( Foto retirada do We Heart It)
Esta semana tive que tomar a decisão mais difícil que já tomei desde que entrei para a universidade e, provavelmente, uma das decisões mais difíceis da minha vida. Tive de desistir da praxe.
Quem já leu este post, este e este , sabe que eu adorei andar na praxe e está a perguntar-se o que aconteceu para eu ter que tomar esta decisão. Bem, como o meu blog não é só para partilhar bons momentos ( embora eu tente que este seja o mais positivo possível para os meus leitores) , decidi contar-vos. Os meus pais nunca gostaram da praxe, em grande parte devido ao que viam nos media ( conclusões com pouco fundamento portanto) e tentaram convencer-me sempre a não ir. Nas primeiras semanas, até me deixaram andar lá em paz, porque pensavam que eu ia desistir, mas não eu fiz isso. Quando se começaram a aperceber que eu não ia desistir e que ia fazer a praxe até ao fim, começaram a chatear-me e a fazer de tudo para desistir. Eu como sou teimosa , mas principalmente porque eu adorava aquilo, tentei resistir. E resisti um semestre inteiro.
No início de 2016, não consegui ir a mais nenhuma praxe. Os meus pais tiraram-me o kit de praxe, não me deixavam sair de casa para as praxes, e ameaçaram tirar-me do curso e mandarem-me ir trabalhar, caso eu continuasse a persistir. Por isso, após muitas discussões, dores de cabeça e lágrimas, fui obrigada a tomar esta decisão ( sim, porque para os meus pais fui eu que decidi desistir, é o que vão dizer às outras pessoas que perguntarem, mas na prática fui obrigada por eles).
Custa-me ter que abandonar a praxe. Foi uma família para mim. Adoro os meus coleguinhas bestas e, principalmente, adoro os meus Doutores. Custa-me ter que deixar isto para trás. No entanto, estes três meses que andei na praxe vão ficar na minha memória para sempre. Foram os melhores meses da minha vida!
Apesar de desejar que isto tivesse acabado de outra forma, tenho a consciência tranquila, porque sei que me entreguei de corpo e alma a esta família que é a praxe. Cantei, berrei, enchi, ri, chorei, fiz jogos,.. Mas acima de tudo, fiz amizades, não só com os caloiros, mas também com os Doutores, fiz memórias e orgulhei o Curso. Só gostava de ter ficado até ao fim.
Dava tudo para ser praxada mais uma vez! Nem que fosse só mais um dia, uma hora, um minuto que seja. Dava tudo para voltar a encher 10 flexões, dizer " Pronto, Sr. Doutor Enfermeiro..." ,ouvir o Doutor " Pronto para quê?" e eu " Para encher mais dez..." e encher outras 10 flexões de seguida. Dava tudo para gritar outra vez palavrões e obscenidades no meio da rua, e ainda rir-me da cara de chocada ou de desaprovação das pessoas. Dava tudo para fazer outra vez alto show com os meus colegas, com uma coreografia sincronizada e até adereços. Dava tudo para tentar outra vez matar uma formiga aos berros. Dava tudo para obedecer outra vez a uma ordem de um Doutor, para andar a chatear continuamente um Doutor não trajado, e o pobre do Doutor não trajado não poder parar a ordem, porque não podia praxar sem traje ( sim, eu fiz mesmo isto, o Doutor não trajado disse eu que estava lixada quando ele aparecesse trajado. Mas no dia a seguir, quando veio esse mesmo Doutor trajado, veio ter comigo para apenas se rir do que lhe fiz ). E principalmente, dava tudo para berrar mais uma vez o hino de curso. Eu adorava tanto berrar o hino de curso! Quando um Doutor berrava "HINO DE CURSO!" , eu sorria por dentro e berrava a plenos pulmões e com todo o orgulho o nosso Hino de Curso. Cada vez que o berrava, sentia a adrenalina toda a percorrer as minhas veias, e sobretudo o orgulho enorme que sentia pelo meu Curso.
Na praxe encontrei uma família. Encontrei pessoas que me compreenderam e apoiaram. Encontrei amigos para a vida. E, apesar de ter saído da praxe, nunca abandonarei esta família.
A praxe também me tornou uma pessoa melhor. Ensinou-me valores como união, a entreajuda, o espírito de equipa, a generosidade, a amizade,... Já não sou a mesma pessoa que foi timidamente para a praxe no primeiro dia. Certamente continuo a ser um pouco tímida, porque é a minha maneira de ser, mas saio de lá muito mais confiante e segura de mim mesma.
Para acabar este longo post ( sorry ) só quero agradecer aos meus coleguinhas bestas, pelos momentos que passamos juntos. Podem sempre contar comigo para o que precisarem. E quero também agradecer também aos meus Doutores, que o foram com D maiúsculo. Já não sou da praxe, mas, para mim, serão sempre os meus Doutores , e vou tratá-los sempre como tal. Devo-lhes todo o meu respeito, mas acima de tudo admiro-os. Infelizmente, não poderei praxar, mas se praxasse, seria com todos os valores que me transmitiram , e os meus Doutores seriam os meus modelos a seguir.
Acabo este post com lágrimas nos olhos e com a letra da minha música preferida da praxe ( a seguir ao hino, claro) que, apesar de a maior parte de você não saberem o ritmo, certamente gostarão da letra como eu :
" Somos caloiros de Enfermagem,praxados a valer,
agradecemos aos Doutores,
tudo o que vamos viver.
E vamos ser especialistas,
e muitas vidas salvar,
de caloiros a finalistas,
o curso vamos honrar."
O que a praxe une, NINGUÉM separa!




