Esta semana tem sido uma semana em grande. Tenho pensado muito nesta semana que todo o esforço, dedicação e estudo destes anos forma finalmente recompensados. É como se eu tivesse sido um insecto este tempo todo, e agora tenha começado a entrar em metamorfose, para me transformar numa borboleta e começar a bater asas em direção os meus sonhos.
Esta segunda-feira foi o primeiro dia de matrículas na Universidade do Minho e também foi o dia em que me inscrevi. Estive para me ir inscrever só na quarta, para apanhar menos fila, mas o primeiro dia tem sempre muito mais emoção, portanto foi no primeiro dia em que eu fui.
Na Universidade do Minho, para quem não sabe, as faculdades estão todas juntas num único sítio ( no Campus de Gualtar), e não há dias própios para as matrículas de cada curso, portanto aquilo foi mesmo "tudo ao molho e fé em Deus". Eu já tinha sido avisada que iria apanhar muito fila no primeiro dia, mas eu não sabia que "muita fila" significava 500 pessoas à minha frente! Quando cheguei à Universidade no primeiro dia, por volta das 10 horas ( meia hora após as matrículas terem começado) já estava ali uma população!
Adiante, entrei na Universidade, um pouco intimidada com a imensidão do lugar e com o nervosismo típico dos caloiros no seu primeiro dia , e colam-me logo um autocolante antes de me perguntarem sequer para que curso que ia. Depois fui direcionada para uma fila para preencher uns papeis, e depois tive que ir para outra sala completar a matrícula, só que entretanto perdi-me, mas um professor de lá (acho eu) rapidamente me pôs outra vez no caminho certo. Entretanto conheci umas raparigas, também caloiras, que não eram do meu curso, mas que eram muito simpáticas e que me acompanharam no resto da fila. No total, estive 3 horas na fila! 3 horas! Já estava cheia de sede e de fome.
Bem, à saída da Universidade, fui apanhada pelos "Doutores" do meu curso ( e eu pensei " Finalmente, já estava a ver que não vos ia encontrar"). Pintaram-me logo a cara, perguntaram-me o meu nome , perguntaram-me se queria pertencer à praxe e eu disse que sim. Depois perguntaram-me se eu tinha alergias, algum problema de saúde e eu disse que não. Pediram-me então o número para me contactarem mais tarde.
Depois do dia das matrículas, tinha ficado com a impressão de que os "Doutores" eram simpáticos, amigos e preocupados realmente com os caloiros. Mas eu, tal como muitas pessoas, fui bombardeada por histórias de primos meus sobre as praxes, por medos dos meus pais, e até pelas própias notícias da comunicação social. Portanto sim, apesar de ter achado os meus "Doutores" simpáticos, ainda tinha muito medo da praxe, mas pensei em dar-lhes uma oportunidade. Já aconteceram muitas coisas, mas nunca ninguém morreu no primeiro dia de praxe.
Na noite de segunda feira, recebi uma sms a dizer que iria ter praxe no dia a seguir. Fiquei surpreendida, porque ainda a semana das matrículas não ia a meio mas já nos estava, a marcar praxe. Pensava que ia ter uma semana inteira para me preparar psicologicamente! Mas não, tive que ganhar coragem e encarar a realidade.
Lá fui eu , no dia a seguir, à hora marcada encontrar-me com os " Doutores". Já lá estavam muitos caloiros ao lado dos "Doutores", a abrigarem-se da chuva. Começaram a perguntar os nossos nomes, e , antes de começar, disseram que não estavam ali para lixar ninguém e que quem não se sentisse bem em fazer alguma coisa, que dissesse e não fizesse.
Apesar do medo, estava com uma leve esperança de que iria gostar da praxe e sabem que mais ?Gostei mesmo!O ambiente foi leve, divertido, cantámos, aprendemos o hino do nosso curso, apresentámo-nos ao grupo e cada um falou um pouco sobre si e contou também uma história engraçada sobre si. Não houve humilhações, choros nem vergonha. Só houve risos, quando os "Doutores"o autorizavam ,claro (mas nesse caso sem mostrar os dentes, que os "Doutores " não querem ver os nossos dentes "amarelos" xD) ,muitos gritos (eu saí de lá rouca), e muito orgulho no nosso curso.
O que mais me admirou na praxe é que os nossos "Doutores" pareciam preocupar-se mesmo connosco. Não nos deixavam apanhar chuva, levavam um kit de primeiros socorros, davam-nos uma pausa para lancharmos e bebermos água... Antes de fazer qualquer tipo de brincadeiras, verificavam sempre que estávamos em segurança e que não tínhamos nenhum problema de saúde que nos impedisse de realizar determinada "tarefa"...
No final, saí do meu primeiro dia de praxe com novos amigos, com muito orgulho do meu curso, um pouco cansada de tanto cantar e de fazer flexões, mas saí de lá sobretudo com uma felicidade enorme, que já não sentia há muito tempo.
(Isto é a opinião de uma pessoa que só foi a duas praxes, mas tenho um feeling que vou gostar da praxe.)
Quem entrou para a Universidade, o que estão a achar? Já tiveram praxes?











