2017 durou 3 segundos. Juro, nunca vi um ano passar tão depressa! Parece que foi ontem que estava a saltar da cadeira a dar-lhe as boas vindas, e agora já me preparo para dar as boas vindas a outro ano. Se daqui a uns anos perguntarem às pessoas sobre 2017 ninguém se vai lembrar. Bem, eu vou, é para isso mesmo que escrevi esta publicação.
Há uns dias, li um tweet que descreve na perfeição o meu ano " 2017 foi o pior e o melhor ano da minha vida, tudo ao mesmo tempo." Esta é a descrição do meu ano, sem tirar nem pôr. Normalmente, sei dizer que se o meu ano foi muito bom ou mau, mas este foi uma mistura dos dois.
Quando janeiro começou, estavam juntados todos os ingredientes para um ano mau. Eu estava desmotivada, deprimida, exausta emocionalmente, com vontade de desistir do curso. Para agravar a situação, a minha saúde estava em baixo, o que me levou a muitas maldisposições, a faltar a algumas aulas, a muitas idas ao médico e muita revolta por o corpo não querer estar a colaborar comigo. O primeiro estágio do ano desafiou-me, exigiu imenso de mim e levou-me ao limite. Perguntei-me a mim mesma se estava condenada ao fracasso em 2017. Mas, apesar de todos os sentimentos negativos que tinha em mim, não desisti.
Os primeiros meses do ano foram passando, o tempo começou a melhorar, e o meu ânimo também. Depois de ultrapassado aquele que foi, provalmente, o estágio mais exigente que já fiz, estagiei num serviço que foi a lufada de ar fresco que precisava. Juntando a isso, os primeiros dias de sol trouxeram-me passeios, descontração e bons momentos, dando-me força para entrar na segunda metade do ano.
Na segunda metade do ano, já me sentia com outro alento. Tudo começou a correr bem, a nível pessoal, a nível académico, até a nível de saúde, após um ano de muitas idas ao médico. Existiram muitos planos espontâneos pelo meio que me souberam pela vida, muitas surpresas, muitas saídas em boa companhia, muito carinho e amor por parte das pessoas que são realmente importantes na minha vida. Nos últimos meses do ano, senti-me verdadeiramente feliz como já não me sentia há imenso tempo, e senti-me mais eu.
2017 foi, portanto, um ano com dois opostos. Puxou imenso por mim na primeira metade, foi exigente e desafiante. Mas, por outro lado, recompensou-me na segunda metade do ano com surpresas e momentos que me aqueceram o coração. A grande lição que 2017 me ensinou é a resiliência. Tudo acaba por ficar bem, mesmo quando começa mal, e a nossa capacidade de nos reinventarmos não tem limites.
Na última publicação do ano, aqui ficam os 17 melhores momentos que vivi em 2017.
1. Estagiei em diversos serviços: Não é a primeira vez que estagio em Enfermagem, mas os estágios do 1º ano foram uma brincadeira de crianças comparados com os deste ano. O ano passado foram, basicamente, apenas de observação. Posicionávamos doentes, prestávamos cuidados de higiene e pouco mais. Este ano o grau de exigência aumentou, e foram-nos exigidas muitas mais competências. Ao início, tive muita dificuldade em lidar com tanta pressão e exigência, sobretudo por ter começado logo num serviço tão duro como Oncologia. Fui levada ao limite, senti-me desmotivada e estive para desistir. Mas não o fiz e ainda bem, porque hoje estaria terrivelmente arrependida. Continuei a lutar, a trabalhar arduamente e, eventualmente, fui começando a ultrapassar as minhas dificuldades, a aprender mais, a evoluir, e a crescer imenso, não só a nível profissional, como a nível pessoal. Estes estágios foram desafiantes, mas ensinaram-me tanto. Sinto que saí deles uma pessoa diferente, com mais competências, mais à vontade e mais confiança.
2. Fui a um workshop de maquilhagem: Em fevereiro deste ano, fui a um workshop de maquilhagem organizado por uma consultora ( que, aliás, é a Silvana Silva, com quem tenho uma parceria). Tenho alguns conhecimentos em maquilhagem, graças às horas passadas ao espelho com a minha prima e os inúmeros blogs e youtubers que vi, mas não sei nada do outro mundo, sei apenas o básico. Assim, para aprender mais sobre maquilhagem, e também porque nunca tinha ido a um workshop ( do que quer que seja, na verdade), decidi ir a este e não saí de lá a saber mais coisas sobre contornos de olhos, sombras e iluminadores, como também saí de lá mais vaidosa.
3. Aprendi a fazer crochet: Eu não tenho jeitinho nenhum para artes manuais. Tirando costura, sou um zero à esquerda em tudo. Adorava ter mais jeitinho, porque assim poderia fazer mais dos DIYs giros que vejo em blogs e no Youtube, e não dariam DOW ( do it wrong). Numa tentativa de contrariar esta falta de jeito, decidi experimentar fazer crochet. Via sempre a minha prima a fazer bonequinhos tão giros que também eu quis dedicar-me a esta arte. Não aprendi a fazer bonequinhos, mas aprendi a fazer os básicos de crochet e orgulho-me disso.
4. Bowling: Só fui ao Bowling uma vez, no meu 7º ano, numa festa de aniversário de uma amiga minha. Portanto, já nem me recordava da forma como se pegava numa bola nem da posição corporal que me poderia facilitar um strike. Nas férias da Páscoa, passei uma boa tarde a jogar Bowling com os meus primos e, embora tenha levado uma grande abada ahahahah, diverti-me bastante.
5. Fui ao cinema (quase) uma vez por mês: Em 2017 não vi tantos filmes como gostaria, mas orgulho-me de quase todos os meses ter conseguido ir assistir a um a uma sala de cinema. Por muito que seja mais fácil e barato ver em sites pirata, ir ao cinema tem muito mais encanto.
6. Fui um dia a Vigo: Uma semana antes das minhas férias começarem, os meus primos convidaram-me para passar o feriado com eles, mas não me disseram onde iam, era surpresa. Não costumo achar muita piada a planos feitos em cima da hora, sem sítio exato, mas decidi abraçar o desafio de ser mais espontânea e aceitei o convite. E ainda bem que o fiz, porque o local surpresa era Vigo. Já não ia lá desde criança, por isso foi mesmo bom matar saudades daquelas paisagens deslumbrantes, das ruas cheias de lojas ( adoro fazer compras lá!) e das praias maravilhosas, cujo tempo típico do Norte não se faz sentir. De vez em quando sabe bem quebrar a rotina, e nada melhor para quebrar a rotina de que ir para outros sítios sem ser os do costume.
7. Fiz 20 anos: 2017 foi o ano em que completei 2 décadas de existência, e saí oficialmente da adolescência yay( ou, pelo menos, de acordo com a OMS). Apesar dos 20 anos não serem como eu imaginava que seriam ( sempre olhei para os jovens desta idade com alguma admiração, por parecerem tão adultos, mas agora sei que não o somos nesta idade e que, na verdade, nunca teremos essa sensação), sinto-me grata por tudo aquilo que já vivi na minha curta existência e, pela primeira vez na vida, posso afirmar que me sinto bem na minha própria pele, confiante, e pronta para todos os desafios e obstáculos que me aparecerem à frente. A minha festa de 20º aniversário não foi numa discoteca ou num restaurante muito chique como o de muita malta, mas foi igualmente especial, com direito aos já típicos balões grandes com os algorismos correspondentes à minha idade, um bolo personalizado que não estava a contar e muitas manifestações de afeto e mensagens queridas. Senti-me especial nesse dia e agradecida por todas as pessoas que tenho na minha vida e que se importam comigo.
8. Enterro da Gata: Em maio deste ano fui, pela segunda vez, ao Enterro da Gata. Mais uma vez, fui na quarta-feira, na noite do Quim Barreiros, na noite do Cortejo, na noite em que há mais emoção. Só fui a uma noite, mas não foi por isso que deixei de me divertir, muito pelo contrário.
9. Muitos dias de praia: Em 2017 não fui ao Algarve nem tive viagem marcada para lado nenhum, mas isso não significa que os biquínis tenham ficado na gaveta. Apesar de a maior parte da minha família ter estado a trabalhar e ter tirado férias em alturas diferentes, arranjámos maneira de irmos todos os fins de semana à praia passar uns bons momentos em família, apanhar banhos de sol e relaxar.
10. Vi Portugal ganhar o Festival da Canção da Eurovisão: Não há um ano em que eu não vejo o Festival da Canção da Eurovisão apesar de, nos últimos anos, o ter visto com uma pontada de desilusão por Portugal não ser melhor representado. Contudo, este ano, quando ouvi pela primeira vez a música de Salvador Sobral, " Amar pelos dois", tive esperança, pela primeira vez na vida, de que podíamos, de facto, ganhar a competição. Ver a Eurovisão este ano foi entusiasmante, e foi ainda mais entusiasmante ver o Salvador Sobral a receber todos aqueles 12s que nos acabaram por conduzir à vitória. Provou a toda a gente que não é preciso espetáculos de luzes XPTO, dançarinas e músicas todas mexidas para arrasar, uma letra simples mas bonita, e uma voz doce e melodiosa pode arrebatar os corações de milhões.
11. Conheci 4 bloggers maravilhosas: Não me canso de dizer que o melhor da blogosfera são as pessoas, e 2017 foi mais uma prova disso. Este ano conheci 4 bloggers maravilhosas, a Rita, a Nani, a Cat e a Carolina. É tão bom poder conhecer as pessoas com quem estou habituada a conviver online, e poder comprovar que as ligações fortes que se criam online podem saltar do ecrã para a realidade.
12. Aniversário do blog: Em setembro, o blog completou 3 anos de existência. Por ter vindo parar à blogosfera por mero acaso, fico cada vez mais surpreendida a cada ano que o blog completa. É incrível como o " Life of Cherry" começou apenas por ser um cantinho virtual com devaneios aleatórios e agora já se tornou num blog, com uma imagem e estilos muito próprios ( " um blog das listas" como muitos o gostam de chamar ahahahah). Em 2017, o blog cresceu imenso, ganhou muitos seguidores ( obrigada!), rendeu os seus primeiros eurinhos e deu-me muito gozo escrever nele. Cada vez sinto mais que a blogosfera é a minha segunda casa, um lugar que me receberá sempre de braços abertos.
13. Começo do 3º ano de Enfermagem: No dia 11 de setembro regressei à rotina da faculdade, desta vez para o 3º ano do meu curso. Parece que foi ontem que era caloira, e agora já estou a entrar na reta final do meu curso. Como assim para o ano eu sou finalista?! Este ano comecei as aulas com grandes expetativas, porque é o ano de especialidades como Saúde Materna, Pediatria e Psiquiatria, e até agora estou a adorar! Apesar de estar a ser muito exigente a nível de estudo, trabalhos e afins, está a ser o meu ano favorito. Agora estou morta para passar para a prática e estagiar em serviços como Pediatria e Maternidade.
14. A minha turma descobriu o meu blog ( e foi a melhor coisa que me aconteceu!): Já contei aqui a história toda mas, de uma forma muito resumida, no final de setembro, uma rapariga da minha turma descobriu e, em pouco tempo, toda a turma ( 100 alunos!) já sabia. Quando as minhas amigas me contaram eu apanhei um grande choque e a minha primeira reação foi ficar muito envergonhada. Mas depois vi que o feedback, no geral, foi tão bom, que a vergonha depressa deu lugar a orgulho pelo meu cantinho e alegria pelos meus amigos, que nem percebem da blogosfera, gostarem de ler. Agora digo que foi a melhor coisa que já me aconteceu porque já não tenho medo nem vergonha que leiam o que escrevo e sinto-me mais livre e com menos filtros neste blog.
15. Viagem a Lisboa: Em dezembro fui a Lisboa eu e os meus primos decidimos festejar o 25º aniversário da minha prima com uma mini viagem a Lisboa. Já não ia há anos à capital ( acho que a última vez a que tinha ido lá tinha sido com 14 anos), pelo que estava muito entusiasmada com esta escapadinha. Foi uma viagem que soube bem, para descansar um pouco do ano agitado que tive e recarregar baterias para estudar para as frequências de janeiro, para festejar o aniversário da minha prima ( porque não é todos os dias que se fazem 25 anos), para conviver com os meus primos e para passear muito.
16. O 25º aniversário da minha prima: 2017 não só ficou marcado pela minha segunda década de vida, como também pelo quarto de século da minha prima. Eu e a minha prima temos uma relação muito próxima, somos praticamente irmãs (só que de pais diferentes). Nutro um grande carinho por era por isso, naturalmente, que este aniversário também significou algo para mim. É um orgulho ver a mulher incrível em que ela se tornou e tudo aquilo que já conquistou.
17. Um natal feliz e aconchegante: Não é segredo para ninguém que o natal é a minha época preferida do ano, mas este foi soube-me ainda melhor do que o dos anos anteriores. Depois do ano agitado e desafiante que tive, soube-me mesmo bem parar dois dias para fazer bolos, passear sob as luzes de natal, conviver com a família e ver filmes natalícios. Este ano eu nem pedi prendas, tudo o que eu dizia quando me perguntavam " O que queres para este natal?" era " Eu só quero dois dias para descansar, de resto tenho tudo, obrigada". Há algo de aconchegante na lareira a arder, nas conversas intermináveis, nos miminhos da avó, nas partidas de jogos de tabuleiro, no cheiro dos bolos a cozer no forno. Este natal relaxou-me, tranquilizou-me e fez-me feliz precisamente por esses pequenos detalhes.
Desejo-vos um bom ano a todos! Vemo-nos em 2018.
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