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7.2.19

7 coisas que os professores precisam de saber sobre estudantes introvertidos


Como uma introvertida, sempre me debati com a escola. Não em termos académicos, porque sempre tive boas notas, mas com o ambiente social, principalmente o ambiente das aulas. O barulho dos alunos combinado com o medo de ser obrigada a participar eram uma receita para a ansiedade, na certa!Não vou culpar todos os professores que tive porque, felizmente, tive muitos professores que souberam respeitar a minha personalidade e adaptaram a sua forma de ensinar à mesma, mas também existiram outros tantos que não a respeitaram e obrigaram-me a reprimi-la.

Eu sei que ser professor exige tarefas muito complicadas e nem sempre há tempo nem energia para se adaptarem às necessidades de todos os alunos. Porém, todos sabemos que os introvertidos são, frequentemente, mal interpretados em ambiente escolar, e cabe aos professores mudar isso. Aqui estão 7 coisas que os professores precisam de saber sobre estudantes introvertidos.


1. Podemos ser quietos mas não somos estúpidos: Existem dois tipos de alunos em sala de aula, aqueles que falam muito e aqueles que estão sossegados. Eu sempre pertenci ao último grupo. No primeiro grupo de alunos, os professores conseguem avaliar quem é que sabe e quem é que não sabe, pela quantidade de perguntas que acertam. Já o segundo grupo é sempre um mistério. E, normalmente, os professores caem no erro de assumir que estes são burros, que não sabem nada. Se soubessem, falariam, seria o mais lógico, não é? Depois, ficam surpreendidos quando vêm que alguns dos alunos que nunca participavam têm notas brilhantes. Não, nem sempre um estudante ficam calado por não saber as respostas às perguntas dos professores. Às vezes, simplesmente não faz parte da sua natureza. Eu sabia sempre a matéria, mas nunca respondia às perguntas dos professores porque não me sentia confortável em ter que falar em frente da turma inteira. Eu sou aquele tipo de aluna que gosta de estar sossegadinha nas aulas, no seu lugar, a ouvir e a observar tudo. Não sou menos inteligente por isso. Existem muitas formas de avaliar a inteligência de uma pessoa, por trabalhos, por testes, não nos podemos focar apenas na participação em sala de aula.

2. Não somos um problema que têm que resolver: Os professores têm que parar de assumir que há algo de errado com os alunos introvertidos. Parem de insistir se não participamos no primeiro, segundo dia ou terceiro mês de aulas. Não têm que tentar descobrir o que há de errado connosco, isto faz parte da nossa personalidade. As pessoas acham que os introvertidos estão numa prisão interior, e que têm que ser libertados para aproveitar as suas vidas. Posso garantir-vos que nem sempre é o caso. Muitos de nós somos felizes assim, e só começamos a ficar chateados quando nos apontam falhas que não são as nossas.

3. Parem de nos avaliar pela nossa participação: Nem imaginam quantas vezes as minhas notas foram prejudicadas à conta da minha participação. Ao longo do meu percurso escolar, ouvi imensas vezes "Tens tão boas notas, é pena que não participes, tens que mudar isso, senão sais prejudicada.". Mas porque raio é que nos têm que avaliar pela nossa participação? Na minha opinião, é um critério que nunca fez sentido. Se uma pessoa está lá, nunca falta, faz os trabalhos de casa, estuda e sai-se bem nos testes, isso não é o suficiente? Deviam avaliar-nos pela nossa prestação e não pela nossa personalidade.

4. Não nos façam perguntas sem nós contarmos: Aquilo que mais me aterrorizava nas aulas é quando me apanhavam desprevenida, e me punham a participar sem levantar o dedo. Eu até podia saber as respostas, mas bloqueava com os nervos. Pior, era quando me diziam "fala mais alto, para os teus colegas te ouvirem" , o que aumentava o embaraço. Participação forçada é o pior, não nos façam isso.

5. Por favor, não marquem tantos trabalhos de grupo: Trabalhos de grupo é o pesadelo dos introvertidos. Se tivermos a sorte de escolher o nosso grupo, podemos trabalhar confortavelmente com o nosso círculo de amigos mais próximos. Se um professor decide sortear os grupos, é o terror! Calhámos com pessoas com as quais não estamos familiarizadas, que podem ou não gostar de nós e que podem ou não trabalhar. Se não trabalham, melhor para nós, fazemos o trabalho todo sozinhos e assim certificamo-nos que vai ficar bem, se trabalharem isso pode significar muita discussão entre os membros do grupo, reuniões fora de aulas, chamadas, mensagens, etc. É mesmo horrível! Atenção, eu não estou a dizer para os professores acabarem com os trabalhos de grupo. Os trabalhos de grupo são importantes para desenvolver a nossa capacidade de liderança e/ou de ser liderados, o nosso espírito de equipa, as nossas competências sociais, entre muitas outras competências que vão ser importantes para o nosso futuro enquanto profissionais e enquanto membros ativos de uma sociedade. Contudo, deviam repensar a forma como fazem os trabalhos de grupo. Atualmente, os trabalhos de grupo são quase a norma nas escolas, a maior parte das aulas envolve algum trabalho deste tipo. Para além disso, muitas vezes estes trabalhos não têm qualquer tipo de vigilância por parte dos professores, o que significa que há malta que trabalha mais do que outras, e existem muitos conflitos que nem sempre são resolvidos da melhor forma. É preciso mudar isto.

6. Nunca nos vão conhecer verdadeiramente: No final de um dos meus estágios de Enfermagem do ano passado, quando tive uma reunião com os professores para me avaliarem, estes ficaram surpreendidos com a minha capacidade de fazer uma excelente apresentação. Ficaram boquiabertos e chegaram a dizer-me mesmo, "Nós achamos que te conhecemos e depois vemos isto... Nós nunca te conhecemos verdadeiramente". Isto é o encanto dos introvertidos. Nunca se sabe o que esperar de nós, somos uma caixinha de surpresas. Como somos fechados por natureza e demorámos muito tempo abrimo-nos com as pessoas que nós gostamos, quanto mais com aquelas que não são próximas de nós. Portanto, nunca julguem que sabem tudo sobre nós, porque não sabem. Aliás, nunca julguem que sabem tudo sobre toda a gente, porque existe muito mais do que aquilo que vocês vêem à vossa frente.

7. Trabalhem para criar um mundo que não valorize tantos os extrovertidos, que valorize também  os introvertidos: Não vale a pena negar, o mundo foi feito para os extrovertidos. Na nossa sociedade atual, os extrovertidos são postos num pedestal, e os introvertidos são obrigados a adaptarem-se. Os introvertidos, certamente, percebem aquilo que estou a dizer. Quantas vezes tiveram que reprimir a vossa personalidade para se adequar à escola e, mais tarde, ao mundo do trabalho? A educação é a base da sociedade, portanto se deixarmos de beneficiar excessivamente os extrovertidos pela sua participação e arranjarmos formas de avaliar os introvertidos de outras formas talvez, no futuro, o mundo de trabalho e outros ambientes comecem a fazer o mesmo.


Introvertidos aí desse lado? O que é que gostavam que os professores que já tiveram  soubessem sobre vocês?

Lê também: O poder dos introvertidos.
                    20 coisas que só os introvertidos percebem. 
                 

14 comentários:

  1. Ahahah eu sinto isso todas as aulas, todos os dias. Quem me dera que pessoas introvertidas fossem tão valorizadas como as extrovertidas!

    Beijinhos,
    Ella Morgan
    moonlightfelicitydestin.blogspot.com

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    1. Talvez um dia sejam, se continuarmos a insistir.
      Beijinhos

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  2. Na qualidade de pessoa introvertida, revi-me muito nesta publicação! E acho, honestamente, um exagero a pressão exercida para que participemos nas aulas. Sou apologista de que se crie um ambiente propício a isso, onde nos sintamos valorizados e à vontade para o fazermos sempre que nos for conveniente, mas aquele lado de imposição só nos deixa desconfortáveis e com menos vontade de quebrar as nossas condicionantes

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    1. Exatamente. Se criarem um ambiente confortável para participação, eu até consigo, de outra forma não me podem obrigar.

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  3. Também sou assim, e sinto algumas diferenças que fazem sempre questão de realçar a

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  4. Olá,
    Obrigada pela ajuda lá no blog. Estou te seguindo também.

    Sobre teu texto, eu já estive dos dois lados e sou meio contra a exposição de alunos introvertidos-tímidos. Odiava quando professores me forçavam com uniões e outras coisas. Ou me pressionavam pra responder. Muitas vezes é ofensivo.

    Ótimo texto.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  5. morri no "acadêmico", na primeira linha... académico, por favor! tantas e tantas vezes se vê o português do Brasil a vir à superfície aqui... é preciso escrever português de Portugal, se é essa a nossa realidade (nada contra brasileiros escreverem na sua língua, obviamente), especialmente quando se tem uma plataforma pública, como a tua, sob pena de perpetuar erros... não é uma crítica negativa, por favor não o entendas assim, mas... tinha de dizer alguma coisa, depois de já ter visto tantos... um beijinho! acho mesmo piada às tuas listas, é só mais um cuidadinho extra na escrita e está ótimo :)

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    1. Não te preocupes, eu não considero o teu comentário, até agradeço, já corrigi :). Por vezes, eu começo a escrever posts pelo telemóvel e depois o corretor prega as suas partidas. Juntando ao meu cansaço acumulado dos últimos meses e à minha distração por natureza, dá nisto xD. Mas vou começar a prestar mais atenção, odeio erros, sobretudo quando sou eu a cometê-los.
      Obrigada, fico feliz por gostares :).
      Beijinhos

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  6. O pior mesmo é o número 4! Especialmente se envolver ir ao quadro.
    Gostei muito do artigo!

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    1. Ah, eu quando era mais nova odiava ir ao quadro xD.
      Obrigada :).

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  7. Como eu te entendo Cherry! Agora no meu curso os professores lembraram-se todos de dar uma percentagem da nota para participarção... eu raramente participo, mas lá está, não é por saber, é apenas por não querer me expressar em público.
    Acho que acaba por ser injusto!

    http://cidadadomundodesconhecido.blogspot.pt

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    1. Não sabia que faziam isso na faculdade, pensava que isso tinha ficado no Secundário :0.

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  8. Nunca pertenci ao grupo dos "introvertidos", no entanto, também nunca me fez muito sentido a parte da participação. Lá está, eu até consigo perceber que queiram ajudar e fazer com que as pessoas comecem a falar mais em grupo, etc, mas é a personalidade de cada um e não se deve ser prejudicado por ser apenas mais calado.
    No ponto dos trabalhos de grupo também consigo concordar contigo, contudo, também acho importante trabalharmos com pessoas fora do nosso círculo de amigos, porque acaba por nos preparar de certa forma para o futuro, quando tivermos de trabalhar com outras pessoas. A mim irritava-me muito que alguém não quisesse fazer o trabalho, mas eu ameaçava mesmo ahah
    Bom post, como sempre!

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