Um leitor do blog levantou no post " Porque devemos perdoar sempre as pessoas ( mesmo quando estas não o merecem)" uma questão muito interessante: " Não vale a pena fazer o errado para se sentir bem, quem faz o mal deve ser punido e não perdoado e escapar da punição (...). Deixar que o outro se vingue por nós é um erro, porque nós deveríamos deixar que outra pessoa que não sofreu o que a gente sofreu escolha qual punição vai receber?" Este comentário foi no contexto de eu ter dito que, por vezes, temos que perdoar as pessoas que nos magoam, e deixar que a vida ( ou o destino) se encarreguem de os castigar.
Para começar, a vingança não é possível em muitos casos. Imaginem o caso de um aluno universitário que foi prejudicado injustamente por um professor, que lhe desceu a nota e reprovou-o numa frequência. O aluno não pode fazer nada a não ser estudar para o recurso e tentar sair-se melhor. Ou imaginem o caso de um chefe que explora os seus trabalhadores. A única coisa que eles podem fazer é continuar a trabalhar e esforçarem-se ao máximo, ou então ir para outro emprego que os faça mais felizes. A única vingança possível nestes casos é mesmo essa, a felicidade. E acreditem, a felicidade faz inveja a muita gente.
" Mas e nos casos em que podemos vingar-nos?", perguntam vocês. Eu respondo-vos com uma pergunta: Será que vale a pena? Será que vale a pena descermos ao nível das pessoas que nos fizeram mal, e sermos tão más como elas? Eu acho que não, não vale a pena descermos ao nível dessas pessoas, mais vale perdoar a estupidez delas, para podermos seguir em frente e estarmos em paz. Criar planos vingativos só vai fazer com que nos magoemos ainda mais , vai levar-nos à exaustão, e todo o ódio e raiva que sentimos vai corrromper-nos. Não me parece, de todo, que essa seja a melhor escolha.
A final do Euro 2016, em que Portugal jogou frente à França, é o melhor exemplo disso. Quando lesionaram o Cristiano Ronaldo ( o nosso melhor jogador e capitão da equipa), quando os árbitros não assinalaram faltas (mas já assinalavam quando era a favor dos franceses), quando os franceses jogaram sujo, a seleção poderia ter feito o mesmo, poderia ter descido ao nível do adversário, e poderia ter-se vingado. Era o mais justo, mas não era o mais correto. Em vez disso, a seleção nacional jogou limpo durante todo o jogo, foram sempre leais aos seus valores e, desta forma, mostraram a sua grandeza e, no final, ganharam. E esta, meus amigos, é a melhor lição que poderíamos dar aos franceses, ganhar de forma limpa e sem batota.
A verdade é que não nos devemos vingar sempre de todo o mal que as pessoas nos fazem. Seria o mais justo, mas acabaríamos por nos magoar ainda mais, e não ganharíamos nada com isso. Podemos deixar que a vida se encarregue de dar uma lição às pessoas maldosas que nos magoaram ( o que já é um bom plano), mas também podemos vingar-nos de outra maneira: ao ser felizes. A felicidade é a melhor vingança. Não há nada que irrite mais as pessoas más do que ver os outros a terem uma vida boa e feliz. Põe-os malucos!
Portanto, quando se sentirem magoados, chateados, irritados ou revoltados com alguém, fiquem pouco tempo zangados, e depois saiam dessa tristeza e façam algo extraordinário! Não conseguimos mudar as outras pessoas, mas conseguimos mudar o nosso mundo. Raramente obtemos algo ao tentar dar uma punição a alguém. Por mais difícil que possa ser, têm de ser maiores do que o sofrimento que vos causaram. Têm que ser felizes e, ao fazê-lo, já estão a vingar-se.





