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1.9.20

6 anos de Life of Cherry, em comentários

6 anos de Life of Cherry, em comentários

1 de setembro de 2020, e cá estamos nós, mais uma vez, juntos para celebrar mais um ano deste projeto especial. Que já soma 6 anos! What?! Setembro, como sabem, é sempre um mês de recomeços para mim, mesmo agora que já trabalho. E o facto do aniversário do blog calhar neste mês é sempre um convite para me reinventar e o que eu já mudei : o layout umas milhentas vezes, os temas outras milhentas vezes, a plataforma (and spoiler alert: talvez venha a mudar novamente)… Tal como em Hogwarts em cada 1 de setembro , também não dá para prever o que acontecerá por aqui. E, tal como os estudantes de Hogwarts , é a imprevisibilidade do que posso fazer que me faz voltar ano após ano.

Costumo dizer a brincar que sou uma péssima blogger e, por um lado, é verdade. Não leio tantos blogs como antes (lá está, falta de tempo), tenho uma presença pouco assídua nas redes sociais (para salvação do meu namorado, que assim não tira tantas fotos), escrevo com muito menos frequência (porque vida adulta né, e nurse life ainda pior heheheh) e o que ganho com o meu blog pouco mais paga do que o domínio e serviços de hospedagem. Por outro lado, noutra perspetiva, o Life of Cherry continua um cantinho à minha medida, cheio de personalidade, precisamente por não seguir tendências, nem sempre falar do que seria mais confortável e por vocês, leitores, que também o fazem crescer a cada comentário. Numa altura em que cada menos pessoas têm paciência para ler e pôr mais do que um gosto, eu tenho uma comunidade de leitores divertidos, inteligentes, que se sobrepõem sempre aos haters e que estão sempre prontos para debates construtivos. Por isso, o 6º aniversário do blog foi escrito também por vocês, literalmente , através de recortes de mais de 50 000 comentários. Uma forma aleatória de celebrar , como o Life of Cherry. Muitos parabéns ao blog!

(Um especial agradecimento ao meu programador predileto <3, que fez os recortes dos comentários.)

28.8.20

Presentes que são luz no meio de uma pandemia


2020 tem sido um ano de loucos, em que nada acontece como planeamos e, infelizmente, a maior parte das vezes as surpresas que nos traz não são, de todo, agradáveis. No entanto, algumas partidas que nos tem pregado são, no mínimo, caricatas. Como a prenda de aniversário da Inês do Bobby Pins que recebi, em AGOSTO! Sendo que eu faço anos em maio. What?!

Não, a Inês não se atrasou a mandar, até mandou com bastante antecedência (relembrando que, na altura dos meus anos, ainda estávamos em quarentena e tudo demorava mais tempo). Infelizmente, não cheguei a receber nessa altura e pensávamos que a encomenda se tinha perdido. Qual não foi o meu espanto quando, há uns dias, a minha mãe me disse que eu recebi uma prenda. I mean, o meu aniversário já foi há três meses e para o natal ainda faltam outros três, fiquei confusa por momentos.  Sim, adivinharam, era o presente dela. Na verdade, o carteiro enganou-se e pôs a encomenda no correio errado que, por azar, era do meu vizinho emigrante que só veio agora em agosto de férias. Quais eram as probabilidades disto? Foi mesmo uma situação hilariante. 

Conheci o trabalho de João Doederlein, também conhecido no Instagram como @akapoeta há já algum tempo também através da Inês, e estava há séculos desejosa por ter o seu dicionário passado em papel nas minhas mãos. Sabem quando perguntamos a uma criança o significado de uma coisa e ela dá-nos uma definição singela, porém tão real? É isso que o autor faz no "Livro dos Ressignificados" e que o torna tão deslumbrante - libertar as palavras da formalidade dos dicionários e dar-lhe uma carga emocional poderosa. 


Aquilo que, para mim, tornou esta obra mais especial não tem nada a ver com o autor. Foram os post-its que a Inês foi deixando aleatoriamente em algumas páginas, como a que podem ver na foto acima. Sendo já uma especialista em presentes personalizados, desta vez conseguiu elevar ainda mais a fasquia com este toque tão pessoal. Sinto que ainda não encontrei todos os post-its e vai ser engraçado encontrá-los a cada releitura. 

Gosto de acreditar em sinais do universo e talvez este tenha sido um. Por muito que a quarentena tenha sido difícil, talvez precise ainda mais deste livro agora que estou finalmente a dar o melhor de mim na minha área, mas todo o resto da vida lá fora permanece como que "congelado". "O Livro dos Ressignificados" é um livro que tem permanecido na minha mesa de cabeceira, para os momentos em que eu preciso de uma palavra de conforto, de um miminho e para me relembrar que estou rodeada de anjos que, mesmo à distância, estão a torcer por mim. Muito obrigada, Inês, por este livro em forma de carinho!

(Fotos: da minha autoria)

19.8.20

Os Jogos Olímpicos de Londres foram o auge das nossas vidas?

Os Jogos Olímpicos de Londres foram o auge das nossas vidas?

Por esta altura (mais dia menos dia), estaria a ocorrer a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Infelizmente, foi outro momento marcante de 2020 que a pandemia nos roubou. De 4 anos em 4 anos, eu fico colada ao ecrã para ver os Jogos Olímpicos e eu vivo para ver as cerimónias de abertura/encerramento, que visam sempre glorificar o melhor que há no país anfitrião dos jogos. 

Ainda não vi muitas cerimónias de Jogos Olímpicos na minha existência (em directo, as que vi no Youtube não contam), mas acredito que não estou a exagerar quando digo que a de 2012, em Londres, foi das mais surreais que eu já vi. Revi-a há uns dias, a propósito deste tweet que a Inês escreveu, com uma excelente questão: terão os Jogos Olímpicos de Londres sido o auge das nossas vidas?

Londres, uma cidade que não precisa de apresentações (eu já fiz questão de falar dela milhentas vezes ao longo dos anos, né? E só fui lá uma vez, imaginem...), além de toda a logística que organizar um espetáculo desta dimensão implica, enfrentava um desafio monumental: ser tão memorável como a cerimónia de abertura de Beijing, que não olhou a meios em 2008 (só aquele início sincronizado, Meu Deus!). E isto no meio de uma crise económica, claramente sem os mesmos recursos que eles!

Como é que os britânicos conseguiram esta proeza? Ao serem diferentes. Toda a gente esperava um espetáculo de luzes e danças sincronizadas como todos os anos, mas como é que eles começaram? Com aldeãos e ovelhas! Lembro-me que os meus pensamentos iniciais foram "que raio pensam eles fazer com uma apresentação assim?". Aos poucos, eu fui percebendo o objetivo: um retrato vibrante de Inglaterra, o seu passado, o seu presente e o seu futuro, com toda a história (como a revolução industrial) e com todas referências de literatura, música e cultura pop que tocam não só no coração dos britânicos, mas também de muitas pessoas do mundo inteiro, que cresceram com estas referências. 

Para mim, a parte mais memorável de todos foi o segmento da Revolução Industrial (o que podem ver na imagem ilustrativa desta publicação). Foi neste segmento que apareceram os cinco "anéis" representativos do símbolo dos Jogos Olímpicos. O momento mais de cortar a respiração de todos foi quando todo o estádio olímpico, músicos, figurantes, chefes de Estado e espectadores, pararam para contemplar o símbolo no céu. Ainda hoje, 8 anos depois, tenho arrepios ao assistir esta parte. 

Os Jogos Olímpicos de Londres que já armazenavam em si muita nostalgia com todas as referências culturais que nos moldaram ao longo da vida, são agora uma fonte de consolo nesta pandemia, enquanto não podemos assistir a umabertura de novos jogos. Que poderá ser tão ou mais extraordinária que a de Londres. Após tanto tempo com as liberdades restringidas, talvez nos lembremos o quão poderosos podemos ser quando criamos algo juntos.

(Nota de final de post nada a ver com o mesmo: não, ainda não me esqueci da rubrica 5 coisas, a de julho vai sair juntamente com a de agosto porque #nurselife)

17.7.20

7 unpopular opinions de filmes da Disney

 7 unpopular opinions de filmes da Disney

Tal como prometido aqui, trago-vos hoje  unpopular opinions versão Disney. Peço desde já desculpa por serem opiniões mesmo à miúda dos anos 90, não consta aqui nenhum filme realizado depois de 2010, é só clássicos ou live-actions. Sorry not sorry.

(Atenção: este post contém spoilers dos filmes "A Bela o Monstro", "Alice no País das Maravilhas", "Mulan", "Frozen", "Cinderela",  "Dumbo" e "Aladdin".)


1. As animações deviam voltar a ser em 2D: A primeira opinião impopular não é de um filme específico, mas de uma característica comum a todos atualmente. Aparentemente, está na moda as produções serem em 3D, em que se vêem todos os poros das personagens. Meus caros amigos, eu se me ponho a ver desenhos animados, é porque quero ver mesmo desenhos animados, com os seus traços de rosto e de corpo toscos. E é possível ter na mesma um pouco de realismo de desenhos. Vejam este candelabro em a "Bela e o Monstro. Olhem bem os pormenores! E isto em 1998!


2. A versão live-action de "Alice no País das Maravilhas" é melhor que a original: Se me pedirem para explicar, eu nem o posso fazer porque, para ser sincera, a versão animada dava-me sono, eu nunca conseguia acabar de ver. Contudo, a versão de 2010 é encantadora, adiciona profundidade emocional à história, e este soundtrack com a Avril Lavigne é lindo (bons tempos na década de 2010s, em que ela estava na moda). 


3. Se calhar até é melhor que "Mulan" de 2020 não tenha cenas musicais nem o Shang: Inicialmente, quando saíram as primeiras informações sobre a nova adaptação da Disney, eu juntei-me à revolta dos restantes fãs. Como assim, não vamos ter as músicas clássicas, o Shang ou o Mushu?! How dare you estragar a minha princesa favorita de infância? Mas assim que vi este trailer arrebatador, eu mudei logo de ideias! Ao que parece, desta vez iremos conhecer a verdadeira lenda chinesa da Mulan e, para tal, a Disney tinha que tirar todos os elementos como a magia e o romance, que desrespeitam um pouco a cultura chinesa - e que, além disso, tirariam o foco do ponto central da história, a honra pela família acima de tudo o resto, mesmo do próprio país. Estou mesmo curiosa para ver esta versão mais adulta da personagem da Disney que mais me inspirou, que vai estrear em agosto. 


4. Frozen não é o primeiro filme a mostrar que uma rapariga não precisa de um príncipe para fazer feliz: É tão irritante quando dizem isto, e o pior é que parece ser a opinião geral. Não querendo puxar a brasa para a minha sardinha (leia-se, para o meu filme favorito), but hello, e a Mulan? "Mulan" saiu em 1998, aquilo na altura é que era muito à frente do seu tempo. Esse sim, é que foi o primeiro a falar de feminismo, não "Frozen". Malta, eu sei que alguns de vocês já nasceram depois de 2000, mas vejam os clássicos antes de fazerem afirmações destas. 


5. Cinderela tem um enredo muito fraco: Um minuto de silêncio antes de continuarmos, pela Cherry de 5 anos que adorava a Cinderela. A "Cinderela" foi o único filme da Disney que vi em adulta cuja magia se perdeu imediatamente. Com os outros eu consegui manter a nostalgia e a ligação emocional da infância. Mas neste, esqueçam, eu encontrei um enredo cheio de falhas. Quase todos o têm (porque não se tinham os mesmos cuidados que temos agora para criar histórias que realmente representem toda a sociedade), porém este é absolutamente aborrecido. Que princesa sem sal, que depende de um vestido bonito e de um sapato para ser feliz. 


6. Dumbo é simplesmente doloroso de se ver: Eu sei que, na altura, a intenção já era chamar a atenção para o abuso dos animais por puros fins de entretenimento (outro filme muito à frente do seu tempo, lançado em 1941!). Ainda assim, eu não consigo vê-lo, nem agora em adulta. Vi uma vez quando era pequena e foi o que me bastou para me ficar a alma a doer toda a vida. A cena que mais me atormenta a cabeça é quando a mãe de Dumbo é presa por simplesmente tentar proteger o seu filho bebé. E a cena dele bêbedo é, na minha opinião, uma das mais pesadas que a Disney já fez, tendo em conta que o seu público alvo são crianças.


7. Will Smith foi um bom Génio: Quando foi divulgado o elenco da live-action de "Aladdin", foram muitos aqueles que ficaram descontentes com a escolha de Will Smith. A verdade é que não deve ter sido fácil para a Disney escolher alguém para desempenhar uma personagem que, anteriormente, foi interpretada pelo lendário Robin Williams. Embora Will Smith nunca pudesse substituir este grande actor na perfeição, ele foi uma excelente escolha. Para fazer de Génio, era preciso ser cómico (óbvio!), ser dramático, saber cantar, dançar, e o ator sabia fazer isto tudo com distinção. 


E vocês? Quais são as vossas unpopular opinions sobre a Disney? 

9.7.20

5 razões pelas quais seres magro/a não te irá fazer automaticamente feliz

5 razões pelas quais seres magro/a não te irá fazer automaticamente feliz

Esta semana foi lançada uma capa da revista "Womens Health" que gerou um pouco de controvérsia. À primeira vista parece mais uma no meio de muitas, contudo, se olharmos mais a fundo, contém certos aspetos que podem dar azo a más interpretações. Portanto decidi ser mais uma blogger a falar do assunto. Não sou nutricionista nem psicológa, sou enfermeira, no entanto neste post não vou escrever sob esse papel, vou fazê-lo apenas como de mulher, e como uma outrora adolescente que  lia estas revistas e, apesar de já ser magra (supostamente o topo do padrão de beleza ocidental), me questionava porque é que tinha estrias e barriga a mais e aquelas mulheres das capas não. Mas isso era em 2000 e tal. Ainda me faz um pouco de confusão ver revistas em 2020 com esta linha editorial, numa era em que reinam as redes sociais que (à partida, muitas vezes não é o caso como todos sabemos) nos aproxima mais de pessoas reais.

Antes de mais nada, quero dizer que não tenho nada contra quem quer a mudar o seu corpo, aliás eu apoio todos os meus amigos que desejam embarcar na aventura da perda de peso. Tento é apoiá-los de forma a que não o façam pelos motivos errados nem de formas pouco saudáveis e duvidosas, para que este processo seja o mais satisfatório possível para eles.

Vou fazer apenas um breve resumo da situação que gerou polémica, para quem ainda não tem conhecimento e contextualizar o tema que quero abordar. A influencer que foi convidada pela revista afirma ter-se esforçado para perder peso nos últimos 7 meses. Até aqui tudo bem. O problema foram algumas afirmações que fez a seguir. Uma nutricionista no Twitter, a Helena Trigueiro, fez uma série de tweets que explicam melhor do que eu o porquê destas afirmações serem um pouco problemáticas, que  convido-vos a ver antes de continuarem a ler. 

Acima de tudo, aquilo desejo a todas as pessoas que estão a mudar o seu estilo de vida para se sentirem melhor consigo mesmas é que  esta mudança vos traga alegria, mas que percebam que esta acarreta que se façam mudanças interiores, nomeadamente a nível de autoestima, similarmente drásticas. Porque, momento chocante, ser magro/a não vos irá fazer automaticamente felizes (acreditem, eu sei do que falo, fui assim a vida toda), e passo a explicar porquê. 


1. Não vos vai dar mais autoconfiança: Ao contrário da crença popular, perder peso não nos aumenta a confiança automaticamente. Às vezes sim, até acontece, por ser a única coisa na nossa vida com a qual estávamos insastisfeitos, apenas medianamente (da mesma forma que quem está insastifeito com a cor do cabelo e o pinta de outro cor) porém, grande parte das vezes, esta necessidade está ligada a inseguranças muito mais profundas do que isso, talvez de anos, que precisam de ser trabalhadas com a mesma intensidade. O velho cliché dos filmes (embora um pouco inadequado) de uma pessoa dita "normal" que continua a ver-se como "gorda" é verdade. Aprendermos a amar o nosso corpo demora muito mais tempo do que emagrecer, e aceitarmos que, mesmo depois de uma mudança incrível, continuaremos a odiar coisas nele ainda custa mais a aceitar. É preciso tempo, muito tempo, muito apoio das pessoas que nos amam, e muitas frases positivas ao espelho para realmente aumentarmos a nossa autoconfiança.

2. Tira o foco da saúde: Algo que vejo muito nas redes sociais é o facto de estarem sempre a focarem-se no peso e não na saúde. Ser magro/a não vos torna automaticamente mais saudáveis. Eu que o diga que, quando era mais nova, comia imensas porcarias (principalmente chocolate, a minha perdição). Eu era magra, mas tinha zero de estilo de vida saudável. Agora sinto-me muito melhor que não bebo refrigerantes, bebo água todos os dias e tento ter uma alimentação o mais variada possível. Este ponto depende muito da forma que escolhem para emagrecer, se por uma via mais saudável ou menos saudável. E também, claro, de fatores que não controlam, como a genética, que podem influenciar o vosso índice de massa corporal. O mais importante, no final da mudança, não é número da balança, é o que vocês comem. 

3. Não vos vai dar amigos nem uma melhor vida amorosa: Não sejamos hipócritas, obviamente que a aparência tem um grande peso na formação nestes dois tipos de relações. Contudo, não é o único factor que importa na equação das relações humanas. Eu adoro uma citação que é muito ilustrativa daquilo que quero transmitir aqui - "beauty comes from within" (traduzindo, a beleza vem do interior). Eu falo por mim, eu automaticamente considero as pessoas mais bonitas consoante a personalidade. E não é preciso eu falar muito com elas, noto logo na primeira impressão, as pessoas em si transmitem uma energia muito própria que faz com que outras se interessem em falar com elas. Eu acho que essa é a verdadeira magia da socialização, mais do que uma boa aparência.

4. Pode não vos abrir mais portas: Mais uma vez, não sejamos hipócritas, uma boa aparência é importante em muitos sítios, até nas entrevistas de emprego. Mas não é tudo. Simpatia, à vontade, ser social e ter competências para a experiência oferecida são ferramentas que abrem muitas mais portas do que o vosso corpo (a não ser que sejam modelos, nesse caso ainda é o que pesa muito). Podem achar que sim, que perder peso vos abriu mais portas, porque lá está, tem a ver com o ponto 1, a vossa autoestima foi igualmente trabalhada  ao mesmo tempo, e isso teve muito mais influência numa oportunidade que tenham conseguido.

5. Não vos torna, no imediato, pessoas mais felizes com a vida: Emagrecer pode ser um passo para serem mais felizes, no entanto, na complexidade que são as vidas humanas, há tanta coisa que pode afetar a nossa felicidade, que considerar que isso é a garantia para sermos logo mais felizes é um pensamento falacioso. E não vejam isto como algo dececionante. Há tantas coisas que podem fazer para sentir alegria, todas uma luta diária mas, ainda assim, todas gratificantes no final. Emagrecer é a só uma delas, pensem nisto como um passo no grande plano de objetivos que podem atingir, não é entusiasmante existir possibilidades infinitas de sermos melhores?


Independentemente daquilo que a sociedade estabeleça como "bonito", o que importa aqui é gostarem ou aprender a gostar de vocês mesmos, e a imagem que vêem ao espelho corresponder à forma como se sentem, verdadeiramente bem.  

6.7.20

Um novo projeto em Enfermagem: e como me podem ajudar

Um novo projeto em Enfermagem: e como me podem ajudar

Chegou o dia em que finalmente posso revelar o projeto académico em que eu e o meu namorado andamos envolvidos durante toda a quarentena!  Deu-nos imenso gosto trabalhar nele e estamos tão ansiosos por vos mostrar o resultado final!

Este projeto foi realizado no âmbito do concurso H-HINNOVA - Health Innovation Award, que pretende premiar os estudantes universitários nacionais e internacionais que apresentem as ideias mais inovadoras em áreas específicas da saúde, nomeadamente em meio hospitalar. Foi neste sentido que desenvolvemos um máquina de distribuição de medicação que, a ser implementado, constituirá o passo seguinte em inovação em saúde - o AccioPharm (qualquer semelhança com a saga "Harry Potter" é pura coincidência... ou não). 

De uma forma muito sucinta, o AccioPharm é um sistema de gestão de terapêutica que agiliza a preparação e administração de medicação por parte dos enfermeiros, de forma rápida e mais eficaz possível. Com recurso a Inteligência Artificial, basta confirmar a medicação e esta é preparada automaticamente. Se, por exemplo, uma dada medicação for desaconselhada, como um antihipertensor, por um doente com tensões normalmente altas apresentar hipotensão em determinado dia, a máquina gera um alerta, tendo o enfermeiro responsável de aprovar ou cancelar a sua preparação. Assim, AccioPharm visa ser um complemento revolucionário na prática dos profissionais de saúde, ao reduzir o erro terapêutico em meio hospitalar, assim como os custos associados aos cuidados de saúde. 

Onde entram vocês? A última fase deste concurso requer a votação dos vídeos de apresentação das ideias dos grupos participantes. E preciso da vossa ajuda para o nosso projeto arrasar nas votações. A todos vocês que me acompanham, que gostam de ler o meu conteúdo, sobretudo o relacionado com Enfermagem, que estão há 5 anos a ver-me desenvolver ideias, espero que reconheçam agora valor neste projeto e que votem, partilhem nas redes sociais e com as vossas pessoas, que façam este vídeo chegar ao maior número de pessoas! O prémio, 2500 euros para cada elemento do grupo e uma oportunidade de implementar o AccioPharm juntamente com os melhores investidores é tentador e seria uma grande experiência profissional!


Como Votar?


A votação é bastante simples e intuitiva, não há cá formulários chatinhos. Basta possuírem uma conta de Instagram e seguirem apenas 3 passos:

1- Seguir a conta de Instagram do H-HINNOVA HUB (muito importante caso contrário o voto não conta!)



2 - Clicar no vídeo H2047 - Group from University of Minho 



3 - Colocar um gosto. 

O passo a passo de como votar ficará, até ao final de julho, disponível nos destaques do meu perfil de Instagram para o caso de terem dúvidas. O vosso voto será muito valioso para o nosso projeto, uma vez que o vídeo mais votado irá diretamente para a final do concurso! Eu e o meu namorado ficaremos muito gratos pelo pequeno sacrifício de tempo. Desde já, muito obrigada pelo apoio e desejem-nos the best of  luck. 

4.7.20

Livro: The Ballad of Songbirds and Snakes


Todos os fãs de "Hunger Games" sempre imaginaram uma data de possíveis prequelas que a Suzanne Collins poderia fazer - dos primeiros Jogos da Fome de todos, do Finnick e da Annie, dos jogos em que o Haymitch participou.... No meio destas hipóteses todas, acredito que ninguém esperava que a prequela fosse, na verdade, sobre o Snow. Passámos tanto tempo a odiá-lo que não nos ocorreu ler um livro em que ele fosse o protagonista. Confesso, foi um golpe de génio da Collins, por muito que alguns não tenham gostado desta abordagem (eu, ao início, não sabia se iria gostar), aguçou e muito a curiosidade dos leitores! Aqui fica a minha opinião.


Sinopse


"The Ballad of Songbirds and Snakes" revisita o mundo de Panem 64 anos antes dos eventos principais dos Jogos da Fome, no tempo da Katniss Everdeen, começando na manhã após a ceifa dos 10º Jogos da Fome.


A minha opinião


Antes de mais nada, aviso-vos que qualquer expectativas que tenham em relação a "The Ballad of Songbirds and Snakes", não vai coincidir para a realidade. Uns vão adorar, outros vão odiar - pelo menos é a sensação que tenho, pelas opiniões que tenho vindo a ler das reviews. Em primeiro lugar, este é um estilo de escrita muito diferente da saga original. Tem na mesma os seus plot twists (chocantes!), porém tudo é narrado num tom mais filosófico, a um ritmo mais lento. E, em segundo, porque esta não é a típica história de vilão, é muito mais complexo que isso, e passo já a explicar. 

No início da história, Coriolanus Snow tem 18 anos, e os 10º Jogos da Fome estão prestes a começar. Os estudantes da mais prestigiada escola do Capitólio são os mentores - aliás, é a primeira vez na História de Panem que existem mentores. Esta é, portanto, uma reflexão dos primeiros anos dos Jogos da Fome. Principalmente - aquilo que mais me despertou a atenção - do ponto de vista do Capitólio. Vemos também, pela primeira vez, os efeitos devastadores que a guerra causou na capital de Panem - supostamente seria de esperar que não tivéssemos pena, mas Snow tinha apenas 8 anos quando a guerra aconteceu, e era surpreendentemente pobre. 

Estão aqui os ingredientes reunidos para sentirmos empatia pelo Snow, algo que nunca imaginámos que fosse possível. O seu início de vida modesta, a sua oposição inicial aos Jogos de Fome, a lealdade que tinha para com os seus amigos são alguma das coisas nunca antes vistas nele. Mas não se deixem enganar, como seria de esperar, também estão aqui reunidos todos os ingredientes para essa empatia ser completamente destruída no final. Depois daquele final, eu passei-o a odiar ainda mais do que em "The Hunger Games" e não achava que isso fosse possível! Apesar de esta não ser uma história sobre a ascensão de um vilão, tal como já expliquei acima, vemos isso claramente nas últimas páginas do livro, quando a sua ambição desmedida começa a falar mais alto. 

Outra coisa inesperada nesta prequela é a existência de uma paixão por parte do Snow. Lucy Gray, para ser mais precisa, o seu tributo, de onde, meus amigos? Do distrito 12 (que escândalo!). Mesmo sabendo que tal não iria acontecer, à partida (terão de ler para saber) estive todo o tempo a torcer para que ficassem juntos. Até porque a Lucy Gray é tão carismática e encantadora (dava uma melhor protagonista que a Katniss). Todavia, como seria de esperar, este amor esconde um fundo de egoísmo, porque o Snow nunca seria capaz de se entregar a ninguém sem obter nada em troca. 

Como se o livro já não fosse juicy o suficiente, ainda existem um easter eggs nele (por exemplo, de onde realmente veio a música "The Hanging Tree"),  para os fãs nostálgicos desta série distópica. Para aqueles que esperavam uma prequela diferente, esta é também uma oportunidade de satisfazerem a vossa curiosidade e descobrir algumas coisas que sempre quiseram saber. Foi muito giro para mim ver algumas coisas  (sem estragar as surpresas) que passaram para a história principal, 75 anos depois. 

"The Ballad of Songbirds and Snakes" não é nem pretende ser o sucesso arrebatador que a saga original foi, está, aliás, longe de ser memorável. É um relato introspetivo, que tem como único objetivo adicionar mais profundidade à história de Panem. Mesmo não sendo essencial, se adorarem a saga recomendo vivamente a lerem.


Livro: Wook; Bertrand.

(Nota: Esta publicação contém links de afiliados)

1.7.20

5 coisas: junho 2020

 5 coisas: junho 2020

Há uns dias, li um tweet com o qual acho que a maior parte das pessoas se identifica atualmente "já estamos em junho, mas ficamos todos parados em março de 2020"- bem, pelo menos as mais sensatas, não estou a incluir aqui as pessoas que nem sequer chegaram a saber o que era uma quarentena por não terem cumprido. Ainda estamos a pensar no que 2020 poderia ter sido, e as nossas regalias que nos foram dadas parecem-nos diferentes daquilo que nos lembrávamos. No seu sexto mês,  o plot twist que esperávamos que este ano tivesse parece-nos cada vez mais longe.

Apesar disso, pelo menos a meu ver, estão a ser dias mais solarengos. Tudo aquilo que mais precisava durante a quarentena era estar com as minhas pessoas, o que maio trouxe. Agora tudo parece mais descomplicado. Estou a aprender, em conjunto com elas, que tudo se improvisa e que todos os planos podem ser adaptados e igualmente divertidos, sem prejudicar a saúde pública. Têm sido dias mais relaxados, em que o Covid já não é o assunto mais presente nas nossas mentes e vamos também aos poucos, fazendo mais afazares rotineiros que nos dão uma sensação de equilíbrio e que estamos a reorganizar, aos poucos, tudo o que tinha ficado pendente nas nossas vidas.



5 coisas que aconteceram


1. Novidades do projeto académico: Lembram-se de vos ter contado em abril que estava envolvida num projeto académico? Bem, estou prestes a poder dar-vos mais novidades (saberão já agora no início de julho), vem aí uma votação se irá realizar pelo Instagram, na qual vocês poderão contribuir se quiserem dar uma ajuda. Realizei este projeto com o meu namorado (algo que nos ajudou também a encurtar a distância durante a quarentena) e estamos orgulhosos do resultado final. Mesmo com as dificuldades impostas com o confinamento, a distância, a lentidão da net a atrapalhar, conseguimos criar algo que, a ser implementado, poderá revolucionar os hospitais que aderirem. 

2. S. João: Das coisas que mais senti falta até agora, em 2020, foram, por mais engraçado que pareça, as festas populares. Não sou muito de sair à noite, mas adoro o ambiente de festas de aldeia, para começar por ser ao ar livre, pelas iluminações, pelas farturas, pelos carrinhos de choque (sou uma eterna criança, que se há-de fazer).... O S. João aqui em Braga, à semelhança do Porto, é uma grande festa que, pela primeira vez, não se festejou com pomposidade. Ainda assim, não faltou o cheirinho a sardinhas pelas ruas, as conversas animadas na casa das pessoas e as habituais músicas pimba. Foi tudo muito civilizado aqui no Norte, todas as orientações da DGS foram cumpridas, o que não me surpreende, neste tipo de festas sempre achei que as pessoas seriam capazes de cumprir, porque é muito fácil transferirem as festividades para as suas casas. 

3. Idas ao centro comercial e uma forma diferente de fazer compras: Neste momento, tenho me mantido ao máximo longe da confusão da cidade, só abri exceção para uma coisa - para os centros comerciais. Em dias da semana e horas estratégicas, meus amigos, nunca pensei dizer isto, mas aquilo é o paraíso! Nunca vi um centro comercial com tão poucas pessoas, nas duas ocasiões em que fui lá  (sempre para compras que já andava a precisar há que tempos). Tirando a Primark, isso aí são filas daqui até à China, aquilo é sempre um campo de batalha (já não vou ser patrocinada por eles, but I dont care). Não sei se não se deverá ao facto de não ser tão atrativo passear lá agora, não se podendo experimentar roupas ou estar muito tempo dentro de uma loja. Parece que estamos a fazer compras de supermercado, vamos lá buscar o que queremos, trazemos roupas duplicadas para poder decidir se, por exemplo, nos fica melhor um S ou um M, e voltamos lá no dia a seguir para devolver o que não queremos. É quase tão rápido como se tivéssemos a comprar online, com a vantagem em que realmente podemos ver o tecido como ele é antes de comprar.  Mais eficaz era impossível!

4. Ecovia do Vez: A escolha dos meios rurais em detrimento da cidade tem sido mesmo a minha aposta para passear durante esta pandemia. Não há nada como ir um dia literalmente para o meio do nada, sem rede, sem mensagens/chamadas, sem hipótese de publicar fotos no Instagram na hora, para esquecer temporariamente o resto do mundo. No final de julho, decidi aventurar-me por um dos muitos trilhos que Arcos de Valdevez tem para oferecer, a Ecovia do Vez. Numa de coragem e talvez um bocado de maluquice, fiz o percurso completo (são 32 km!) . As paisagens são tão bonitas que nem notamos os quilómetros. Pode soar um pouco masoquista, mas quero fazer mais trilhos este verão - ok, mas só depois de me esquecer com as dores musculares que fiquei, que agora ainda pareço uma velhinha a andar. 

5. Normalização de recusar os planos por questões de saúde pública: Dando uma de diário de quarentena outra vez (por esta altura, diário de desconfinamento) porque ainda não há muito para contar em rubricas mensais, gostaria de falar aqui de uma coisa: o problema que as pessoas já estão a ter em recusar planos. Voltou a ser mal visto recusar planos sociais mais depressa do que se esperava, para desgraça de todos os introvertidos que andam por aí e não só. Para alguns, quase que parece mal visto continuar a cumprir certas precauções para evitar a propagação do vírus. Não estou a falar por experiência própria nem por experiência dos meus familiares/amigos, mas noto isto na malta jovem, sobretudo nos adolescentes. Se são uma dessas pessoas, que está a sentir pressão para aceitar planos, quero que percebam algo: não têm de se justificar. Se um plano não vos agrada, simplesmente rejeitam. Se, por exemplo, o plano consistir em ir para uma esplanada na praia cheia de pessoas e não se sentem confortáveis, não se sintam esforçados a ir só porque o vosso grupo de amigos já o faz. Parecendo que não, ainda estamos numa fase inicial de desconfinamento (tanto que nem está a ser igual em todas as regiões do país, algumas já tiveram que retroceder), e também todos nós estamos a desconfinar de modo diferente, de acordo com o nosso bem estar e preferências. 


5 coisas que adorei



1. Ler Harry Potter aos 27 anos: Há ainda um grande preconceito na literatura, associado ao facto de se ler livros infanto-juvenis na idade adulta. Como se os livros tivessem uma idade limite! Todos os fãs de Harry Potter então passam a vida a ouvir "mas tu ainda lês isso?". O que é estúpido, porque até é bastante comum muito destes fãs só se cruzarem com a saga em adultos, como é o caso da Andreia. Numa publicação muito completa, a Andreia mostra-nos como é entrar no universo de Hogwarts aos 27 anos. Reflete também sobre os prós e os contras que a jornada exige numa idade mais madura. 

2. Tempo de mudança: Com a morte chocante de George Floyd, o racismo voltou a ser muito debatido em julho. Em pleno 2020, os polícias brancos continuam a justificar a morte de pessoas negras na estrada com a típica frase "eu tenho família e tenho medo", desconsiderando completamente que as pessoas mortas pelas suas mãos também tinham uma família e não tiveram sequer hipótese de defender. Foi, portanto, muita a informação que surgiu na Internet a respeito deste tema, alguns mais claros do que outros. De todas as publicações/vídeos que vi, o da Mariana Gomes foi o mais completo. Juntamente com o namorado, Duarte, debateram o conceito do racismo, a história toda por detrás do mesmo e, no final, também sugeriram vários documentários, filmes e livros sobre o tema. 

3. Portuguesa demais para ser Africana, Africana demais para ser Portuguesa: Ainda sobre a discriminação racial, a Lyne partilhou no seu Instagram um vídeo da "Uma Africana", que me fez compreender melhor o modo como dois conceitos  distintos, nacionalidade e etnia podem coexistir dentro de uma pessoa. Como luso - africana,  a resposta à pergunta "De onde és?" nunca será curta para ela porque, tal como ela explicou, vive na interceção das duas culturas.

4. 3º episódio de "20 min de criação"- Gramática: "20 min de criação" é uma série de vídeos de Instagram, criado pela Sofia Costa Lima e Diogo Simões, para falar sobre escrita. Todas as temáticas abordadas até agora foram muito interessantes, mas o 3º vídeo, sobre gramática, é um must-watch! Tal como a Sofia disse a determinado momento, não damos gramática o suficiente na escola, e é essencial mantermo-nos atualizados. A Sofia e o Diogo, no final, partilham ainda sugestões de livros que nos ajudam a dominar melhor a gramática.

5. Estátuas Derrubadas: No calor dos protestos, "Black Lives Matter", deu a sensação que poucos foram aqueles que consideram as estátuas derrubadas como um ato de vandalismo. Apesar de ser a favor da causa, não posso compactuar com atos como estes, que mostram que muitos não sabem interpretar os acontecimentos históricos com o devido distanciamento. Neste texto, a Leonor apela que se contextualizem estes acontecimentos históricos em vez de os apagarmos para sempre, impedindo as gerações futuras de aprender com os erros do passado. 


Lembrem-se, a pandemia ainda não acabou, portanto aproveitem o verão da forma mais segura possível.

(Foto: da minha autoria)

23.6.20

Reli "The Hunger Games" em adulta - e estas foram as coisas que me apercebi

 Reli "The Hunger Games" em adulta - e estas foram as coisas que me apercebi

(Atenção: Este post contém spoilers)

Este ano, estão a ser lançados vários livros de sagas antigas, como o Crepúsculo (que eu não vou ler, nunca fui fã), e do "The Hunger Games" (uma prequela que foi lançada em maio, "The Ballade of Songbirds and Snakes"). Como 2020 não está a ser nada de jeito, os autores parecem ter pensado que era melhor ideia fazer uma viagem no tempo a 2012. Neste pretexto, decidi fazer também uma viagem no tempo ao ler uma das sagas que me marcou a minha adolescência. 

A primeira vez que li a saga "The Hunger Games" eu tinha 16 anos, e reli-a agora, aos 23 anos - é, portanto, uma leitura muito diferente daquilo que me lembrava. Passaram 7 anos, afinal! Continua próxima do coração, mas há tantos pormenores que na altura me escaparam e outros que ficaram muito mais claros que antes.


1. Esta não é a tradicional história "O/a escolhido/a revolta-se contra o governo ": Esta é a principal fórmula utilizada em muitas das distopias  que conhecemos (como, por exemplo, " The Handmaids Tale"), em que a personagem principal é aquela que incita tudo, no entanto não isso que se verifica em "The Hunger Games". Aqui, Katniss é apenas uma jovem de 16 anos que, como seria de esperar em alguém da sua idade, não faz a mínima ideia do que fazer, muito menos no cenário de uma revolta/guerra. Ela assume-se como símbolo da rebelião, mas todo o seu percurso é traçado por conselheiros, como o Haymitch e o Cinna.

2. Foi o Cinna que lançou a faísca para a revolução: Esta foi a maior surpresa que tive ao reler a saga. Quando a li pela primeira vez, a minha ideia é que tinha sido a Katniss a lançar a faísca da revolução, logo a partir do momento que se voluntariou para salvar a irmã mais nova. Mas a verdade é que a sua coragem nunca seria o suficiente para criar uma revolução, sobretudo com a sua personalidade fria e distante. Quem realmente atirou a lenha para aquela que se tornou uma grande fogueira foi o Cinna. Por incrível que pareça, foram as suas capacidades como estilista que a tornaram visível e lhe deram o look de uma verdadeira rebelde, juntamente com a sua amizade tão fiel que partilhava com ele. Tanto que, em "Catching Fire", ele paga com a própria vida ao produzir um vestido que é uma verdadeira ofensa para o Capitólio - um vestido de noiva que se transforma num  Mimo-Gaio.

3. Katniss e Peeta tem papéis tradicionais revertidos: Aposto que quase ninguém notou nisto, porque estavam demasiado ocupados a apreciar o drama do triângulo amoroso, mas é um facto, o Katniss e o Peeta não só  não se conformam com os papéis tradicionais, como os revertem completamente. Katniss é uma caçadora profissional, corajosa, fria, enquanto que o Peeta é um padeiro, adora decorar bolos e é mais sensível. Suzanne Collins já a ser demasiado para a frente naquela altura!

4. Irrita-me que, a partir de determinado momento, a saga gire em torno do triângulo amoroso: Esta é uma das razões pelas quais eu odeio o terceiro livro. A história geral tem tanta profundidade e acaba por ser reduzida ao típico cliché de adolescentes. Além disso, na altura em que de "The Hunger Games" foi lançado, toda esta cena de triângulos amorosos já estava demasiado batida há que tempos!

5. O presidente Snow sangra da boca: Nunca tinha percebido muito bem esta parte, apesar de estar nos livros. Talvez porque na minha primeira leitura de "Mockingjay" eu tenha desligado em várias partes, de tão longo e secante que era. Eu pensei que era alguma patologia respiratória (alerta nerd nurse), mas estava errada. Aparentemente, o Snow, para subir ao poder, envenenou vários dos seus adversários ao longo dos anos. Deitava-lhes veneno nas bebidas, bebendo ele próprio veneno no seu copo, para não levantar suspeitas. Claro que tinha um antídoto, contudo isso não impediu que o Snow ficasse com lesões permanentes, daí a tosse com sangue. 

6. A Presidente Coin é a verdadeira vilã da saga: Tal como já disse, não me julguem, claramente que na altura eu pouco percebi do que se passava no terceiro livro (imaginem então o filme, que apenas era um mero resumo dos acontecimentos). Claro que eu já percebia que havia algo de off na Presidente Coin. Ainda assim, lembro-me de ficar super estupefacta quando a Katniss, no final, decide matá-la a ela em vez do Presidente Snow. A única explicação  lógica que encontrei para isso é que, com o trauma pós-guerra, ela tinha enlouquecido! Lendo agora aos 23 anos, ficou mais óbvio que nunca que a Presidente Coin não só mereceu ter morrido assim, como também é a verdadeira vilã da saga. Arrisco dizer que ela nunca quis saber da rebelião para nada, nunca quis saber dos 75 anos de opressão de Panem, apenas queria roubar o poder do Presidente Snow. Se a Katniss não a tivesse assassinado, Panem seria apenas uma versão diferente de opressão. 

7. A Katniss poderia ter acabado como o Finnick se não fosse a revolução: No início de "Catching Fire", é insinuado pelo próprio Finnick que ele "vende o corpo" em troca de segredos, o que contribui ainda mais para a sua imagem de egocêntrico. Todavia, no livro a seguir, descobrimos que ele, na verdade, fazia isto porque não tinha outra opção. Os vencedores mais jovens e bonitos dos Jogos da Fome tinham, muitas vezes, o mesmo destino, para pagar dívidas que nem todo o dinheiro do mundo poderia pagar (como, por exemplo, afrontas ao Capitólio). Isto já é mais uma teoria minha do que um facto, mas a Katniss, se não fosse a história dos "amantes condenados", poderia ter tido o mesmo destino, jovem e bonita como era também, para pagar pelo truque das bagas.


Já (re)leram esta saga? A que conclusões chegaram?

(Foto: da minha autoria)

18.6.20

Temos que normalizar o consentimento em crianças

Temos que normalizar o consentimento em crianças

Um dos traumas (na falta de melhor palavra, não que seja algo extremamente traumatizante comparado com outras questões, claro) que todos nós recordamos da nossa infância são os amigos dos nossos pais e familiares distantes que nos beijavam, abraçavam e apertavam as nossas bochechas antes de podermos sequer soltar uma lagriminha a demonstrar o nosso descontentamento. Isto para não falar do que quando éramos nós que éramos forçados a ser ativos nas demonstrações de afeto, "vai dar um beijinho ao tio" (o qual nunca o vimos na vida) ou "não se ignora as visitas, vai dar-lhes um abracinho". Ah, maravilhas da vida adulta, agora só cumprimentamos quem queremos e ignoramos o resto, graças a Deus, hehehehe. Isto, na altura, era um drama mais do que os adultos conseguiam compreender, era o fim do mundo para muitos miúdos.

O consentimento em crianças sempre foi uma coisa muito normal para mim, talvez por ainda ter bem presente este trauma na minha cabeça. Nunca dei um beijinho ou um abraço a uma criança sem antes lhe pedir, é automático, algo do género "és tão fofinha, posso dar-te um beijinho?. Às vezes a criança nem precisa de verbalizar para eu perceber aquilo que ela consente, se se aproximar tudo bem, se fugir para o colo da mãe, pronto, não a chateio mais, é simples. 

Acho que esta minha atitude também tem muito a ver com o facto de eu, agora, ser enfermeira. Em enfermagem, quando nós falamos na construção de uma relação terapêutica, nós nunca a tomamos por garantido, e isto também se aplica à pequenada. Claro que, em último recurso temos na mesma que realizar os procedimentos (nomeadamente, as vacinas, as que causam mais choradeiras), mas nunca o fazemos sem antes tentar ganhar a confiança de determinada criança. Uma criança mais à vontade e mais entretida pelo profissional terá mais hipóteses de colaborar do que uma em que essa relação tenha sido logo tomada como garantida. Se até em Enfermagem não tomamos isso por garantido, porque  o fazemos no nosso dia a dia?

Temos que perceber uma coisa de uma vez por todas: as crianças, embora ainda não sejam adultos, já têm indícios de traços de personalidade que se inclinam mais para o ser social ou para o ser mais recatado. Não podemos partir do princípio que todas as crianças são extrovertidas à nascença. São-no com quem conhecem, com quem convivem todos os dias, não significa que o sejam com toda a gente. Lá por serem, por natureza, divertidas e sem filtros, não quer dizer que seja sempre esse o seu modo de agir. Há crianças mais tímidas, em que estes atos de afeto "obrigatórios" as aterrorizam. E isto já nem entrando no tema das fases de desenvolvimento, em que as crianças estão a começar a aprender a "desapegar-se" dos pais e a desenvolver mais contactos sociais - é uma fase normal, algo que tem de ser ultrapassado, mas é com sensibilidade,  devagarinho, não é simplesmente forçá-las, de repente, a dar-se com toda a gente. 

Aliás, no que toca a relação sociais, os pequenos são quase iguais aos adultos: todas as relações se demoram a desenvolver, existem tempo (esta noção de tempo é que é um bocado diferente para eles), confiança e, muito importante, respeito pelo espaço pessoal. Por exemplo se,  aos 20 anos, um primo nosso nos apresenta um amigo, não lhe vamos dar logo um abraço como se o conhecêssemos há anos, porque motivo então é expectável que façamos isso quando temos 5 anos? Mesmo que essa pessoa faça parte da família, se não é costume ela ver a criança com frequência, não podemos esperar que ela tenha a mesma reação do que aqueles familiares que vê todos os dias, ou todos os fins de semana. Lá porque é conhecido dos pais não quer dizer que seja conhecido dos filhos. 

Temos que começar a educar os miúdos desde pequenos para a importância do consentimento: consentimento para afetos, para deixar ou não entrar no seu espaço pessoal, para brincar, e dar-lhes o direito de ficarem chateados caso este seja violado. Acho que esta autonomia é tão importante na vida adulta, porque um comportamento aparentemente inocente na infância pode desencadear relações abusivas no futuro. Quando crescerem, têm de ser capazes de avaliar corretamente se certa pessoa é ou não merecedora do seu afeto, definir os limites que não quer que sejam ultrapassados, reconhecer os seus direitos, e outras formas que podem usar para manifestar amizade (by the way, porque não normalizar que, se não quiserem dar beijinhos a todos os tios, podem mandar beijinhos para o ar, cumprimentos de mão,  high-fives, todas as formas que requerem pouco ou nenhum contacto físico?). 

Acho que insistir nesta temática não significa que estejamos a criar pessoas rudes e antissociais, estamos sim a criar pessoas que sabem respeitar-se e que não dão confiança a qualquer um. Temos que começar a normalizá-lo. Quanto mais cedo aprenderem, mais fácil será no futuro.

16.6.20

Como ser ativista sem ter que ir a protestos


Na faculdade, tinha uma colega minha que é aquilo que é considerado uma verdadeira ativista. Sempre com a argumentação on point, sempre calma e assertiva, nunca levantava a voz, sempre bem informada sobre aquilo que defendia, e que levantava a mão sempre que alguma causa que merecesse ser abordada surgia em contexto de sala de aula - talvez tenha até mudado a mentalidade de alguns colegas (não de todos, porque não basta haver mensageiro, é preciso, como em tudo na vida, existir recetividade por parte dos ouvintes). Em manifestações, era a que levava o megafone, a que fazia os cartazes, e até ela própria já chegou a organizar alguns protestos.

Eu revia-me sempre nela e nas causas que ela defendia. Contudo, nunca participei numa manifestação nem sequer levantei a mão numa sala de aula para falar de algo. Sendo eu uma pessoa introvertida, nunca fez o meu estilo. Não gosto de aglomerados de pessoas e, sempre que posso, evito falar para um grande público (as apresentações de escola eram a minha noção de inferno). 

Será que sou, desta forma, menos ativista do que aqueles que escolhem sair para as ruas? Creio que não. Existem várias formas de ativismo, começando pelo facto de sermos bem informados, empáticos até outras opções que vou falar hoje, mais introvert-friendly e, nos tempos em que vivemos atualmente, mais covid-friendly


1. Trabalhem com o vosso próprio círculo social: Apesar de odiar falar para grandes públicos, pequenos grupos já não constituem um problema para mim. E, se são como eu, podem começar por apostar no vosso círculo social, de familiares e de amigos. Há quem ache que é fazer pouco, mas podem chegar longe assim, se conseguirem mudar a mentalidade nem que seja de um familiar, esse familiar irá falar com outras pessoas que, por sua vez, irão falar com outras. É, no fundo, ativismo em cadeia. Talvez a probabilidade de serem ouvidos até seja maior, tendo em conta que são pessoas que gostam de vocês e que, à partida, respeitam as vossas opiniões - é  muito diferente do que falar com um grupo de estranhos.

2. Publiquem nas redes sociais: As redes sociais são o melhor meio de chegar ao maior número de pessoas sem ter que sair de casa. Mas, cuidado, usem-nas bem. Não publiquem nada sobre o qual não estejam suficientemente bem informados. E publicar apenas quadrados pretos do Instagram, para ser contra o racismo, por exemplo, não é o suficiente. Partilhem coisas que façam pensar, nem que seja uma citação ou a sugestão de um filme. A chave aqui é serem o mais relevantes possíveis.

3. Doem: Esta é uma opção de ativismo para aqueles que têm a carteira mais recheada. Existem diversas associações hoje em dia que defendem o mais variado tipo de causas tudo, à maior parte das vezes, à distância de um clique na Internet. Desta forma estão mesmo a financiar para que ações concretas sejam tomadas. 

4.Voluntariem-se: Trabalharem no backstage também é serem ativistas. Podem não participar ativamente num protesto, mas podem ajudar a organizá-la. Podem voluntariar-se também em associações que, não tendo qualquer fim lucrativo, carecem muitas vezes de pessoas que as ajudem. 

5. Façam ou assinem petições: As petições, sobretudo online, são uma forma de protesto, às vezes, muito mais eficaz do que fazê-lo nas ruas. São números concretos que provam que um certo número de pessoas é contra algo que esteja a acontecer no mundo. Os protestos, infelizmente, por vezes são acusados de serem barulho "desnecessário", porém contra números não há desculpas que possam ser inventadas. 

6. Deixa o teu cartaz falar por ti: Se quiserem envolver-se em alguma manifestação, sem porém, terem de gritar ou estar no meio daquela gente toda, ponham-se numa janela ou à margem, façam um cartaz e deixem que ele fale por si. 

7. Defendam aquilo que acreditam todos os dias: Não adianta de nada fazerem todos os pontos que referi acima se, quando confrontados com determinada situação no quotidiano, não fazem nada. Se, por exemplo, são contra o racismo, pratiquem isso todos os dias, nada de olhares preconceituosos nem até simples proteger a carteira, porque "ai, é preto, pode roubar-me". Algumas coisas foram tão incutidas no nosso subconsciente que vai ser difícil, ao início, largar esses hábitos, mas é um esforço que temos que fazer todos os dias, que as nossas ações se adequem, cada vez mais, àquilo que defendemos. 

9.6.20

Os melhores empregos do Kirk

Os melhores empregos de Kirk

(Atenção: este post contém spoilers, se nunca viram "Gilmore Girls", não leiam este post).

A minha personagem preferida de "Gilmore Girls" é, sem dúvida alguma, o Kirk! Era de esperar que fosse uma das protagonistas, Lorelai ou Rory, mas não consigo evitar, para mim ele é o melhor! Além de ser uma personagem constante ao longo de toda a série (fator que me faz excluir, por exemplo Rory, por razões que explicarei qualquer dia), é das mais excêntricas de todas. A sua natureza meio awkward, a sua tendência para dar o seu nome a animais e o seu namoro no mínimo invulgar com a Lulu  são algumas das características que contribuem para chamar a atenção dos espectadores.

Aquilo que, contudo, tornou o Kirk mesmo único em "Gilmore Girls" foi a sua tendência para adquirir múltiplos empregos completamente distinto uns dos outros. Na temporada 5, no episódio 21, Kirk diz a Luke "já trabalho há 11 anos, Luke. Tive mais de 15 mil empregos". Embora 15 mil empregos seja um exagero, o que é certo é que Kirk teve mesmo muitos trabalhos, 62 para ser precisa (sim, eu fui pesquisar). Destes 62 apenas 5 foram repetidos pelas temporadas, e apenas 7 foram tentativas falhadas - não se pode ser um fotógrafo de casamentos se não houver casamento, não é Max e Lorelai?! Eu acho particularmente impressionante o facto dele ter tido apenas 7 empregos falhados, com a sua excentricidade eu diria que teriam sido mais, mas não, é para aprendermos que maluquice não é sinónimo de falta de ética de trabalho.

De entre todos os empregos do Kirk, estes são os meus favoritos (vou apresentá-los sempre de uma forma dramática, sempre o nome dele seguido da respetiva posição, é provável que isto me afaste leitores que desistem a meio do post - but well, eu nunca disse que era uma blogger propriamente inteligente).


1. Kirk, o cineasta: De tão estranha que esta curta-metragem é, tornou-se uma verdadeira obra-prima! Digam lá que não é o melhor filme a preto e branco que já viram heheheheh.


2. Kirk, o dono de um restaurante: Felizmente, este emprego acabou tão depressa como começou, porque não há ninguém que possa substituir o Luke´s. Mas não há como negar, teve imensa piada ver o Kirk a imitar o Luke na perfeição, até na forma de vestir.


3. Kirk, o criador de inovadores produtos de beleza: Eu admito, ele percebe mais de produtos de beleza do que eu até, assustador!


4. Kirk, vendedor de anéis de noivado: O Kirk brilhou neste emprego, assim como os seus anéis. Foi ele que vendeu ao Luke o anel perfeito para a Lorelai. Ah, pois é!


5. Kirk, o passeador de cães: Ok, eu não sei se passeador existe, alguém que me corrija se tiver errada, senão passa a existir. Anyway, este não foi o melhor emprego do Kirk, ele não tinha lá muito jeito com os cães, mas temos de admitir, era tão engraçado vê-lo a pôr os cães a jogar às escondidas (apesar de imprudente, até acaba por perder um deles mais tarde). 


6. Kirk, o vendedor de t-shirts: Eu comprava as t-shirts todas dele!


7. Kirk, o actor de recriações de guerra: Numa das reviravoltas mais surpreendentes das recriações de guerra de Stars Hollow, Kirk aparece vestido de mulher, e que encantadora que está - o Taylor é que não concorda com esta afirmação de certeza. O prémio de melhor emprego vai para este!



E vocês, quais são os melhores empregos do Kirk, na vossa opinião?

5.6.20

Filme: A Plataforma (2020)


As produções espanholas, ultimamente, estão em alta na Netflix, e não deixam de surpreender. Mesmo com um orçamento mais reduzido, arrebatam o público pela sua forma crua de abordar as coisas. A "Plataforma" é uma das entradas mais recentes no catálogo da Netflix que, em poucas semanas, chegou logo às mais visualizadas, e percebe-se porquê. 


Sinopse


Uma prisão vertical é regida por um mecanismo vertical, uma plataforma, que sai do piso 0 com um grande banquete. Cada nível tem dois prisioneiros e a fonte de comida imprevisível conforme o nível em questão.

A minha opinião


Desde logo, se estão à procura de um filme que vos faça esquecer o caos em que vivemos atualmente, esta não será a melhor escolha. Aviso também que "A Plataforma" pode ser nojento e pertubador - não serão poupados até dos detalhes mais sórdidos. Mas mesmo com estas condicionantes que podem afetar as pessoas mais sensíveis, merece mesmo ser visto, façam-no se puderem!

Como podem ler na sinopse, o conceito deste thriller é bastante simples, e uma alegoria bastante direta daquilo que a nossa sociedade é - só não compreende quem não quer. A condição humana aqui é ameaçada, não surpreeendentemente, por humanos. Os dos níveis mais elevados alimentam-se como reis, deixando os níveis mais abaixo com (quase) nada. Além disso, para agravar as coisas, ninguém sabe ao certo quantos níveis esta prisão tem e, por conseguinte, quantas pessoas dependem dos míseros restos de comida deixados por aqueles dominados pela ganância e irracionalidade. 

Como se estar na prisão já não fosse suficientemente difícil - como diria o filósofo francês Jean-Paul Sartre, "O inferno são os outros" - ainda há outra variante: a plataforma só está em cada piso por 2 minutos, e toda a comida tem de ser devolvida ao fim desse tempo, senão há ameaças de morte (o respetivo nível aquece ou arrefece para os extremos), o que faz com que os prisioneiros se atirem violentamente à comida. Isto, claro, os que têm oportunidade de o fazer.  Outro dos parâmetros mais flagrantes é que, todos os meses, as pessoas mudam de nível: tanto podem ir parar aos mais elevados como os mais baixos. De qualquer das formas, os valores morais são sempre abandonados.

Há uma frase durante o filme que me ficou na cabeça: " Se todos comessem apenas aquilo que precisavam, a comida chegaria até aos níveis mais baixos" (aliás, pensei nisso mesmo antes da própria personagem que o disse). O problema é que isso não acontece, nem na história, nem na vida real. 

No início de "A Plataforma", conhecemos um dos prisioneiros, Goreng, que acaba de chegar, por vontade própria (!), a este meio completamente cruel. Conhecemos ainda o seu companheiro da cela, Trigamasi (que tem um vício em dizer "óbvio", um dos poucos momentos cómicos para cortar um bocadinho o ambiente pesado do enredo), que anseia desesperadamente o fim da sua estadia. ali. Trigamasi aparece-nos, numa primeira parte, como um velho sábio, que fornece todas as informações sobre a prisão ao seu companheiro recém-chegado - funciona como um elemento de exposição para compreendermos e nos envolvermos com a trama.

À semelhança do protagonista, quanto mais percebemos a dinâmica da prisão, mais inquietos ficamos. A certa altura, a nossa cabeça começa a ficar às voltas com o egoísmo doentio que se revela. Em Goreng, vemos a sua mentalidade a entrar em mutação, a pensar em como irá sobreviver ou como irá quebrar o sistema.

Toda esta curta-metragem está envolta em muitos simbolismos, todos livres para muitas interpretações, tanto religiosas, como políticas ou relativas a meritocracia. A visceralidade das cenas foi necessária para realçar todos estes simbolismos, e o final, então esse, foi assombroso e gerador de ainda mais teorias!

De todas as formas, todos os que virem  "A Plataforma" terão uma interpretação em comum: esta é uma denúncia implacável do individualismo exacerbado que existe no mundo. Recomendo muito!

3.6.20

Diagnósticos em saúde: só os médicos é que o fazem?


Diagnóstico. Quando lêem esta palavra, aposto que a maior parte de vocês associam logo aos médicos, não é? Afinal são os médicos que fazem os diagnósticos, os outros profissionais trabalham a partir daí, não é, porque é que iriam associar a outra coisa, pensam vocês? Ora, porque esta ideia é errada, meus caros amigos. Os médicos não são as únicas pessoas que podem diagnosticar uma pessoa. Agora se me disserem que são os únicos profissionais que podem fazer diagnósticos médicos assim sim, já estamos a conversar. Isto porque existem diferentes tipos de diagnósticos muito específicos à sua respetiva área, desconhecidas pela população em geral, uma vez que a primeira tendência que têm é pensar logo em "médico, consultório". 

Dando uma de escrita de tese (porque eu fiz uma investigação direitinha, não brinco em serviço), conceito de diagnóstico tem origem  na palavra grega diagnõstikós, que significa discernimento, faculdade de conhecer, de ver através de. Na forma como é usado, na atualidade, significa estudo aprofundado realizado com o objetivo de conhecer determinado fenómeno ou realidade, por meio de um conjunto de conhecimentos teóricos, técnicos e metodológicos. O que significa que, apesar de ser tradicionalmente usado na Medicina, entretanto este termo já foi incorporado aos discursos e práticas profissionais de diferentes áreas da saúde. Com base na minha própria profissão, com a ajuda de outros profissionais da blogosfera e com alguma pesquisa no estatuto das referidas profissões, consegui reunir alguns exemplos para mostrar todo o mundo de diagnósticos que existem para além dos médicos, e como eles se complementam uns aos outros.


1. Diagnósticos médicos: Começando pelos diagnósticos mais conhecidos, os diagnósticos médicos, ao contrário das crenças populares, foca-se essencialmente nas patologias. Um diagnóstico médico trata a doença ou a condição médica da pessoa, e é orientado para a cura da mesma.  Um exemplo de diagnóstico médico é Acidente Vascular Cerebral. Os médicos seguem fundamentalmente uma perspetiva biomédica, muito embora estejam a mudar agora para uma perspetiva biopsicossocial. 

2. Diagnósticos de enfermagem: Por outro lado, um diagnóstico de enfermagem concentra-se na pessoa de uma forma holística, ou seja, na pessoa como um todo. É como se fosse a resposta humana aos diagnósticos médicos. Pegando no exemplo acima, se o diagnóstico médico de uma pessoa for um AVC, o enfermeiro centra-se na pessoa em uma transição saúde-doença, em que colabora com a pessoa neste processo de transição. Face ao diagnóstico médico de AVC, o enfermeiro autonomamente antevê as necessidades específicas da pessoa face a este doença - e os diagnósticos de Enfermagem serão algo como risco de queda, dependência para vestir-se/despir-se em grau elevado ou comunicação comprometida. Fora do hospital, na maior parte das vezes os enfermeiros fazem diagnósticos sem a pessoa ter sequer alguma doença subjacente. 

3. Diagnósticos nutricionais: Ainda menos conhecidos do que os dois primeiros, existem os diagnósticos nutricionais, da competência e exclusiva responsabilidade dos nutricionistas. O estado nutricional é um dos componentes de saúde, que é influenciado pelo consumo e utilização de nutrientes e, claro pelas necessidades individuais, sendo estas informações obtidas a partir de exames clínicos, dietéticos, físicos e antropométricos. Um diagnóstico nutricional resulta da análise final de todos estes exames de avaliação do estado nutricional. Os nutricionistas não têm uma CIPE como, por exemplo, os enfermeiros, mas empregam termos que se traduzem em diagnósticos, como desnutrição. 

4. Diagnósticos psicológicos: Os diagnósticos psicológicos, realizados pelos psicólogos, são muito menos lineares do que os três primeiros devido, principalmente, à própria complexidade da mente humana e ao desconhecimento que temos desta área em relação ao nosso corpo. Os psicólogos, para diagnosticarem uma pessoa, têm por base a compreensão da estrutura da personalidade e funcionamento mental do indivíduo, considerando a sua realidade biopsicossocial, estudando traços de personalidade, competências cognitivas e de memória, entre outras dimensões. O diagnósticos psicológicos dependem da área (psicologia clínica, forense, etc.), porém, trocando por miúdos, têm como objetivo a pessoa tomar consciência do próprio problema e auxiliar na sua tomada de decisão. Não confundir com os psiquiatras, cuja atuação se baseia nos sintomas físicos dos transtornos mentais e na prescrição de medicamentos.

5. Diagnóstico fisioterapêutico: Sou sincera, foi o único no qual eu não falei com o respetivo profissional da área, porque não encontrei ninguém até à data de publicar este post, pelo que me baseei apenas naquilo que pesquisei. Assim, se alguém da área me corrija nos comentários se eu estiver errada. Avançando este disclaimer, o diagnóstico fisioterapêutico, realizado pelo fisioterapeuta, tem como finalidade identificar, quantificar e qualificar o distúrbio cinético-funcional de orgãos e sistemas, sensíveis à abordagem fisioterapêutica, direta ou sinergicamente. Continuando com o exemplo do AVC (por esta altura, já deu para perceber o quão conectados estão todos pontos, né?), sendo esta doença caracterizada pela perda rápida de função neurológica, um diagnóstico fisioterapêutico seria algum tipo de discinesia muscular, como uma hipocinesia (que é uma diminuição redução do movimento).


Em saúde, todos os profissionais são colegas autónomos, e ninguém manda em ninguém. Complementam-se, mas cada um atua de acordo com a sua área de saber. Naturalmente, este é um resumo simplista daquilo que são os vários diagnósticos em saúde - que, com o passar do tempo, vão evoluindo ainda mais - pelo que vos convido agora nos comentários a escrever aquilo que ficou por dizer , o que acrescentariam noutros pontos ou até que outros diagnósticos em saúde conhecem, estou curiosa para ler. 

2.6.20

5 coisas: maio 2020

5 coisas: maio 2020

Maio sempre foi o meu mês favorito, todos os anos. Contudo, este ano, não foi. Após 2 meses de quarentena, começou o desconfinamento, o mundo começou lentamente a voltar ao normal, os raios de sol começaram a aparecer, o calor, e a esperança que o dia em que voltaremos a chegar às nossas rotinas banais chegará. Foi uma lufada de ar fresco numa quarentena que foi dura, mas não foi o suficiente para colocar este maio à altura dos outros. 

Isto é capaz de soar ingrato tendo em conta as coisas boas que caracterizaram o meu mês de aniversário, mas é a mais pura das verdades. Ainda assim, se medir as coisas pelo cenário atual de uma pandemia, maio continuou a brindar-me com a sua magia, quebrando a letargia que o confinamento me deixou e substituindo-o por dias mais alegres em que penso que, mesmo quando o mundo está o caos, eu continuo a ser privilegiada, sobretudo pelas pessoas que tenho na minha vida, que foram as responsáveis por todas as surpresas que tive neste mês. 


5 coisas que aconteceram


1. Um aniversário em quarentena: Tal como já suspeitava em março, o meu aniversário foi em quarentena. Foi atípico, sem dúvida alguma, mas também foi comovente ver o quanto as minhas pessoas se esforçaram para que fosse o mais parecido possível com o que teria sido se nada disto tivesse acontecido. Calhou no último dia de quarentena, o que significa que nem do concelho podia sair, pelo que toda a celebração foi feita com muita ajuda das tecnologias, mas nem por isso me senti menos ligada, muito pelo contrário, até me senti mais. E com a promessa que já faltava pouco para os ver presencialmente, custou menos.

2. Começaram os reencontros: Após uma semana de desconfinanento - decidi esperar uma semana não fosse a coisa correr mal e voltar tudo ao mesmo, mesmo que possa ser pessimista, uma pessoa tem que prevenir - começaram finalmente os reencontros com todos aqueles que mais ansiei ver nos últimos dois meses, sempre com os devidos cuidados, claro. Deu para matar as saudades e foi a principal motivo de alegria do meu mês.

3. Motivação a voltar lentamente ao normal: Isto de não ter saído de casa durante 2 meses deixou-me com um cérebro de banana. Porém, este mês, com o sol e o facto de já poder sair para mais sítios está a fazer a minha motivação e os meus níveis de produtividade regressarem lentamente ao normal. Acho que até o simples facto na televisão já transmitirem mais coisas para além de COVID COVID anima um bocado - prefiro mil vezes mais ter debates de desporto em barulho de fundo (sim, porque televisão comigo é só quando não me apetece ter a casa demasiado silenciosa).  Eu até fiz muito durante a quarentena, mas nada comparado com o que fazia antes. Bem, o importante é que agora o desgaste psicológico já não se faz tanto sentir e, aos poucos, estou a recuperar o ânimo com que comecei 2020 - embora já não vá ser o ano que todos esperámos que fosse, ainda há maneiras retirar algo bom dele.

4. Um verão sem idas à praia: Apesar de já ter ido visitado familiares, feito passeios mais longos que o habitual (principalmente noturnos, aquele ar fresquinho de uma noite de verão sabe mesmo bem), tenho feito um desconfinamento de modo meio contido. A verdade é que não tenho grande interesse em ir a certos sítios até a pandemia passar, porque não é a mesma coisa com todas as medidas de segurança que têm de ser cumpridas. E um desses sítios são as praias. Por esta altura, num ano normal, eu já teria posto os pés na areia pela primeira vez e aberto oficialmente a minha época balnear porém, este ano, não estou a ver isso a acontecer. Para começar, eu em épocas normais já abomino demasiadas pessoas por metro quadrado de areia - graças a Deus que aqui no Norte não enchem assim tanto, pelo menos não como no Sul. E agora que a malta toda apanhou-se desconfinada, têm ido aos milhares! Nahh, este ano não me apanham na praia. No máximo, assim na loucura, poderei dar umas caminhadas por lá mais para o final do verão, mas não vou estar lá estendida na toalha. Paciência, há muitos outros locais mais sossegados onde poderei aproveitar para repor os meus níveis de vitamina D.

5. A apoiar negócios locais: Para quem, como eu, bem ao estilo dos introvertidos, prefere evitar as multidões nos primeiros tempos de desconfinamento, há formas de fazer com que essa escolha não afete a economia, principalmente os negócios locais que a pandemia deixou em risco. Os take-aways  e compras de bolos em cafés para trazer para casa têm sido, para já, a minha principal aposta - até para matar saudades de todas as gulosices que não pude comer na quarentena e o que não falta em Braga são cafés e restaurantes. Dizem que os sabores estão ligados a memórias e, neste momento, dão-me uma sensação de normalidade. 


5 coisas que adorei


1. Revenge of the 90s Home: Antes da pandemia se instalar, eu ia ver os "Revenge of the 90s" na noite do meu aniversário, já os tinha visto no Enterro da Gata o ano passado e a minha expetativa num espetáculo próprio deles era ainda maior. Infelizmente, tal não chegou a acontecer, mas este espetáculo pelas redes sociais chegou quase à altura do que seria ao vivo. Talvez seja um bocado injusto eu compará-lo aos que aconteceram previamente na quarentena, porque obviamente os outros artistas não tiveram outra possibilidade para fazê-lo que não nas suas próprias casas. O que é certo é que, graças ao início do desconfinamento, este grupo de noventeiros teve a possibilidade de brilhar mais, ao fazê-lo num estúdio - sempre com o distanciamento social assegurado - o que abriu um leque de todo um novo tipo de interações, nomeadamente a partilha de ecrã com os fãs, os ecrãs verdes para efeitos especiais e, principalmente, uma qualidade de som muito superior. Assisti, para já, a dois dos sábados em que o evento online se realizou e foi mesmo divertido!

2. Terapia de Casal: Há já algum tempo que ouvia falar maravilhas deste podcast, até porque sigo atentamente o blog da Rita da Nova, porém só agora é que me comprometi a ouvi-los regularmente, na minha rotina de exercício físico. "Terapia de Casal" é o podcast que pode acabar com o casamento do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova, mas até agora estão a safar-se desse trágico destino. Talvez porque os terapeutas sejam mesmo bons, apesar não terem formação para tal - na verdade são humoristas como eles. Entre os convidados, já apareceram o Ricardo Araújo Pereira, a Bumba na Fofinha e o Salvador Martinha. Há ainda episódios sem nenhum terapeuta, em que são apenas os dois a ler mails que recebem dos ouvintes com as perguntas mais hilariantes. Os temas abordados são essencialmente uma sátira da vida a dois, como discutir na Internet, adormecer a ver séries, revelar ou não a existência de Exs, trair nos sonhos (?) entre outros temas, cada um mais aleatório do que o outro. 

3. Malinha da Cavalinho: Acho que é a primeira vez que coloco aqui um favorito relacionado com moda (é por isso que sou pobre, se tivesse um fashion blog estava a nadar em dinheiro), mas tinha mesmo que colocar este aqui! Sou uma rapariga tipicamente apaixonada por malas grandes, tal como já admiti aqui. Gosto de andar com uma quantidade absurda de tralha atrás de mim, garrafa de água, um livro ou o meu Kindle, maquilhagem para retocar... Contudo, ultimamente, tenho a andar a apostar mais em malinhas pequenas, até porque não dá jeito ir sempre com coisas grandes para todo lado, e também porque são peças mais clássicas. Por isso, fiquei apaixonada por esta malinha da Cavalinho quando a recebi. Tanto que o meu namorado, que ma ofereceu, já se arrependeu, porque esta paixão está a abalar a nossa relação - ok, estou a brincar, mas facilmente podia ser verdade, com uma mala assim. Aquilo que mais gosto nela - além do seu ar arrojado com a combinação de vermelho e azul - é o facto de ter vários compartimentos por dentro e por fora, o que aumenta consideravelmente a quantidade de tralha que posso transportar, dão mesmo imenso jeito! É o melhor dos dois mundos para uma pessoa que gosta de carregar a casa às costas mas quer apostar em acessórios minimalistas.

4. Maio Vazio: Maio, o mês mais académico de todos, este ano foi muito triste para todos os estudantes universitários. Até para mim, que já estou a ver "de fora", me custou ver perderem todas as festividades académicas que merecem. Sobretudo os finalistas e os caloiros. A Leonor é caloira este ano e, neste texto, partilha aquilo que é para ela um maio vazio, tal como o título indica. Mando-lhe um abracinho apertado e que as celebrações dos próximos anos compensem o vazio desta.

5. Story Diver: Para quem não viu no stories do meu Instagram, eu estou a reler a triologia "The Hunger Games" para poder ler o novo livro que a Suzanne Collins lançou, " The Ballad of Songbirds", que é uma prequela com o Snow na sua juventude (promete!). E, portanto, o vício de "The Hunger Games" voltou, parece que estamos em 2012 e eu tenho 16 anos outra vez. Quando estava a rever os trailers dos filmes (assim só pela nostalgia), cruzei-me com o canal "Story Diver" . Nos seus vídeos, a youtuber partilha teorias sobre os tributos, sobre como seriam as outras arenas anteriores, quais seriam os Quarter Quells se a revolução nunca tivesse existido... Há certas teorias que nunca me ocorreram, e reler a saga ao mesmo tempo que vejo estes vídeos está a dar-me uma visão muito diferente da história. O melhor de tudo é que a youtuber atualiza o canal frequentemente, e também está a ler o novo livro.


Como foi maio para vocês? Mais animado também?

(Foto: da minha autoria.)