"". Life of Cherry: Setembro 2018 !-- Javascript Resumo Automático de Postagens-->

29.9.18

"Would You Rather?" versão Harry Potter


(Atenção: Esta publicação contém spoilers. Se nunca leram os livros ou os filmes da saga " Harry Potter não leiam este post).

Eu estou a criar aqui o hábito transformar tags de Youtube  em textos and Im not even sorry. Sinto que não tenho jeito para ser youtuber mas quero fazer certos vídeos na mesma. Sentem aqui a contradição? Para combater este desejo, recrio as suas versões blogosféricas. Assim sendo, como já devem ter calculado, a brilhante ideia de criar um "Would You Rather?" versão Harry Potter não surgiu do nada, foi através deste vídeo de uma das minhas youtubers favoritas, a Cherry Wallis (foi o nome dela que me atraiu para o canal dela. Ao contrário do meu, não é um pseudónimo, é mesmo o nome dela!).

Eu pedi-vos sugestões pelo Twitter (destaque para a Inês, as perguntas dela elevaram mesmo a fasquia!), pesquisei outras na net (existiam mesmo muitas!), e todas geraram reflexões muito interessantes. Todas estas situações foram respondidas com o meu "eu" real, com a minha falta de conhecimento em feitiços  (apenas os básicos vá, aqueles que todos os estudantes de Hogwarts sabem quando entram para lá) e a minha trapalhice natural. Espero que se divirtam tanto como eu  e respondam nos comentários aquilo que escolheriam. 


1. Sirius ou Snape, só podes ressuscitar um, qual escolhes?
Por muito que eu, no final da saga, tenha ganho grande empatia pelo Snape, por ter passado por vilão e por nunca ter sido compreendido em vida, eu escolheria ressuscitar o Sirius, não há hipótese aqui. Uma das razões pelas quais eu escolho o Sirius é porque sempre tive uma crush por ele e nem pensem que o deixaria morrer se tivesse escolha! Outra das razões pelas quais eu o ressuscitaria é pela sua história de vida, pela sua personalidade e, sobretudo, porque era o único membro da família de Harry vivo e, depois da sua morte, ele ficou completamente sozinho e isso é tão heartbreaking

2. Passar um noite na floresta negra ou passar uma noite em Hogwarts com um Dementor a vaguear?
Tendo em conta que eu não teria capacidade de realizar o feitiço Patronus para me proteger do Dementor, nunca na vida me vaguearia por Hogwarts sabendo que estava a arriscar-me a receber um beijo do Dementor e perder a minha alma. Além disso, a floresta negra não é assim tão perigosa. Bem, tem aquelas aranhas enormes, os centauros, mas o resto das criaturas até são bastante inofensivas. Caso contrário, o Hagrid não colocaria os estudantes de castigo lá, pois não?

3. Preferias ser um rato por 13 anos ou passar 13 anos em Azkaban?
Same here. Em Azkaban existem Dementors. Eu fugiria de qualquer lugar habitado por Dementors. Portanto, preferia ser um rato por 13 anos. Viveria fora das casas para não ser morta pelos humanos nos entretantos.

4. Se o Harry Potter tivesse que ser sorteado noutra casa, preferias que fosse um Hufflepuff ou um Slytherin?
Hufflepuff, pois claro (eu a puxar a brasa para a minha sardinha eheheheh). Embora o Harry tenha mais traços de personalidade para ser dos Slytherin, mas sou eu que mando e  Hufflepuff é a melhor casa!

5. Preferias ter a Murta Queixosa na tua casa de banho todas as manhãs ou ter a Lavender Brown como amiga e ela afastar todos os teus potenciais pretendentes?
Malta, eu não sei qual é problema que vocês têm com a Murta Queixosa, ela é completamente inofensiva e, às vezes, até consegue ser muito simpática. O mal dela é ser incompreendida. Portanto sim, eu escolheria aturar a Murta Queixosa todas as manhãs. A Lavender é bastante irritante, acho que ser  amiga dela já era suficientemente mau, afastar todos os meus pretendentes ainda pior, nem pensem que me sujeitava a isso!

6. Preferias ter a Dolores Umbridge como vizinha ou a Rita Skeeter?
Deus me livre, eu quero é distância da Dolores Umbridge! Ter a Rita Skeeter não é assim tão diferente da normalidade, a maior parte das vizinhas são sempre coscuvilheiras e, com as redes sociais, é que se sabe mesmo tudo, portanto a Rita não iria escrever nada que já não se soubesse.

7. Preferias ter o Manto da Invisibilidade ou o Time Turner?
Não escolheria o Time Turner porque não há nenhum erro do passado que eu queira corrigir. Sim, há certos erros dos quais não me orgulho e que foram muito dolorosos, mas todos os erros me tornaram naquilo que eu sou hoje, tornaram-me numa pessoa melhor. Além disso, há erros que me acabaram por conduzir a coisas boas. Por vezes, os caminhos errados levam-nos aos certos. Assim, eu escolheria o Manto de Invisibilidade. Poderia ir a muitos sítios com ele, e o primeiro que eu escolheria era a zona restrita da biblioteca de Hogwarts (bem ao estilo de uma bookworm).

8. Preferias usar uma sweater oferecida pelos Weasley ou óculos loucos como os da Luna Lovegood?
Eu não teria problema nenhum em usar qualquer uma dessas coisas. Eu acho os óculos da Luna Lovegood bastante estilosos (eu já cheguei a usar uns em saídas noturnas, porque não?), e também usaria a uma sweater dos Weasley (não as acho assim tão feias como o Ron as pinta). Como isto é um jogo de preferir e eu só posso escolher uma, eu escolheria a camisola dos Weasley, por ser uma prenda oferecida com tanto amor. Eu aceitaria qualquer coisa daquela família, são mesmo queridos!

9. Preferias receber uma lap dance de Vernon Dursley ou uma massagem corporal de Filch?
Oh Meu Deus, este dilema é tão horrível! Ambos os cenários são repugnantes! Quem é que é o ser humano cruel que se lembrou de uma coisa destas?! Ainda assim, preferia uma lap dance do Vernon Dursley. E agora fiquei a imaginar o quão constrangedor seria e não consigo tirar essa imagem da minha cabeça. Curiosidade: pelas sondagens que eu vi na Net, a maior parte das pessoas preferia uma massagem corporal do Filch. Como assim pessoal?! Já imaginaram ele estar a massajar-vos o corpo todo, com aquelas unhas que ele tem... Que má escolha, ao menos com a lap dance vocês estão com a roupa vestida e o tormento acaba mais depressa.

10. Preferias correr para a parede errada da Plataforma 9 3/4 ou o Manto da Invisiblidade cair enquanto estavas a espiar a tua crush?
Correr para a parede erra da Plataforma 9 3/4, obviamente! Isso nem seria muito humilhante, perder-me já faz parte do meu quotidiano, não fosse o meu sentido de orientação péssimo.

11. Preferias sofrer um feitiço de pernas de gelatina ou vomitar lesmas por um certo período de tempo?
Ugh, tudo menos vomitar! Odeio mesmo vomitar, e então vomitar lesmas como o Ron era impensável! Preferia mil vezes espatifar-me no chão por causa de "pernas de gelatina" (espatifar-me no chão também já faz parte do meu quotidiano de qualquer das formas, ao menos não seria com obstáculos imaginários).

12. Preferias lançar feitiços e não poderes voar numa vassoura ou poderes voar?
Lançar feitiços. Fazer magia era tudo o que mais queria! Além disso, eu não sei se seria boa a voar numa vassoura, desastrada como sou o mais provável é que acabasse toda partida no chão.

13. Preferias ser de Slytherin ou não ir para Hogwarts?
Ser de Slytherin. Nunca na vida optaria por não ir para Hogwarts por causa de uma casa, aliás, eu escolheria qualquer uma para ter oportunidade de ir para lá. Eu identifico-me muito mais com os Hufflepuffs (quem diria, da primeira vez que fiz o teste no Pottermore, estava em negação, queria ser dos Gryffindor) mas, pensando bem, eu até tenho algumas características desta casa, como ser ambiciosa e ter um certo desprezo por regras.  Eu sei porque é que esta pergunta foi feita, os Slytherin têm má fama, porém há que desmistificar isso e pensar que também se formaram lá bons feiticeiros (querem melhor exemplo de que o Snape?). Como alguém que faz parte de uma casa que tem fama de ser para os tolos, sinto empatia pelos Slytherins.

14. Preferias ser morta pelo Voldemort ou pela Bellatrix?
Pelo Voldemort. A Bellatrix tortura as pessoas antes de as matar, eu prefiro ter uma morte rápida mesmo que isso signifique morrer nas mãos do feiticeiro mais cruel da história.

15. Preferias que a magia existisse mesmo e tu não soubesses por seres muggle ou que tudo fosse ficção?
Teoria da conspiração: e se, na verdade, os livros da J.K Rowling não forem de ficção, forem na verdade uma biografia sobre a vida de Harry Potter e de toda a população mágica? Os governos escondem tanto de nós que, se calhar, também nos andam a esconder isso. Os livros da J.K Rowling estiveram para ser banidos, mas como ela implorou tanto, lá aceitaram que estes fossem publicados como obras de ficção.  Chamem-lhe negação, mas eu prefiro acreditar que a magia existe apesar de eu não poder utilizá-la do que viver num mundo sem magia.

28.9.18

30 músicas que (por alguma razão misteriosa) toda a gente conhece


Embora todos nós possamos ter crescido a ouvir coisas completamente diferentes e tenhamos desenvolvido gostos musicais completamente diferentes, há algo que todos nós temos em comum: há músicas que todos nós conhecemos. E não digo apenas a geração que nasceu nos anos 90 ou antes, porque estas canções, apesar de muitas delas já não passarem na rádio, continuam a aparecer em filmes, vídeos de youtube e desenhos animados.

Por alguma razão desconhecida, ficaram no nosso subconsciente (deviam fazer um estudo sobre isto!), podemos nem saber a letra, mas se ouvirmos a melodia reconhecemos logo. Alguns de vocês já devem ter espreitado a lista (sim, eu sei que há malta que avança a introdução) e pensado "Eu conheço as músicas todas!". Eu aposto que conhecem, só não se lembram é do nome. Eu não me lembrava do nome de muitas, foi graças às recomendações do Youtube que eu desencantei muitas destas relíquias. Se fazem parte do (pequeno) grupo que não espreitou a lista, o meu desafio para vocês é verem quantas músicas conseguem reconhecer pelo nome e quantas tiveram que ir conferir ao Youtube. Partilhem nos comentários para ver quem é que conhece mais (não há nenhum prémio para o que conhecer mais lamento, mas é giro na mesma, prometo).


1. Barbie Girl- Aqua.
2. Mambo No 5-Lou Bega.
3. Dancing Queen-ABBA.
4. Mamma Mia- ABBA.
5. Umbrella-Rihanna.
6. Summer of 69- Bryan Adams.
7. Sexy& I Know It- LMFAO.
8. I will always love you- Witney Houston.
9. Eye of The Tiger- Suvivor.
10. My Heart Will Go On- Celine Dion.
11. Bad Day- Daniel Powter.
12. The Final CountDown- Europe.
13. Like The Way You Move- Body Rockers.
14. Poker Face- Lady Gaga.
15. Love Is All Around- Wet Wet Wet.
16. Respect- Aretha Franklin.
17. Where is The Love- Black Eyed Peas.
18. Gangstat´s Paradise-Coolio.
19. Wannabe- Spice Girls.
20. US3- Cantaloop (Flip Fantasia).
21. Thriller -Mickael Jackson.
22. Don´t Stop Believin-Journey.
23. Jump Around- House of Pain.
24. Everthing I Do- Bryan Adams.
25. Maneater- Nelly Furtado.
26. La Macarena- Los Del Rio.
27. The Ketchup Song- Las Ketchup.
28. Dont You Want Me- The Human League.
29. I Should Be So Lucky- Kylie.
30. Thrift Shop- Macklemore & Ryan Lewis. 



Quantas músicas conheciam pelo nome? Quais são as músicas que acrescentariam à lista? (se tiverem numa de pesquisa)

26.9.18

Os introvertidos também podem ser bons enfermeiros?

 Os introvertidos também podem ser bons enfermeiros?

Enfermagem é das profissões com mais interação social. Aquilo que seria lógico é que as pessoas que se metem no curso fossem as mais extrovertidas. É por isso que muitos ficam confusos quando eu lhes digo que estudo em Enfermagem. Não o dizem, mas eu sei o que pensam "Meu Deus, ela é tão introvertida, como é que ela quer ser enfermeira?!". Até já cheguei a receber comentários no meu blog acerca disso.

Há a ideia que os introvertidos têm menos competências sociais, por não gostarem tanto de interagir e de preferirem passar todo o tempo sozinhos. Isso não é necessariamente verdade. Nós, introvertidos, gostamos mais de nos conectar com grupos menores de pessoas do que, por exemplo, ser o centro das atenções numa grande festa, e depois preferimos recarregar baterias sozinhos em vez de procurar mais interação social. Isso não faz de nós pessoas com menos competências sociais, apenas significa que socializamos de modo diferente. 

Confesso que foi algo que me debati durante o curso. Durante algum tempo, acreditei mesmo nisso, que estava numa profissão feita para extrovertidos, e que talvez eu não tivesse lugar ali. Porém, à medida que fui fazendo diversos estágios, ganhando experiência e observando os mais variados enfermeiros, percebi que, nesta profissão, existem lugares para todos os tipos de personalidades. Aquilo que é preciso saber é valorizarmo-nos a nós mesmos e arranjar uma forma de fazer com que os nossos traços de personalidade resultem com as exigências da profissão. Aqui estão alguns dos traços de personalidade que podem ser o ponto forte dos enfermeiros introvertidos.


1. Bons ouvintes: Os introvertidos são, regra geral, bons ouvintes, prestando mais atenção não só  à comunicação verbal, como à linguagem não verbal que até pode revelar muito mais do que aquilo que é dito oralmente e que pode dar informações essenciais para poder melhorar os cuidados de um paciente. Às vezes, o simples facto de nos disponibilizarmos para ouvir um paciente torna-se em algo terapêutico para ele.

2. Mais observadores: Quando temos uma forma de estar mais sossegada, não estamos tão concentrados em interagir a toda a hora e isso permite-nos observar melhor o ambiente que nos rodeia. E todas as pessoas que trabalham na área da saúde sabem o quão ser bom observador é importante. No curso de Enfermagem, é algo que ouvimos a toda a hora "observem, observem, observem...". Os introvertidos têm mais capacidade de observar o ambiente que rodeia um paciente e o modo como este afeta a sua saúde, as relações sociais em que ele se apoia, mudanças subtis no seu estado de saúde ou mesmo o que pode estar por detrás das suas mudanças de humor.

3. Trabalham melhor em equipa: Aposto que este é um ponto inesperado para muitos de vocês. Os introvertidos são vistos, frequentemente, como pessoas antissociais e que, portanto, odeiam trabalhar com outras pessoas, preferiam fazer tudo sozinhos. Mas, na verdade, os enfermeiros introvertidos trabalham melhor em equipa. Como não gostam de ser o centro das atenções, não se importam nada de colaborar com os outros enfermeiros e não estarem em papéis de liderança. Podem não ser os membros da equipa com uma presença mais forte, mas são bastante eficazes.

4. A sua presença conforta os pacientes e as suas famílias: Eu acredito que as personalidades das pessoas transmitem energias diferentes, que passam para os outros. Falando neste caso específico, eu considero que os extrovertidos têm uma energia mais vibrante e barulhenta, digamos, enquanto que os introvertidos têm uma energia mais calma e relaxante. Se, por um lado, a presença de um extrovertido pode animar as pessoas, por outro lado a presença de um introvertido pode relaxá-los em momentos stressantes.

5. A preferência por conversas mais profundas: Os introvertidos são conhecidos por odiarem conversas de circunstância. Morremos um bocadinho por dentro de cada vez que temos que fazê-las. Sabemos que, por vezes, são necessárias para quebrar o gelo, mas não as prolongamos por mais tempo que o necessário. Optamos sempre por conversas mais profundas, que nos permitam estabelecer uma conexão real com uma pessoa. Em Enfermagem, este traço de personalidade é útil para estabelecer uma relação terapêutica mais forte com os pacientes e ganhar mais a sua confiança.


Qual é a vossa opinião? Acham que os introvertidos dão bons enfermeiros?

24.9.18

7 coisas completamente erradas no filme "Sierra Burgess is a Loser"

 7 coisas completamente erradas no filme "Sierra Burgess is a Looser"

(Atenção: Esta publicação contém spoilers. Se não viram o filme "Sierra Burgess Is a Loser",  não leiam esta publicação.)

Confesso que, da primeira vez que vi o filme "Sierra Burgess is a Loser" achei-o fofinho. Tem bons atores, não é uma comédia romântica aborrecida, até é bastante divertida e consegue cativar-nos até ao fim.  Já lhe reconhecia algumas falhas, mas até achei a história bonita. Contudo, à medida que outras pessoas também o foram vendo, foram dando a sua opinião e manifestando a sua revolta,  eu fui começando a reparar em todos os problemas da história. Quando voltei a rever muitas das cenas, fiquei abismada ao constatar que acreditei que aquilo era romântico quando, na verdade era muito, muito errado.

"Sierra Burgess is a Loser" tem tantos problemas que chega a ser chocante como é que uma pessoa não os viu logo. Aparentemente, o filme foi cuidadosamente de forma as que as personagens saíssem favorecidas e nós gostássemos delas. Eu própria, que costumo estar sempre atenta a red flags, deixei escapar muitas coisas por isso. Este filme é perigoso e pode levar-nos a considerar ações imorais românticas.

Poderia ter incluído aqui muitas mais cenas, acreditem. Todavia, isso tornaria a publicação muito exaustiva, pelo que decidi focar-me apenas naquelas que considerei mais relevantes. 


1. O catfish: Descobrirmos que a nossa paixão tem outra identidade já não é novo no mundo dos romances, mas a Sierra Burgess elevou-o a um nível muito extremo. Este foi o ponto que me fez torcer o nariz logo no início, mas eu achei que os produtores iriam arranjar uma forma de tornar aquilo um pouco mais perdoável. Porém, pelo contrário, eles conseguiram-no torná-lo no pior dos casos de catfish que eu já vi (sim, ultrapassou os casos que se viam naquele famoso programa da MTV, "Catfish"). Muitos dos pontos que estão nesta lista mostram o quão mau foi.

2. Quando Sierra finge que é surda: Quando Dan e Sierra se cruzam com Jamey ela, em vez de enfrentar a situação, finge que é surda. Ok, não querias que a tua voz fosse reconhecida, mas ao menos poderias ter fugido, sempre era menos mau. Pior de tudo, é depois a Sierra ficar a pensar que partilharam um momento bonito. Não, isso foi gozar com a deficiência de uma pessoa!

3. O beijo que deveria ser da Veronica: A meio da história, a Sierra combina um encontro com o Jamey, e a Veronica vai no lugar dela, recebendo, ao longo do encontro, indicações por SMS do que dizer. A certa altura, quando o Jamey quer beijar Veronica, ela força-o a fechar os olhos e põe a Sierra no lugar dela. Jamey beijou-a pensando que estava a beijar a Veronica. Pareceu romântico, não pareceu? Pois, mas se esta cena fosse ao contrário, as raparigas já estariam a falar todas sobre consentimento. Malta, temos que nos lembrar que o consentimento também existe para o sexo masculino, e beijá-los sem autorização está englobado nisso. Neste caso, o Jamey consentiu beijar Veronica, não uma estranha qualquer que ele nunca viu sequer.

4. Quando Jamey manda uma foto em tronco nu à Sierra: Para dar uma pausa nas acusações à Sierra (porque são mesmo muitas), vamos aqui falar também das cenas erradas que o Jamey fez (porque ele aqui não é nenhum Peter Kavinsky). Uma delas foi mandar uma foto em tronco nu, sem avisar. Nunca se  deve mandar fotos com algum tipo de nudez sem avisar a outra pessoa. Isto também é uma questão de consentimento.

5. Quando o Jamey diz à Veronica que a sua voz parece "magra" outra vez: Ai, Neo Centineo, tu parecias muito fofo em "All The Boys I Loved Before", aqui que género de falas tu tens (vá, estás perdoado, a culpa é de quem escreveu o guião). Bem, quando o Jamey conhece Veronica (a verdadeira) ele ouve a sua voz normal, aquilo que ele considera a voz de uma rapariga magra. Depois, ele fala com a Veronica das mensagens (aka Sierra) e acha que a sua voz está mais "cheia". A Sierra até pergunta se ele está a chamar a sua voz de "gorda", e ele insiste em dizer que não é esse o caso. Avancemos então para o encontro com a Veronica real, em que ele diz que ela tem a voz "magra" outra vez. Hum, ok, obrigada? Que raio de constatações são estas?! Desde quando é que a voz existem vozes magras ou gordas?

6. A Sierra não teve nenhuma consequência pelas suas ações: A Sierra começou por fazer catfish, discriminou muita gente pelo meio, virou todas as pessoas que gostava dela contra ela e, ainda assim, no final, tudo parece que se resolve magicamente. Ela não enfrentou nenhuma consequência pelas suas ações. Ainda pior, ela acaba por atingir o objetivo que sempre quis, namorar com o Jamey, usando meios totalmente errados! A propósito dele, achei a sua declaração de amor muito forçada. Uma pessoa que sofreu catfish nunca reagiria desta forma. Mesmo reconhecendo que se apaixonou pela personalidade dela, demoraria imenso tempo a ganhar confiança nela e teriam que recomeçar tudo de novo (desta vez, sem segredos!). Não seria assim tão instantâneo. Nenhuma pessoa sã aceitaria entrar num relação quando ACABOU DE SER ENGANADA! "Sierra Burgess is a Loser" poderia ter-se redimido neste ponto, ao dar um final mais real ao enredo, um final em que percebemos que o conceito de falhado é muito relativo, e que tem mais a ver com as nossas ações do que com as aparências (isto teria sido uma forma brilhante de explorar a trama).

7. Jamey dá um elogio (mesmo!) muito terrível no final do filme: Passo a citar "Podes não ser o tipo de toda a gente, mas és o meu tipo". O quê?! Ele não poder ser o tipo de toda a gente porquê, por não ter o peso de uma modelo da Victoria Secret? Dá a sensação que ele andou este tempo todo atrás de uma rapariga magra e que não se apaixonou mesmo pela personalidade da Sierra. Eu não sei quem é que ele quer enganar.


Depois de ter visto "Sierra Burgess is a Looer", de ter acreditado que era bonito, só mais tarde descobrir todos os problemas relativos ao mesmo e ver o mesmo a acontecer com muita gente  é que percebi o quão fácil é consumir conteúdo só para nos entretermos sem pensar nas mensagens nocivas que podem estar por detrás dos mesmos. Nem todas as obras de ficção são perfeitas - e não podemos cair no erro de julgar tudo aquilo que transmitem- mas só podemos ignorar as suas falhas até certo ponto.


Já viram "Sierra Burgess is a Loser" ? Qual é a vossa opinião?

21.9.18

Livro: Jantar Secreto

 Livro: Jantar Secreto

Por vezes, eu demoro uma quantidade absurda de tempo a escrever reviews de livros. Ora porque não quero dar spoilers, ora porque não sei como descrever o que senti, ora porque quero fazer justiça à história...  Chega a ser muito frustrante. E com este então, que foi tão "fora da caixa", eu demorei ainda mais tempo.

2018 está a ser, definitivamente, o ano em que eu estou a explorar a fundo a literatura brasileira, e "Jantar Secreto" é uma grande adição aos meus favoritos.


Sinopse


Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Panamá para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem os possíveis para pagar a faculdade e manter vivos os seus sonhos na capital fluminense. Mas o dinheiro é pouco e aluguer apertado. Para sair do buraco e manterem o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meios de jantares secretos, divulgados pela Internet e dirigidos a uma clientela exclusiva da elite carioca. Na ementa: carne humana. A partir daí, eles envolvem-se numa espiral de crimes e levam ao limite uma índole perversa que jamais pensariam existir dentro deles. 


A minha opinião 


Eu não estava preparada para o quão perturbador iria ser "Jantar Secreto". Eu já deveria ter adivinhado pela sinopse, que deu logo a entender que esta história iria envolver canibalismo, mas isto conseguiu ser muito mais duro e cruel do que eu imaginava. Na primeira metade do livro, eu ainda pensei "bem, isto é pesado mas já li pior". Porém, a partir daí até ao final foi mesmo "O QUE É ISTO? Meu Deus do céu, o que é que estou a ler?!". O Raphael Montes não tem medo de descrições violentas. E acreditem, ele descreve detalhadamente tudinho, desde o corte das pessoas, cenas de violência extrema, até o próprio sabor da carne humana. Por estes motivos, eu não aconselho esta leitura a pessoas menores de 18 anos. Mesmo que sejam maiores de 18 anos, se são muito sensíveis e não costumam ter estômago para cenas grotescas como estas, nem pensem em começar sequer! Pronto, já ficaram avisados.

Só para terem noção, nos dois dias em que estive a ler o livro, eu só comi peixe,  porque eu não ia conseguir comer carne sem pensar nas atrocidades que estava a ler. Eu cheguei a passar fisicamente mal, para verem a intensidade do enredo.   

Durante a leitura, é quase impossível refletir sobre canibalismo sem refletir também sobre o consumo de carne normalizado pela sociedade. O autor chega a tecer duras críticas aos consumidores de carne, o que me leva a crer que ele é vegetariano - e, mais tarde, uma breve pesquisa no Google confirma as minhas suspeitas. Não vou entrar em discussões sobre vegetarianismo nem o porquê de eu não ser vegetariana (já fiz isso aqui) porque a questão é complexa de mais para isso mas que, de facto, o nosso consumo de carne enquanto sociedade é exagerado, isso ninguém pode negar. Não poderia concordar mais com o autor quando ele afirma "A carne vicia". As indústrias aproveitam-se disso. Assim, além da importante questão da reeducação alimentar, acho que esta história também é uma crítica indireta à forma como as indústrias tratam os animais. 

No entanto, mais do que o canibalismo, "Jantar Secreto" aborda algo ainda mais chocante e muito pertinente atualmente. Tanto que arriscaria dizer até que o canibalismo é apenas um tema secundário. Não é preciso pensar muito para perceber do que se trata. O que é que levou Dante e os seus amigos a mergulharem neste negócio negro? Dinheiro. Talvez, poder. Não faz diferença, aliás, estas duas motivações são o mesmo: a verdade mais cruel é que dinheiro é poder. E, ao longo desta trama, vemos o quão longe as personagens vão por dinheiro. É assustador pensar que isto pode acontecer na realidade, a qualquer um, por muito "normal" que pareça. O dinheiro cega as pessoas, faz com que elas esqueçam completamente os seus valores.

Apesar do tema pesado, é muito fácil ler numa só tacada. A escrita de Raphael Montes é meio YA, muito simples (é mesmo só neste aspeto que é YA, atenção), que nos permite ir de um capítulo a outro de uma sem ficarmos exaustos. 

Como devem calcular, é difícil gostar das personagens ou mesmo ter algum tipo de simpatia. É natural sentirmos alguma pena em algum momento. Eu se calhar não senti tanto como o desejado pelo autor por causa de algo que acontece logo no início e que considero uma falha. Eles começam estes jantares porque Dante recusa-se a pedir ajuda à mãe, que é bastante rica. Eu compreendo que ele não queria sentir-se outras vezes nas garras da mãe mas, caramba, entre isso e contribuir para o canibalismo, é preferível ouvir o "Bem te disse!" da mãe. Teria sido mais credível se a mãe de Dante fosse pobre. Aí sim, eles estariam numa situação sem escapatória. É só uma pequena falha, todos os livros os têm, nem os melhores escapam a isto. 

Dado que a sinopse atira tudo para a mesa, desde o início, estava à espera que tudo fosse previsível (afinal, até o prólogo revela que aquilo vai dar merda)  e, por este motivo, não estava à espera do final. Que plot twist e mais não digo! Foi mesmo ali nas últimas páginas, quando já estava a dar a história por terminada. A única coisa que tenho pena é que foi um bocado apressado, não houve grandes explicações, e sinto que deveria ter sido mais explorado.

"Jantar Secreto" é completamente louco, doentio, viciante e eu recomendo-o vivamente a todas as pessoas que estiverem preparadas psicologicamente e emocionalmente para o lerem.  Fez-me ficar apaixonada pela escrita de Raphael Montes, ele é o Stephen King versão brasileira. Agora fiquei  mesmo curiosa para ler outros trabalhos dele.


Já leram este livro? Digam-me o que acharam nos comentários.

18.9.18

A "Noite da Mulher" é uma forma de dupla discriminação

A "Noite da Mulher" é uma forma de dupla discriminação

Numa altura em que o feminismo anda nas bocas do mundo, pouco se fala sobre algo que ainda é bastante comum na maior parte dos estabelecimentos noturnos. Parece que andamos  a jogar um jogo de ignorar o óbvio.

Todos nós, mais novos ou mais velhos, certamente  já estamos familiarizados com as famosas "Noites da Mulher" nos bares e discotecas. Na maior parte dos estabelecimentos,  a promoção consiste em entradas mais baratas para as mulheres e ofertas de três bebidas, mas há outros que elevam mais a fasquia nessas noites e oferecem entrada gratuita. 

Quando falamos de igualdade de género convém percebermos que privilégios com base no género não entram nem devem entrar na equação. Igualdade é igualdade, não funciona só quando nos convém, sejamos homens ou mulheres. Vejo muitas mulheres a defender com garra o feminismo, e depois a aceitar este tipo de ofertas porque "ah, nós já somos prejudicadas em tantos aspetos, temos que aproveitar aonde temos vantagens". 

Às mulheres que se aproveitam destes descontos, convido-vos a irem mais a fundo e refletirem no que está implícito quando se aceita uma oferta como esta. Não sejam ingénuas: os proprietários não pretendem ser simpáticos ou cavalheiros, tudo o que ambicionam é o lucro. Como se costuma dizer, não há almoços grátis. Este suposto benefício não passa de mais uma forma de explorar a beleza feminina para atrair o público masculino, cujos consumos de álcool, apesar de o paradigma atual ter mudado, ainda continuam mais elevados.  Uma vez ouvi dizer o seguinte: se vocês não pagam pelo produto, significa que o produto são vocês. 

No entanto, desenganem-se se pensam que as "Noites da Mulher" são apenas mais uma forma de sexismo exclusivamente dirigido às mulheres. Isto das entradas mais baratas/gratuitas para o sexo feminino é discriminatório para ambos os lados. As mulheres são usadas como "isco" para movimentar o negócio e atrair homens, e os homens são penalizados no acesso aos estabelecimentos, tendo que pagar muitas vezes o dobro, isto para não falar que estão a ser tratados como animais que precisam ser atraídos por algo. Estão, basicamente, a assumir, que todos os homens não vão a estes espaços de lazer por mera diversão, vão apenas para irem à "caça". Quão ofensivo é isto?

Além destas questões, as Lady Nights (como são conhecidas no estrangeiro) perpetuam outras formas de sexismo e estereótipos que passam mais despercebidos, mas que são igualmente errados: a ideia que as mulheres são incapazes de pagar as suas próprias bebidas e que têm que esperar que alguém as aborde, e a ideia que de que são os homens que têm que pagar as bebidas e serem os primeiros a meter conversa. 

Não sou muito de sair à noite, mas das poucas vezes que saio certifico-me que não seja em noites destas. Não só seria hipócrita da minha parte defender a igualdade de género e depois aproveitar ofertas destas, à descarada, como também me sentiria mal por estar a ser discriminada e a discriminar os outros ao mesmo tempo. 

Mulheres: ficar sem a "Noite da Mulher" poderá ser mau para a vossa carteira, mas será bom para a vossa dignidade. Homens: Não tenham medo de assumir as situações em que também estão a ser discriminados, cheguem-se à frente e falem. Toda a forma de discriminação, por muito subtil que seja, continua a ser discriminação. Não as ignorem por conforto.

16.9.18

5 coisas que adoro no blog "Girassol"

5 coisas que adoro no blog " O pequeno Girassol"

Tal como existem feel good filmes e livros, também acredito que existem feel good blogs. Aqueles blogs que visitamos quando estamos mais agitados, mais stressados, mais inseguros ou quando simplesmente precisamos de uma leitura mais leve para nos esquecermos do mundo por uns minutos. São aqueles blogs que parece que têm pozinhos de magia e que têm o dom de nos fazer sentir uma paz interior inexplicável. É isto que eu sinto quando visito o "Girassol"

Apesar de só ter conhecido este espaço recentemente, este já ocupa uma das posições de topo na minha lista de feel good blogs.


1. A personalidade doce do blog (tal como a autora!): A primeira palavra que me vem à cabeça de cada vez que visito "Girassol" é "doce". Eu não conheço a Matilde, mas quase que meto as mãos no fogo para apostar que ela é uma pessoa doce pela forma como sorri nas fotos e pela paixão que deposita em todas as palavras que escreve. Ao lermos as suas publicações, desejamos ser a melhor amiga dela.

2. As imagens aesthetic: Meus Deus, as imagens deste blog são tão aesthetic! Adoro especialmente o ar vintage que têm, maioritariamente em tons pastel e muito minimalistas. Dá mesmo gosto olhar para as fotos e acompanham sempre muito bem os posts.

3. Promove o amor próprio: Muitas das publicações da Matilde giram à volta de disto mesmo, do amor próprio, uma jornada que devia ser fácil mas que nunca o é e, por isso, é sempre bom sabermos que não estamos sozinhos nesta luta. A Matilde, no seu cantinho, abraça toda a sua weirdness, descarta os rótulos, destrói crenças, incentiva-nos a largar as relações tóxicas e estimula-nos a ser a melhor versão de nós mesmos.

4. O seu amor pelos clássicos: Classics never get old. São a base da cultura cinematográfica, são uma janela para o passado e, damn, dão-nos nostalgia para caraças! Nota-se que a Matilde é uma grande apreciadora de clássicos, quer sejam livros (como "The Great Gabsty"), filmes (como "Breakfast At Tiffany´s", como não adorar a Audrey Hepburn) ou séries (não, Matilde, nunca ninguém se cansará de ver "Friends").

5. Um bom remédio contra o bloqueio criativo: "Girassol" é um grande poço de inspiração. É daqueles blogs em que é impossível sair de lá com pelo menos algumas ideias. Ao vermos um blog tão bonitinho, com uma escrita tão cuidada e conteúdo tão primoroso dá-nos logo uma vontade de ir criar algo assim também. 


Já seguiam o "Girassol" ? O que é que mais admiram nele?

14.9.18

Kindle vs. Kindle Paperwhite: Qual é que compensa mais?

Kindle vs Kindle Paperwhite: Qual é que compensa mais?

Quando finalmente decidi comprar um Kindle, a questão que coloquei a seguir era que tipo de modelo iria adquirir. Existem 5 modelos: o Kindle Básico, o Kindle Paperwhite, o Kindle Fire, o Kindle Voyage, e o Kindle Oasis. Exclui logo os três últimos porque eram demasiado parecidos com tablets(além de serem bastante caros!), e o meu objetivo não era adquirir um aparelho semelhante a um tablet , era adquirir algo o mais próximo possível de um livro físico. Assim, fiquei indecisa entre dois modelos o Kindle Básico e o Kindle Paperwhite. Para me decidir, fiz várias pesquisas sobre os dois, vi vídeos de booktubers, pedi opiniões, até que decidi comprar  o normal. Hoje trouxe-vos uma comparação dos dois  e o que é que me levou a escolher um em detrimento de outro.

Como eu não sou nenhuma expert em tecnologia, para ser mais fácil de compararem os dois modelos, eu deixo aqui abaixo um quadro sobre as características técnicas de cada um:


Como podem ver, as principais diferenças entre o Kindle e o Kindle Paperwhite são a luz embutida (no caso do Paperwhite), a Internet (no Paperwhite não dependem de uma rede Wi-Fi, é como os dados móveis do vosso telemóvel) e a resolução do ecrã. Não sei até que ponto a duração da bateria que está na tabela é verdade, porque, pelos vídeos que eu vi, dizem que dura mais ou  menos o mesmo nos dois modelos. Basicamente, as duas versões são muito parecidas e funcionam praticamente da mesma forma.

A diferença mais significativa aqui é o preço. Enquanto que o Kindle Básico custa 79,99 euros, o Kindle Paperwhite custa 129,99 euros. São 50 euros de diferença.  E foi esta diferença de preços que me fez torcer o nariz ao Paperwhite. 

Todas os vídeos e publicações que eu vi na Internet colocaram o Kindle Paperwhite num pedestal, dizendo que era muito mais vantajoso, revolucionava a experiência de leitura,... Alguns até diziam que não valia a pena comprar o Kindle normal, só se fossem leitores muito ocasionais, caso contrário o Kindle normal era inútil e iriam fartar-se dele(?), e se estamos com pouco dinheiro mais vale esperar do que comprar o básico. Eram tantas as pessoas que fizeram reviews assim, que dá a sensação que eu sou a única que tem esta opinião, e foi por isso mesmo que eu escrevi este post.

Eu acho que o Kindle básico é muito melhor. Para mim, não faz sentido gastar 50 euros para ter luz embutida. Primeiro, porque eu nem sequer quero luz embutida, quero que aquilo imite mesmo papel, não que pareça um tablet (sim, eu sei que a luz é projetada para dentro mas, ainda assim, não me agrada aquela luminosidade toda). E segundo porque, caso eu quisesse ler à noite sem acender candeeiros, eu compraria simplesmente uma destas luzinhas que são muito mais baratas e vão dar ao mesmo. Mas isto sou eu, que não gosto de gastar dinheiro em picuíces. 

Se, de facto, têm possibilidades de comprar um Kindle Paperwhite e o modelo agrada-vos, façam-no. Mas se, como eu, preferem gastar dinheiro noutras coisas (como mais livros), não vale a pena optarem pelo modelo mais caro. O Kindle básico tem todas as funções necessárias para vos proporcionar uma ótima experiência de leitura. 

11.9.18

O 11 de Setembro foi uma das minhas primeiras memórias de infância


Toda a gente se lembra do dia 11 de setembro de 2001. Toda a gente sabe perfeitamente o que estava a fazer no dia em que as famosas Torres Gémeas de Nova Iorque se desmoronaram, levando consigo milhares de vidas inocentes. 

Eu tinha 4 anos de idade. Não me lembro de muita coisa dessa altura, como é natural, ainda era muito novinha. Mas lembro-me perfeitamente do final da manhã de 11 de setembro de 2001. Pode muito bem ter sido a minha primeira memória da qual me recordo. 

Era hora de almoço aqui em Portugal. Eu estava a brincar no chão da cozinha, perto da televisão, enquanto a minha mãe estava a acabar de cozinhar e os meu pai a chegar do trabalho. De repente, calho de olhar para o que está a dar na TV e aquilo que vejo chama-me à atenção: duas torres em chamas. Eu não sabia que aquelas eram as famosas Torres Gémeas nem sequer onde eram, mas aquela visão deixou-me automaticamente horrorizada. Comecei a questionar os meus pais, a perguntar o que estava a acontecer, mas eles pareciam estar tão chocados como eu. Como poderiam eles explicar aquilo a uma criança, se nem os adultos compreendiam? Quando, mais tarde, a primeira torre colapsou, eu comecei a chorar. 

Ao longo do dia, eu já não me lembro de todos os momentos com tanta exatidão. Apenas sei que foi tudo uma grande confusão na minha cabeça. Os canais de televisão estavam sempre a passar imagens das Torres Gémeas a cair, porém eu não percebia que eram repetições, pelo que pensava que eram mais torres a cair. Os meus pais tentavam explicar-me que aquilo eram repetições, que o pior já tinha acontecido de manhã, mas eu continuava a chorar. Eu achava que o mundo estava a acabar.  A certa altura, acho que os meus pais tiveram que me levar para o meu quarto para eu não ver mais nenhuma imagem que estava a passar na televisão nem para fazer mais perguntas que eles não saberiam responder. 

Eu não estava errada de todo. O mundo acabou naquele dia. Não no sentido em que uma criança de 4 anos imagina que acaba, obviamente, mas como todos nós o conhecíamos. O mundo passou a ser um lugar cruel, e os atentados passaram a acontecer cada vez em maior número.  Na minha visão infantil, eu descobri que os vilões da vida real não envenenavam apenas maçãs ou faziam raparigas adolescentes adormecer por tempo indefinido. Os vilões da vida real mandavam abaixo prédios sem se importarem com as pessoas que estavam lá dentro. O mundo já não me parecia o lugar feliz e seguro que eu imaginava. Senti que, a qualquer momento, um avião também podia atravessar a minha casa.

Tal como eu, muitas crianças perderam um bocado da sua inocência naquele dia. As que tiveram o azar de morar mais perto do local da tragédia e com familiares no World Trade Center perderam muito mais que isso. Nenhuma criança devia ter que assistir a uma atrocidade tão grande como esta. Assim como não devia ter que testemunhar outras atrocidades que se praticam atualmente. Devíamos estar a criar um mundo mais seguro para as crianças, em que elas não tivessem que ficar fechadas em casa porque não é perigoso brincar na rua, em que pudessem confiar na bondade dos outros,  em que pudessem acreditar que o bem vai prevalecer sempre sobre o mal. Mas não, estamos demasiado ocupados  em odiarmo-nos uns aos outros para nos preocuparmos com estes princípios e com as futuras gerações.

" Once upon a time there was Humanity, but now there is only the name left" (Desconhecido)

10.9.18

Cherry Finalista

Cherry Finalista

Hoje começa oficialmente o meu último ano letivo de sempre. E quando o início do meu último ano letivo enquanto estudante começam a surgir sentimentos desconhecidos até agora e alguns deles contraditórios. Parece-me irreal já ser finalista, mesmo já o tendo repetido muito para mim mesma nos últimos dias e estar agora aqui a escrever  esta palavra. Talvez seja uma espécie de mecanismo de autodefesa, uma vez que não consigo pensar no facto de ser finalista sem me dar uma grande pontada de nostalgia. Tal como, há três anos atrás, registei o começo do meu primeiro ano de faculdade, hoje estou aqui para registar o começo do meu último ano, o início do fim.

Ser finalista é querer que tudo acabe para concluir a licenciatura mas, ao mesmo tempo, querer que passe mais devagar para poder desfrutar de tudo uma última vez.  Até damos por nós até a desejar que as aulas não comecem, porque tudo o que começa sempre acaba. Sabíamos que isto era inevitável, mas queremos prolongar esta jornada mais um bocadinho porque ainda não tivemos tempo para recuperar da intensidade de tudo o que vivemos.

Sinto que este ano vai ser recheado de momentos com um sabor agridoce. Todas as alegrias já sabem a despedida, mesmo no início do ano. Já não existem muitos mais jantares de curso, muitas mais saídas à noite, muitas tardes passadas à gargalhada com as amigas no campus. Já só existe mais uma receção ao caloiro, mais uma latada, mais um Enterro da Gata e mais um Cortejo. Está a dar-me uma saudade antecipada de tudo o que ainda não passou, mas que sei que vai passar rápido. Porém, não vou deixar que isso me faça sentir uma tristeza antecipada: vou canalizar estas sensações para aproveitar tudo ao máximo. Este é o ano para sair mais vezes, para estudar (ainda) mais, para dar muito uso à já clássica frase "finalista pode tudo", para valorizar mais os amigos e para, no final, acabar com a sensação de que nada ficou por fazer. 

Entre o anoitecer de um mundo já sentido mil e uma vezes e o amanhecer de um mundo completamente novo e desconhecido, ainda existem uma infinidade de momentos por vivenciar. Há que agarrá-los e torná-los especiais. 

9.9.18

5 coisas a ter em mente antes do primeiro dia de Enfermagem

5 coisas a ter em mente antes do primeiro dia de Enfermagem

Quando faço publicações sobre Enfermagem, eu faço sempre naquela "oh, isto deve ser chato, ninguém vai ler isto, mas pronto,  talvez ajude alguém". Eu sei que existem alunos de Enfermagem por aqui, porque, de vez em quando, recebo um muito bem vindo comentário aqui e acolá.  No entanto, não deixei de ficar surpresa quando, nas últimas semanas, apareceram na minha caixa de correio vários mails a pedirem-me conselhos sobre o meu curso. É engraçado como há malta que só me segue por causa disto (sim, eu uma vez recebi um comentário a dizer que a principal razão pela qual me seguia é por escrever sobre Enfermagem. Não é que tenha problema, se também me seguem só por causa disso são bem vindos na mesma). De facto, existem muitos poucos blogs a falar sobre o curso (no meu ano de caloira, eu naveguei meia Internet e não encontrei praticamente nada), pelo que sei que isto poderá ser uma grande ajuda para muitos.

Ontem saíram os resultados das candidaturas ao Ensino Superior, e hoje certamente que já existem muitos alunos a pensarem no primeiro dia de faculdade, por isso decidi partilhar umas dicas especiais para os futuros alunos de Enfermagem. Aqueles posts de "o que saber antes do primeiro dia de Universidade" são muito bons, mas aqui os futuros enfermeiros querem detalhes mais específicos.


1. Os ensinos clínicos não vão começar logo: A primeira coisa que os alunos querem mal entram no curso de Enfermagem é meterem-se logo num hospital (para estagiar, não para curar o coma alcóolico, espero eu). Nah nah, antes de irem para lá ainda vão ter que levar com muita matéria teórica em cima. Se entrarem na Universidade do Minho não começam a ter ensinos clínicos antes de Maio, e mesmo nessa altura ainda não farão coisas mais complexas como administrar medicação (só nos anos posteriores). Mesmo nas outras faculdades, só começarão a prática no segundo semestre e, antes disso, têm que ter exames práticos.

2. Já vão ter muito que fazer na segunda semana de aulas: No geral, em todos os cursos o ritmo de trabalho é muito elevado, mas eu não tenho termo de comparação para vos dizer se vão estudar mais em Enfermagem . A sensação que dá é que, em Enfermagem, a matéria tem tendência a acumular muito mais depressa, sobretudo no primeiro semestre do 1º ano, que tem uma grande carga teórica. Não estou a exagerar quando digo que, na segunda semana de aulas, já terão muito que fazer. Durante todo o curso o ritmo de estudo será muito intenso-até porque metade deste é prático, pelo que toda a matéria num intervalo de tempo menor- porém o 1º semestre do 1º ano é, sem sombra de dúvidas, o mais trabalhoso (talvez por também existir muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, como  a transição do Secundário para a Universidade, a praxe, etc.).

3. Preocupa-te em compreender a matéria, não com as notas: Todos os anos, entra em Enfermagem um grupo de alunos muito ambiciosos que acham que isto é o Secundário e que fazem de tudo para tirar 18. Se vão para lá com esta atitude, repensem a vossa estratégia. Eu sei, eu sei, passaram o Secundário inteiro a marrar e a decorar matéria para ter a melhor média possível, é um hábito difícil de largar. Não me interpretem mal, a média final de curso vai ser algo muito importante no vosso futuro, mas não é o mais essencial. Aquilo que realmente é essencial num (futuro) enfermeiro é  ter adquirido os conhecimentos que lhe foram exigidos, porque vai ter que aplicá-los na prática.  Coisa que não vão conseguir fazer se andarem a decorar matéria por decorar. Mas nem precisam de chegar ao final do curso para pensar no quão inadequado foi este método de estudo. Nos primeiros estágios já se vê quem realmente compreendeu os temas que foram abordados e quem não utilizou o melhor método de estudo. Portanto, o meu conselho é esforçarem-se ao máximo para perceber toda a matéria. Estudem como se, no dia a seguir, fossem aplicar o que aprenderam num paciente. É algo que é muito complicado de fazer no primeiro ano, quando ainda não têm nenhuma experiência em campos de estágio. Nos anos seguintes, é mais fácil de visualizar o conteúdo dado nas aulas, já se torna tão instintivo que quase se esquecem do que é ter que decorar matéria (digo "quase" porque vão ter cadeiras que não vão ter outro remédio senão decorar).

4. Anatomia é o CADEIRÃO  do curso: Meti em capslock para não haver caloiros a terem a infeliz ideia de subestimar esta cadeirão. Eu já devo ter dito isto mil vezes nas minhas publicações sobre Enfermagem, porém nunca é demais avisar.  Bem, todos os anos vão ter um cadeirão. No primeiro é Anatomia, no segundo ano é a única cadeira que existe no plano de estudos, no 3º ano é Investigação, no 4º ano ainda não sei porque ainda não passei por este (dah!), mas circulam rumores que é Investigação II. Não obstante, o Cadeirão dos cadeirões, aquele que está no topo, aquele que reina sobre todos os outros é Anatomia. É aquela cadeira em que vocês vão ter de ir às aulas todas, vão ter que estudar todos os dias, fazer exames na Internet e, ainda assim, pode correr mal. Muitos colegas meus arrastaram esta cadeira pelo curso, e há quem  só a tenha feito no 4º ano. Eu por pouco que não a deixava para trás, fiz-la no primeiro ano à quarta tentativa (depois de uma frequência, exame final e recurso, lá consegui fazer na avaliação oral). Conclusão: não desvalorizem Anatomia e esforcem-se ao máximo.

5. Não se preocupem se ainda não sabem que área querem seguir: Não precisam de saber logo, desde o primeiro dia, que querem trabalhar numa área específica. Vão ter quatro anos para decidir. Aliás, vão ter muitos ensinos clínicos que vão ajudar-vos a ter uma visão geral sobre todas as áreas. Vão estagiar em Medicinas, Cirurgias, Pediatria, Psiquiatria, além de outras áreas fora de hospitais, como centros de saúde, lares de idosos, unidades de cuidados continuados... Vão experimentar de tudo. Portanto, não precisam de ficar preocupados se ainda não souberem que tipo de enfermeiros querem ser, o curso irá abrir-vos horizontes nesse sentido. Até acontece  muitos alunos chegarem ao 4º ano e ainda não saberem ao certo o que querem (apesar de, naturalmente, já terem mais áreas em mente do que os alunos do 1º ano). O bom deste curso é que vos irá formar para serem enfermeiros de cuidados gerais pelo que podem, a qualquer momento das vossas vidas, exercerem numa área completamente diferente na qual estavam.


Caloiros aqui destes lados, quem é que entrou em Enfermagem? Se tiverem dúvidas ou sugestões de publicações, não hesitem em partilhá-las aqui em baixo, nos comentários. 

5.9.18

5 razões para viajar com um Kindle

5 razões para viajar com um Kindle

De cada vez que vou viajar, como bookworm que sou enfrento sempre o mesmo drama: tentar levar o máximo de livros possível. Quero garantir que tenho sempre algo para ler durante as férias, nos tempos mortos ou na praia, mas depois acabo sempre por levar apenas um ou dois, para não ocuparem tanto peso na mala. E depois surge outro drama, o de acabar tudo aquilo que tinha para ler antes de voltar para casa.

Este verão, porém, eu não tive que enfrentar esse problema. O meu Kindle tornou este verão naquele em que eu li mais, e em que os locais onde eu estava não me condicionaram as leituras. Descobri no Kindle um grande aliado para as minhas futuras viagens.


1. Podem levar todos os livros que desejarem, sem o seu peso: Esta é o melhor motivo para viajar com um Kindle, para nos livrarmo-nos do peso extra que levamos na mala por causa dos livros que desejamos ler. Imaginem que estão a pensar voltar a ler a saga Harry Potter, e decidem levar os 7 livros, mais a roupa, os snacks, todos os vossos aparelhos tecnológicos, etc. Não é nada prático, pois não? A vantagem do Kindle é que podem levar quantos livros quiserem, pesando apenas os meros gramas do aparelho.

2. Podes ler livros na tua língua materna (ou na língua que te dá jeito): Quando estás num país estrangeiro e queres comprar livros, raramente vês livros na tua língua materna. Só vês, maioritariamente, livros na língua do país em que estás ou em inglês. Se não te agradar ler em inglês, sempre podes ler livros no Kindle. Sim, a maior parte dos livros da Amazon e na Internet são em inglês, mas também encontras em português e, se não te incomodar ler em português do Brasil, tens muitas opções.

3. Não sujas os teus livros: Sou daquele tipo de leitoras que gosta de conservar muito bem os seus livros, tentando mantê-los sempre imaculados. Portanto, se há coisa que me incomoda nas viagens é correr o risco de os sujar. Isto acontece particularmente nas idas à praia. Os livros ficam, frequentemente, cheios de areia, besuntados com protetor solar ou, pior, com páginas amolecidas pela água. É por isso que prefiro levar o Kindle. Se este se sujar, é só usar uma toalhita desmaquilhante  para o limpar e já está (as toalhitas desmaquilhantes não servem só para desmaquilhar).

4. É mais confortável: Este é o aspeto que mais me surpreendeu no Kindle. Antes de o ter, eu nunca tinha pensado muito nos aspetos desconfortáveis da leitura. Só quando comecei a ler nele é que percebi o quão surpreendentemente  pesados podem ser os livros. Além disso, quando estamos deitados dá mais trabalho virar as páginas e então quando estamos encolhidos num lugar de autocarro,  pegar num livro para ler  torna-se quase impossível. O Kindle resolve todos estes problemas. É leve, podem mudar de página só com uma mão e é pequeno o suficiente para poderem ler em qualquer lado e em qualquer posição.

5. Podem meter lá todos os guias que precisarem para a vossa viagem: Digam-me que não sou a única que, quando vai para uma cidade nova, pega em todos os planfletos com guias de viagem que existem? Se fazem o mesmo que eu, para evitar de andarem com todos esses papéis na mão ou amarrotados na carteira  e também para ajudarem o ambiente, podem descarregar  todos esses guias no vosso Kindle.


E vocês? Já viajaram com um Kindle? Que vantagens encontraram?

(Foto: da minha autoria)

3.9.18

6 razões pelas quais o Peter Kavinsky do filme é melhor do que o do livro



(Atenção: Esta publicação contém spoilers. Se não viram ou leram " To All The Boys I Loved Before",  não leiam esta publicação.)

"To All The Boys I Loved Before" é a melhor comédia romântica adolescente que eu já vi nos últimos tempos. Eu não consigo parar de ver o filme, estou obcecada! Está a gerar uma hype enorme, e obviamente que eu não ia ficar calada, também quero dar a minha opinião.

Tenho uma unpopular opinion para dar nesta publicação: eu gostei mais da versão cinematográfica de "To All The Boys I Loved Before". Eu sei, é chocante, sobretudo tendo em conta que eu sou uma devoradora de livros, e passo a vida a reclamar com as adaptações cinematográficas! Eu sei que muitos de vocês não irão concordar comigo mas, para mim, este superou o livro, por diversas razões. A Margot é bem menos irritante, a Kitty é um pouco mais velha (o que faz com que ela seja ainda mais engraçada e não seja tão infantil), a dinâmica familiar é melhor (por exemplo, a Kitty revela as cartas por simpatia em vez de ser por vingança)... Houve coisas que me agradaram menos, como o facto de terem mudado algumas partes da história que ficaram um pouco confusas, e o facto de o Josh ter sido praticamente ignorado (não lhe deram mesmo atenção nenhuma, coitado do moço). No entanto, no geral, o filme ganha para mim.

A alteração que eu gostei mais foi, sem dúvida, o Peter Kavinsky do filme. Apaixonei-me completamente por ele! E vamos aqui a uma confissão que vai chocar muitos fãs da história: eu não gostei muito do Peter do livro. Eu estava a ler o livro e a pensar " é suposto eu gostar dele?". Ele não me conquistou, nadinha. Tanto que eu era #teamJosh até perceber que não era esse o rumo do enredo. Só nas últimas páginas é que eu começo a sentir algo pelo Peter. Eu li imensas reviews a dizer o quão adoraram o Peter literário, e eu simplesmente não me consigo identificar. Estas são as razões pelas quais eu gostei mais do Peter Kavinsky (dizer o nome dele é tão sexy) cinematográfico do que a sua versão literária. 

(Nota: Eu meti muitas imagens nesta publicação. Isto é para verem o meu grau de obsessão com o Peter. Ai, o que eu não dava para ser a Lara Jean...)

(Nota 2: Esta publicação é baseada apenas no primeiro livro. Esqueçam o resto da triologia, que não é para aqui chamada. Ok, agora vou parar com as notas antes que as considerem irritantes)


1. Nota-se logo desde o início que ele gosta da Lara Jean: Ok, isto se calhar pode ter a haver com o facto de o livro ser narrado na perspetiva da Lara Jean e ela não se aperceber disso. Mas a sensação com que eu fiquei é que o Peter não queria saber dela para nada no início. Já no filme, nota-se que há logo ali uma atração desde o início. Logo numa das primeiras cenas, nota-se que o Peter tem imensa vontade de elogiar as botas da Lara, mas não o faz por causa da namorada. E na cena do contrato, já repararam o quanto feliz ele estava por alinhar naquilo tudo? O Peter Kavinsky do filme sabia o que estava a fazer desde o início, trust me.


2. Ele é mais fofo: Acho que vou ter malta a odiar-me depois disto (se é que não me odeiam já só pelo título deste post), mas aqui vai na mesma. Eu achei o Peter do livro um bocado idiota. Sim, os comentários sarcásticos dele eram engraçados, mas houve alturas em que ele foi tão idiota que juro que se ele fosse uma pessoa real eu batia-lhe! Às vezes, respondia torto à Lara Jean, não lhe mandava muitos mensagens nem lhe respondia às dela, chegava sempre atrasado, cancelava planos à última da hora...Tal como já disse, eu só comecei a gostar mesmo do Peter do livro nos últimos capítulos. Já com o Peter do filme, eu apaixonei-me por ele desde o início. Ele está sempre a brincar e a dizer coisas fofas. Na cena da aula de Ed. Física, ele em vez de estar preocupado consigo próprio, a esclarecer que não comia a última fatia de pizza nem tinha doenças transmissíveis, recusou educamente "Agradeço-te mas nunca acontecerá" (e, de alguma forma misteriosa, consegue dizê-lo de forma amorosa!). A sensação que me dá é que o Peter do filme aproveita todas as oportunidades para mimar a Lara Jean de alguma forma  (ele nem sequer protesta por dar boleia à Kitty!) e o Peter literário só faz isso de vez em quando, quando se lembra. 


3. As cartas que ele lhe escreveu eram muito mais sentimentais: Os bilhetinhos que o Peter do livro mandava eram  praticamente falsos, só para enganar a Gen. O máximo de simpatia que havia eram coisas como "Bom Trabalho, Lara Jean" ou "Eu vou chegar a tempo amanhã". Já os bilhetinhos do filme eram muito mais amorosos, como " Hoje todos ficaram tão impressionados com a tua apresentação, especialmente eu. Eu adoro ter uma namorada falsa esperta", "É tão fixe como podemos falar de coisas sérias" e " Estavas tão bonita hoje". Ele não precisava de escrever estas coisas, ninguém as ia ver, porém ele escreveu na mesma. Isto sim, são mesmo cartas de amor!


4. A cena do jacuzzi é muito mais romântica: A cena do jacuzzi do filme, para mim, foi muito mais romântica. O Peter aqui mostrou-se muito mais seguro em relação aos seus sentimentos, disse mesmo "Eu queria que te sentasses ao meu lado..." em vez de dizer "É susposto sentares-te ao meu lado, o que é que as pessoas vão pensar?". Ele não disse um "Gosto de ti" direto, porém transmitiu-o de uma forma muito mais clara e convincente ao dizer "Se eu atravessei a cidade toda para arranjar aqueles iogurtes de que tanto gostas, isso significa que....". Meus amigos, ações falam mais alto que palavras (e melhor, ações sem ter medo de admiti-las depois)!



5. Ele não hesitou em defendê-la quando ela foi humilhada publicamente: Eu tenho em consideração que nesta parte da história alteraram um bocado no guião. Ainda assim, o Peter literário também podia ter defendido a Lara Jean com garra, mas não o fez. Já o Peter cinematográfico não hesitou em defendê-la e fazer ali uma cena no meio do corredor. Não foi apenas um "Ah, isso é mentira, não não fizemos sexo" pouco convicente, foi um "Toda a gente, oiçam, não têm nada a ver com isto, mas não aconteceu nada entre mim e a Lara Jean no jacuzzi. Se ouvir alguém a falar da cena do jacuzzi ou da Lara Jean, levam uma coça!" Tudo bem, ele fez-lo na mesma a mando dela, mas ao menos foi muito mais convincente.


5. O final é ainda melhor: Eu também gostei do final do livro, a Lara Jean a acabar como começar, a escrever uma carta que, desta vez, seria mesmo entregue. Mas fiquei um bocado com uma sensação de vazio e impaciente, porque só saberíamos a reação do Peter no "PS: I Still Love You", o próximo da saga. Já no filme, ainda temos oportunidade de ver isso, e adoro a comparação que a Lara Jean fez do encontro dela com o Peter com história que leu, o facto de também ter encontrado o seu amor num campo, só que este era um campo de Lacrosse.



Já viram ou leram "To All The Boys I Loved before? Preferem o Peter literário ou cinematográfico?

1.9.18

Aos 4 anos de "Life of Cherry"

Aos 4 anos de "Life of Cherry"

Hoje o "Life of Cherry" faz 4 anos. Se fosse uma criança, estaria a entrar para o jardim de infância, a  brincar, a cair de joelhos, esfolá-los todos e, a seguir, a levantar-se rapidamente e voltar a correr alegremente, como se nada fosse. Porém, não é uma criança, apesar de eu lhe chamar carinhosamente de "bebé" e de lhe ter dedicado quase tanto tempo como uma mãe dedica a um filho. 

O ano que passou foi o mais transformativo de todos para o "Life of Cherry". Toda a minha turma de faculdade descobriu-o. Comecei a monetizar o meu blog e a ganhar os meus primeiros euros (e que sensação foi, mais tarde, comprar algo e pensar "wow, foi o meu blog que pagou isto"). Comprei um domínio próprio, dando um ar mais profissional à morada da minha casa online. A minha querida comunidade de seguidores continuou a crescer em terra onde os youtubers dominam. Foi de loucos!

Apesar de todos estes acontecimentos loucos, aquilo que mais mexeu com o blog este ano foi sair do anonimato. Em poucos dias, eu tive que passar de alguém que escondia todos os seus textos no fundo das gavetas para alguém que  tinha que admitir que escrevia na Internet a qualquer pessoa que questionasse.  Confesso, ao início custou um pouco continuar a escrever com o mesmo registo de sempre. Mas quando recebi um feedback tão positivo da maior parte das minhas pessoas e de, vocês, leitores, eu depressa me esqueci do embaraço que sentia e da vergonha de escrever. É surreal todo o apoio que eu recebi, todos os mails, mensagens amorosas, todos os comentários a pedirem-me "continua a publicar aqui!". Muito obrigada a todos, do fundo do coração.

Nos últimos 4 anos, não foi só o blog que cresceu, eu também cresci. Quatro anos já parece que foi noutra vida, em que eu era outra pessoa. É chocante olhar para trás e e ver o quanto eu mudei. Poderia dizer que foram as experiências de vida, tal como toda a gente, mas eu acho que o facto de eu ir documentando tudo num espaço virtual me tornou mais autoconsciente, me obrigou a refletir sobre certas questões e problemas que eu de outra forma teria escondido debaixo do tapete,  me fez valorizar tudo aquilo que tenho na minha vida e tudo isso contribuiu para um maior amadurecimento. Se o meu "eu" de 17 anos  visse o meu "eu" de 21 anos não o reconheceria: sou menos tímida, mais confiante, arrisco mais, saio mais vezes da minha zona de conforto e, sobretudo, sou mais feliz.

Acho verdadeiramente admirável o facto do "Life of Cherry" estar a conseguir adequar-se bem a todas as fases do meu crescimento. Nunca senti necessidade de eliminá-lo ou criar outro para se adequar melhor a determinado capítulo da minha vida. Este blog acompanhou o meu último ano de secundário, o meu ano de caloira, os primeiros estágios, e agora irá acompanhar o meu ano de finalista. Conto continuar a escrever aqui durante muitos mais anos e registar as próximas etapas que, decerto, serão tão ou mais entusiasmantes. Continuam aí desse lado para me acompanhar?