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31.5.18

5 coisas: maio 2018

5 coisas: maio 2018


O mês mais especial do ano chegou, arrasou e deixou-me a transbordar de felicidade! Não importa quantos anos passem ou o que quer que aconteça na minha vida, maio terá sempre muito encanto, para mim. Eu sei, toda a gente acha o mês do seu aniversário muito especial mas, acreditem, mesmo que maio não fosse o mês dos meus anos, eu acharia-o na mesma especial. Poderia dar imensas razões, mas acho que a essência de maio é inexplicável, parece que tudo floresce nesta altura. Quando o calendário assinala o dia 1, sinto-me sempre muito esperançosa, como se de repente tudo fosse possível e o lado mau da vida fosse de férias até junho. 

Maio nunca sabotou as minhas expetativas, e traz-me sempre tantos momentos felizes seguidos que é difícil processar tudo. Mas este ano foi mesmo difícil processar tudo, estou admirada com a capacidade do meu coração de ter aguentado  tanta emoções intensas sem ter pifado. Sabem aqueles momentos tão bons que vocês pensam " Fogo, esta é mesmo a minha vida?". Eu tive vários momentos assim. Os abaixo foram apenas alguns. 


5 coisas que aconteceram


1. 21 anos: No meu primeiro dia com 21 anos fiquei surpreendida ao constatar que, pela primeira vez em muito tempo, me sentia mesmo bem na minha própria pele, de uma maneira que já não me sentia há muito tempo. No dia do meu aniversário, senti-me especial. Não tive uma festa de arromba mas tenho vindo a constatar que as festas mais humildes é que dão origem aos melhores momentos, porque não existem detalhes supérfluos a ofuscá-los. Fui mimada pelos meus familiares, pelos meus amigos, até por meros conhecidos, e também pela malta da blogosfera que me encheu de mensagens amorosas (obrigada mais uma vez!). Sorri tanto neste dia que acho que, a certa altura, me ficaram a doer todos os músculos da cara, e acho que isso é o meu equivalente ao cansaço gratificante que as pessoas que gostam de correr sentem. O início dos meus 21 anos foi tudo aquilo que eu podia pedir.

2. Prenda da Inês: Na véspera do meu aniversário, a Inês mandou-me uma mensagem a informar-me que iria enviar-me um postal para a minha casa, e eu fiquei muito comovida com o gesto, mal eu sabia aquilo que realmente iria receber. Durante alguns dias, andei sempre atenta à minha caixa de correio, na expetativa, e fiquei mesmo muito surpreendida quando chego a casa numa tarde, e a minha mãe me diz que o carteiro me trouxe uma encomenda. Ao início, fiquei a pensar se tinha encomendado alguma coisa, mas depois percebi que só podia ser da Inês e o meu coração encheu-se de gratidão. Foi tudo pensado ao pormenor, o embrulho (que imitava o Maureder´s Map!), a caneca que fez delirar o meu lado Potterhead, e um postal com um texto tão bonito como a Inês já nos habituou, mas desta vez com palavras dirigidas a mim, palavras essas que me comoveram bastante e que me motivaram. Foi uma grande prova de amizade, e não existem obrigadas suficientes para agradecer a esta miúda incrível.

3. Serenatas: Este ano, trajei pela primeira vez nas Serenatas. Era para trajar só no último ano, como finalista, mas já adiei tanto este momento e já o ansiava tanto, que decidi antecipá-lo. O 3º ano já me sabe a ano de finalista por tudo aquilo que já conquistei e por estar tanto perto da meta, que trajar nesta altura fez todo o sentido. Também teria feito sentido no 1º ano mas, como tinha acabado de sair da praxe, as minhas memórias iriam ficar manchadas de tristeza. Assim, esta foi, sem dúvida, a melhor altura. As Serenatas, sinceramente, não são nada de especial se pensarmos apenas na música que as tunas tocam. Aquilo que a torna especial é o facto de estarmos todos trajados e, nessa noite, sermos todos estudantes universitários, sem diferenças, além de estarmos ali com as pessoas mais importantes que conhecemos na faculdade. Isso sim, é a essência das Serenatas.

4. Cortejo: Como já é tradição entre o meu grupo de amigas, fui ver o Cortejo. Tal como o Cortejo do ano passado, estava um calor quase insuportável  (para não variar, queimei-me), e os cursos atrasaram-se (e não era Cortejo na Uminho se não alterassem a ordem dos cursos). Ver o cortejo fez-me sentir mais nostálgica do que nunca. Aliás, eu passei a semana académica toda a sentir-me nostálgica, pois foi nessa semana que me caiu mesmo a ficha e percebi que, para o ano, serei finalista e também estarei a deixar tudo isto para trás. Para o ano, serei eu que estarei ali no Cortejo, a festejar e a chorar, a levar bengaladas das minhas pessoas e a relembrar tudo aquilo que vivi. Apesar de estar ansiosa por terminar o curso e começar a trabalhar, agora começo a sentir saudades disto e não sei se estou preparada para dizer adeus a tudo.

5. Enterro da Gata: Meus caros amigos, acho que este ponto vos vai deixar orgulhosos. Este ano não fui apenas a uma noite, nem duas noites, mas sim a três noites do Enterro da Gata. Três noites! Não sou muito de sair à noite, mas este ano decidi encarnar o verdadeiro espírito universitário e festejar a semana académica à grande (haters vão dizer que festejar à grande era sair todas as noites, mas não há dinheiro nem energia para isso). O cartaz desta edição do Enterro da Gata não foi grande coisa (nunca pensei dizer isto, mas fizeste falta, Quim Barreiros!), mas o que interessa é que me diverti em boa companhia e festejei mais um grande ano letivo que passou.



5 coisas que adorei


1. 5 dias em modo vegetariana: Sendo eu uma estudante na área de saúde, achei este desafio muito interessante. Mudar os nossos hábitos de vida não é fácil, portanto imaginem o que é, de um momento para o outro, virar vegetariano. Foi exatamente isso que a Margarida fez, em apenas 5 dias. Adorei particularmente o modo detalhado como ela descreveu toda a experiência, referindo todas as receitas que experimentou, as suas dificuldades e aquilo que ela achou. Apesar de achar que o desafio teria sido muito mais interessante se ela o tivesse feito em 21 dias (porque, em média, o nosso corpo demora 21 dias a habituar-se a uma nova dieta ou a qualquer outra mudança), gostei de ler esta experiência.

2. As 7 frases que mais me inspiram: Adorei tanto todas as frases que a Andreia selecionou que guardei a publicação nos favoritos para me inspirar quando precisar de motivação. São 7 frases que nos inspiram a manter o foco e a fazer uma análise da nossa vida.

3. O casamento do Harry e da Megan: Não é novidade para ninguém que eu sou obcecada com a Família Real Britânica e que, obviamente, não iria perder a oportunidade de ver mais  um lindo casamento real. Na noite anterior, tinha saído até às tantas (semana académica, a quanto obrigas!) mas isso não me impediu de acordar cedo na manhã de 19 de maio para acompanhar todos os momentos desta cerimónia. Toda a cerimónia foi recheada de amor (o Harry e a Megan são #relationshipgoals), a Megan estava linda nos seus dois vestidos, e foi com muito orgulho que constatei que todos os detalhes deste casamento eram, secretamente, feministas, e contribuíram para uma grande mudança na monarquia . Admiro imenso a capacidade da Monarquia Britânica de se adaptar a todas as épocas, ao mesmo tempo que mantém tradições que têm tanto encanto.

4. Desafio 1+3: O amor próprio é algo que não é  inato como gostaríamos que fosse, é uma luta diária que exige muita dedicação. Não é uma luta fácil e, por vezes, temos a sensação que estamos sozinhos nisto. A Carolina tem consciência disto e, por isso, criou um movimento de amor próprio, de autoconhecimento e de auto-valorização para nos motivar a ser melhores, ao qual me juntei sem hesitar. O primeira tema, Uma Peça de Roupa, já está a dar origem a reflexões muito interessantes.

5. 3 coisas que aquecem o coração de um/a introvertido/a: "É TÃO ISTO!" foi tudo o que pensava enquanto lia esta publicação. Muitas são as coisas que aquecem o coração dos introvertidos, mas estas três coisas são mesmo as melhores. By the way, apaixonei-me por este blog, é o habitat dos introvertidos, vale a pena espreitar.


Como foi o vosso mês?

30.5.18

Uma Peça de Roupa: Pijama

 Uma Peça de Roupa: Pijama

Todos os dias, quando chego a casa, a primeira coisa que faço é vestir um pijama. Quer sejam 20 horas ou 14 horas, é algo que faço sempre e então, aos fins de semana, se não saio de casa é certo que vou passar o dia de pijama, e não me acanho com isso, simplesmente faço-o.

Sou a minha versão mais feliz e descontraída quando estou de pijama. É nestas alturas que me sinto mesmo eu, natural, calma, mesmo confortável na minha própria pele, de uma maneira que não me sinto quando estou com roupas "normais". É também nestas alturas que me sinto mais criativa e produtiva . Sabem aquela dica típica dos psicólogos  que, para nos sentirmos mais produtivos, temos que nos vestir como se fôssemos sair de casa? Pois, comigo não resulta, é exatamente o contrário.

Eu e os meus pijamas temos uma relação amorosa longa e duradoura, mas tenho consciência que nem toda a gente compreende esta paixão. Para muitas pessoas, os pijamas são aquelas peças de roupas irrelevantes que "só servem para dormir" e, como tal, não pensam muito nisso. Quando vão dormir, vestem a primeira coisa que lhes aparecer à frente e se nem para isso tiverem energia, às vezes até se deitam com a roupa que usaram todo o dia. Lavar os dentes e tirar a maquilhagem já é uma grande vitória.

Aparentemente, não faz grande diferença, não passamos assim tanto tempo em casa e o tempo que passamos no nosso quarto é ainda mais limitado. Por isso, para quê esforçarmo-nos para vestir algo? Na verdade, é exatamente por isso em que realmente nos sentimos confortáveis. Quantas e quantas vezes, por exemplo, nos queixamos que chegamos a casa e não nos conseguimos desligar do trabalho? Talvez o pijama seja aliado para definir essa transição, do sair do trabalho e estar em casa. De vesti-lo e fazer com que as inseguranças, a ansiedade e as preocupações fiquem fora da porta.

Acredito que é nos nossos pijamas que nos podemos sentir verdadeiramente bonitos. Porque, quando escolhem pijamas, estão a escolhê-los para o único propósito de sentirem-se bem nele, enquanto que, quando estão a escolher outras peças de roupa, por muito que tentem escolher aquilo que gostam, inconscientemente também querem agradar a outras pessoas (quanto mais não seja a vossa cara metade). Pode parecer uma peça de roupa irrelevante, mas diz muito sobre nós. 

( Publicação inserida no Desafio 1+3)

29.5.18

Desafio 1+3

Desafio 1+3

Ter amor próprio é muito mais do que comer bem, fazer exercício físico, fazer coisas que gostamos ou sentirmo-nos bonitos. É fazer um esforço, todos os dias, para nos conhecermos melhor, descobrirmos as nossas qualidades e fraquezas, os nossos medos mais aterrorizadores, as verdades mais cruas que evitamos a todo o custo... Ser auto-consciente é algo que não é assim tão natural nem fácil de alcançar como alguns livros de autoajuda nos prometem. Julgamos que nos conhecemos bem, mas estarmos na nossa própria pele não é, por si só, garantia que sabemos quem realmente somos. Conhecermo-nos a nós próprios exige tanto ou mais dedicação do que conhecer as pessoas ao nosso redor.

Ter um blog é um ótimo exercício de introspeção. Quando criei o "Life of Cherry", descobri facetas de mim que nem sabia que existiam. Durante estes anos blogosféricos, já refleti sobre vários aspetos da minha personalidade e já amadureci imenso. Mas ainda há muito por explorar e sinto que esta jornada seria muito mais motivadora com outras pessoas. Por isso, o Desafio 1+3 não podia ter vindo em melhor altura.

O Desafio 1+3 é um projeto criado pela carismática Carolina, que pretende gerar um movimento de reflexão com vários temas (uns mais simples, outros mais complexos), para nos conhecermos melhor, para nos valorizarmos mais e para nos amarmos mais. Não há fidelizações, prazos nem regras para cumprir, e foi isto que me cativou neste desafio. Confesso que, por muito que goste de me envolver em projetos, toda a dinâmica e obrigatoriedade que estas implicam enfraquecem a minha criatividade. Aqui não, há liberdade absoluta para refletirmos sobre as questões que nos vão ser colocadas, e estou ansiosa para me envolver no debate que certamente irá gerar muitas reflexões brilhantes. Porque, se cada um de nós inspirar pelo menos três pessoas estaremos, como a própria Carolina diz, "a criar uma corrente de positivsmo e boas energias".

Para fazer parte deste movimento, só precisam de enviar um mail para lifeofcherry@outlook.pt, e passarão a receber todas as informações acerca do desafio. Alinham?

25.5.18

Não somos extraordinários

 Não somos extraordinários

Estamos a caminhar para uma sociedade em que ser uma pessoa comum se está a tornar em algo negativo. Dizerem que temos uma vida ordinária começa a soar a insulto. Ter uma vida normal é a nova forma de fracasso. Mais valia sermos falhados, no verdadeiro sentido da palavra, porque assim não estaríamos a ser ignorados (embora não pelos melhores motivos). Todos nós queremos acreditar que estamos destinados a fazer algo incrível. A nossa cultura está a fazer com que acreditemos nisso. As celebridades dizem isso. Os políticos dizem isso. Os empreendedores dizem isso. Até os psicólogos nos fazem acreditar nisso. Porém, esta cena de "todos nós estamos destinados a ser espetaculares e a realizar grandes feitos" são apenas paninhos quentes que gostam de nos dar para nos consolar. 

Acreditamos frequentemente que, se não queremos ser os melhores em algo, estamos resignados com o mediano e que, portanto, nunca iremos atingir nada, porque estamos a aceitar a mediocridade. Este tipo de pensamento é perigoso, quase tóxico. Estamos a reduzir-nos a estatísticas. Validamos os nossos feitos por comparação. Estatisticamente falando, têm que existir pessoas medianas para podermos quantificar  as pessoas extraordinárias. Estamos, basicamente, a aceitar o facto de que, para sermos extraordinários,  mais metade da população mundial tem que fracassar. 

Na verdade, nem todos nós podemos ser extraordinários. Aliás, isso por si só até uma contradição. Se fôssemos todos extraordinários, ninguém seria extraordinário, porque ser extraordinário é ser fora do normal, e não o poderíamos sê-lo se ser excecional fosse o novo normal. Na verdade, ninguém é verdadeiramente extraordinário.

A maior parte de nós somos medianos na maior parte das coisas que fazemos. Mesmo que sejamos excecionais numa coisa, o mais provável é que sejamos medianos ou mesmo fracos em todas as outras áreas da nossa vida. É uma verdade crua da vida. Para sermos muito bons em algo, temos que lhe dedicar imenso tempo, o que significa que depois não teremos tanto tempo disponível para dedicar a outras coisas. Grandes génios como Einsten eram péssimos em manter relações com as pessoas que lhe estavam mais próximas, por exemplo. Somos seres com tempo e energia limitada. 

Não somos especiais. As nossas ações não são assim tão importantes quando avaliamos o mundo no seu todo. São apenas uma gota na imensidão que é um oceano. A nossa vida não vai ser tão espetacular como nos pintam, vai ser aborrecida a maior parte das vezes. Assim como nós. Vai existir sempre alguém que sabe mais do que nós, que tem algo que nós não temos, assim como nós sabemos coisas que outras pessoas não sabem e temos coisas que outras pessoas não têm. 

Ter uma vida ordinária não é um insulto, é aquilo que todos nós temos. Faz parte de ser humano. Ser humano não é querer ser melhor do que ninguém. É querer viver todas as experiências da vida em plenitude. As boas, as más e as neutras. Por isso, em vez de andarmos a correr atrás do extraordinário, comecemos antes a celebrar as nossas características únicas e a abraçar a magia que é estarmos vivos.

21.5.18

7 coisas das séries médicas que não acontecem na vida real

7 coisas das séries médicas que não acontecem na vida real

Quando era mais nova eu comia séries médicas. A sério, passava tardes a fazer maratonas de " Anatomia de Grey" ou " Hospital Central", sonhando com a altura em que eu própria vestiria a farda branca e cuidaria dos doentes. Nunca fui daquelas pessoas que desde pequena sabia aquilo que queria ser, foram um conjunto de experiências de vida que foram fazendo com que me apaixonasse por Enfermagem, e ver estas séries foi uma dessas experiências.

Rever estas séries agora, sendo estudante do 3º ano de Enfermagem, é algo bastante engraçado. Sempre tive noção que a televisão não retratava fielmente aquilo que se passa nos hospitais, mas agora é que tenho mesmo noção das coisas que não são, de todo, reais. Hoje vou falar de algumas dessas coisas. Não vou falar das técnicas médicas (não sou médica) e também vos vou poupar de pequenos pormenores porque esses seriam uma lista enorme (catateres mal colocados, soros mal colocados ou a correr à velocidade errada, má técnica de pensos,...).


1. Os médicos fazem tudo: Nas séries, os médicos fazem LITERALMENTE tudo. Além de fazerem o trabalho deles, eles administram medicação, fazem colheitas de sangue, fazem exames, analisam os exames, estão sempre a falar com os doentes, eles até transportam doentes... Na realidade existem enfermeiros, maqueiros, técnicos de ação médica e muitos outros profissionais de saúde para isso. Este é o ponto onde as séries televisivas pecam mais.

2. Falar de casos de doentes em elevadores ou outros locais públicos: Se os médicos fizessem isto na vida real, seriam imediatamente expulsos da Ordem. Nunca se pode falar de nenhum paciente fora do gabinete médico/enfermagem ou do quarto do paciente. Chama-se a isso sigilo profissional, algo que todos os profissionais de saúde levam muito a sério.

3. Sexo no hospital: Ahahahah, ia ser muito bonito se isto acontecesse na vida real. Andavam sempre a mudar de profissionais para substituir a malta toda que foi despedida. Porque é praticamente impossível fazer sexo com alguém no hospital sem ser apanhado. Nas séries, vai tudo para quartos, para arrecadações, elevadores... Meus amigos, em todos esses sítios, por pouco movimentados que sejam, passam a vida a entrar e sair pessoas, mesmo em turnos da noite. Não há nenhum médico/enfermeiro bonzão que compense correr esse risco, lamento destruir-vos esta fantasia. 

4. Toda a gente trabalha no mesmo turno: Que conveniente, assim podemos almoçar juntos, lanchar juntos e andar nas coscuvilhices juntos. Quem vê séries médicas tem uma noção um bocado irrealista daquilo que são os horários dos profissionais de saúde. Existem turnos da manhã, da tarde, turnos que duram o dia todo, turnos da noite e, muitas vezes, passam dias até voltarmos a ver certo profissional de saúde.

5. Os partos são muito dramáticos, com gritos e muitas dores: Nas séries, as mulheres que estão prestes a dar à luz estão sempre ali numa aflição, aos berros, cheias de dores, a parir na ambulância... Que dramatismo! Embora um parto possa ser uma experiência muito dolorosa, felizmente, em grande parte dos casos as mulheres não sentem muita dor e tudo decorre sem complicações.

6. Os médicos esfregam as placas do desfribilador : Eu nunca assisti a uma reanimação ao vivo, mas já estudei isto, por isso posso dizer-vos que esta cena de esfregar as placas dos desfibrilador antes de as usar é uma treta. Dá um ar muito fixe aos médicos, mas vida real esse procedimento não serve para nada e até correm o risco de estragar o aparelho.

7. Os profissionais de saúde vão a um bar divertirem-se no final do turno: No final do turno, a maior parte dos profissionais de saúde estão demasiado exaustos para fazer o que quer que seja, quanto mais sair à noite para beber até cair. Só querem é dormir. Até eu, e eu ainda sou estagiária, não trabalho a sério.


O que têm a dizer das séries médicas? Que falhas apontam?

17.5.18

Porque decidi não colocar emblemas na minha capa

Porque decidi não colocar emblemas na minha capa

Ir para a universidade sempre foi um grande sonho para mim. Não só para seguir algo que me apaixona, mas por todas as tradições que se vivem nesta grande etapa da vida estudantil. Sempre achei que todas estas tradições académicas como a praxe, as serenatas, a latada, o Cortejo e as semanas académicas tinham muito encanto. Mas aquilo que sempre ansiei mais foi o momento em que poderia trajar. Acho que trajar pela primeira vez é o ponto alto da vida académica de um estudante: representa toda a caminhada que fizemos até este momento, todas as nossas conquistas, todos os nossos sonhos, os momentos que vivemos enquanto estudantes mas, acima de tudo, tem uma história que já começou a ser escrita muito antes de nós, uma história de muitos outros estudantes que também já passaram pela universidade. 

Por tudo o que representa o traje académico, imaginei muitas vezes na minha cabeça a altura em que poderia finalmente trajar. Imaginei mais vezes do que seria aconselhável, na verdade, uma vez que quando se criam muitas expetativas estas, frequentemente, saem furadas (mas não foi o que aconteceu neste caso). E durante estes anos sempre me interroguei se iria usar ou não emblemas na capa.

Durante algum tempo, estava convencida que iria usar emblemas na capa. Gostava da tradição que existia das pessoas que nos são mais próximas oferecerem -nos emblemas e da forma como estes poderiam contar a história da minha  vida académica. 

Contudo, ao longo dos anos, fui observando muitos universitários (o meu passatempo favorito quando era mais nova era observar os universitários, para me motivar para estudar mais) e comecei a sentir que usar emblemas era um bocado consumista. Não me interpretem mal, não estou a julgar quem escolheu usar emblemas, mas acho que existem muitas pessoas que os colocam na sua capa a torto e a direito. É o emblema da mãe, do pai, da irmã, dos amigos, do vizinho, do clube futebolístico, mais uns quantos com umas piadas, mais outros das bandas de música favoritas... Acabam por colocar numa quantidade exagerada e, a certa altura, não sei se estão a contar a sua própria história ou a dar dinheiro às lojas dos trajes.  Por outro lado, observava aqueles que tinham optado por deixar a sua capa negra. Aqui no Norte são poucos os que fazem isso, mas na zona de Coimbra e de Lisboa são muitos os que optam por deixar os emblemas numa caixa e trajar desta forma. A pouco e pouco, fui-me inclinando cada vez mais para me juntar a este grupo de estudantes.Por estas razões, não vou colocar emblemas na minha capa.  Além de cumprir todas as regras subjacentes ao bem trajar, decidi "ser "capa negra", como uma espécie de homenagem às origens do traje académico. 

Sempre que trajar, lembrar-me-ei sempre daquilo que o traje representa: um símbolo uniformizador, para minimizar as diferenças sociais e económicas de todos os estudantes. Numa altura em que muitos estudantes sentem dificuldades em pagar propinas e prosseguir os seus estudos, este é também o meu pedido silencioso para o Ensino Superior ser considerado um direito e não um luxo.

Na sexta feira passada trajei pela primeira vez nas Serenatas. Trajei ao lado de pessoas que me têm acompanhado diariamente e pelas quais nutro grande carinho. Trajada, de capa traçada, fui apenas mais uma universitária no meio de tantos outros de uma academia da qual orgulho-me muito em pertencer.  Não preciso de emblemas para contar a história da minha vida académica. Um dia, quando a minha capa estiver arrumada e eu voltar a olhar para ela, lembrar-me-ei de tudo o que vivi. 

13.5.18

Eu não gostava de ebooks, mas comprei um Kindle na mesma

Eu não gostava de ebooks, mas comprei um Kindle na mesma

Eu odeio ler ebooks. Odeio mesmo. Sempre preferi livros físicos e sempre olhei com ceticismo para esta nova moda de livros virtuais. Li uma vez um livro no meu computador, e foi a pior experiência de leitura que já tive! Passado poucos minutos ficava com dores de cabeça, com dores nos olhos e extremamente cansada. Só acabei de ler o livro porque este não existia em Portugal e queria saber o final da história. Depois disso, disse para mim mesma que nunca mais! Desde aí, tenho mantido-me sempre fiel aos livros físicos. 

Quando contava isto a leitores ávidos como eu, muitos foram aqueles que me sugeriram para comprar um Kindle. Porém, nunca considerei a sugestões deles. Olhava para aquele aparelho pequenino com desconfiança, como se este ameaçasse aniquilar todos os livros físicos. Mais do que isso, este parecia ameaçar matar toda a experiência de leitura. Afinal, não dá para folhear as páginas nele. Não tem aquele cheiro maravilhoso de livros novos ou o cheiro ainda mais maravilhoso tão característico dos livros antigos. Não dá para tocar na capa do livro e sentir o relevo do título. Nem sequer conseguimos sentir o seu peso (os verdadeiros leitores apreciam ter mais peso de um lado do livro do que do outro, porque representa aquilo que já leram e o quão próximos estão de saber o tão aguardado desfecho da história, se bem que, muitas vezes, causa mixed feelings porque há aqueles livros que não queremos que acabem). Com um Kindle, toda a magia da leitura parecia perder-se.

É por isso que eu, durante muito tempo, me mantive longe destes e-readers. Já tive alguns na mão, mas nunca os explorei o suficiente, porque era teimosa demais para mudar a minha posição em relação a estes. Se os tivesse explorado mais e tivesse ouvido mais atentamente as opiniões que me deram, talvez tivesse adquirido um há séculos. 

E agora chegamos à parte da história em que eu começo a mudar de posição em relação ao Kindle. Desde que me conheço que sou uma "devoradora de livros" mas, nos últimos anos, tenho constatado que estou a ler muito menos. Em parte, é devido ao quotidiano cada vez mais atarefado (como eram tão simples os dias da infância), mas não só. O meu problema é igual a toda a gente que gosta de ler como eu: devoramos um livro em dois ou três dias e depois ficamos a ver navios. Não nos é economicamente possível comprar livros a cada dois ou três dias, nem nos dá jeito estarmos sempre a deslocar-nos à biblioteca mais próxima. Neste jogo do poupar e do adiar, muitos são os livros que ficam por ler. 

Depois, comecei a ficar intrigada com a quantidade de livros que muitas booktubers e bloggers liam. Como é que é possível alguém ler 50 livros num ano? Qualquer que seja a receita, eu também quero! Comecei a segui-las mais atentamente, e descobri o seu segredo, que não era nada mais nada menos do que o Kindle, o aparelho que eu andava a evitar. Ora bolas, desta é que não estava à espera! 

Desta vez, comecei a ouvir as suas opiniões com uma mente mais aberta. Após ler muitas opiniões (inclusive as da querida Sofia, obrigada por me teres aconselhado), ter visto muitos vídeos de youtubers e ter pesquisado um, decidi comprar o meu próprio Kindle, e agora estou apaixonada! Mas afinal, o que é que levou a  que uma pessoa que odeia assumidamente ebooks comprasse um Kindle?


(Para quem se está a perguntar, eu comprei o modelo Kindle 8th Generation, o mais básico)

Para começar, a tecnologia inerente ao Kindle. Não foi o factor decisivo, pois eu já tinha tido alguns na mão, por isso já sabia como funcionava. Mas se não fosse esta particularidade, teria-me recusado a comprar um, por muito boas que fossem as outras vantagens. A tecnologia que o Kindle usa é e-ink, ou seja, tinta eletrónica. Basicamente, o ecrã imita as páginas de um livro.  É isto que torna a leitura neste aparelho tão confortável, porque não tem aquela luminosidade de nos cansa a vista, é como se tivéssemos mesmo a ler em papel. 

Aquilo que me fez mesmo querer um Kindle foi o quão baratos os livros são. A maior parte dos livros na Amazon não chegam a custar 5 euros. Além disso, existem muitas special offers em que, diariamente, x livros ficam grátis. Existem ainda outras formas de ter livros de graça no Kindle, como transferir pdfs da net para o e-reader. Foi esta grande vantagem que fez com que eu decidisse finalmente ter um. Juntando o facto de a bateria durar quase um mês (sim, um mês!), reuniram-se as condições para eu me render ao Kindle.

Ainda não tive oportunidade de explorar muito o Kindle, mas já estou apaixonada por este. Não obstante, continuo a ser team livros físicos. Não há nada que substitua a magia que estes proporcionam. Continuo também a não achar piada a ebooks, sendo os do Kindle a minha única exceção. A diferença agora é que posso ler mais, quando as circunstâncias não me permitem ler livros físicos. Agora não estou condicionada pelo preço dos livros nem pela minha localização geográfica, posso ler sempre que quero e onde quero. Sempre que posso, comprarei livros físicos mas, com a certeza de que, quando tal não é possível, tenho um recurso à mão.

(Fotos: da minha autoria)


10.5.18

Q&A 21º Aniversário


Há uns dias atrás, pedi-vos para fazerem-me umas perguntas, para festejar o meu aniversário de uma forma diferente. Hoje trago-vos as respostas. Um bocadinho atrasadas eu sei, mas maio está a ser um mês louco para mim, cheio de coisas para fazer (e agora com a semana do Enterro da Gata aqui à porta) mas, ao mesmo tempo muito feliz.

Não estava a contar que me colocassem tantas questões (muito obrigada àqueles que quiserem contribuir para este Q&A), pelo que não consegui responder a todas, até porque a publicação já está enorme. Tentei responder à maior parte, deixando de fora aquelas que já tinham respondido no último Q&A que fiz (que podem ver aqui e aqui) e também aquelas relacionadas com o Harry Potter. Fizeram-me perguntas tão engraçadas e originais que estou a pensar fazer um Q&A especial Harry Potter, portanto já tenho essas questões colocadas de lado para uma publicação futur que, provavelmente, sairá no verão (se quiserem acrescentar mais à lista, sintam-se à vontade para fazê-lo nos comentários). Sem mais demoras, aqui estão as minhas respostas. 


Há alguma categoria que gostasses de trazer para o blog, mas que foste adiando por causa do blog?
De momento, não me ocorre nada à cabeça. Antes de sair do anonimato, já me fui desleixando em algumas coisas. Aborrecia-me imenso não poder falar da minha cidade nem das viagens que fazia por isso, aos poucos, fui escrevendo sobre isso. Também fui, aos poucos, escrevendo sobre o meu curso. Introduzir categorias novas fez parte da minha transição gradual para um blog público. Aquilo que eu adiei mais devido ao anonimato foi publicações com fotos de mim própria. Era aquilo que eu mais ansiava quando revelei a minha identidade, poder publicar fotos minhas.

No teu álbum de memórias, qual é aquela que mais te faz sorrir?
Tantas! É difícil escolher apenas uma. Mas escolheria talvez os dias passados na praia com a minha família no verão, quando era criança. Ainda passamos momentos assim hoje em dia, mas na infância era diferente. A inocência da altura, as primeiras idas ao mar, os brinquedos na areia, os doces, as partidas,... As primeiras férias de verão em família ficam sempre na memória, e a praia da nossa infância vai ter sempre um lugar especial no nosso coração.

Qual é o álbum da tua vida?
"Laundry Service", da Shakira. Não por ser o melhor álbum de sempre, mas por ser o primeiro que recebi. As músicas deste álbum acompanharam a minha transição de pré-adolescente para adolescente, o processo de descoberta do meu corpo e toda a montanha-russa característica desta fase da vida.

Qual o teu animal favorito?
Os cães, por serem leais aos seus donos. No futuro, quando tiver o meu próprio apartamento, gostava de ter um cão para me fazer companhia.

Define-te em três palavras.
Sonhadora (mas com os pés bem assentes na terra), persistente e leal. 

Sobre o que é que mais gostas de escrever aqui no blog?
Adoro escrever sobre os mais variados assuntos (por isso é que nunca escolhi um específico para o meu blog), mas diria que os posts que mais me dão prazer a escrever são reflexões sobre a sociedade/vida em geral, livros, blogosfera e sobre o meu curso.

Já que és autora best-seller de listas, gostava de saber qual foi a tua lista preferida de escrever até hoje?
Tive que investigar os meus próprios arquivos para conseguir selecionar a lista merecedora de tal distinção. Após muito refletir, penso que a minha lista favorita de sempre é "Como o meu blog mudou a minha vida". Quando, numa tarde muito descontraída de sempre, criei o "Life of Cherry" nunca imaginei o impacto que este teria na minha vida. É realmente impressionante como uma simples plataforma como um blog pode ser uma rampa para tantas oportunidades, para tanto crescimento e para o começo de tantas amizades. Ainda hoje, após quase 4 anos nesta aventura virtual, isso continua a ser surpreendente para mim.

O que te motiva a não desistir?
A lista das coisas que me motivam a não desistir é diferente em cada dia. Tal como a Alice do País das Maravilhas pensa em 6 coisas impossíveis antes do pequeno almoço, eu costumo pensar em razões para não desistir de tudo aquilo que realmente quero. Mas, no geral, aquilo que mais me motiva a não desistir é meio cliché, mas resulta sempre: pensar na oportunidade que é estar viva e não querer desperdiçar oportunidades por medo ou achar que não sou capaz.

Em quem te inspiras?
Poderia referir aqui figuras públicas que fazem trabalhos notáveis ou ações humanitárias que marcam a diferença na vida das pessoas, mas prefiro dar destaque às pessoas mais perto de mim. Inspiro-me nos bloggers que sigo, inspiro-me nos meus professores, inspiro-me nos pacientes que já passaram por mim, nos meus amigos, na minha família... Além de todas estas pessoas, também me inspiro em mim própria. Pode parecer estranho e até egocêntrico, porém é algo em que acredito mesmo. Somos a nossa própria inspiração. Ou, pelo menos, eu tento ser. Quando estou desmotivada ou sinto que não sou capaz de algo, tento pensar em todos os obstáculos que já ultrapassei, em todas as minhas conquistas e depois penso "se eu já fiz aquilo, porque não haveria de fazer isto agora?".

Quem é para ti, o teu herói?
Não tenho ninguém em específico que considere um herói. Para mim, os meus heróis são todas as pessoas que eu amo, que estão sempre ao meu lado nos bons e maus momentos, que não me deixaram cair nos momentos mais baixos da minha vida e que contribuem para a minha felicidade.

Como é que conseguiste sair do anonimato de blogger, e passaste a ser tu mesma?
Eu sempre fui eu mesma na blogosfera, apenas com mais filtros. Naturalmente, como anónima, era mais contida, e só quando saí do anonimato é que me senti verdadeiramente eu mesma, mas fui sempre sincera e genuína em tudo o que escrevia, desde o início. Bem, a transição do anonimato para um blog público foi um processo gradual para mim, o que ajudou bastante. Teria sido um choque ainda maior se tivesse sido de um dia para o outro. Quando comecei a ficar farta dos filtros que ser anónima me impunha, comecei a "desleixar-me" um pouco e a dar mais informação sobre mim. Eventualmente, comecei a colocar algumas fotos de mim própria, mas de costas. A partir desta altura, já sabia que corria o risco de pessoas conhecidas descobrirem o meu blog, mas ainda não estava preparada para isso, ainda tinha medo da reação das pessoas. Eventualmente, o que eu temia aconteceu: a minha turma universitária descobriu o meu blog. Contei a história detalhada aqui, mas basicamente uma rapariga descobriu e espalhou pela turma toda. Na altura tive vontade de me meter num buraco mas, à medida que fui recebendo um feedback tão positivo das pessoas, perdi essa vergonha e comecei-me a orgulhar daquilo que escrevia. Uns meses depois, quando toda a agitação que a revelação do meu blog causou já tinha atenuado, senti-me finalmente confortável para tornar o meu blog público, e hoje estou muito orgulhosa da decisão que tomei. Um dia destes vou escrever uma publicação a falar mais especificamente daquilo que me ajudou a sair do anonimato, porque é uma pergunta que me têm feito com frequência.

A tua família sabe que és blogger?
A minha família descobriu que tinha um blog poucos dias depois de o tornar público. Achava que iria ter mais tempo para me preparar mentalmente, mas as sugestões do Facebook atraiçoaram-me (tive amigos a meterem gosto na página, e isso fez com que aparecesse nas sugestões dos meus familiares). Ao início, foi um choque para alguns, mas agora encaram tudo com normalidade e até tenho familiares que gostam muito de me ler. Mas ainda é estranho ser lida por familiares, confesso.

Achas que ficaste mais "famosa" pela blogosfera quando saíste do anonimato ou continua tudo na mesma?
Não diria que fiquei "famosa", mas o número de visitas aqui no blog aumentou, sem dúvida. Não foi uma diferença brutal, até porque antes já tinha muitas mais visualizações do que aquelas com que contava. Normalmente, quando somos anónimos na blogosfera temos mais dificuldade a criar o nosso público, porque não podemos revelar muito sobre nós (além de não nos levarem tanto a sério porque " ah dizes isso, mas não dás a cara..."), logo é mais difícil de criar empatia. Por isso, eu considero-me sortuda porque, apesar de ser anónima, consegui conquistar um um grupo de seguidores muito fiéis. Modéstias à parte, durante o meu percurso blogosférico, eu consegui tornar o meu blog numa marca. Quando eu saí do anonimato, ouve uma leitora que escreveu algo que me derreteu por dentro, por comprovar isto: " Fico muito feliz por saíres do anonimato, mas para mim não faz diferença, por Cherry já é uma identidade pela qual ficaste conhecida por aqui". 

O que mudou para ti desde que desta a cara pelo blog?
A minha confiança. Agora que tenho um blog público já não me tenho que esconder atrás de imagens do Tumblr, já não tenho que omitir datas ou locais nem tenho que andar por aí a escrever publicações às escondidas. Posso escrever sobre aquilo que quiser, e saber que existem pessoas que me conhecem e que me adoram ler deu-me ainda mais confiança para continuar com este espaço que tanto estimo.

Se tivesses que escolher entre praticares Enfermagem e não poderes mais livros ou leres todos os livros que quiseres e não poderes praticar mais Enfermagem, qual escolherias?
Tive vontade de chorar quando li esta pergunta, Mas que crueldade Nani, porque é que me fizeste isto? Este dilema quase explodiu com a minha cabeça! Bem, o meu primeiro instinto era escolher Enfermagem, mas depois comecei a refletir sobre o impacto que os livros tiveram na minha vida, e tive que mudar a minha escolha para esse lado. Grande choque, i know! Mas deixem-me explicar. Antes de saber ler ou escrever sequer, eu já tinha o meu coração entregue aos livros. Já ouvia atentamente todas as histórias que o meu pai me contava antes de adormecer e, em vez de adormecer, eu queria ouvir mais uma história e tentava memorizá-las para poder dizer que sabia ler. Os livros sempre foram os meus companheiros, os meus amigos, portas para lugares desconhecidos ou para lugares que não poderia visitar de outra forma, conselheiros em alturas em que mais ninguém me conseguia aconselhar. Os livros já me salvaram a vida, ao darem-me consolo em momentos de desespero e coragem para superar os vários obstáculos que já se atravessaram no meu caminho. Por tudo isto e muito mais, eu nunca vou conseguir abdicar dos livros. São praticamente os meus segundos pulmões, sem estes eu não respiro. Seria uma pessoa muito incompleta por ter de abdicar de Enfermagem, que é outra das minhas grandes paixões, mas acabaria por arranjar forma de trabalhar em algo da área da saúde que fosse o mais próximo disso. Ainda bem que isto só é uma situação hipotética e que eu posso fazer as duas coisas na realidade, ufa!

Porque é que escolheste enfermagem?  
Nunca fui daquelas pessoas que sabe aquilo que quer ser desde pequena. Quando era criança, já quis ser bailarina, cantora, cabeleireira, atriz, veterinária, até já quis trabalhar num supermercado (achava muita piada à forma como as senhoras tocavam nas teclas da caixa registadora, com as suas unhas pintadas). Mudava de profissão todos os dias, basicamente. Só por volta do meu 6º ano é que comecei a ter ideias mais definidas acerca daquilo que queria fazer no futuro. O meu coração sempre andou dividido entre letras e saúde, mas um conjunto de fatores e experiências fez com que eu escolhesse a segunda como profissão. Para começar, alguns familiares meus trabalham na área da saúde, pelo que cresci a espreitar livros de anatomia e a ver, à socapa, vídeos de operações que eles viam na Internet para estudar. Depois, claro, vi " Anatomia de Grey", que é responsável por metade dos jovens que se meteram em Medicina e Enfermagem (mesmo tendo percebido, mais tarde, que nem tudo era como na série). Mas aquilo que foi mais determinante e que mais me incentivou a ser enfermeira foi os profissionais de saúde que me acompanharam e que acompanharam as minhas pessoas. Ver enfermeiras com tanto gosto pela profissão, a tratar-me a mim e aos meus familiares com tanta empatia deu-me vontade de também eu vestir a "bata branca" e contribuir para melhorar a saúde e o bem estar dos outros. 

Qual a maior força e fraqueza em Enfermagem?
A nossa maior força é a proximidade que temos com as pessoas. Cada vez mais nós, estudantes de Enfermagem, estamos a ser instruídos no sentido de não nos limitarmos a fazer aquilo que está protocolado (dar injeções, colher sangue, dar medicação, fazer tratamentos a feridas,...)  e dedicarmos mais tempo a estabelecer uma relação terapêutica com o doente. Há uns 30 anos atrás já existia esta preocupação,naturalmente (não é à toa que Enfermagem é considerada uma ciência humana), mas cada vez mais existe esta preocupação, em trabalhar na relação com o doente, perceber os seus receios, reservar tempo para o ouvir, para permitir que ele exprima as suas emoções... Às vezes, estar ali simplesmente a ouvir um doente é mais terapêutico que um comprimido. Portanto, considero que esta relação terapêutica que estabelecemos com os doentes é o nosso ponto forte. A maior fraqueza em Enfermagem não tem propriamente a ver com a profissão em si, mas sim com a forma como a sociedade perceciona a nossa profissão. Sinto que grande parte da população ainda vê Enfermagem como uma profissão de segunda categoria, dos ajudantes dos médicos, dos jovens frustrados que não conseguiram entrar em Medicina...Acho que só quem já teve familiares ou pessoas próximas internadas num hospital é que deixa de ter esta visão de os enfermeiros e que percebe realmente aquilo que nós fazemos. Sinto que ainda temos um longo caminho a percorrer neste sentido de mudar a forma como as pessoas nos vêem. 

Achas genuinamente que vais ser uma boa enfermeira? Achas que tens perfil para isso?
Acho genuinamente que serei boa em tudo aquilo a que me entregar com todo o coração. É nisto que tento pensar, sempre que as inseguranças e os medos me tentam enganar e fazer com que acredite que não sou boa o suficiente para esta profissão. Nós, estudantes de Enfermagem, costumamos a dizer em tom de brincadeira que, num dia de estágio, sentimos vontade de desistir e de sermos enfermeiros incríveis mil vezes, tudo no mesmo dia. Os estágios exigem muitos de nós e por vezes, são tão exigentes que nos podem fazer esquecer a razão pela qual entramos no curso em primeiro lugar. Não estou a dizer que os estágios de outros cursos não são exigentes, mas os que estão ligados a saúde estão associados a maiores níveis de pressão, porque é com vidas humanas que estamos a lidar, e não há espaços para erros. Mas aquilo que conta ao final do dia é a nossa vontade insaciável de ajudar e de chegar a mais pessoas e o nosso amor pela farda branca. Apesar de já ter aprendido imenso, sei que ainda tenho muito para aprender, mas acredito que serei uma boa enfermeira, pois crio empatia com os meus pacientes, sou simpática e consigo identificar os problemas e preocupações dos outros. Uma pessoa que demonstre estas qualidades já é uma boa enfermeira, a experiência vem depois. 

O que mais gostavas de fazer após terminares do curso?
Além de exercer Enfermagem, gostava de viajar. Aliás, planeio fazer uma viagem logo após o curso, mas isso vai depender de muita coisa, nomeadamente do dinheiro disponível e do quão rápido eu arranjar emprego (gostava de poder estar a dizer, daqui a um ano, que não pude viajar porque arranjei logo emprego, seria bom sinal!). 

Qual foi o maior ensinamento dos teus 20 anos?
Que esta frase inspiradora é tão verdade: " Por vezes, tudo aquilo que é preciso são 10 segundos de uma coragem louca para mudar a tua vida". 

O que esperas dos 21 anos?
Aprendi, com o passar dos anos, a não criar grandes expetativas e metas muito fixas para cada idade, porque a vida troca-nos as voltas e fura-nos os planos o que, por um lado, até é bom, pois torna-a imprevisível e entusiasmante. Por isso aquilo que espero mesmo é ser feliz, independentemente daquilo que aconteça. 

6.5.18

5 coisas que adoro no blog " By The Library"

5 coisas que adoro no blog " By The Library"
Quando eu era mais nova, não tinha muitas pessoas com que partilhar a minha paixão pelos livros. A maior parte dos meus amigos não gostava de ler, e algumas até me faziam sentir que ler era algo muito nerd (tanto que houve um ano eu quem eu não li nenhum livro, na tentativa de ser mais popular. Coisas estúpidas que fazemos na adolescência...). No Secundário, encontrei algumas amigas que gostavam tanto de ler como eu, e trocávamos frequentemente sugestões de leitura. Mas foi quando entrei na blogosfera que a minha wishlist de livros aumentou exponencialmente  (e, mais tarde, outra comunidade fantástica, o booktube, mas isso é assunto para outro post). Os books bloggers contribuíram imenso para diversificar a minha lista de leitura e para me dar a conhecer escritores talentosos que não teria conhecido de outra forma. 

Sigo imensos book bloggers estrangeiros mas, curiosamente, não conheço muitos portugueses. Acho que esta comunidade ainda não está muito desenvolvida em Portugal. Ou se calhar sou eu, que não anda a seguir os blogs certos (se tiverem sugestões partilhem nos comentários). A book blogger portuguesa que sigo mais fielmente é a Sónia, do blog " By The Library". Estas são as 5 coisas que fazem com que eu volte sempre ao cantinho dela. 


1. As fotos encantadoras de livros:  Todos os booklovers que se prezem têm uma obsessão secreta ( ou, se calhar, não tão secreta assim) por fotos de livros. Quando não podemos ir a uma biblioteca apreciar as lindas capas que lá estão em exposição nas prateleiras, refugiamo-nos nas fotos da book bloggers e booktubers. As da Sónia são particularmente deslumbrantes.  As fotos incluídas nas  suas publicações são minimalistas, sem grandes props pelo meio, dando mais destaque aos livros. Se querem deliciar-se com mais das suas bonitas fotografias, podem espreitar a  conta de Instagram que ela criou exclusivamente para livros.

2. A suas reviews de livros cativantes: Fazer reviews de livros sem dar spoilers e sem as tornasr aborrecidas pode ser uma tarefa extremamente complicada.  É muito fácil cair no erro de os tornar  numa versão mais extensa da sinopse ou de os carregar de "adorei" e "melhor livro de sempre" (e acabamos por perder um pouco a credibilidade, é impossível gostarmos de todos os livros dessa forma). Mas com as reviews da Sónia, isso não acontece, muito pelo contrário. Ela escreve reviews  muito coerentes, honestas e de tal forma absorventes que sentimos que estamos sentados a tomar um café com uma amiga que nos estás a dar sugestões para as nossas próprias leituras.

3. O seu amor pelos livros é contagiante: Até para uma "devoradora de livros" como eu. A minha paixão pela literatura já é grande por si só, mas atinge sempre picos de cada vez que leio as publicações que a blogger escreve de forma tão apaixonada. Fazem o meu coração palpitar!

4. A forma incansável como incentiva todas as pessoas a lerem: A maior parte dos books bloggers e booktubers tem, como seu público pessoas os amantes de livros. A Sónia, para além de já ter conquistado muitos amantes de livros, pretende chegar àqueles que ainda desconhecem os poderes dos livros e que lhes resistem. Ela defende continuamente que existe um perfil literário para outros e já abordou em várias publicações (como esta e esta) o impacto que os livros podem ter nas nossas vidas. Acho muito importante esta sensibilização que ela está a fazer, a mostrar àqueles que afirmam não gostar de ler que a literatura é muito diversa e que todos podem encontrar prazer nas páginas de um livro, só precisam de encontrar o seu estilo.

5. É um refúgio para todos os amantes de livros: A frase que consta abaixo no título do seu blog, " The Place for Readers", não é enganadora. " By the Library" é, de facto, um refúgio para todos os amantes de livros. A paixão pela literatura é, muitas vezes, algo incompreendido para quem não partilha o mesmo interesse, e são muitas as vezes em que ouvimos " Lá estás tu outra vez a ler, não tens nada mais importante para fazer?" ou " Por amor de Deus, não chores, é só um livro".  A cena é que, para  nós, os livros não "só" livros, são  tal como a Sónia  os descreve "melhores amigos, companheiros, heróis sem (ou com?) poderes". São também portas para mundos novos ou teletransportes para sítios do mundo onde nunca estivemos e não temos oportunidade de visitar de outra forma. " By The Library" é um lugar mágico para aqueles que não duvidam dos poderes da literatura. 


E vocês? Já conheciam este blog? 

2.5.18

Esta sou eu aos 21 anos


Os meus 20 anos foram um dos anos mais felizes da minha vida. Comecei os meus 20 anos de pé atrás, a recuperar de uma fase que me deixou emocionalmente fragilizada e a recuperar aos poucos a minha alegria e energia habitual. Não fazia a menor ideia da reviravolta que os meus 20 anos seriam.

Os acontecimentos dos meus 20 anos apanharam-me completamente desprevenida, tanto pela positiva como pela negativa. Tive altos muitos altos e baixos muito baixos. Fiz coisas que nunca me imaginei a fazer. Fui confrontada com monstros que nem sabia que existiam e dos quais, inconscientemente, me escondia há anos.  Consegui fazer coisas que já há muito tempo queria riscar da minha lista de desejos. Larguei medos e inibições. Abracei mais a minha identidade, sem vergonhas. Saí dos meus 20 anos uma pessoa mudada, como se tivesse renascido. Parece cliché dizer isto, mas um ano muda mesmo uma pessoa, e se não tivesse ainda não tivesse percebido isto no passado, iria percebê-lo este ano. 

Entro nos 21 anos uma mulher mais confiante, mais corajosa e mais completa. Sinto-me mesmo bem na minha própria pele, apesar de todos os medos e inseguranças que aprendi que nem sempre são para tentar superar, mas para aprender a viver com eles. Ainda tenho muitos sonhos e objetivos para cumprir, mas estou numa fase bonita da minha vida. Estou a um ano e meio de acabar um curso pelo qual cada vez mais estou apaixonada, tenho um blog (público!) que me tem dado tantas alegrias e estou rodeada de pessoas incríveis: amigos que são os melhores do mundo e uma família que está sempre ao meu lado, nos bons e maus momentos. Não faço ideia daquilo que o futuro me reserva mas, pela primeira vez em muito tempo, sinto uma paz interior indescritível. 

Esta sou eu aos 21 anos: leve e feliz. Olá 21!

(Foto: da minha autoria) 

1.5.18

20 coisas que aprendi com 20 anos

 20 coisas que aprendi com 20 anos

Amanhã completo 21 anos de vida. E, tal como já manda a tradição aqui no blog, hoje é dia de refletir sobre as lições que o último ano me trouxe.

Este ano foi um dos melhores da minha vida. Os acontecimentos dos meus 20 anos apanharam-me completamente desprevenida, tanto pela negativa como pela positiva, mas o balanço geral foi muito positivo. Aconteceram tantas coisas inesperadas que até custa a acreditar que foi tudo no mesmo ano. Dos meus 20 anos, surgiram aprendizagens igualmente inesperadas mas muito valiosas.


1. As coisas são sempre muito piores na nossa cabeça: As coisas nunca acontecem como nós as imaginamos, para o bem e para o mal. Frequentemente, fazemos um filme na nossa cabeça sobre determinada situação que receamos, ficamos ansiosos, sofremos, e quando essa situação finalmente acontece, não foi tão má como imaginávamos que íamos ser. Apesar de ter aprendido isto, isto não me impede de continuar a stressar pelas coisas mais aleatórias mas, infelizmente, a ansiedade não é fácil de controlar, e eu ainda não arranjei estratégias para lidar com a minha.

2. Ser anestesiada não é tão aterrorizante quanto parece: O ano passado tive que fazer uma endoscopia, um exame médico que envolve anestesia (pode não envolver mas, por uma questão de conforto, eu preferi assim). Nunca tinha sido anestesiada pelo que, para mim, a ideia de perder a consciência, mesmo por meros minutos, era aterrorizante. Na realidade, foi melhor do que o que eu pensava. Só me lembro de os enfermeiros me dizerem "pensa em algo bom para sonhares" e, antes de eu sequer ter decidido em que memória boa para sonhar, já tinha adormecido. Acordei muito calma, como se nada tivesse acontecido. Foi o melhor sono da minha vida heheheh!

3. Ninguém tem o direito de te rebaixar, independentemente da sua posição: Nem os teus professores, nem o teu chefe, nem sequer a tua família. Ninguém pode desrespeitar ou privar-te dos teus direitos como ser humano só porque estão numa posição superior à tua.

4. Não tens que dar justificações a ninguém sobre as escolhas que fazes na tua vida: Chega uma certa altura da tua vida em que já não és mais criança, és adulto e, portanto, és responsável pela tua vida. Nessa altura, a vida é tua e tu fazes dela aquilo que quiseres. Não tens que pedir autorização a ninguém para fazer determinadas escolhas nem podes permitir que escolham por ti. Podes (e deves até) informar as pessoas que te amam sobre as tuas escolhas,mas não tens que justificá-las nem pedires desculpa por as fazeres. Se não tomares agora controlo sobre a tua vida quando o vais fazer?

5. As pessoas que gostam verdadeiramente de nós vão apoiar-nos em tudo (mesmo naquilo que não concordam): Há certas decisões na vida que são arriscadas, pois podem fazer com que percamos o apoio de certas pessoas que amamos. Mas este ano aprendi que as pessoas que nos amam verdadeiramente irão apoiar-nos até ao fim do mundo, se for preciso. Por muito que não concordem com certas decisões e que fiquem chocados com estas, que nos abandonem no início, no final vão sempre perceber aquilo que é mais importante e vão voltar para o nosso lado, para nos apoiarem como sempre fizeram.

6. A Universidade muda mesmo uma pessoa: Todas as fases da nossa vida vão moldando a nossa personalidade, mas sinto que a Universidade muda mesmo uma pessoa. Estes 4 anos parece que passam num instante, mas ao mesmo tempo parecem uma vida. Sinto que já sou uma pessoa completamente diferente daquela que era quando era caloira. 

7. O meu "eu" online é diferente do meu "eu" real (e não tem problema nenhum): Em fevereiro, decidi refletir sobre algo que já assombrava a minha cabeça há algum tempo e cheguei a esta conclusão, o meu "eu" online é diferente do meu "eu" real, e isso é normal. Esta é uma batalha interior que terei sempre que enfrentar enquanto blogger, aceitar este facto e reconhecer que, embora estes dois "eus" sejam diferentes, fazem parte da mesma pessoa, da mesma identidade, da mesma vida.

8. Os planos são (quase) sempre ajustados: Quando reflito nos últimos 20 anos da minha vida, apercebo-me que quase nunca nada correu como eu planeei. Sempre gostei de controlar tudo, cada plano até ao mais ínfimo pormenor e depois a vida fazia das suas e virava-me tudo de pernas para o ar. Aprendi que devo, sim, continuar a fazer planos, mas deixar margem para os imprevistos da vida e ter capacidades e recursos para reajustá-los.

9. Nem toda a gente quer ser ajudada: Quero sempre ajudar as pessoas e fazer todos os possíveis para que elas possam ser a sua melhor versão, por isso foi preciso muito tempo e algumas más experiências para perceber que nem todas as pessoas querem ser ajudadas. Se uma pessoa não quer ajuda, provavelmente não está preparada para recebê-la, e ajudá-la pode causar mais danos do que benefícios.

10. Não te vão dar aquilo que queres se não pedires: Quer seja pedir uma boa nota a um professor, uma promoção ao teu chefe ou uma oportunidade a alguém, ninguém te vai dar aquilo que queres se não pedires.

11. As pessoas geralmente não se lembram dos teus momentos embaraçosos: Todos nós temos aquelas histórias embaraçosas que repetimos vezes sem conta na nossa mente logo após terem acontecido. Mas temos que parar com isto. A única pessoa que é torturada com estas histórias és tu. Todas as outras pessoas já se esqueceram do sucedido logo após acontecer. Não, ninguém se vai lembrar das vezes em que tropeças no paralelo, das vezes em que quais dos teus saltos, das vezes em que entornas uma bebida, das vezes em que ficas sem saber o que dizer a uma pessoa linda de morrer nem das vezes em que dizes algo incrivelmente idiota. Até podem demorar alguns dias a esquecer, mas eventualmente ninguém se irá lembrar. Quando vires que a tua mente está a tentar repetir essas histórias, foca-te no que estás a fazer no presente.

12. Fazer sem estar pronta: Já adiei muitas situações na minha vida e já perdi muitas oportunidades com a desculpa de "não estou pronta". Porém,este ano fui posta à prova e fui posta em situações sem estar pronta, e acabei por me sair muito melhor do que estava à espera. E com isto aprendi algo que andava há anos a negar, nós (quase) nunca iremos estar prontos para nada. Raros são os momentos em que nos sentimos "estou preparado(a) para isto!" Iremos sempre sentirmo-nos nervosos, com medo de fracassar ou com medo que alguém faça melhor que nós. O melhor que temos a fazer muitas vezes é pormo-nos a caminho e ter coragem para enfrentar os obstáculos.

13. Não te conformes com menos do que aquilo que mereces: Sempre me disseram que eu fui uma pessoa muito insatisfeita com a vida. Que parece que nunca estava bem com o que tinha, que queria sempre mais. E durante anos, estas afirmações fizeram-me sentir culpada por ser tão ambiciosa. Porém, percebi finalmente que querer mais não significa que não estejamos bem com aquilo que temos. E não, não temos que nos conformar com o mediano como a sociedade quer que o façamos.  Não nos temos que conformar com empregos que não nos dão prazer, com relações más, com pessoas que não nos acrescentam nada, com cidades que (já) não parecem ser o nosso lugar. Não faz mal em querer mais, tu mereces querer mais. Não se trata de ser insatisfeito com a vida ou mal agradecido, trata-se por lutar porque aquilo que tu realmente queres, com todo o coração.

14. Perdi a vergonha de escrever: Em setembro, toda a minha turma universitária (que tem quase 100 alunos!), descobriu o meu blog. E se na altura achava que ia morrer de vergonha, agora estou grata por isso ter acontecido. Porque se não tivesse acontecido eu ainda hoje achava que era uma vergonha ter um blog e admitir que escrevia. Desde então, sinto-me mais livre. Livre porque já não tenho que esconder os textos que escrevo no fundo da gaveta, porque já posso falar do meu blog à vontade  e porque posso falar do quanto adoro escrever. É realmente bom podermos falar das nossas paixões e podermos mostrá-las ao mundo sem vergonha. Agora que já não tenho vergonha de escrever, sinto que esta ainda está mais ligada a mim e faz-me ainda mais feliz.

15. Não precisas de carregar os teus problemas sozinha: No início de 2018, o peso dos meus problemas tornou-se demasiado insuportável de carregar. Nessa altura, tive que engolir o meu orgulho de "nunca incomodar os outros e ter tudo o controlado" e pedir ajuda. Nesses dias, estava um caco emocionalmente e não conseguia pensar. E foi bom ter pessoas que, por uns dias, assumiram o controlo por mim e ajudaram-me a levantar-me e a resolver os meus problemas. Fez-me perceber que não, eu não estou sozinha, mesmo quando penso que estou, e que tenho pessoas a quem posso recorrer. Ainda não aprendi a exprimir-me quando as coisas correm mal, ainda guardo muitas coisas para mim (é um vício terrível), mas descobri que tenho uma rede de apoio mais alargada do que o que eu pensava e que não preciso de fazê-lo.

16. Não faz mal mostrar a nossa vulnerabilidade: A ideia de sermos vulneráveis aterroriza-nos. Todos nós evitamos a todo o custo mostrarmos os nossos sentimentos e emoções, com medo de sermos ridicularizados, humilhados e magoados. Em qualquer situação que constitua uma ameaça (seja física ou emocionalmente), nós construímos como que um muro à nossa volta, que ninguém pode saltar. Mas, por vezes, é preciso saber deixar alguém entrar. Somos todos seres humanos e, como tal, todos temos sentimentos. De vez em quando, é precisamos partilharmos os nossos sentimentos com alguém, parar criar empatia, para mostrar que nos importamos, para os ajudar (ou para nos ajudar a nós mesmos). Isso não faz de nós pessoas fracas, faz de nós pessoas apenas.

17. Sê interessado(a) antes de ser interessante: Tenho constatado que as pessoas, frequentemente, não querem saber do quão interessante és até se aperceberem do quanto te interessas por elas.

18. Um bom batom é um grande boost de confiança: Não sei porquê, mas sempre tive a ideia que os batons de cores fortes me ficavam mal, por ter lábios mais grossos. Foi uma crença estúpida que tive durante muitos anos, em parte alimentada pelo facto de nunca ter encontrado o batom certo para mim, mas agora que o encontrei este tem sido o meu aliado em dias de apresentações, dias de estágio, dias de saídas noturnas e até em dias completamente banais só porque sim. Não são as coisas materiais que nos fazem sentir bem, a atitude tem que vir de nós mesmas, mas um bom batom pode nos dar logo outra confiança e postura. 

19. Nós nunca conhecemos verdadeiramente as pessoas: Por muito próximos que sejamos das nossas pessoas, nós nunca as conhecemos verdadeiramente. Existem facetas delas que nunca vimos, medos que elas nunca nos confessaram, erros que cometeram e que nunca chegamos a saber, talentos que nunca vimos,... Achar que sabemos tudo o que há para saber acerca de uma pessoa é um erro que cometemos frequentemente, mas não necessariamente mau. Dá um certo encanto às relações quando temos oportunidade de ver um lado do outro que nunca vimos.

20. De um dia para o outro tudo muda: Os principais acontecimentos dos meus 20 anos foram assim, de um dia para o outro. Tanto para o bom como o mau. Existiram dias que passaram depressa de aborrecidos para épicos. Outros que passaram de bons para angustiantes, quase a roçar no catastrófico. Isto fez-me ver como na vida tudo é tão volátil e frágil. Num dia temos tudo e no outro podemos perder tudo. Precisamos de ter sempre em mente como tudo é efémero, aproveitar ao máximo todos os momentos, e aprendermo-nos a adaptar depressa a novas situações.