem retratado a Eden como uma mera vítima, mas como um ser humano que, para sobreviver em condições adversas, fez coisas que, em outros contextos, seriam moralmente reprováveis, e levantou uma questão muito interessante que é aquilo que nós estaríamos dispostos a fazer para sobreviver.


3. Ocean´s 8: Ocean´s 8 é um spin-off da famosa triologia Ocean´s, uma famosa triologia de crime. A premisssa da história é basicamente a mesma a que já estamos habituados, mas desta vez a grande diferença é que o grupo é exclusivamente feminino. E que grupo que foi! Quando juntam 8 atrizes talentosas no mesmo filme, é difícil dizer que não. Com Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Awkafina, Rihanna e Helena Bohnam Carter, óbvio que eu ia correr até à sala de cinema mais próxima. Ocean´s 8 foi feito para agradar ao público feminino. O principal objeto de desejo é o colar da Cartier, grande parte da ação desenrola-se na gala do MET, a Vogue é metida ao barulho, há vestidos de cair para o lado e um grupo de mulheres cheias de girl power que vêem dos mais variados contextos, mas que juntas são capazes de mover montanhas. É um filme um bocado comercial  mas, ainda assim, é bastante divertido.




Viram algum destes filmes? O que acharam? Que filmes viram durante o mês de junho?

(Post inserido no projeto " Movie 36", criado pela Lyne do blog "Imperium", em parceria com a Sofia do blog " A Sofia World" .  Participantes: Inês Vivas, " Vivus" ;  Vanessa Moreira, " Make It Flower";  Joana Almeida, " Twice Joaninha" ; Joana Sousa, " Jiji"  ; Alice Ramires, " Senta-te e Respira" ; Sónia Pinto, "By The Library" ;  Francisca Gonçalves, " Francisca"  ;  Inês Pinto, " Wallflower" ;  Carina Tomaz, " Discolored Winter";  Sofia Ferreira, " Por onde anda a Sofia?";  Sandra, " Brownie Abroad";  Abby, " Simplicity"; Sofia, " Ensaio sobre o Desassossego" )