"". Life of Cherry: frequências !-- Javascript Resumo Automático de Postagens-->
Mostrar mensagens com a etiqueta frequências. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta frequências. Mostrar todas as mensagens

25.9.16

O que eu aprendi quando reprovei numa frequência na faculdade


Durante todo o meu percurso escolar, sempre fui boa aluna, sempre tirei boas notas, e nunca reprovei em nenhum teste. Infelizmente, no meu primeiro mês de faculdade, eu reprovei na minha primeira frequência.

Nunca tendo reprovado em nenhum teste na minha vida, foi bastante devastador. Foi ainda mais devastador por ter sido a Anatomia, a cadeira mais difícil do 1º ano, e por reprovar nessa frequência significar não poder ir para a 2º frequência, ter que ir automaticamente a exame final, ou seja, a recurso.

Apesar de tudo, lá consegui fazer a cadeira. Por pouco que a deixava para trás, porque fui a exame final e reprovei, fui a recurso e reprovei, de todas as vezes por meras décimas! Só me safei mesmo na prova oral, com um 10 ( um 10 que me soube a 20!). Agora, olhando para trás, já sou capaz de retirar algumas lições da situação ( mas continuo a achar "Anatomia" um monstro, graças a Deus que não tenho que voltar a fazer essa cadeira).

Na altura, foi humilhante reprovar, mesmo juntamente com metade da turma, mas senti-me inferior à outra metade da turma, senti-me menos inteligente do que aqueles que passaram logo à primeira. Porém, não desisti, lutei sempre para passar e consegui, e hoje vou partilhar com vocês o que aprendi com esta experiência.


1. As minhas notas não me definem: Sempre tive orgulho em ser boa aluna. Sentia-me sempre muito orgulhosa cada vez que os meus professores elogiavam-me nas reuniões de pais, cada vez que os professores escreviam " Parabéns!" ao lado das notas dos testes, cada vez que os meus amigos me pediam ajuda numa matéria. Sempre tive o rótulo de " boa aluna", portanto não conhecia, de todo, a sensação de reprovar num teste. Claro que já tinha tido os meus altos e baixos, notas menos boas, mas nunca tinha sentido a sensação de falhar completamente num teste, de ter um " reprovada" escrito à frente do meu nome.  Quando vi pela primeira vez a palavra " reprovada" à frente do meu nome achei que aquilo me iria definir para sempre, a rapariga que reprovou numa frequência em Anatomia. Ok, talvez não me definisse para sempre, mas certamente obrigou-me a pensar naquilo que sou realmente, e no que aquela nota significa. Significa que sou burra? Significa que já não sou tão boa aluna como antes? Significa que já não sou boa em nada na vida? A resposta a estas três perguntas é não. Ter reprovado uma vez não significa que eu seja burra, que não seja boa aluna e, muito menos, não significa que eu já não presto para nada. Aliás, eu sou muito mais do que uma nota num papel, sou uma pessoas com capacidades que vão muito para além do que aquilo que se aprende na escola. Apesar de ter continuado a ser boa aluna depois deste percalço, percebi que " boa aluna" nunca será a única coisa que irá  definir, também sou uma boa amiga, uma blogger, boa filha ( ou pelo menos tento, vá, ihihih), ... Tenho várias versões de mim mesma que me definem.

2. Quando quero, sou a minha pior inimiga: Em situações de reprovação em frequências/testes, os nossos pais ficam facilmente desiludidos, os nossos colegas criticam-nos, os outros familiares comentam, mas garanto-vos que as piores críticas vêm de nós próprios. Quando eu reprovei na frequência, apesar de ter sido, muito provavelmente, criticada por mil e uma pessoas, foram as minhas próprias críticas, que pairavam na minha cabeça, que me afetaram mais. Embora seja bom vermos onde erramos, ouvir as críticas construtivas da nossa própria mente, não é nada bom deixar que pensamentos negativos nos invadam e destruam. Em situações destas, é preciso controlar a nossa mente, e não deixar que esta nos controle a nós.

3. Sou eu que tenho de dar a volta à situação: No básico e no secundário, são os professores que fazem quase tudo, dão-nos as aulas, dão-nos resumos, tiram-nos dúvidas, dão-nos apoios se tivermos com dificuldades... A universidade não há nada disso. Claro que há sempre professores que fornecem bons resumos, tiram dúvidas ou dão mesmo aulas extra, mas a maior parte dos professores deixam a tarefa de aprendizagem para nós, quase que somos autodidatas! Portanto, quando reprovei, sabia que não teria o professor a tentar " salvar-me", até porque mais 50 pessoas tinham reprovado além de mim, e todas queriam tirar dúvidas ( e, como devem calcular, o professor nunca conseguia tirar todas as dúvidas a toda a gente). Por isso, aprendi que teria de ser eu a assumir o controlo total da situação, a arranjar meios para estudar melhor e para tirar as minhas dúvidas. Voltei a estudar tudo, vi vários vídeos no youtube, estudei com a minha prima que já tinha feito esta cadeira, e a certa altura já sabia a matéria toda de cor, melhor ainda do que a primeira vez, e só não passei antes da prova oral porque deixei que os nervos se metessem no meu caminho ( quando estou muito stressada fico muito distraída).

4. É normal ficar nervoso/a para uma frequência, mas não ao ponto " a minha vida vai acabar": Todos nós ficamos nervosos com frequências/exames, mas é preciso perceber quando é que esse nervosismo é demais. Eu quando fui para a minha primeira frequência, estava tão nervosa por causa de ser a primeira da faculdade, de não saber o tipo de perguntas que iriam sair na frequência, por ser a cadeira mais difícil do primeiro ano, que deixei que todo esse stress se pusesse no caminho de uma eventual boa nota, e que me bloqueasse completamente o raciocínio. Embora ainda tenha que melhorar muito mais a minha maneira de lidar com o stress, sem dúvida que, depois desta experiência, fui mais calma para as frequências.

5. Há sempre espaço para melhorar: Tive um professor no Básico que nos costumava dizer o seguinte " Vejam o lado positivo de tirar uma nota fraca, poderão melhorar ainda mais do que aqueles que já têm uma boa nota" E, de facto, é verdade! Quando finalmente comecei a tirar boas notas na faculdade, a evolução que sofri foi ainda maior do que se já fosse boa desde o início. Isso é bastante motivador porque, provavelmente, se fosse boa aluna desde o início da faculdade, não iria valorizar as notas que tive no segundo semestre ( vá, mas no segundo ano quero tirar boas notas logo desde o início, só tenho uma cadeira à qual não posso reprovar, senão não vou a estágio).


E vocês? Já reprovaram em alguma frequência na faculdade? O que aprenderam com isso?

4.1.16

Testes à americana.


O meu pai costuma chamar aos testes só de escolhas múltiplas "testes à americana" que, traduzindo a linguagem do meu pai, significa testes de  treta, que até pessoas que não estudaram passam. E, de facto, estes testes são conhecidos como testes americanos.

Na universidade, as frequências são todas por escolhas múltiplas. Mas desengane-se quem acha que este estas frequências ajudam os alunos a passar: estas frequências também são a descontar. Isto quer dizer que, se erramos X número de perguntas, X perguntas que acertamos passam a erradas. Deduzo que isto deva ser para evitar que certas pessoas que não tenham estudado se ponham a fazer tudo à sorte e acertem quase tudo.

Mas vamos lá ao motivo pelo qual eu escrevi este post: este modelo de testes na universidade diminui as competências dos alunos.  Isto porque como, no fundo, a resposta já lá no teste, algures numa opção,  os alunos não são obrigados a fazer um raciocínio tão elaborado para chegar à resposta correta.  Claro que é preciso saber muito bem a matéria, porque muitas escolhas múltiplas tem opções de resposta muito parecidas, e só um aluno que saiba bem a matéria é que consegue escolher a certa- Mas ainda assim não é preciso saber tão bem a matéria como seria preciso se as perguntas fossem de desenvolvimento. Com o passar do tempo, se a maioria das frequências seguirem este modelo, estes alunos irão perder a capacidade de espírito crítico e de pensar para além dos  conceitos.

Além disto, os alunos universitários que só tem frequências por escolhas múltiplas ( como eu) poderão "esquecer" um pouco o Português é a sua gramática,  e a começar a escrever mal e a cometer erros ortográficos.

Muitos professores da minha faculdade afirmam que muitos alunos chegam ao último ano de curso e quase que já nem sabem escrever, por causa deste modelo de testes. Quando vão para estágio, muitos alunos cometem erros ortográficos vergonhosos nos seus relatórios de estágio.

Em principio não me acontecerá o mesmo a mim, pois eu escrevo quase todos os dias no meu blog. Mas muitos estudantes chegam à universidade e perdem o hábito de escrever. Não estou a dizer  para porem agora as frequências só com perguntas de desenvolvimento  ( porque se já com frequências com escolhas múltiplas muita gente reprova, com de desenvolvimento ninguém acabava o curso), mas talvez se nos pusessem a fazer mais  trabalhos escritos sem ser um por semestre, talvez muitos alunos conseguissem continuar a melhorar a escrita ( além que trabalhos escritos nos ajudariam a subir as notas ).

Qual a vossa opinião sobre este modelo de testes?