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29.7.16

Talvez a morte seja uma benção


Talvez a morte seja uma benção.

Andamos toda a vida a tentar a fugir da morte, a esquivarmo-nos dela, a enganá-la com medicamentos, consultas ao médico, visitas ao hospital, medidas de segurança,... Vivemos a achar que somos imortais e invencíveis, e só de vem em quando, quando perdemos um ente-querido ou uma grande tragédia assola o mundo, é que nós nos apercebemos que somos seres mortais e frágeis.

Parece que só soubemos viver corretamente na nossa infância. Em crianças o que nos move é pura e simplesmente a curiosidade. Todos os nossos sentidos se concentram na exploração daquilo que nos rodeia, e valorizamos todas as pequenas coisas da vida, os pequenos prazeres, os pequenos gestos de simpatia. Não há lugar para egoísmo, mágoa, vingança ou vergonha. Somos felizes porque não pensamos demais, e sabemos qual é o caminho a seguir: o caminho na direção dos nossos sonhos.

Porém, quando nos tornamos adultos, parece que todas essas qualidades que tínhamos se desvanecem. De repente, não apreciamos mais o ambiente que nos rodeia. Já não é a curiosidade que nos move. Agora o que nos move é a busca pela riqueza, pelo prestígio e pela fama. Começamos a abandonar os nossos sonhos de criança, e a achar que o caminho que outrora traçamos já não é possível, existem outros fatores com que nos devemos preocupar, os fatores que durante a infância eram conhecidos como "coisas de adultos", às quais não ligávamos. Agora devemos escolher o caminho que traga benefício ao maior número de pessoas, que agrade à família e orgulhe os pais, que dê estabilidade económica e prestígio. E é assim, meus amigos, que ficámos presos numa vida que não é a nossa, estamos a viver apenas a vida dos outros.

Ouvi uma vez, numa aula de Português o famoso provérbio " Vive cada dia como se fosse o último". Desde essa aula, este provérbio tem estado quase  sempre na minha cabeça, e quase todos os dias, quando acordo, pergunto " Se este fosse o meu último dia de vida, será que eu faria o que vou fazer hoje?" Se a resposta é não por dias sucessivos, sei que tenho que fazer mudanças.

Todos nós temos medo da morte. Mesmo aqueles que dizem que não têm, têm inconscientemente. Mesmo aqueles católicos devotos que querem ir para o céu, desejavam que houvesse outra forma de ir para lá. A verdade é que ninguém quer morrer, mas talvez o foco da nossa preocupação não devesse ser o facto de morrermos. Porque desde que nascemos, esse é um facto garantido. Talvez o foco da nossa preocupação devesse ser antes como vamos morrer. Será que, no leito da nossa morte, vamos orgulharmo-nos de tudo aquilo que fizemos na nossa vida, ou vamos ficar arrependidos daquilo que fizemos?

Parece bastante macabro usarmos a morte como uma ferramenta para medir o grau de satisfação da nossa vida. É sim, macabro, mas bastante eficaz. Se todos nós pensássemos todos os dias que vamos morrer, talvez não cometêssemos metade dos erros que cometemos. Talvez não fôssemos tão egoístas, talvez não nos preocupássemos tanto em agradar as outras pessoas ( ou em saber a opinião delas) não nos chateássemos tanto por coisas mínimas, talvez seguíssemos os nossos sonhos, em vez de estar naquele emprego aborrecido e rotineiro que não nos diz nada. Porque, quando olharmos a morte nos olhos, todas essas coisas se vão desvanecer, e o verdadeiro propósito da nossa vida vai ser revelado, e saberemos aí se falhamos ou não nesse propósito.

Talvez a morte seja uma benção. Porque, sem ela, nunca poderíamos apreciar verdadeiramente o que nos rodeia, e nunca encontraríamos o verdadeiro propósito da nossa vida. 

27.8.15

Se eu tivesse que perder um sentido...


... e pudesse escolher, seria perder a fala (apesar de ser uma tagarela de primeira e adorar falar).

Às vezes penso naquelas pessoas que possuem uma deficência como ser cego,ou surdo, e penso no impacto que uma deficiência pode ter na vida de uma pessoa, um impacto muito maior do que apenas a exclusão social. As pessoas que vivem com este tipo de deficiências, vivem de certo modo pela metade, como se só tivessem acesso a uma pequena porção daquilo que a vida tem para oferecer.  Penso como seria ter que viver com uma deficiência...

E depois penso numa situação hipotética. Se eu tivesse que perder um sentido, mas pudesse escolher, qual deles escolheria perder?

 Não queria perder a visão porque deixaria de poder ver a beleza deste mundo, da natureza, deixaria de poder filmes, deixaria de poder ver a beleza das pessoas e, principalmente, deixaria de poder ver as pessoas que amo. Também não queria perder a audição mais uma vez por não poder ouvir as vozes das pessoas que amo, ouvir música,ver filmes, não poderia ouvir o som da chuva, nem o cantar dos passarinhos, nem poderia ouvir todos os sons que a Natureza nos proporciona.

Por isso, em resposta a esta questão, escolheria perder a fala. Poderia comunicar na mesma por escrito, por isso os danos seriam menores. Além disso, acho que é mais importante ouvir os outros e observar o mundo do que falar.

Agora respondam-me vocês a esta questão. Se tivessem que perder um sentido ( vá, nada de dizer que escolhiam não perder, têm mesmo que perder um) mas pudessem escolher, qual escolheriam)?